CAPÍTULO 2_O GELO DE MOSCOU

696 Words
Isabela O avião parecia pequeno demais para o tamanho do meu desespero. Eu estava sentada na janela, braços cruzados, olhando para o nada enquanto o Brasil ficava para trás. Não chorei. Não daria esse gosto a ninguém — muito menos a ele. Dimitri Volkov estava algumas fileiras à frente, conversando em russo com dois homens igualmente silenciosos. Mesmo longe, eu sentia sua presença como uma sombra constante, pesada, impossível de ignorar. A aeromoça perguntou se eu queria algo para beber. Neguei. Meu estômago estava fechado desde a noite anterior. Desde o momento em que fui arrancada da única vida que conhecia, por mais miserável que ela fosse. Quando o avião pousou, o impacto foi seco. Moscou nos recebeu com um céu cinza e um frio que atravessava a pele como lâminas. Eu nunca tinha sentido algo assim. O vento parecia hostil, como se a própria cidade estivesse avisando que ali não havia espaço para fraqueza. — Anda — Dimitri ordenou, estendendo um casaco grosso em minha direção. Hesitei. Não queria nada dele. Mas o frio venceu o orgulho. Vesti o casaco, e o cheiro masculino me envolveu — algo entre couro, tabaco e perigo. Odiava o fato de meu corpo reagir. O carro que nos aguardava era enorme, preto, blindado. Assim que entramos, as portas se fecharam com um som definitivo. Prisão. Foi a primeira palavra que me veio à mente. — Para onde estamos indo? — perguntei. — Para minha casa. — Sua mansão, você quer dizer. Ele me olhou de lado, um canto da boca se curvando levemente. — Ainda não aprendeu a calar essa língua. — Ainda não aprendeu que eu não sou uma das suas capangas. Silêncio. O carro avançava pelas ruas largas, prédios imponentes passando como fantasmas. Quando finalmente chegamos, eu perdi o fôlego. A mansão era absurda. Imensa. Fria. Perfeita demais. Assim que entrei, percebi: aquilo não era um lar. Era uma fortaleza. — Você ficará no quarto do segundo andar — Dimitri disse. — Há regras. — Eu não sigo regras que não escolhi. Ele parou. Virou-se lentamente. E pela primeira vez, senti medo de verdade. Dimitri Ela não entendia onde estava. E isso era perigoso. Moscou não perdoa inocentes, e Isabela carregava fogo demais nos olhos para alguém que ainda não compreendia a extensão da própria situação. Observei enquanto ela explorava o salão principal, tentando disfarçar o choque. Orgulho puro. Não implorou. Não agradeceu. Não abaixou a cabeça. Isso me irritava. E me atraía. — Aqui não é o Brasil — eu disse, aproximando-me. — Aqui, pessoas morrem por menos do que você disse no carro. — Então por que ainda estou viva? — ela retrucou. Boa pergunta. Aproximei-me até que ela precisasse inclinar a cabeça para me encarar. Eu era maior. Mais forte. O poder ali era visível. Ainda assim, ela não recuou. — Porque você ainda é útil. — Para quê? — ela perguntou, a voz falhando por um segundo. Segurei seu queixo com dois dedos, firme, sem machucar. Queria que ela entendesse. — Para me lembrar que nem tudo pode ser comprado. O ar entre nós ficou denso. Ela respirava rápido. Eu também. Aquilo não era desejo ainda — era colisão. Energia bruta prestes a explodir. Soltei-a abruptamente. — Não saia da mansão sem autorização. Não toque em nada que não seja seu. E nunca — nunca — tente fugir. — E se eu tentar? Inclinei-me, sussurrando perto de seu ouvido: — Eu vou atrás de você. E da próxima vez, não serei paciente. Ela engoliu em seco, mas respondeu: — Então espero que você goste de correr. Deixei o quarto, fechando a porta com força. Maldição. Ela já estava sob minha pele. Isabela Sozinha no quarto enorme, sentei na cama, o coração disparado. Aquele homem era perigoso. c***l. Frio. E mesmo assim… havia algo nele que me puxava. Olhei pela janela. Moscou brilhava em tons de gelo e poder. — Eu não vou quebrar — murmurei para mim mesma. Do outro lado da porta, eu não sabia, mas Dimitri fazia a mesma promessa. ______________________________________ 🔥 Cliffhanger: Isabela decide testar os limites da mansão. Dimitri decide que precisa controlá-la — antes que ela o controle.
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