Capítulo 1

2595 Words

Me chamo Luídi Castellamari. Tenho 33 anos, alto 1,93, musculoso, bem afeiçoado, cabelos loiros que vão até os ombros, aliás, muito bem cuidados. Enfim, com todo respeito, gostoso pra caralho. Pegava todas as mulheres que eu queria, nunca foi difícil encontrar, eu nunca procurei, elas chegavam fáceis demais. Eu como um bom macho alfa, jamais recusei a uma jogada de cabelo, ou o número amassado, embolado no bolso de minha camiseta, e isso tudo se estendia mesmo depois de casado com a... Allisson.

Quanta falta sinto de seus beijos, sua pele... Minha doce e pequena Allisson. Digo pequena, pois cabia, ou melhor, se escondia perfeitamente em meu corpo, e apesar de tudo, ainda a sinto aqui.

Sou de uma família de mafiosos mais que poderosos na Itália. Os Castellamaris. Matar, desvios de carga, correr atrás dos filhos da p**a traidores, são a minha ciência. Não digo que sou um homem de total frieza, tenho piedade, sei ser bom e reconhecer quando alguém verdadeiramente se arrepende. Jamais fui de extremos, e por isso fui muito julgado, nem todos concordam com meu jeito de ser.

A Itália onde nasci, é minha segunda casa, meu berço natal, o sangue quente corre em minhas veias. Uma boa massa é meu prato preferido. Esse país está em minha pele, porém, fui criado no Brasil onde conheci minha mulher. 

Ela era pura e inocente. Baixinha, toda tímida. Cabelos negros longos caídos em cascatas, olhos azuis, pernas torneadas, s***s fartos. Perfeita. O ideal de mulher para qualquer cara. Uma presa fácil para as garras de um homem de 27 anos que só sabia fuder qualquer p**a que encontrasse na rua. Eu não tinha freio. Mas com ela não, ela não poderia ter passado por isso, Allisson era diferente.

Iludida, achava que o mundo era cor de rosa, as pessoas eram boas e ninguém a faria m*l. Quando descobri que era virgem então, sai de baixo. Fiquei mais de quatro meses a conquistando, chamando para sair. Parque, cinema, praia, tudo! Dava presentes caros, roupas de marcas, jóias. Nada enchia seus olhos, ela nunca cedia.

A pedi em namoro, fiz uma decoração super romântica. Continha bolas de coração vermelhas pelo teto, pétalas a cama, música romântica. Tudo para agrada-la mesmo que na época eu achava coisa de "boiola" homem frouxo. Hoje em dia percebo que isso é algo de um homem de verdade, daqueles que se desdobram para fazer a amada feliz. Caralho. Daria tudo para esse dia voltar novamente.

Enchi a cama de rosas como disse, aromatizante na banheira, champanhe, chocolates, flores, e mesmo assim não ficava segura de entregar sua virgindade a mim.

Isso me deu uma pequena obsessão, possessão, slá a merda que era, dêem seus nomes. Só sei, que era um desejo incontrolável de saborear o cheiro de seu corpo, saber cada passo que daria, escolher a roupa que deveria vestir. Eu sei, isso é doentio. Passei a ir em todos os lugares que frequentava, fiz inúmeras coisas fofas, desde buscá-la quando saía dos cursinhos, lembrar das datas comemorativas de sua família, a acompanhar sempre que ocorria algum evento importante, ou os mais medíocres, um exemplo, suas aulas de pilates. Que troço chato. Até que parou de resistir.

Tivemos uma noite maravilhosa de amor. Foi o sexo mais gostoso que fiz em toda minha vida, carinhoso e manso. Com ela foi diferente, a tratei diferente pois sentia que devia isso a ela. Proporcionar a melhor primeira vez que uma mulher já tivera, sem pressa; A satisfazendo acima de tudo, e depois a mim.

Daí em diante, a famiglia exigia que eu retornasse para Itália e assumisse o posto julgado a mim, o único sucessor homem. Juntamente me casasse com uma mulher de outra máfia para criar uma união entre elas, uma espécie de aliança. É claro que eu não aceitei. Naquela idade, muito novo, prender-se em alguém não fazia parte dos meus planos.

Outra questão, era a escolhida para mim. A mulher era 30 anos mais velha que eu, com uma feiúra do cão, e como não quis, tive que arrumar uma noiva as pressas. Foi aí que eu pensei nela, em Allisson.

Depois da nossa transa, nunca mais atendi seus telefonemas ou deixei subir no meu apartamento. Proibi suas entradas em meu hotel que eu trabalhava na época. A rechacei de qualquer ambiente que se referisse a mim, até que em um certo momento desistiu. Eu sei, foi muita canalhice minha, não deveria ter feito isso com ela, além do mais por ser a única na vida que quis repetir a dose. Me impedi veementemente para não acontecer aquela tal paixão, que os casais bobos e apaixonados tanto sentem. Dito e feito. A merda já estava feita.

Inventei uma história qualquer, que eu tive uma doença contagiosa e não podia ver ninguém. A pedi em casamento um tempo depois. Disse que não viveria sem ela, e inocente que sempre foi, aceitou, acreditou plenamente no seu conto de fadas. Novamente digo. Iludida! Sempre foi!

Fugiu da casa dos seus pais. Consegui a assinatura de emancipação de ambos e fomos para Itália, numa viajem sem volta.

Meus pais se encantaram por ela, na época ainda era uma adolescente, com um futuro promissor em medicina, e assim foi feito. Nos casamos em um dia chuvoso, não houvera muitos detalhes nem convidados, apenas minha modesta família, aliados dos meus negócios, e só. Sem ninguém dos parentes de minha mulher, sei que ficou triste por isso, não tinha como, eu não tinha tempo.

A lua de mel não tivemos. Fomos comemorar em nossa casa mesmo, uma mansão em Roma. Allisson mesmo que escolheu o local e o lugar, eu devia ao menos isso. Adotou a capital, segundo ela, tirada de um filme que amava assistir, "Sabrina..." Alguma coisa.

Tudo corria bem nos dois primeiros anos, mas Allisson tinha que começar a desconfiar. Eu saía muito a noite, comia muitas mulheres e chegava bêbado em casa. Perdoem-me. Nunca disse que era santo ou que a amava. Somente tinha um carinho, admiração, um gostar... Pelo menos era isso que eu achava.

Vê-la saindo com suas malas do Bob esponja não foi fácil. No dia, eu estava transando com a Patrícia, sua irmã  p*****a, que veio logo depois para Itália com inveja do nosso casamento. Maldita hora que me interessei pela loira de s***s medianos, e nariz empinado, na festa de comemoração de um ano de casamento.

12 de junho. Como se fosse tudo armado, Allisson apareceu naquele quarto de hotel toda linda e ingênua. A porta bateu, minha razão de existir presenciou o que no fundo eu menos queria, tudo que eu menos desejava. Tristeza em sua alma. Eu jamais pensei que isso era algo que alguma vez pudesse chegar a mim.

Fui atrás dela, quase nu arrebentei a porta de emergência, saltei em todos os degraus. Praticamente me humilhei pelo seu perdão, não quis saber. Xingou-me de alguns nomes. Nunca havia xingado, e simplesmente sumiu. Estava certa, tinha toda a razão. p***a! Não queria que fosse, deveria ficar e me ouvir, pelo simples fato de ser minha esposa. Sua atitude me machucou bastante, será que não percebeu?

Vê sua cara de choro foi como ter atirado diretamente no meu peito, doeu em cheio. Nunca pensei que eu poderia ficar tão acabado com sua partida.

Às vezes acho, que foi melhor para ela ter ido embora. Nos últimos anos eu quebrava tudo em casa, a humilhava na frente da família, dos empregados, a impedia de sair, ainda a enganava com sua irmã, mas nunca cheguei a agredi-la, repudio totalmente essa atitude, não bato em mulher, deixo isso pra elas mesmas...

Até hoje, lembro da última frase que Allisson me disse.

"Comigo não tem perdão, me traiu uma vez pra nunca mais."

Eu fiquei desolado. Fecho os olhos com uma p***a doendo ao peito. Foi só sem sua presença que eu pude vê o quanto ela era valiosa. O quanto eu amava aquela mulher e não sabia, não dava valor. O quanto ela era maravilhosa em tudo. Era minha p***a! Seu corpo era meu, seu olhar doce, seu sorriso angelical. Minha principessa, como pude cometer tal erro.

Fazem três anos que pediu o divórcio, não dei. Três anos separado do calor de sua pele, das gracinhas que a gente fazia na cozinha, seu baby doll lilás que eu amava.... INFERNO!

Hoje ela se casa com outro m****o da famiglia, Bruno D'Campion. Um homem de estatura bem mais baixa que a minha, cabelos castanhos baixinhos, olhos da mesma cor. Um tremendo de um i****a funcional. 

Eu odeio esse cara. É um desgraçado que sempre dava em cima da minha mulher, em toda e qualquer oportunidade que aparecia.

Ele é daqueles tipos que o marido está do lado e mesmo assim, não perde a oportunidade de jogar seu charme. Filho do caralho!

Eu tô puto por ela me desobedecer. De uma certa forma, ter pisado em nosso matrimônio e decidido se casar com esse homem. Nem me perguntem se pode.

É claro que é apenas simbólico, e que eles compraram um padre da máfia, mesmo assim dói. Dói muito vê a mulher que você tanto ama feliz com outro homem.

Eu sei que tive a oportunidade, joguei fora. Não era experiente nesses lances de amor, um virgem diante disso, nunca tinha me apaixonado. Apareceu uma louca e virou meu mundo. Morena da p***a!

Eu quero muito que ela seja feliz. Sei que merece, merece o mundo ao seus pés, a vida que eu não pudi dar, o amor que não recebeu em troca.

Se Bruno valesse alguma coisa ainda... Balanço a cabeça.

Meu melhor amigo Pierre acabou de chegar. Como de costume começou a me dar bronca, reclamando o quanto eu fico em casa. Há três anos tem sido assim, só porque eu nunca mais me envolvi com ninguém. Me tranquei em casa e passo quase todos os dias bêbado, jogado as traças, caído ao lado do sofá como agora, fedendo a bebida. E o que que tem se escolhi ficar assim? A vida é minha p***a!

—Que caralho Luídi. Seu José teve que me ligar porque ouviu barulho de vidro estilhaçado. Quantas vezes tenho que te pedir? Sai dessa fossa cara!

—Não dá. Eu amo a sua irmã e ela vai se casar com aquele merda do Bruno D'Campion. O maior canalha da Itália. —passo o dorço do braço a boca, limpando o rastro de bebida. —O que ela tem na cabeça?

—Ah... p**a merda. Então você já sabe.

Coça os cabelos, fazendo círculos, exasperado. Sorrio de lado, sempre teve esse costume. Pierri é meu único e melhor amigo, o cara me compreende, esteve sempre ao meu lado, até mesmo depois de minhas merdas. É como se fôssemos irmãos de sangue. Apesar de sermos cunhados, o considero bem mais que isso.

—É claro, eu sei tudo sobre ela. Pelo menos o que sai na mídia. —pisco as pálpebras inchadas, olhando para o nada. Minha vida está assim. Um nada —Eu pensei que entre a gente ainda haveria volta, me enganei, e para finalizar a merda, agora ela decide se casar com esse cara. Eu fiz tudo errado.

Digo já caindo aos poucos ao chão da sala, ao encosto do estofado velho, com a garrafa ainda em mãos. Olho para a mesma, a única que gosta de mim, a abraço, nunca me abandona, a bendita da "cachaça".

—Não adianta nada ficar com essa tromba, reprisando seu mesmo ritual todos os dias.  Cara, eu te perdoei pelo que fez com ela, porque você não tenta? Allisson é incrível, uma mulher de coração puro que eu nunca vi igual. Intocável. Esses anos todos eu estive com você. Presenciei como mudou, vi o quanto ama a minha Irmã.

Cara de p*u.

—Você só conseguiu me perdoar depois da surra que me deu. —o encaro sentindo o efeito zonzo do álcool. Lembro daquele dia. Apanhei feio, foi merecido, não revidei, sabia que estava errado. —Fique sabendo que tá doendo até agora.

—Claro, ninguém mexe com o meu pingentinho e fica imune, mas já está na hora de você reagir e agir.

Balanço a cabeça. Engulo a seco.

—Eu merecia muito mais, só que doeu muito cara. Foi demais pra mim. Todas as palavras que ela me disse, você mais do que ninguém sabe que eu entrei em uma profunda depressão e nunca mais saí. A saudade que eu sinto é inexplicável. Eu necessito de sua companhia, todos os dias estava comigo. Com meu maldito humor, continuava ali. Cheia de risos, e entusiasmo. Era assim que me recebia em casa, sempre alegre. Agora só sinto o eco de sua voz, e a cada dia diminui mais, e mais e mais. Foi assim pra vê o quanto eu a amava... E ainda amo, vou amar pro resto da minha vida.

Dou outra golada, sou surpreendido quando Pierri brutalmente pega meu copo e o joga na parede.

—Para p***a! —arregalo os olhos com seu ataque. —Sua mulher tá se casando com outro cara, e você tá se fazendo de coitadinho? Mete a merda da cara e fala todos seus sentimentos pra ela. Aposto que se Allisson soubesse tudo que aconteceu, iria reconsiderar.

—Não caralho! Eu sou homem, não quero que ela fique comigo por pena. —expremo os olhos contendo as lágrimas. Sei o quanto errei, e assumo a realidade. Nada mais a prende contra mim, tem a total liberdade de escolha, e tenho certeza que não faço parte das suas. —Não fala nada, deixa quieto que eu morro as poucos e ela não vai sentir falta. Só vou atrapalhar sua felicidade.

Até então, eu já tava chorando copiosamente. Sei que pareço um bebezão, sou um homem feito, e ficar chorando igual criança é vergonhoso. f*****e! Pierri me pega pela gola tirando-me do chão, fazendo-me olhar para ele. Seu olhar forte, não esconde o descontentamento com a minha situação. Sempre foi assim, gosto que se preocupe, Pierre é meu irmão de coração, o único que ficou.

—Faltam duas horas pro casamento. Você vai tomar um banho, tirar essa barba, cortar esse cabelo, recolher sua dignidade e ir atrás dela. —pausa. —Eu não vou deixar a minha irmã se casar com aquele cretino, e ela tem muito o que te explicar!

—Ela não vai me perdoar...

—Vai sim p***a! —repuxa minha blusa. —Reage homem! Você não a ama?

—Morreria por ela.

Respondo de queixo erguido, abrindo todo o meu coração. Eu a amo, assumo.

—Então faça isso, mate esse Luídi e renasça por ela. —soca o lado de meu coração. —Aqui tem um homem apaixonado. Eu sei disso.

Abaixo a cabeça, respiro fundo e tento organizar as idéias. Eu mesmo não consegui me perdoar, dificilmente ela fará, mas quem sabe, Allisson é tão boa.

—Tá bem, mas... que segredo é esse que você nunca fala cara? —coço a cabeça confuso. —O que sua irmã tanto esconde de mim?

—Isso é entre vocês, não me peça para contar. —presto atenção em cada fala, tentando arrancar algo talvez recluso. Ao final, eu nunca saberei do que se trata. A poucos anos ele vem soltando pistas, querendo me dizer algo, e ao mesmo tempo travando a fala, como em uma luta interna. —Agora vai se arrumar que temos um casamento para arruinar.

Dou um sorrisinho malicioso, aperto sua mão e começo a seguir o plano. Se Deus quiser, em poucas horas, terei minha mulher de volta e seremos muito felizes, eu me empenharei todos os dias da minha vida por isso.

Te trarei para mim meu amor.

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