Suicídio - Carol

1203 Words
Depois que me retirei de perto do Guilherme senti minha garganta dando um nó. A sensação de ter sido burra e usada batia constantemente na minha cara. Gritando como fui ingênua daquele jeito? Eu estudava no mesmo colégio que às gêmeas. Meu tio e padrinho Pither se ofereceu para pagar as mensalidades, insistindo que eu tivesse a mesma educação que às filhas dele. Más é nesses momentos em que eu preferia não estudar aqui. Mil vezes na escola do meu bairro, onde ninguém me conhece! Se essa história chegar até elas eu não saberei como encara-las. Por mais descolada que a Raquel fosse, e todo o jeito compreensível de Rebecca; não era páreo para um assunto pesado como esse! Não quero que às minhas primas me vejam como a vagabunda que estou me sentindo! Depois da segunda aula pedi para o meu pai me buscar, e assim fui embora. Eu não queria nem encarar aquelas meninas no refeitório! E rever o sorrisinho debochado do Guilherme. Coitado do meu pai, trouxe "Atroveran" achando que fosse cólica. Isso me fez se sentir ainda mais culpada! Graças a Deus ele não fez perguntas, apenas me deixou ficar no quarto sem falar nada. Rebecca me mandou várias mensagens quando não me viu no intervalo. Eu não estava com cabeça para responder nenhuma delas! Eu ameacei denegrir a imagem do Guilherme perante a igreja. E por mais que eu fosse até lá na quinta-feira e acabasse contando tudo ao seu pai, isso acabaria mais comigo do que com ele! Mesmo que seu pai acreditasse em mim e punisse seu filho... Ele continuaria sendo o seu filho! Aquelas mulheres recatadas poderiam me acusar de seduzir o filhinho perfeito do pastor! E a ovelha n***a seria eu que estou chegando agora! Não aquele bom e fiel varão! Infelizmente vivemos em um sociedade machista, em que mulheres destroem mulheres. Enquanto os homens estão há cada dia mais unidos e intensificamente mais fortes! Deitei-me com a cabeça sobre o travesseiro fechando os olhos, e desejando por um segundo apagar todas as lembranças tristes daquele dia horrível. Acordei horas depois com o celular que insistia em tocar. Peguei o na mão ainda me sentindo exausta, nele havia dezenas de ligações de Raquel, Rebecca e até da minha mãe. Eu não sabia, mas o mundo estava caindo em cima da minha cabeça enquanto eu dormia. Abri uma das mensagens de Becca ela falava toda apreensiva, e logo abaixo uma foto comprometedora. -"Prima forjaram uma foto sua nua... Ela estava circulando em todas as redes sociais. Sabemos que é montagem! Por favor liga de volta pra gente!" Aquilo caiu como uma bomba dentro do meu quarto. A foto era realmente eu , mas sabemos que eu não tirei aquela foto! Só podia ser aquele desgraçado! Me levantei apressada, na minha casa não havia ninguém. Meu pai deve ter ido pro jornal, ele é editor chefe da redação. Meu celular outra vez tocou e era a minha mãe, ignorei completamente. Entrei no meu quarto calçando o tênis e procurando um casaco para sair. Eu ia pessoalmente falar com aquele moleque! Saí imediatamente em direção a rua quando minha mãe mandou outra mensagem, dessa vez decidi ouvir. Ela estava exasperada! Disse aos gritos que meu pai tinha visto a minha "vergonha" e passado m*l. Ela disse aos berros que meu pai infartou por minha culpa! Disse que eu era o seu maior arrependimento... E que se meu pai morresse eu ia sentir todo o remorso, porque fui eu que o matei! Naquele instante perdi o chão sobre os meus pés. Retornei a ligação pra ela suplicando por informações sobre o meu pai. Implorei que ela dissesse qual hospital meu pai estava! Ela apenas continuou gritando comigo! Disse para eu arrumar as minhas coisas e sumir da casa dela! Que meu pai não merecia uma filha prostituta como eu! Eu aleguei que aquela não era eu! Eu jamais faria isso com o meu pai! Se exibir na internet, a troco de quê? Ela continuou afirmando que era o meu rosto que estava circulando. E que se meu pai saísse dessa, ele não ia suportar olhar pra mim de novo! Continuei andando pelas ruas mesmo depois que ela desligou. Eu estava aos prantos! Eu nunca quis matar o meu pai! Ele é a melhor pessoa que eu conheço! É o amor da minha vida. Jamais eu faria algo para magoa-lo! Fiquei andando sem direção falando sozinha igual uma doida pelas rodovias da cidade. Alguns carros buzinavam quando me viam chegar perto demais deles! Eu continuei pelo acostamento chorando desesperada pelas ruas. Tentando aliviar o meu sofrimento e gritando pelo meu pai! Fiquei andando por horas até encontrar o pontilhão que dava início ao centro da cidade. Aquela maldita ponte que Guilherme parou seu carro para me tocar. Essa ponte dizia mais sobre mim que eu mesma! Ela foi testemunha do momento mais repugnante da minha vida! "-Foi aqui que tudo começou... "Falei subindo até ela! - "E é aqui que vai terminar!" Peguei meu celular do bolso eram quase sete da noite. Mandei um áudio para o meu pai pedindo perdão por ter sido seu maior fracasso! Pedi perdão por nunca ter agradecido o suficiente por tudo o que ele já fez por mim! E também pedi perdão pelo m*l que havia lhe causado! Falei o quanto o amava... E ainda aos prantos, pedi para que ele me perdoasse pelo o que ia fazer... Jurei que não tinha nada a ver com ele! Mas eu precisava aliviar aquele sofrimento! Subi sobre a parede de concreto e fiquei olhando o alto fluxo de carros lá embaixo. Por alguns segundos ouvi como se uma voz falasse ao meu lado. - Não faça isso! Você tem uma vida inteira pela frente. Só tem dezesseis anos, com certeza vai superar isso! Tentei me apegar a essa voz. Mas do outro lado ouvi alguém falar mais depressa. - Pula! Pula logo! Você não vai ter coragem de encarar seu pai mesmo! Muito menos seus colegas da escola! Acaba com isso de uma vez! Olhei para baixo tentando achar uma brecha em meio aos carros, e então criei coragem para eliminar a minha vida! Abri meus braços e fechei meus olhos. E ainda com eles molhados senti a brisa bater no meu rosto. Já era noite quando coloquei um pé em frente ao outro e deixei meu corpo tombar. Era pro meu corpo tem caído, eu não estava me prendendo a nada quando olhei para trás e vi uma mão que segurava a minha touca do casaco. Essa mesma mão junto da outra me pegou pelo braço, e me puxou dali. - Aaah meu Deus! Moça, você está bem? Ele colocou seus dedos envolta do meu rosto. Eu não conseguia responder, estava em choque. - Como você se chama? Disse me afastando da parede de concreto. Eu não conseguia nem falar o meu nome. Eu quase morri! E não estava acreditando que aquele homem apareceu ali do nada, e salvou a minha vida! - Espera aí eu conheço você! Disse sem me soltar um só segundo. Era como se ele temesse o meu retorno a superfície da ponte. - Você é a Esther? Esther Caroline?
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