Ana
— Ana? — Escuto uma batida na porta mas não sinto nenhuma vontade de ver quem é. A minha vontade agora é sair dessa e para algum lugar onde Gustavo não estivesse sempre tão próximo , esse cara me irrita de uma forma que não sei explicar .
Esfrego meus olhos, para tentar me situar e sento na cama.
— Oi. Quem é? — pergunto ainda com sono.
— É a Nanda, está tudo bem? Você passou batida pela sala e não falou nada com ninguém.
Abro a porta do quarto e vejo a menina dos cabelos coloridos preocupada com as sobrancelhas juntas.
— Está tudo bem Nanda. Apenas tive um dia difícil — suspiro.
Ela não se dá por vencida, vem em minha direção e me dá um abraço eu aceito e suspiro.
— Você sabe que pode contar comigo e com a Liv para tudo, não é? Qualquer coisa pode falar.
— Eu sei, obrigada — digo com os olhos marejados.
— Todos nós ao vir para cá passamos um perrengue diferente e demoramos a nos adaptar a viver sozinhos, acho que só Gustavo que não liga para nada disso. — Ela me olha e revira os olhos.
— Gustavo é daqueles que pega todas e faz a garota se apaixonar e depois só joga migalhas em troca para mostrar que é o bom. Conheço esse tipo.
Nanda levanta as duas sobrancelhas e sorri.
— É você entendeu. Estou vendo uma outra coisa aqui, mas olha só — ela diz
— Mas o quê?
Será que ela achou que sou a fim desse babaca? não é possível que eu esteja. Eu gosto mesmo é de me ferrar na vida não é possível!
— Não estou afim dele nem nada Nanda eu só ..
Mas ela não me deixa terminar e sorri .
— Eu sei , eu sei amiga . Você não precisa se explicar. Nós vamos sair hoje à noite e a senhorita vai junto.
Sair? Depois de ter sido humilhada, depois de ter minha autoestima jogada lá no lixo? Não tinha vontade de nada, não conseguia me sentir bonita, não me sentia à vontade me arrumando e tinha receio de chamar a atenção eu nunca gostei na verdade.
— Vamos esquecer tudo o que você matuta aí nessa sua cabecinha pelo menos por uma noite? E vamos curtir menina! Você é linda, está solteira e no Rio de Janeiro, eu te ajudo.
— Tudo bem, uma noite não vai me matar — digo e respiro fundo.
Tomo banho, coloco um vestido preto com mangas curtas, all star branco e um blusão xadrez por cima. Se eu for vai ser do meu jeito. Solto meus cabelos que caem em cascatas pelas minhas costas. Me olho no espelho e acho que Nanda fez um bom trabalho.
Saio do meu quarto para a sala chamando as meninas.
— Vamos gente! Tô pronta — grito.
— Mas nossa mãe! Está gostosa hein amiguinha — Marcelo assovia e abaixa os óculos.
Eu coro e não consigo não sorrir da bobeira dele.
— Arruma os óculos aí Celo que você vai ver direito.
As meninas já estão arrumadas, Lipe chega depois e o estorvo do Gustavo estava ali junto. Seu olhar quando me viu estava n***o e pensativo e para onde eu ia sentia que ele não deixava de me olhar.
- Então eu e Lipe vamos no carro junto com umas amigas e você vai com Gustavo e Nanda no carro do Marcelo tudo bem Ana ? — Jogo um olhar mortal para lívia
— Sem problemas . — se era o que eu tinha hoje o que eu posso fazer .
Dentro do carro Gustavo olhava pela janela e algumas vezes pelo celular e a voz de Nanda preenchia tudo com sua voz cantarolando uma música que tocava no carro . Eu tentava me distrair e não me sentir tão afetada com seu cheiro amadeirado. Suspiro torcendo para chegar logo nessa boate .
Chegamos à boate Sensations os meninos foram atrás de bebidas e nós três ficamos na mesa. O lugar era muito bonito com a iluminação mais baixa, as mesas, mas nos cantos para dar lugar a pista de dança onde já havia muitas pessoas dançando a área VIP lotada.
— E aí Ana, está gostando? — Liv grita por cima da música.
— É bem bonito aqui.
Os meninos voltam com os drinks e tomo um delicioso. Vejo Gustavo sentando na mesa e olho para Nanda.
— Vamos dançar gata? — Ela diz sorrindo.
— Claro.
Levantamos de braços dados e nos dirigimos a pista de dança a música alta e envolvente e o álcool do drink bateram certinho porque eu sentia a batida da música e dançava conforme ela e olho para Nanda que dançava a minha frente com uma coreografia envolvente. Sinto uma mão na minha cintura e não me importo me viro e vejo que é um cara moreno, alto com um sorriso lindo, sorrio para ele também e passo a mão no seu abdômen o que o álcool fez comigo? Vejo Nanda sorrindo para mim e Marcelo estava atrás dela dançando também.
— Vamos sair daqui gata?
— Acho melhor não, estamos curtindo aqui — digo meio incerta.
E continuamos nossa dança até que volto para minha mesa e ele volta para sua área VIP.
— Nossa mais que gato mais gostoso era aquele Ana? — Lívia fala no meu ouvido.
Eu sorrio e bebo mais um drink.
— Onde está o Gustavo? — Lipe pergunta
— Cara ele saiu daqui puto, parece que não estava muito afim hoje — Marcelo responde.
Melhor assim, não? Não sei. Me permitir olhar para ele momentos antes e consegui ver como estava lindo, de calça jeans e uma blusa preta que mesmo de gola polo conseguia mostrar suas tatuagens, aqueles olhos azuis que queimavam minha pele se tivessem esse poder.
Nós nos acabamos na pista de dança e a verdade é que ainda não sei como cheguei em casa, apenas sei que me encontro deitada na minha cama, faço uma nota mental para agradecer ao anjo que me trouxe até aqui.