Fiquei pensando nas meninas o dia todo. São duas garotas aparentemente simpáticas mas muito diferentes! Gio é tímida, um pouco introvertida, e tem um visual peculiar.
Já Carol é a cara da mulher brasileira! Sabe aquela mulher que tem bastante s***s, coxas grossas e bumbum grande? Sim! Aposto que vocês já conheceram uma mulher dessas! Que você pensa nossa essa garota deve ter sido abençoada por alguém lá de cima!
Mas creio que Carol ainda não se deu conta do quão bonita é! Seu jeito é mais simples, reservado... E eu gostaria muito de mostra-la seus pontos fortes a deixando mais feminina. Fiquei imaginando aquela garota com um de meus vestidos, maquiada e com cabelos soltos.
Mas para aceita-la eu teria que dizer não a Gio. Mas eu também gostei dela! Não sei... Seu jeito autêntico me fez querer conhecê-la melhor! Ela é tão bonitinha, toda meiga com seu visual coreano. E se vê que é uma garota esforçada. Pois estuda e ao mesmo tempo trabalha.
Estou num dilema difícil de resolver. Se eu escolher uma consequêntemente abrirei mão de outra!
Fui trabalhar com a minha cabeça dando um nó. Tentando sozinha descobrir qual é a melhor decisão!
Quando cheguei no bordel avistei algumas das meninas sentadas próximo ao pub. Elas me olharam com um sorriso presunçoso, sem entender vi quando Ariel se aproximou sussurrando ao meu lado.
- O bonitão está te esperando... Olhei para o balcão do bar e em uma das banquetas está ele.
Quase não acreditei que André tinha voltado! Ele se levantou caminhando em minha direção. Ariel saiu ainda sorrindo e voltou com às meninas.
- Oi... Sua voz era baixa.
- Oi, você está bem? Perguntei notando seu olhar cabisbaixo.
- A gente pode conversar? Ele perguntou um pouco sem jeito.
- Bom... Eu... Só vou ficar pronta mais tarde. Expliquei já que era cedo, e eu nem estava produzida.
- Eu só quero conversar... Ele disse de um jeito tão fofo e gentil que eu não pude negar.
- Vamos subir? Perguntei.
- Não... Vamos tomar um café? Ele disse me encarando.
Ninguém nunca tinha me convidado para tomar um café. Eu não soube reagir diante dessa situação.
André pegou em minha mão me puxando porta afora. Passamos pela calçada e ele me apontou o seu carro no estacionamento.
Quando nos aproximamos ele abriu a porta e eu entrei. Ainda desconfortável por estar vestida como Anna e não como Cindy fiquei olhando a rua, quando André entrou.
Seu perfume invadiu o nosso espaço, ele me olhou nos olhos me deixando um pouco nervosa. Depois deu partida em seu carro e saímos dali
O modo como ele dirigia era tão sexy, cenhos franzidos, expressão de sério ao olhar no retrovisor. André era o único homem que me deixava excitada sem me tocar ou dizer nada!
Fiquei observando ele manusear o volante, eu não queria mas não podia evitar. Tudo naquele homem é extremamente atraente!
Algumas quadras depois e ele parou diante de uma cafeteria. Fiquei o olhando estacionar entre dois carros, e admirando-o ainda mais por saber fazer uma baliza tão boa!
- Não tem medo de ser visto comigo? Soltei de repente.
- O que podem fazer? Ele deu de ombros soltando nossos cintos de segurança.
- Te expor no jornal... Respondi preocupada.
- Eu trabalho no jornal Cindy, fique tranquila que ninguém vai publicar nada sem falar comigo antes!
Eu queria rebater, citar vários outros lugares que poderiam nos expor como por exemplo a internet. Mas me calei! O modo como ele não se importava me deixou mais tranquila.
Ele abriu a porta e eu desci com a sua ajuda. Entramos naquele café como se realmente fôssemos um casal, André segurou em minha mão enquanto procurávamos uma mesa.
Gentilmente ele mostrou uma mesa vaga e nos sentamos. A garçonete nos entregou o menu, eu estava pronta para dizer que não queria nada.
- Peça o que quiser! Disse olhando para o cardápio.
A garçonete sorriu e eu retribui. Fiquei pensando que se ela soubesse quem eu sou realmente me trataria com tanto respeito?
André me olhou nos olhos e eu notei que ele estava com um ar de cansado.
- Minha filha fugiu de casa! Ele disse de repente.
Fiquei espantada! A dor nos olhos de André era esmagadora!
- Como assim? Perguntei preocupada.
- Acabei de voltar do colégio em que ela estuda Cindy. Um filho da mãe fez uma montagem comprometedora dela, e a expôs na internet!
- Aaah meu Deus! Falei extremamente chocada. - E quem é esse desgraçado?
- Um moleque! Um pilantra que seduziu a minha filha e depois a denegriu pela escola!
Ele desferiu cheio de ressentimento.
- Eu sinto muito André! Falei tocando em sua mão.
- E sabe o que mais me dói? Ele disse com os olhos brilhando. - Que enquanto eu rolava pela cama com você, no mesmo dia minha filha estava sendo abusada por aquele marginal!
- Ah não André, não faça isso! Não fique se torturando! Isso não foi culpa sua! Falei acariciando seus dedos.
- Eu a criei tão bem... Tentei protegê-la de todas as formas. Mas falhei como pai! Disse angustiado.
- Não!! Você não poderia prever! Falei o olhando diretamente. - E a mãe dela? Onde estava a sua esposa quando isso aconteceu?
- Eu não sei! Deu de ombros. - Ela disse que dormindo... Me culpou por ter a deixado sair com os amigos da igreja!
- André você já carrega culpa demais, não deixe mais isso te assolar! Vamos encontrar uma saída...
A garçonete se aproximou para anotar os pedidos. Pedi apenas um capuccino, e André um café preto.
- Eu não apareci ontem porque passei m*l e tive que ser hospitalizado. Confessou.
E eu achando que ele tinha me esquecido!
- Eu quero te ajudar, primeiro temos que encontrar a sua menina! Falei vendo-o dar um meio sorriso.
- Ela disse que está na casa de uma amiga. Falei com ela durante o dia mas está relutante em voltar pra casa. Explicou. - A mãe a magoou, disse coisas muito duras a ela!
- Desculpa mas a sua esposa também não ajuda né? Respondi indignada.
- A escola expulsou o infeliz! E fez ele apagar a tal foto. Mas isso não vai trazer a inocência da minha filha de volta! Disse com seus olhos marejados.
- Ele é de maior? Indaguei. André assentiu.
- Então já aguenta um bom processo!
André se encostou na cadeira arrasado.
- Ei!! Falei o consolando. - Ela vai aparecer! Tenho certeza que a sua filha está bem. Só está com medo, e precisando de um tempo para digerir tudo o que aconteceu!
- Queria ver a vida com essa leveza que você vê! Disse dando um sorriso triste.
A garçonete trouxe os cafés e depois se retirou.
- Você é um pai maravilhoso André. Qualquer um consegue ver isso! Dedica a sua vida a cuidar dela, parece um pai solteiro!
- Mas eu devia ter contado sobre os homens! Falado o quanto eles conseguem ser cruéis, sem vergonhas e aproveitadores!
Respondeu.
- Nem todos são assim... Respondi pensando no quanto ele é diferente.
André apenas negou com a cabeça chegando mais perto da mesa.
- Nossa espécie já foi corrompida Cindy! Tenho por mim que foi por causa de um homem que você acabou onde está!
Sua concepção me deixou sem fala e eu acabei tomando um pouco do meu capuccino para disfarçar. André prosseguiu me olhando.
- Não foi culpa de ninguém! Aconteceram muitos fatores que me levaram até aqui! Expliquei.
- Como se vê daqui cinco anos Cindy? Ele perguntou provando o seu café.
- Formada em psicologia... Encolhi meus ombros. - Talvez eu já consiga comprar o meu carro.
- Não pretende se casar? Ter filhos? Indagou.
- Casar eu? Perguntei surpresa.
- Sim... Formar uma família! Respondeu com seu modo gentil.
- Quem formaria uma família com alguém como eu! Respondi sorrindo. - Olha pra mim!
- Estou olhando! Ele respondeu sereno.
Sua resposta me deixou um pouco sem jeito.
- Acho que preciso voltar... Falei terminando meu capuccino.
André assentiu ainda sem tirar os olhos de mim chamou a garçonete.
Voltamos para o carro e depois seguimos calados até o Castelo Club. André estacionou em frente ao bordel, e tentou pegar a sua carteira no bolso da frente da calça.
- Não... Falei tocando a sua mão. - Não quero que me pague!
- Por que não? Disse atônito.
- Não quero receber por conversar com você! Respondi.
- Assim vou pensar que temos algo mais do que o profissionalismo! Ele jogou uma responsabilidade em cima de mim.
- Talvez eu te considere como um amigo! Respondi vendo-o sorrir.
- E talvez eu goste disso! Ele apertou seus olhos.
André se inclinou para frente e eu tive medo dele me beijar, então virei meu rosto para o lado com meu olhar baixo.
Senti seus lábios me tocar a face, e imaginei como seria ser beijada por ele.
Não sei porque tenho essa curiosidade de saber a sensação... Isso nunca me ocorreu!
- Até logo Cinderela! Ele disse com um sorriso encantador.
Calmamente virei meu rosto e o encarei nos olhos. Seu rosto estava á centímetros do meu.
Por quê ele faz essas coisas?
- Espero que tudo fique bem! Respondi sendo sincera.
Ele não se moveu, e nem se afastou. Continuou me fitando os olhos, me desestabilizando e me deixando nervosa.
- Tchau André... Falei saindo de seu cerco invisível.
Fechei a porta ainda atordoada, entrei no clube andando depressa. Ouvi a voz da c******a ecoar ao fundo.
- Se divertiu? Ela me provocou audaciosa.
- Espero que sim, pois já é a terceira vez que esse homem te procura só essa semana!
Prendi o ar me contendo para não manda-la para o inferno. Então me virei olhando-a.
- Arrume se, hoje é o seu dia de ficar na área vip! Ela forçou um sorriso presunçoso.
- Não... Neguei sem pensar.
- Com certeza sim! O Clube é meu, e hoje é a sua vez de ir! Insistiu.
Então virei meu rosto e subi às escadas bufando.
- E coloque a sua melhor fantasia! Gritou afrontosa.
Entrei no meu quarto e bati a porta atrás de mim. Ela sabe que eu odeio a área vip, mas me mandou pra lá porque André está demonstrando interesse em meus serviços.
Gothel é ardilosa, sempre que um cliente visita demais as meninas ela faz isso! Manda para área vip junto daqueles brutamontes cheios de dedos, e pensamentos impuros.
Ela gosta de mostrar quem está no poder! Fez isso com Aurora , Jasmine e agora comigo! Ela acha que André tem algum interesse em mim além de sexo.
Uma vez um cliente que dizia-se apaixonado por Aurora começou a frequentar o lugar. Gothel notando tudo mandou a coitada para área vip, e tratou logo de convidar o rapaz.
Ele teve que ser obrigado a assistir tudo o que as grandes autoridades faziam com às meninas.
Desde então ele desistiu de Aurora e nunca mais apareceu! Ela chorou por dias...
Gothel não perde por esperar! Eu tenho fé que vou passar no vestibular, e um dia sairei daqui de cabeça erguida!
Não serei prostituta para sempre! Nem que eu tenha enfiar aquelas duas meninas dentro da minha casa! Vou me formar e montar a minha própria clínica!