CAPÍTULO 4_REGRAS DE UM HOMEM PERIGOSO

752 Words
Isabela Acordei com a sensação incômoda de estar sendo observada. O quarto era enorme, elegante demais para ser chamado de prisão, mas ainda assim tinha o peso de algo que não era meu. O beijo da noite anterior voltou como um choque, fazendo meu estômago revirar. Dimitri. A boca dele. A forma como me puxou e, ao mesmo tempo, se afastou como se eu fosse um limite que ele não podia cruzar. Covarde, pensei. Ou inteligente demais para saber o estrago que causaria. Levantei e fui até o banheiro, tentando lavar o rosto e também a confusão dentro da cabeça. Eu não podia me permitir pensar nele daquele jeito. Não podia esquecer que estava ali por causa de uma dívida. Que nada daquilo era escolha minha. Quando saí do quarto, dois seguranças estavam no corredor. — O senhor Volkov pediu que a senhora descesse para o café — disse um deles, educado demais para alguém armado. “Pediu.” Ri por dentro. A sala de jantar parecia saída de um filme. Dimitri estava à cabeceira da mesa, lendo algo no tablet, calmo demais. Usava camisa preta, mangas dobradas, tatuagens aparecendo como avisos silenciosos. Ele ergueu o olhar quando me aproximei. — Dormiu bem? — perguntou, como se não tivesse quase me beijado até perder o controle horas antes. — Considerando que fui sequestrada, poderia ter sido pior — respondi, sentando sem ser convidada. Ele suspirou, largando o tablet. — Precisamos estabelecer regras. — Ótimo — retruquei. — Eu também tenho algumas. O canto da boca dele se moveu quase imperceptivelmente. — Aqui estão as minhas — disse, firme. — Você pode circular pela mansão. Pode estudar, usar a biblioteca, a academia. Terá tudo o que precisar. Mas não sai sozinha. Não fala com estranhos. E não provoca situações que não pode controlar. — Como você? — provoquei. Os olhos dele escureceram por um segundo. — Especialmente comigo. Cruzei os braços. — E em troca? — Em troca, você estará segura. — Segurança comprada não é liberdade — respondi. Ele se inclinou levemente para frente. — Liberdade se conquista. Nos encarámos por longos segundos. Nenhum dos dois cedeu. Dimitri Ela era um erro estratégico. Desde o momento em que entrou naquela mansão, Isabela bagunçou um equilíbrio que eu levei anos para construir. Meus homens notaram. E isso era um problema. Uma mulher que chama atenção demais em Moscou vira alvo rápido. — Hoje à noite haverá um jantar — informei. — Alguns parceiros. Você estará presente. Ela arqueou a sobrancelha. — Como decoração? — Como prova de que você está sob minha proteção. — E se eu disser não? — Você não dirá. Ela abriu a boca para responder, mas foi interrompida por uma voz feminina atrás de nós. — Dimitri, você não avisou que teria companhia. Virei-me. Irina. Alta, elegante, perigosa à sua maneira. Uma aliada antiga. Os olhos dela passaram por Isabela de cima a baixo com curiosidade afiada. — Esta é Isabela — apresentei. — Ela ficará conosco por um tempo. Isabela se levantou devagar, mantendo o queixo erguido. — Prazer — disse, seca. Irina sorriu. Um sorriso que não chegou aos olhos. — Imagino. Observei Isabela. A tensão em seus ombros. O olhar atento. O incômodo era visível — e, contra toda lógica, isso despertou algo possessivo em mim. — Não é comum você trazer alguém para a mesa, Dimitri — comentou Irina. — Nada nela é comum — respondi, antes de pensar. Isabela me encarou, surpresa. E então, sorriu. Um sorriso perigoso. Isabela Irina saiu pouco depois, mas o clima ficou pesado. — Ela é sua… o quê? — perguntei, fingindo indiferença. — Uma aliada — ele respondeu rápido demais. — Só isso? Ele se levantou, aproximando-se. — Ciúmes não combinam com sua situação. — Eu não sinto ciúmes — rebati. — Só não gosto de jogos que não entendo. Ele ficou a centímetros de mim novamente. Sempre assim. Invadindo meu espaço. — Então aprenda as regras, Isabela. — E você aprenda que eu não sou uma peça no seu tabuleiro. Por um segundo, achei que ele fosse me tocar. Não tocou. Apenas disse, baixo: — O jantar de hoje vai testar isso. E saiu. Fiquei sozinha na sala, o coração acelerado. Aquele homem não era só perigoso. Ele gostava de jogos. E eu estava começando a aprender a jogar também. _______________________________________ 🔥 Cliffhanger: O jantar vai expor Isabela ao mundo de Dimitri — e aos inimigos dele. E alguém naquela mesa não vai aceitar a presença dela.
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