Carol

1837 Words
Eu sei que vocês já ouviram falar muito de mim. Sempre alguém citou meu nome com muito carinho. "Aaah... A doce menininha!!" Eu fui criada pelo meu pai, minha mãe mora com a gente mas sempre está trabalhando. Ou com dor de cabeça para evitar sair do quarto. Eu amo o meu pai! Ele é divertido, engraçado, compreensível, e o meu melhor amigo! Me lembro dele me colocar sentada no balcão da cozinha, enquanto fazia bolo de chocolate. Ele e a mamãe brigam muito! Então desde novinha ele me deu um iPod para que eu pudesse ouvir músicas, toda vez que não suportasse ouvir as discussões. Sendo assim desde pequena papai e eu cantamos juntos. Beatles, Queen, Michael Jackson... Nós dois fazíamos nosso próprio dueto. Minha mãe nunca ligou muito pra mim! Ela sempre dizia que meu pai só se casou com ela porque estava grávida dele. Mas ela também não colabora muito! E às coisas só pioraram depois que ela trouxe uma prima dela para morar com a gente. Desde o início meu pai detestou a idéia! Mas segundo a minha mãe era só por alguns dias... E isso durou mais de um ano! Meu pai é escritor! Ele vendeu muito livros por contar a história de amor da minha Tia Esther e do meu Tio Pither. Mas minha mãe fala que isso foi pretexto que meu pai usou para trabalhar em casa. A família idolatra a minha falecida tia, graças a isso eu consequentemente recebi o nome dela. Particularmente eu não gosto! Primeiro quando você ganha um nome de alguém que é considerado perfeito a olhos humanos; as pessoas esperam o mesmo de você! Segundo que meu pai teve a péssima idéia de me chamar no diminuitivo; de "Estherzinha." Quando fiz onze anos acabei com essa palhaçada! Hoje sou Carol pra todo mundo! Minha mãe ainda trabalha no mesmo lugar. Só que na visão dela, o atrasado é o meu pai! Lembro-me que quando fiz dez anos meu pai estava tentando escrever um livro. Eu estudava a tarde, ele me levava na escola e em seguida voltava pra casa trabalhar. Foi naquela época que eu entendi que meu pai não era tão perfeito como imaginava... Infelizmente ele não resistiu a tentação e acabou se deitando com a prima sem vergonha da minha mãe! O pior de tudo é que minha mãe descobriu anos depois. E isso quase a destruiu! Ela mudou todas às coisas do meu pai para o quarto de hóspedes. E desde então ele dorme lá! Quando fiz catorze anos mudei a cor do meu cabelo. Eu detestava ser loira! Não queria ter traços nenhum de alguém angelical! Meu pai sempre foi super protetor mas ele respeitava as minhas opiniões. E sempre me apoiou quando conversávamos antes de qualquer decisão! Quando fiz quinze rejeitei a festa de debutante. Minha mãe quase teve um surto psicótico! Porque todas às minhas primas tiveram, ela achou que eu fosse querer! Só que o que a minha mãe não percebeu, é que eu não tenho nada a ver com às minhas primas. Eu sou anti social, introvertida, e sem amigos! Nós quatro temos a mesma idade, e olhos azuis. Só isso também! Eu não me pareço em nada com elas. E isso é o maior desgosto da minha mãe! Quando fiz doze anos comecei a ter curvas que começaram a preocupar o meu pai. Ele me aconselhava do jeito dele, mas infelizmente essas curvas não paravam de aumentar. Uso camisetas largas, e muitas vezes grandes em mim para disfarçar esse corpo que eu repudio. Não gosto que os homens me vejam como um monumento s****l! Um dia minha mãe perguntou se eu era lésbica. E isso doeu profundamente em mim! Eu nunca tive atração por mulheres, mas também não havia sentido por homem nenhum! O pessoal do colégio me chamavam de frígida! Até esse ano... Lembro-me perfeitamente quando esse garoto passou por mim no corredor. Ele era tão charmoso, interessante... Diferente dos babacas daquela escola. Descobri seu nome, Guilherme. Ele é filho do pastor do meu bairro. Eu nunca tinha sentido isso antes por ninguém! Como uma boba resolvi visitar a igreja em que seu pai ministrava, somente para vê-lo de novo. Eu não podia ir até lá de camiseta larga e boné, então peguei um vestido emprestado da minha mãe. Meu pai me perguntou intrigado pra onde eu ia. Falei que era em uma igreja, e ele quase caiu da cadeira! - Quer que eu te leve? Ele perguntou. - Não pai, tudo bem eu vou de uber! Respondi. - Tem dinheiro? - Tenho. Respondi com um sorriso. Fui até ele beijando seu rosto antes de sair. - Até mais tarde Pai! Falei me despedindo. - Carol! Ele me chamou fazendo eu me virar. - Você está linda! E esboçou o mais meigo sorriso. - Também te amo Pai! Respondi correspondendo o seu sorriso. Eu nunca tinha ido numa igreja evangélica, mas prestei atenção no que era dito. Mas confesso que a presença do Guilherme mexia demais comigo. Depois do culto fiquei em frente a igreja esperando o uber. - É Esther Caroline seu nome né? Ele perguntou se aproximando. Fiquei apreensiva pois não sabia como reagir. - Pode me chamar de Carol. Respondi. Trocamos números de telefones e ali criamos uma amizade. Guilherme passou a sentar comigo no refeitório, e eu a frequentar a igreja dele. Comecei a sorrir mais, e Papai a instigar sobre o que estava acontecendo. Por mais amigos que fôssemos eu sei que ele não ia aceitar tão bem a idéia de um garoto na minha vida. Então eu desconversava. Era só o meu celular vibrar, que eu ia correndo ler mais uma mensagem do Guilherme. A igreja dele começou a ser muito receptiva comigo. Um dia todos nós fomos comer pizza depois do culto, avisei papai que ia chegar mais tarde. Sentamos todos juntos, rimos e conversamos até tarde. Quando percebi que a hora já havia passado, despedi do pessoal da igreja e peguei meu celular para chamar um carro de aplicativo. - Deixa que eu te levo! Guilherme sugeriu. Aceitei inocentemente o convite, ele já era de maior e tinha carteira de habilitação. Fomos conversando o caminho todo, tínhamos uma afinidade e já éramos amigos. Quando o carro de Guilherme subiu sentido a ponte olhei para baixo e vi que não havia muito movimento de carros. Ele encostou o carro perto da parede de concreto e desligou os faróis. Fiquei nervosa com a sua atitude inesperada. - Carol eu queria ficar sozinho com você... Disse com um pequeno sorriso. - É... E porquê? Perguntei sem conseguir encara-lo. - Porque estou gostando muito de você! Ele respondeu vindo até a mim me beijando. Eu queria muito ser beijada por alguém, e nada melhor do que o rapaz que estava gostando! Ele começou a me beijar com maís intensidade e a colar seu corpo em mim. Senti meu banco começar a descer para trás e ele deitar sobre mim. Suas mãos em minhas pernas foram subindo o meu vestido. - Gui... Chamei a sua atenção. Mas ele continuou beijando meu pescoço, e tocando minhas coxas com suas mãos. - Guilherme para! Pedi. - Você vai gostar! Disse sem se importar. Ele subiu todo o meu vestido e começou a tirar a minha calcinha sem hesitar. - Eu não quero! Falei tentando me afastar dele. Guilherme fitou meus olhos naquele instante. - Você não gosta de mim? Perguntou. - Gosto... Respondi. - Então... Pessoas que se gostam fazem isso! Respondeu friamente. - Mas eu não quero que seja assim! Falei chateada. - Vai ser bom... E voltou a beijar o contorno do meu rosto. - Depois disso eu vou pedir você em namoro para o seu pai, e nós dois vamos começar a namorar. Após uma promessa vazia de relacionamento, deixei que aquele rapaz me despisse e tocasse em mim. Foi a pior coisa que eu fiz! Aquilo nem de longe foi bom! Doeu muito desde o começo até o fim. Cada vez que ele entrava em mim parecia estar me partindo ao meio. Cheguei em casa me sentindo suja, tomei banho deixando escorrer a água sobre o meu corpo. Mas na verdade eu gostaria que minha alma fosse lavada também. Não consegui dormir direito aquela noite, nada me tirava da cabeça de que fui abusada! Mas o mais difícil foi encarar meu pai no outro dia. Ele questionou meu semblante triste e eu disse que estava com dor de cabeça. Tentei ser o mais amável possível com ele, meu pai não tinha culpa de ter uma filha irresponsável como eu! Fui o caminho todo do colégio me martirizando. Me recriminando por dentro por ter sido uma garota tão fácil! Eu pensei em falar com Guilherme, dizer que não estava bem devido o que tínhamos feito na noite anterior. Talvez se pudéssemos conversar sobre isso ele tiraria essa culpa que eu estava sentindo. Quando cheguei na escola não vi Guilherme no refeitório. Peguei meu celular para procurar o contato dele... Pra minha desilusão Guilherme tinha me bloqueado! Sem foto, sem visto por último, sem nada!! Fui caminhando até a sala dele e o vi sentado em uma das mesas gargalhando com os amigos. Ao lado dele duas meninas do terceiro ano me olhavam de cima a baixo. - Guilherme podemos conversar? Perguntei junto a ele. Eu parecia confiante, mas por dentro estava arrebentada. Sabia o que estava acontecendo mas quis ouvir dele uma explicação. - Olá gatinha! Ele se levantou com um sorriso malicioso. Caminhei até a porta com ele atrás de mim, apertei meus livros de encontro ao peito querendo sumir dali. - O que está acontecendo? Questionei. - Que eu saiba nada! Ele disse rindo e olhando pra trás. Seus amigos sorriam de volta e isso me desestabilizava. - Guilherme a gente transou ontem a noite! E você me bloqueou no celular! Falei como se isso fosse óbvio. - Sim... É que eu não quero mais ficar com você! Ele disse tão espontâneo como se fosse o mais normal do mundo. - O quê? Indaguei. - Foi bom, mas eu não quero compromisso sério com ninguém. E pelo jeito é isso que você está esperando... Ele voltou a olhar os amigos e a sorrir pra eles. - Guilherme você lembra o que me disse ontem? Senti meus olhos pesarem. - Aaaih Carolzinha nós homens somos assim... Falamos o que as garotas querem ouvir na hora H! Se acostuma! Deu de ombros. - Você é um babaca! Desferi cheia de dor. - Olha sem ofensa! Disse zombando. - Meus amigos apostaram que eu não te pegava! E olha que você caiu rápido demais! Ele disse e todos da sala sorriram, inclusive as meninas. - Vamos ver o que o seu paizinho vai achar disso?! Falei me virando de costas e saindo. Discretamente sequei um olho em que a lágrima insistia em cair. - Carol se você me desmoralizar na igreja eu te detono na escola, ouviu? Guilherme me gritou. Patife nojento!!!
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