Eu precisava sair dessa encrenca que me meti, e rápido!
— Esther era modelo e se casou com o filho de família importante! A morte dela foi muito comentada! — respondi rapidamente.
— Mas você era uma menina na época... — ele falava com os cenhos franzidos.
— Mas já sabia ler um jornal! E sempre gostei de reportagens... Desde aquela época! — respondi sendo sincera.
— Então deveria cursar jornalismo! — sua expressão se suavizou e eu me tranquilizei. — Se quiser mudar de ideia, na redação oferecemos ótimos programas de estágios!
— Está me convidando para trabalhar com você? — arquiei minhas sobrancelhas.
— Você não iria? — indagou.
— André, a conversa está tomando outro rumo, e você não respondeu à minha pergunta! — retomei o controle da conversa.
André tirava um saca-rolhas da gaveta e abria uma garrafa de vinho.
— O que quer saber? — disse concentrado na garrafa.
— Sobre o nome de sua filha... Por que tem o mesmo nome da esposa do seu primo? — repeti a pergunta como se fosse óbvio.
— Esther não era só a “esposa do meu primo”. Ela era a minha irmã! — revelou.
Quase caí da cadeira, extremamente chocada.
— Você não leu os livros? — ele perguntou-me, colocando um pouco de vinho em minha taça.
Neguei com a cabeça.
André franziu o cenho como se estivesse indignado e depois saiu da cozinha, indo em direção à sala. Voltou minutos depois com um livro nas mãos e o colocou sobre a bancada.
— Toma! Agora você não tem desculpas para não saber a história! Fique com esse exemplar!
Toquei na capa e o autor era exatamente “André Monteiro”.
— Você escreveu sobre eles? — perguntei, boquiaberta.
André assentiu com um sorriso tímido.
— Uau!! Como fez isso? — falei folheando o livro.
— Depois que Esther partiu, o meu irmão Lorenzo foi embora para Londres. Matheus se casou com a Luiza, e Miguel sofria tanto quanto Pither... Ele era o irmão preferido dela! — André começou falando e eu o encarei nos olhos. — Mas Pither ficou viúvo aos vinte e cinco anos de idade, com duas filhas nos braços. E mesmo com Diana o tempo todo ao seu lado, ele precisava conversar!
Fiquei olhando-o sem desviar a atenção.
— Então eu passava no apartamento dele todos os dias; na volta do restaurante ia direto pra lá. Pither dizia... “André, no momento não sou uma boa companhia...” Pois ele só queria falar dela! Então eu pedi que ele me contasse tudo: relatasse em primeira mão como se conheceram, se apaixonaram e decidiram se casar! E assim ele fez!
— E você escreveu tudo?! — falei surpresa.
— Quando voltava pra casa, eu anotava tudo o que ouvia de Pither. Até que eu consegui terminar o livro e mostrei pra ele.
— Ele deve ter se emocionado muito! — imaginei.
— Sim, ele achou que o mundo deveria conhecer aquela história. E quando meu avô dividiu a herança, eu investi a minha parte na publicação de todos eles!
— Realmente não é fácil publicar um livro hoje no Brasil, os valores são altíssimos. Imagina uma trilogia?! — falei.
— Mesmo com a ajuda de Pither, realmente não foi fácil! — respondeu-me. — Isso também irritou muito Ariadne!
— E por quê? — indaguei.
— Ela achou que o dinheiro seria mais bem aproveitado se comprássemos a nossa casa e viajássemos com o resto!
— Se tivesse feito isso, hoje você não seria quem é! Na vida, às vezes precisamos abrir mão de algumas coisas pra lá na frente conquistarmos outras! — respondi espontaneamente.
André intensificou seu olhar.
— Você abriria mão da sua vida agora para conquistar algo futuramente? — sua pergunta foi direta.
Fiquei completamente sem reação.
André se aproveitou de uma brecha que lhe dei para perguntar algo que aposto que desejava saber há tempos!
— Eu não sei... — respondi embaraçada. — Acho que... — hesitei. — O sonho tem que valer a pena! — respondi, olhando-o.
— Concordo! — ele exibiu um sorriso.
— Agora vou guardar o livro — falei, me levantando. — Obrigada! — agradeci.
Ele apenas assentiu com a cabeça, e eu saí rapidamente dali.
Fiquei uns minutos no quarto remoendo as palavras de André. Saber que Esther era a sua irmã “alugou um triplex em minha cabeça”.
Estava ansiosa para ler os livros! Mas saber que eles todos são família me deixou chocada!
E Caroline, que é apaixonada pelo irmão do André! Meu Deus, quem ela é? De onde apareceu? Será que André sabe que seu irmão tem uma relação com essa menina?
E Caroline lembra tanto essa família! Minha cabeça está dando voltas!
Desci as escadas calada, quando vi André na sala, eufórico, assistindo a um jogo de futebol na TV.
Quando me viu, sorriu, dizendo:
— Meu time está jogando... Pra quem você torce? — perguntou-me.
— Eu não acompanho... — respondi um pouco constrangida por não entender nada de futebol.
— Sente-se, o jantar está quase pronto! — ele deu um tapinha no estofado.
Sentei-me ao seu lado e, inesperadamente, senti a sua mão tocar a minha nuca. Ele acariciava meus cabelos enquanto assistia ao jogo.
Observei-o vibrar sem tirar os olhos da tela. E fiquei pensando qual seria o grande defeito de André. Pois algum ponto negativo, com certeza, ele tem!
Um homem bonito, engraçado e que cozinha... Certamente deve ter algo muito sombrio que o percorre!
Eu acostumei a esperar o pior do ser humano. Desde quando virei garota de programa, aprendi a conviver com todos os tipos de pessoas.
E uma coisa é certa: ninguém é tão bom quanto parece!
Eu já atendi grandes homens que são ótimos maridos e pais de família. Mas, ao escurecer, se vestem de mulher e nos pagam caro para introduzirmos brinquedos de origens duvidosas neles!
Parece assustador? Se eu te contar tudo o que já vivenciei, me internariam por achar que estou criando histórias, alegando esquizofrenia ou coisa do tipo!
Mas André me faz questionar a vida! Seu jeito contradiz as minhas crenças. Eu tento, de todas as maneiras, me convencer de que ele não é um homem incomum. Que, a qualquer momento, esse homem vai fazer alguma besteira e eu vou poder confirmar que estava certa o tempo todo!
Ele me olhava de relance, de vez em quando, e exibia um sorriso de canto. Eu retribuía aquele sorriso e continuava a admirar seus traços faciais e suas marquinhas nas bochechas.
André tirou a carne do forno, e eu o ajudei a arrumar a mesa. E, quando fui me sentar, ele fez questão de puxar a cadeira para mim.
Depois, ele insistiu em me servir e ficou esperando a minha reação, igual a um chefe gastronômico com seus primeiros clientes.
— Não diga que está bom somente para me agradar! — ele arqueou uma sobrancelha.
— Eu jamais faria isso! — falei, provando a sua comida.
Eu era suspeita a falar, não era acostumada a comer comidas tão bem preparadas. No meu dia a dia, eu me servia de alimentos que vendem congelados ou já pré-cozidos, que facilitam a minha vida.
— Hum... — falei, fechando os olhos. — Isso tá divino!
Seu sorriso se estendeu de satisfação. E então ele se sentou ao meu lado e se serviu também.
— Até que está gostoso! — falou, enquanto mastigava.
— Qual é o seu defeito, André? — perguntei repentinamente, fazendo-o se assustar.
— Que pergunta é essa?! — ele riu.
— Você é um bom pai, escritor, jornalista, sabe cozinhar, hétero... Bom, eu acho!
— Você adora saber sobre mim! Bom, eu sempre te contei tudo sobre a minha vida. E eu não sei nada sobre você! Até um nome falso é a única coisa que tenho! — André respondeu-me.
Suspirei fundo.
— Há conversas não muito apropriadas para a mesa de jantar — forcei um sorriso.
— É tão r**m assim? — o olhar dele foi extremamente solidário.
Apenas me calei, não tinha vontade de dividir a minha vida com ele naquele momento.
— Só um nome então... — pediu.
— Anna Lara — falei meu nome em voz alta pela primeira vez para um cliente.
André me olhou perplexo.
— Seu nome é lindo! — disse-me encantado.
— Obrigada... — agradeci, sabendo que estava quebrando outro parâmetro da minha vida.
— Por que Cinderela? — indagou.
— Isso não é coisa minha. A dona do bordel tem um certo humor n***o devido às situações — expliquei.
André colocou um pouco mais de vinho para mim e me ofereceu um brinde.
— Vamos brindar a você!
— A mim? — perguntei, incrédula.
— Sim! Brindaremos à futura psicóloga Anna Lara. A “menina mulher” mais doce, meiga e linda que já conheci!
Eu mentiria se dissesse que suas palavras não me tocavam de certa forma.
— Você é um homem de fé, já me chamando de futura psicóloga! — sorri.
André assentiu, confirmando as minhas palavras.
— Quero que saiba que você tem em mim um amigo. E o que eu puder fazer para te ajudar, conte comigo! — me ofereceu a sua mão sobre a mesa.
E eu a segurei, agradecida.
André voltou a assistir ao segundo tempo do jogo. E, mesmo eu insistindo em lavar a louça, ele não deixou!
Colocamos tudo na lavadora e sentamos juntos na sala. O final terminou em empate, causando um grande desapontamento ao André.
Eu nunca tive um pai, um amigo ou namorado que gostasse de jogo. E essa reação masculina, pra mim, era extremamente nova!
— Vou dormir triste! — ele disse, sendo sarcástico.
— Não vai não! — falei, tocando o seu rosto e o beijando em seguida.
Como eu amava beijá-lo! Era algo só nosso... Diferente!
André me virou, sentando-me em suas pernas. Ainda nos beijando, senti suas mãos deslizarem pelas minhas costas até o meu quadril. Seus dedos se encaixaram perfeitamente ali.
Coloquei as minhas mãos em sua nuca e, me inclinando sobre ele, o beijei ardentemente. André desceu a sua mão esquerda do meu quadril para as minhas coxas e subiu meu vestido tubinho, sentindo suas mãos quentes passando por dentro do tecido.
Sua outra mão tirou meus cabelos dos ombros e me olhou nos olhos, enquanto os colocava sobre as minhas costas.
Ele falava que eu era meiga, mas André era gentil, terno e carinhoso. Fiquei fascinada quando ele beijou meu pescoço delicadamente.
Seus dedos eram leves ao tocar o meu ombro. Ele puxou a alcinha do meu vestido e, ao mesmo tempo, ia formando um caminho de beijos com seus lábios.
Eu queria dizer tantas coisas a ele, mas apenas fechei os meus olhos e deixei esse desejo que sentíamos um pelo outro aumentar.
Puxei o cinto de sua calça e abri o botão, impaciente. Era como se precisássemos um do outro para respirar.
André desceu um pouco a calça e me encaixou perfeitamente em cima dele. Vi-o apertar os olhos quando desci até o fim.
Enquanto eu fazia movimentos sobre ele, sua boca ligeiramente aberta exibia um completo t***o entre nós. André me suspendia com suas mãos, mas sua excitação estava à flor da pele, que m*l conseguia respirar.
Pela primeira vez, o vi xingar um palavrão enquanto me via acelerar os movimentos. Toquei seus cabelos com meus dedos, enquanto o abraçava ainda me mexendo sobre o seu p*u.
Chegamos juntos ao ápice; André gemeu alto. Depois, balbuciou alguma coisa que eu não entendi e, então, respiramos ofegantes e suados, com nossos rostos colados um no outro.
(...)
André acabou adormecendo no sofá, então me levantei, indo até a cozinha pegar um copo de água. Eu não tinha sono durante a noite devido ao trabalho.
O celular de André vibrava sem parar em cima do balcão da cozinha. Parei em frente a ele com o copo nas mãos e observei quem é que ligava.
Era a sua esposa! Depois de três ligações perdidas, ela desistiu de ligar. E então começaram a chegar mensagens; o celular de André não tinha senha, peguei-o na mão e comecei a ler textos enormes.
Eu sabia que, apesar de não viverem bem, ela era a sua esposa e talvez estivesse preocupada com ele. Mas o que eu li naquelas mensagens me deixou um tanto desnorteada.
Ariadne perguntava ao marido se ele havia pensado sobre a sua proposta de se darem mais uma chance ao casamento... Ela dizia palavras carinhosas e mencionava a filha algumas vezes.
Ariadne chegou a sugerir que os dois começassem do zero e esquecessem o passado. Ela relatou momentos bons que passaram juntos e, no final, o chamou de amor!
Foi um tapa na minha cara!