Isabela
A primeira coisa que aprendi sobre Moscou foi que o silêncio nunca é inofensivo.
Naquela manhã, a mansão parecia calma demais. Os seguranças estavam em seus postos, mas havia algo diferente no ar — uma tensão invisível, como se todos estivessem esperando por alguma coisa.
Eu estava na biblioteca, tentando me distrair com um livro em inglês, quando senti um arrepio subir pela nuca.
A sensação de estar sendo observada voltou.
Levantei-me devagar e fui até a janela. O jardim coberto por uma fina camada de gelo era bonito de um jeito c***l. Quando me virei para voltar à poltrona, o telefone do cômodo tocou, me fazendo pular.
— Sim? — atendi, o coração acelerado.
— Não saia daí — a voz de Dimitri soou seca, sem espaço para discussão.
— O que aconteceu?
Houve uma pausa curta demais.
— Viktor.
Meu estômago afundou.
— Ele fez alguma coisa?
— Ainda não — Dimitri respondeu. — Mas vai tentar.
A ligação caiu.
Tentei me convencer de que estava segura, mas minutos depois, ouvi passos no corredor. Não eram firmes como os dos seguranças da casa.
Eram rápidos. Ansiosos. Errados.
A porta se abriu com força.
Um homem que eu nunca tinha visto entrou, o rosto coberto por um gorro, olhos frios demais. Antes que eu pudesse gritar, ele avançou.
— Fique quieta.
Reagi por instinto. Joguei o livro contra ele e corri para o lado oposto, mas a mão dele agarrou meu braço. Gritei. Lutei. Mordi.
O som de um tiro ecoou pelo corredor.
O homem caiu antes mesmo de entender o que tinha acontecido.
Dimitri estava na porta, a arma ainda apontada, o olhar completamente vazio de emoção.
— Eu mandei não sair — ele disse, a voz mortalmente calma.
Minhas pernas falharam. Ele me segurou antes que eu caísse.
— Você está machucada? — perguntou, agora mais baixo.
— Não… eu acho que não…
Meu corpo tremia. Não de frio. De choque.
Ele me puxou contra o peito, firme, protetor, como se o mundo inteiro fosse uma ameaça. Por um segundo, esqueci quem ele era. Só senti segurança.
Depois, ele se afastou.
— Fique aqui — ordenou. — Não se mova.
Dimitri
Viktor tinha cometido um erro imperdoável.
Quando cheguei ao galpão abandonado nos arredores da cidade, já sabia que aquilo terminaria m*l para alguém — e não seria para mim.
Viktor estava amarrado a uma cadeira, o rosto machucado, mas o sorriso ainda arrogante.
— Você perdeu o controle, Volkov — ele cuspiu. — É só uma mulher.
Aproximei-me devagar.
— Não — corrigi. — Ela é a linha que você não devia ter cruzado.
Ele riu.
— Você está fraco.
Foi quando quebrei o nariz dele com um único golpe.
— Fraco é quem confunde permissão com descuido — respondi, frio.
Caminhei em volta dele, cada passo calculado.
— Você tentou tocar no que é meu.
— Ela não é sua — ele sibilou.
Abaixei-me até ficar na altura dos olhos dele.
— Neste mundo, Viktor, sobrevivem os que entendem hierarquia.
O som seco do disparo ecoou pelo galpão.
Quando saí, não olhei para trás.
Isabela
Ele voltou tarde da noite.
Eu estava sentada na cama, sem conseguir dormir, quando a porta se abriu.
Dimitri entrou, o casaco manchado de algo escuro. Sangue.
Levantei-me sem pensar.
— Dimitri…
Ele fechou a porta atrás de si.
— Acabou — disse apenas.
— Você… matou ele?
Houve um silêncio pesado.
— Sim.
Eu deveria ter sentido horror.
Mas senti alívio.
Aproximei-me devagar.
— Ele ia me machucar — murmurei.
— Nunca mais — Dimitri respondeu, a voz baixa, intensa. — Ninguém toca em você.
Minhas mãos tremiam quando toquei o braço dele.
— Isso tudo… foi por minha causa?
Ele me encarou, os olhos escuros como a noite russa.
— Foi por minha escolha.
O ar entre nós se incendiou. Não houve beijo dessa vez. Apenas proximidade. Respiração misturada. Uma promessa silenciosa de algo perigoso demais para ser chamado de amor.
— Isso não muda nada — eu disse, tentando me convencer.
— Muda tudo — ele respondeu.
_______________________________________
🔥 Cliffhanger:
Isabela percebe que Dimitri mataria por ela.
E Dimitri percebe que ela já é sua maior fraqueza.