Isabela
O avião parecia pequeno demais para o tamanho do meu desespero.
Eu estava sentada na janela, braços cruzados, olhando para o nada enquanto o Brasil ficava para trás.
Não chorei. Não daria esse gosto a ninguém — muito menos a ele. Dimitri Volkov estava algumas fileiras à frente, conversando em russo com dois homens igualmente silenciosos. Mesmo longe, eu sentia sua presença como uma sombra constante, pesada, impossível de ignorar.
A aeromoça perguntou se eu queria algo para beber. Neguei. Meu estômago estava fechado desde a noite anterior.
Desde o momento em que fui arrancada da única vida que conhecia, por mais miserável que ela fosse.
Quando o avião pousou, o impacto foi seco. Moscou nos recebeu com um céu cinza e um frio que atravessava a pele como lâminas. Eu nunca tinha sentido algo assim. O vento parecia hostil, como se a própria cidade estivesse avisando que ali não havia espaço para fraqueza.
— Anda — Dimitri ordenou, estendendo um casaco grosso em minha direção.
Hesitei. Não queria nada dele. Mas o frio venceu o orgulho. Vesti o casaco, e o cheiro masculino me envolveu — algo entre couro, tabaco e perigo. Odiava o fato de meu corpo reagir.
O carro que nos aguardava era enorme, preto, blindado. Assim que entramos, as portas se fecharam com um som definitivo. Prisão. Foi a primeira palavra que me veio à mente.
— Para onde estamos indo? — perguntei.
— Para minha casa.
— Sua mansão, você quer dizer.
Ele me olhou de lado, um canto da boca se curvando levemente.
— Ainda não aprendeu a calar essa língua.
— Ainda não aprendeu que eu não sou uma das suas capangas.
Silêncio.
O carro avançava pelas ruas largas, prédios imponentes passando como fantasmas. Quando finalmente chegamos, eu perdi o fôlego. A mansão era absurda. Imensa. Fria. Perfeita demais.
Assim que entrei, percebi: aquilo não era um lar. Era uma fortaleza.
— Você ficará no quarto do segundo andar — Dimitri disse. — Há regras.
— Eu não sigo regras que não escolhi.
Ele parou. Virou-se lentamente. E pela primeira vez, senti medo de verdade.
Dimitri
Ela não entendia onde estava.
E isso era perigoso.
Moscou não perdoa inocentes, e Isabela carregava fogo demais nos olhos para alguém que ainda não compreendia a extensão da própria situação.
Observei enquanto ela explorava o salão principal, tentando disfarçar o choque. Orgulho puro. Não implorou. Não agradeceu. Não abaixou a cabeça.
Isso me irritava.
E me atraía.
— Aqui não é o Brasil — eu disse, aproximando-me. — Aqui, pessoas morrem por menos do que você disse no carro.
— Então por que ainda estou viva? — ela retrucou.
Boa pergunta.
Aproximei-me até que ela precisasse inclinar a cabeça para me encarar. Eu era maior. Mais forte. O poder ali era visível. Ainda assim, ela não recuou.
— Porque você ainda é útil.
— Para quê? — ela perguntou, a voz falhando por um segundo.
Segurei seu queixo com dois dedos, firme, sem machucar. Queria que ela entendesse.
— Para me lembrar que nem tudo pode ser comprado.
O ar entre nós ficou denso. Ela respirava rápido. Eu também. Aquilo não era desejo ainda — era colisão. Energia bruta prestes a explodir.
Soltei-a abruptamente.
— Não saia da mansão sem autorização. Não toque em nada que não seja seu. E nunca — nunca — tente fugir.
— E se eu tentar?
Inclinei-me, sussurrando perto de seu ouvido:
— Eu vou atrás de você. E da próxima vez, não serei paciente.
Ela engoliu em seco, mas respondeu:
— Então espero que você goste de correr.
Deixei o quarto, fechando a porta com força.
Maldição.
Ela já estava sob minha pele.
Isabela
Sozinha no quarto enorme, sentei na cama, o coração disparado. Aquele homem era perigoso. c***l. Frio.
E mesmo assim… havia algo nele que me puxava.
Olhei pela janela. Moscou brilhava em tons de gelo e poder.
— Eu não vou quebrar — murmurei para mim mesma.
Do outro lado da porta, eu não sabia, mas Dimitri fazia a mesma promessa.
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🔥 Cliffhanger:
Isabela decide testar os limites da mansão.
Dimitri decide que precisa controlá-la — antes que ela o controle.