O PASSADO TEM PREÇO
Isabela
Quando Morozov atacou de novo, não usou balas.
Usou memória.
Eu estava no escritório analisando contratos quando Dimitri entrou sem bater. O rosto dele não estava furioso.
Estava… contido.
O que era pior.
— Precisamos conversar — ele disse.
Meu estômago apertou.
Ele colocou um envelope sobre a mesa.
Sem logotipo. Sem remetente.
Abri.
Fotos.
Antigas.
Brasil.
Fortaleza.
Eu na frente de um hotel cinco estrelas onde trabalhei anos atrás. Jovem. Ambiciosa. Vulnerável.
E em uma das fotos…
Eu estava abraçando um homem.
Lucas.
O único homem antes de Dimitri que quase me fez acreditar em promessas.
Minha respiração ficou lenta.
Controlada.
— Ele está vivo — Dimitri disse.
Levantei os olhos.
— Nunca esteve morto.
— Morozov o encontrou.
Silêncio.
Dimitri continuou:
— E agora ele desapareceu.
Isso foi calculado.
— Morozov quer me desestabilizar — falei.
— Ele quer te lembrar que você tinha vida antes de mim.
Fechei o envelope.
— Eu tinha sobrevivência antes de você.
Ele se aproximou.
— Você ainda sente algo por ele?
Olhei direto nos olhos de Dimitri.
— Eu sinto algo por quem eu era naquela época.
A tensão entre nós mudou.
Não era ciúme infantil.
Era território emocional.
— Morozov pode usá-lo — Dimitri disse. — Contra você. Contra mim.
— Ele já está tentando.
Dimitri segurou meu rosto.
— Se eu descobrir que ele tocou em você no passado—
— Dimitri — interrompi, firme — eu não sou uma posse retroativa.
Ele respirou fundo.
— Não é isso.
— Então não transforme isso nisso.
O silêncio ficou pesado.
Mas havia outra questão.
— Se Morozov trouxe Lucas para o jogo — falei — é porque quer que eu escolha.
— Entre o quê?
— Entre quem eu fui… e quem eu sou agora.
Dimitri
Eu mandei rastrear o homem imediatamente.
Lucas Almeida.
Administrador hoteleiro.
Sem histórico criminal.
Limpo demais.
Isso me irritava.
— Localizamos um possível cativeiro — um dos homens informou. — Antigo armazém fora da cidade.
Olhei para Isabela.
— Fica aqui.
Ela riu.
— Você já aprendeu que isso não funciona.
— Isso é pessoal demais.
— Exato.
Ela pegou a arma da mesa.
— Eu vou.
No caminho, o silêncio entre nós era diferente. Não era tensão s****l. Não era disputa de poder.
Era algo mais humano.
— Você o amou? — perguntei, sem tirar os olhos da estrada.
Ela demorou para responder.
— Eu amei a ideia de ser salva.
Aquilo me atingiu mais do que qualquer resposta romântica teria.
— E agora?
Ela olhou para mim.
— Agora eu salvo a mim mesma.
O galpão estava vazio demais.
Portas abertas. Luz fraca.
Entramos armados.
No centro do espaço havia uma cadeira.
Amarrado nela.
Lucas.
Machucado. Mas vivo.
Quando ele levantou os olhos e viu Isabela… algo antigo atravessou o ar.
— Isa? — ele sussurrou.
O uso do apelido me fez querer quebrar algo.
Isabela se aproximou devagar.
— Você não devia estar aqui — ela disse.
Ele tentou sorrir.
— Acho que você também não.
Antes que qualquer outra palavra fosse dita, uma voz ecoou das sombras.
— Que reencontro emocionante.
Morozov surgiu da escuridão, aplaudindo devagar.
— Vamos ver — ele disse, sorrindo cruelmente — quem a rainha escolhe quando o passado pede socorro.
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🔥 Cliffhanger brutal:
• Morozov força Isabela a decidir
• Dimitri diante do homem que já teve o coração dela
• Uma escolha que pode quebrar confiança