Enquanto Miguel tomava banho, liguei a cafeteira e fui buscar meu vestido da noite anterior na lavanderia.
Eu sabia que, de certa forma, ele estava tentando me proteger. Mas como aceitar que não podíamos ficar juntos, quando cada célula do meu corpo só queria estar com ele?
Na cozinha, servi uma xícara de café já pronta, decidida a ir embora.
— Carol... — ouvi a voz dele bem atrás de mim, grave, rouca, fazendo meu corpo estremecer.
Me virei rápido e dei de cara com Miguel, ainda molhado, apenas com uma toalha presa ao quadril.
— Fez café? — disse surpreso, mas com aquele meio sorriso que me desmontava.
Não respondi. Se ele queria me afastar, que pelo menos tivesse a decência de se vestir.
Ele abriu o armário, pegou uma xícara e quase se esfregou em mim no processo, me obrigando a levantar os olhos. Depois se inclinou sobre mim para se servir na cafeteira, ocupando o pouco espaço entre nós, exalando o cheiro fresco de banho.
— Era só pedir licença que eu saía! — resmunguei, irritada comigo mesma por estar tremendo.
— Mas eu não quero que você saia... — respondeu fitando meus olhos, um desejo explícito queimando no olhar.
— Miguel, eu não sei qual é o seu problema! — larguei a xícara na pia com força. — Você praticamente me expulsou ali no tapete, e agora está aqui me cercando!
— Estou te deixando nervosa? — provocou, se aproximando mais, a voz baixa, brincando comigo.
— Você está querendo me enlouquecer! — falei, tentando desviar, mas ele continuava parado, imenso, me encarando, se divertindo com a minha fraqueza.
O calor do seu corpo, o perfume de shampoo, as gotas de água escorrendo do peito tatuado, tudo me desarmava. Meu subconsciente gritava para que eu fosse embora, mas eu estava hipnotizada.
Quando tentei sair, seus olhos mudaram. O sorriso divertido se desfez, dando lugar a uma seriedade intensa. Eu segui seu olhar e percebi o volume marcando a toalha, impossível de ignorar.
— Você não acha que está me devendo alguma coisa? — perguntou com a voz rouca, carregada de intenção.
Meu coração falhou uma batida. A lembrança da nossa conversa sobre sexo oral queimou dentro de mim.
Ele não piscava. Apenas me olhava, como se me dominasse só com os olhos.
— De joelhos... — ordenou, firme, sexy, autoritário.
Por um instante fiquei paralisada. Aquelas duas palavras, carregadas de autoridade, ecoaram dentro de mim como um comando inevitável. Senti o ar preso nos pulmões, minhas pernas bambas e a excitação latejando mais forte que a vergonha.
Miguel não se moveu, apenas inclinou o queixo levemente para baixo, me encarando com aquele olhar dominador que sempre me desmontava. O volume sobre a toalha era tão evidente que parecia me chamar, zombar da minha resistência.
Engoli seco. Meu coração martelava, mas mesmo assim obedeci. Minhas mãos tremiam quando apoiei no balcão para descer lentamente até ficar de joelhos diante dele.
— Assim está melhor... — murmurou, a voz grave, quase um ronronar de prazer ao me ver rendida.
A toalha ainda cobria seu quadril, mas minha mente já estava nua diante daquilo. Minhas mãos hesitaram antes de tocar, e ele notou. Um meio sorriso surgiu em seus lábios.
— Está com vergonha agora, Carol? — provocou, inclinando-se para passar os dedos devagar pela minha boca. — Você não parecia tão tímida quando gritava meu nome horas atrás...
Arrepios correram pela minha pele. Minha respiração já estava descompassada, e ele sabia que tinha me dominado por inteiro.
Com um puxão firme, Miguel soltou a toalha, deixando à mostra aquilo que eu já imaginava — duro, latejante, tão próximo que fez minha boca salivar.
Me aproximei dele devagar, o cheiro da pele ainda úmida do banho misturado ao café que ele havia tomado me deixou tonta de desejo. Miguel pousou a mão firme na minha nuca, guiando meus movimentos como se tivesse total domínio sobre mim.
— Isso... boa menina — ele murmurou, a voz rouca, e aquilo só me incendiava mais.
Passei a língua pelos lábios, nervosa e excitada, até tocá-lo com a ponta da língua. Miguel respirou fundo, jogando a cabeça para trás, e senti a mão dele apertar meus cabelos em resposta.
— Continua... quero sentir essa sua boca... — ordenou, e eu obedeci.
Envolvi-o devagar, sugando apenas a ponta no início, ainda insegura, mas logo percebi os gemidos baixos que escapavam dele. Aquilo me dava coragem. Comecei a movimentar a boca, mais fundo, mais firme, experimentando, deixando minha saliva escorrer pelo canto da boca.
— p***a, Carol... — ele gemeu, apertando ainda mais meus cabelos, me forçando a ir até onde eu nunca tinha ido. Eu engasguei levemente, mas em vez de parar, continuei, querendo provar pra ele — e pra mim mesma — que podia dar prazer do mesmo jeito que havia recebido.
Olhei pra cima por um instante, e vi seus olhos cravados em mim, semicerrados de t***o. O jeito como ele me olhava quase me fez gozar só de estar ali, submissa, enlouquecida, mostrando que era capaz.
Ele começou a mover o quadril, ritmando minhas investidas, gemendo mais alto, o corpo todo tenso, e eu sabia que tinha finalmente o levado ao limite.
— Isso, Carol... assim... não para... — rosnava, cada vez mais entregue, cada vez menos no controle.
E eu continuei, sentindo o poder que ele achava que tinha sobre mim se inverter a cada segundo em que ele perdia a razão na minha boca.
— Olha pra mim... — ordenou, e eu ergui os olhos, encontrando o dele em chamas. — Agora mostra do que é capaz.
Abaixei a cabeça lentamente, o coração disparado, pronta para me entregar àquele prazer proibido, sabendo que cada gesto só me prendia ainda mais a ele.
Os gemidos dele foram ficando mais pesados, a respiração descompassada, os dedos cravados nos meus cabelos como se fosse a única forma de se manter de pé.
— Caralho... você vai me fazer gozar... — ele arfou, e a voz dele naquele tom rouco me arrepiou inteira.
Apertei mais a sucção, acelerando os movimentos, deixando minha língua deslizar em cada ponto que arrancava dele mais um gemido. Miguel perdeu o ritmo e gemeu alto, sem conseguir mais se controlar.
Senti seu corpo inteiro estremecer, os músculos do abdômen se contraírem, e então ele explodiu dentro da minha boca. O calor do g**o me invadiu, e por um segundo fiquei paralisada, mas decidi engolir tudo, sem desviar os olhos dos dele.
Miguel jogou a cabeça para trás, um gemido arrastado escapando de sua garganta, completamente entregue. A mão que segurava meus cabelos afrouxou, deslizando suavemente até meu rosto, como se não acreditasse no que eu tinha acabado de fazer.
Lambi os lábios devagar, saboreando cada segundo, e senti uma ousadia crescer dentro de mim.
— Eu consegui... — falei num sussurro, ofegante, mas com um sorriso vitorioso.
Ele me puxou para cima de repente, grudando sua boca na minha com um beijo intenso, possessivo, ainda ofegando.
— p***a, Carol... você não tem ideia do que acabou de fazer comigo... — confessou, com a voz embargada, o suor ainda brilhando em seu peito.
E naquele instante, pela primeira vez, percebi que tinha feito Miguel perder o controle... e isso me deixou ainda mais louca por ele.
Ele ainda respirava fundo, tentando recuperar o ar, mas seus olhos estavam grudados em mim como se eu fosse o único ponto de equilíbrio que lhe restava. Seu maxilar travado, o peito subindo e descendo rápido — nunca tinha visto Miguel tão vulnerável.
— Merda, Carol... — ele murmurou, esfregando as mãos no rosto. — Eu disse que você devia ir embora... que isso não podia acontecer... — fez uma pausa, me fitando como se quisesse gravar cada traço meu. — Mas olha pra mim agora... olha o que você faz comigo!
O tom da sua voz oscilava entre a raiva de si mesmo e o desejo incontido. Ele me puxou pela cintura com força, me prendendo contra seu corpo ainda coberto apenas pela toalha. Senti a excitação dele, quente e pulsante, colada ao meu ventre.
— Você me enlouquece, garota... — confessou rouco, encostando a boca no meu pescoço, respirando pesado ali, como se lutasse contra si mesmo. — Eu nunca... nunca perdi o controle desse jeito.
Minha pele se arrepiou inteira quando ele deslizou a mão por minhas costas, firme, possessivo, mas ao mesmo tempo carinhoso.
— Você acha que eu consigo dormir depois disso? Fingir que nada aconteceu? — Miguel ergueu o rosto, e seus olhos estavam brilhando, quase desesperados. — p***a, Carol... eu te mandei embora mais cedo, mas a verdade é que eu não suporto a ideia de você longe de mim.
O nó que prendi na garganta explodiu em um suspiro trêmulo. Toquei o rosto dele com cuidado, passando o polegar por sua barba molhada.
— Então não me afasta mais... — pedi num sussurro.
Miguel fechou os olhos por um instante, como se minhas palavras fossem um alívio e uma tortura ao mesmo tempo. Quando abriu, me puxou de novo para um beijo feroz, urgente, faminto, deixando claro que, naquele momento, não havia volta para nós dois.
O beijo de Miguel desabou sobre mim como uma tempestade. Seus lábios quentes, sua língua dominando a minha, seu corpo pressionando o meu contra o balcão da cozinha. Eu não tinha como escapar, e nem queria — porque era ali, presa a ele, que eu pertencia.
As mãos dele exploravam cada centímetro meu, como se quisesse me devorar inteira. Quando seus dedos deslizaram pela barra do meu vestido, subindo rápido demais, senti meu corpo estremecer.
— Você não faz ideia do quanto eu sonhei com isso... — ele sussurrou contra a minha boca, já arrancando o tecido por cima da minha cabeça. — Eu tentei... tentei me convencer que era errado, que eu precisava parar... — seus olhos ardiam em desejo, enquanto a toalha já ameaçava cair. — Mas você me fez perder qualquer limite, Carol.
Ele me ergueu pelas coxas sem esforço, e em segundos eu já estava sentada no balcão frio, com ele entre as minhas pernas. A toalha cedeu e deslizou pelo chão, revelando toda a excitação dele, latejando e pronta para mim.
Meu coração batia descompassado, mas havia um sorriso nos meus lábios. Miguel estava completamente entregue, despido não só do corpo, mas da armadura que sempre carregava.
— Eu devia te f***r aqui mesmo, até você esquecer o seu próprio nome... — sua voz era pura luxúria, mas seus olhos ainda pediam algo mais: entrega, cumplicidade, amor.
— Então faz... — eu o desafiei, arqueando o quadril contra ele. — Me mostra o quanto me quer.
Miguel soltou um gemido baixo, quase um rosnado, e me penetrou de uma vez só, profundo, intenso, me arrancando um grito abafado contra o seu ombro. Ele me segurava firme, como se tivesse medo de eu escapar, enquanto seus movimentos se tornavam cada vez mais fortes, desesperados.
O balcão rangia sob nós, meu corpo se curvava buscando mais, e os gemidos dele se misturavam aos meus em uma melodia proibida e irresistível.
— p***a, Carol... — ele arfava contra a minha boca, completamente perdido em mim. — Eu não consigo... não consigo mais parar!
E naquele momento, nem eu queria. Porque Miguel estava me dando não apenas seu corpo, mas sua alma inteira.
Miguel me erguia no balcão como se eu fosse parte dele, seus movimentos cada vez mais fundos, mais desesperados. A cada estocada eu me agarrava em seus ombros fortes, minhas unhas arranhando sua pele quente e suada.
— Miguel... — gemi arfando, sentindo meu corpo inteiro se entregar.
Ele rosnou baixo, como se o meu gemido fosse gasolina em seu fogo. Seus olhos estavam fechados, a boca aberta, perdido entre a culpa e o prazer. Mas quando abriu os olhos e os fixou nos meus, percebi que não havia mais volta: estávamos presos um no outro.
— Eu te quero... — ele sussurrou rouco, enquanto acelerava o ritmo. — Te quero mais do que já quis qualquer coisa na vida.
Um calor insuportável subiu pelo meu ventre, explodindo em ondas que me fizeram gritar contra o seu pescoço. O orgasmo me atravessou inteiro, como se tivesse quebrado todos os ossos e, ao mesmo tempo, me reconstruído em pedaços novos.
Miguel gemeu alto, arfando, os músculos de seu abdômen tremendo. Então, com um último impulso forte e profundo, ele se derramou dentro de mim, pressionando-me contra o balcão como se quisesse me fundir ao seu corpo.
— Carol... — seu gemido foi o mais vulnerável que já ouvi dele.
Ficamos imóveis por alguns segundos, respirando juntos, os corações disparados e os corpos colados em suor. Eu sentia o calor dele dentro de mim, o peso do seu corpo sobre o meu, e a forma como ele me abraçava desesperado, como se tivesse medo que eu evaporasse de seus braços.
Ele beijou minha boca com ternura, completamente diferente da selvageria de instantes atrás, e sussurrou:
— Você é o meu pecado mais doce... e eu nunca mais vou conseguir me livrar de você.
Meu peito explodiu em emoção. Sorri em meio ao cansaço, passando a mão por seus cabelos molhados de suor, enquanto ainda sentia nossos corpos entrelaçados.
E foi ali, no balcão frio da cozinha, que percebi que já não éramos apenas amantes escondidos — éramos reféns um do outro, entregues, sem volta.