Caterina Gallo Quinta-feira, 16h07. Sala de estudos do prédio de Letras, terceiro andar. O ar estava denso de café recém-passado: café coado na hora, biscoitos de amêndoa que alguém trouxe de casa, o cheiro doce e amanteigado se misturando ao perfume de livros velhos e ao leve mofo das estantes. A mesa oval de madeira escura rangia a cada movimento, e a luz dourada da tarde entrava pelas janelas altas, pintando tudo de mel. Eram sete pessoas ao todo: três alunos da pós, duas meninas da graduação, eu… e Lorenzo. Ele chegou por último, trazendo uma bandeja com mais café e um sorriso que parecia feito sob medida pra sala. — Desculpem o atraso. Tive que brigar com a impressora do laboratório. — A voz dele deslizou pelo ambiente como fumaça de incenso caro. Quando passou atrás da minh

