O PASSADO TEM PREÇO

577 Words
O PASSADO TEM PREÇO Isabela Quando Morozov atacou de novo, não usou balas. Usou memória. Eu estava no escritório analisando contratos quando Dimitri entrou sem bater. O rosto dele não estava furioso. Estava… contido. O que era pior. — Precisamos conversar — ele disse. Meu estômago apertou. Ele colocou um envelope sobre a mesa. Sem logotipo. Sem remetente. Abri. Fotos. Antigas. Brasil. Fortaleza. Eu na frente de um hotel cinco estrelas onde trabalhei anos atrás. Jovem. Ambiciosa. Vulnerável. E em uma das fotos… Eu estava abraçando um homem. Lucas. O único homem antes de Dimitri que quase me fez acreditar em promessas. Minha respiração ficou lenta. Controlada. — Ele está vivo — Dimitri disse. Levantei os olhos. — Nunca esteve morto. — Morozov o encontrou. Silêncio. Dimitri continuou: — E agora ele desapareceu. Isso foi calculado. — Morozov quer me desestabilizar — falei. — Ele quer te lembrar que você tinha vida antes de mim. Fechei o envelope. — Eu tinha sobrevivência antes de você. Ele se aproximou. — Você ainda sente algo por ele? Olhei direto nos olhos de Dimitri. — Eu sinto algo por quem eu era naquela época. A tensão entre nós mudou. Não era ciúme infantil. Era território emocional. — Morozov pode usá-lo — Dimitri disse. — Contra você. Contra mim. — Ele já está tentando. Dimitri segurou meu rosto. — Se eu descobrir que ele tocou em você no passado— — Dimitri — interrompi, firme — eu não sou uma posse retroativa. Ele respirou fundo. — Não é isso. — Então não transforme isso nisso. O silêncio ficou pesado. Mas havia outra questão. — Se Morozov trouxe Lucas para o jogo — falei — é porque quer que eu escolha. — Entre o quê? — Entre quem eu fui… e quem eu sou agora. Dimitri Eu mandei rastrear o homem imediatamente. Lucas Almeida. Administrador hoteleiro. Sem histórico criminal. Limpo demais. Isso me irritava. — Localizamos um possível cativeiro — um dos homens informou. — Antigo armazém fora da cidade. Olhei para Isabela. — Fica aqui. Ela riu. — Você já aprendeu que isso não funciona. — Isso é pessoal demais. — Exato. Ela pegou a arma da mesa. — Eu vou. No caminho, o silêncio entre nós era diferente. Não era tensão s****l. Não era disputa de poder. Era algo mais humano. — Você o amou? — perguntei, sem tirar os olhos da estrada. Ela demorou para responder. — Eu amei a ideia de ser salva. Aquilo me atingiu mais do que qualquer resposta romântica teria. — E agora? Ela olhou para mim. — Agora eu salvo a mim mesma. O galpão estava vazio demais. Portas abertas. Luz fraca. Entramos armados. No centro do espaço havia uma cadeira. Amarrado nela. Lucas. Machucado. Mas vivo. Quando ele levantou os olhos e viu Isabela… algo antigo atravessou o ar. — Isa? — ele sussurrou. O uso do apelido me fez querer quebrar algo. Isabela se aproximou devagar. — Você não devia estar aqui — ela disse. Ele tentou sorrir. — Acho que você também não. Antes que qualquer outra palavra fosse dita, uma voz ecoou das sombras. — Que reencontro emocionante. Morozov surgiu da escuridão, aplaudindo devagar. — Vamos ver — ele disse, sorrindo cruelmente — quem a rainha escolhe quando o passado pede socorro. &&&&&&________&&&&&&&& 🔥 Cliffhanger brutal: • Morozov força Isabela a decidir • Dimitri diante do homem que já teve o coração dela • Uma escolha que pode quebrar confiança
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