Capítulo 5

4474 Words
O jantar na casa dos Laurents foi muito bom, saímos de lá já era de madrugada e Zayn iria dormir lá novamente. Harry e eu viemos para sua casa, mas o sono não era presente. Desde que nos beijamos em meu apartamento não falamos sobre isso, o que me deixa a entender que foi apenas um momento. Tanto eu quanto Harry já tínhamos tomado banho, e estávamos na sala. Fiz um chá de hortelã para nós dois, e ele escolheu um filme de ação, especificamente vingadores. — Você já não se acha bem grandinho, para ver um filme de heróis? — Perguntei implicando com ele, já que eu sou apaixonado nesse filme. — Você gosta de anime, Levi! — Ele disse rindo. — Respeita o Deku! — Falei arrancando risadas do meu chefe. — Você vai comigo e com o Zayn para a pizzaria! — me falou com autoridade. — Não vou! Será você e seu filho, dia de pai e filho. — Falei já encarando o Laurent. Ele se virou para mim como se eu tivesse acabado de dizer, que não iria trabalhar amanhã. — Levi, você precisa ir comigo, eu não sei o que falar com ele, ou do que ele gosta... — Harry me encarou mais sério. — Eu... Eu tenho medo dele não gostar! — Confessou abaixando a voz enquanto falava. Merda! Não tenha um coração mole, Levi... Não tenha... Sem chance... Nem pensar... Mas, ele está com medo... Ele só quer dar um boa noite ao filho... O que tem de m*l, nisso? — Olha senhor Laurent... A gente precisa realmente conversar sobre meu contrato, sabe? Sobre os serviços que presto ao senhor, isso realmente precisa ser revisado. Harry me olhou com muita raiva, muito mesmo. Parecia que eu tinha ofendido ele em tantos graus diferentes, que até me arrependi do que falei. — Um aumento? É isso que está me pedindo? Isso vai fazer você ir comigo? Quer um aumento de quanto? Mil libras? Mil libras e quinhentos? — Ele falou me olhando sério. — Tudo bem! Você ganha um aumento de mil libras é só dizer que vai. É claro que não vou fazer isso! Quando eu entrei como secretário de Harry, eu recebia apenas duas mil libras por mês... E a cada nova necessidade dele eu ganhava mais, quando ele me colocou como companhia para reuniões familiares, quando ele me colocou para ficar comprando presentes para TODOS os seus parentes, ou quando ele me colocou para organizar não só sua agenda de trabalho como sua vida pessoal, quando tinha que ir em reuniões escolares de Zayn... Hoje ganho oito mil libras por mês, bem... Agora ganho nove mil! Quem n**a isso? E outra, Zayn é fofo e a criança mais doce que eu conheço, e outra eu vou comer de graça! — Okay Harry, eu vou! — Falei vendo Harry se animar. Mas, sem que eu esperasse ou ao menos raciocinasse ele se inclinou e me beijou. Exatamente. Harry Laurent estava me beijando. Caralho! Puta beijo gostoso! Eu correspondi sem pensar muito, nossas línguas se enroscavam de um jeito gostoso, sua mão foi parar em minha nuca, puxando meus cabelos e me fazendo arfar durante o beijo, minhas mãos estavam em seu pescoço e arranhavam a pele sensível causando mais gemidos nele, sua mão livre foi para minha cintura e fazia uma pressão gostosa ali. Quando o ar faltou, findamos o beijo com ele mordendo meu lábio inferior, nós ainda estávamos próximos, nossas respirações se misturavam e se tornavam uma só, nossas testas estavam encostadas e ele a fazia um carinho em minha cintura. — O que é isso Harry? — Perguntei sem me afastar. — Do que está falando? — Perguntou confuso. — Isso! Nós dois... O que estamos fazendo? — Nos beijando? — Isso eu sei, mas isso é o que? Apenas uma diversão, sou um escape para você? Ele se afastou e me encarou mais sério. — Eu ainda não estou entendendo, o que quer saber? — Olha Harry, você é gostoso e tudo mais..., Mas eu ainda quero saber o que isso significa. Harry riu convencido, mas pegou minha mão e deixou um carinho ali. — Do que tem medo? — De que se a gente se envolver e dar errado, isso atrapalhe meu emprego, ou que isso possa prejudicar a forma que nos relacionamos profissionalmente. — Falei olhando em seus olhos negros, ele parecia entender o que eu dizia. — Olha, independentemente de como vamos nos envolver fora da empresa, isso jamais vai influenciar em seu trabalho como meu secretário, e se você ainda estiver com medo e não quiser avançar nisso, eu super entendo, mas, ainda te peço para que me ajude com Zayn, e continue sendo a pessoa que organiza minha vida e que me acompanha fora da empresa. — Ponderei de forma sincera. Eu poderia simplesmente me entregar e pronto. Mas eu ainda tinha meu emprego, e por mais que eu quisesse muito sentar em Harry Laurent, eu precisava pensar em mim. — Então é melhor pararmos por aqui, e eu prometo continuar te ajudando e estando perto de você, mas apenas como seu secretário e amigo. Se eu queria fazer ao contrário? Lógico! Mas não podia arriscar. Harry pareceu triste com a resposta, mas concordou, se endireitou no sofá e me olhou uma última vez, antes de voltar a ver o filme que já estava na metade. Nós concentramos no filme, e já estava na parte em que Hulk dava o estalo e todo mundo voltava. — Vai ter um jogo de futebol que Zayn quer ir, eu vou levar ele... — Harry começou. — Quer ir? Claro! — Claro, eu adoraria. — Na verdade eu era um fã de futebol e sabia que Harry também era, assim como Zayn. — É do Chelsea! — Harry informou, me deixando ainda mais animado. A conversa sobre o jogo não se estendeu muito, já que estávamos nas melhores partes do filme. — Eu achei injusto ele morrer. — Harry comentou. No momento tomávamos cervejas, que ele tinha trazido para mim. — Um homem gostoso desses, e não mora perto de mim e ainda é hetero, o mundo é injusto e c***l! — Falei arrancando risadas do meu chefe que já estava um pouquinho alterado. — Ele ser hetero com certeza é a maior injustiça do mundo! — Harry concordou comigo. O clima era leve e nem parecia que eu tinha dito não para Harry gostoso Laurent. ⚜ O dia ali estava uma loucura, Harry estava uma fera, pois aparentemente alguém tinha literalmente apagado quinze por cento de todo o balanço mensal da empresa, fazendo assim os setores financeiros e administrativos entrarem em perfeito colapso. Archie tinha subido junto a Pietro, já que ambos cuidavam de todo o setor financeiro que era o maior da empresa, Harry era presidente administrativo, Archie do financeiro e Pietro era braço direito de ambos. Quando os Laurents saíram do elevador, pude ouvir suspiros e quis xingar por todos estarem pensando em como eles são lindos em meio a uma crise daquela. — Levi, onde está meu irmão? — A voz autoritária de Archie me fez tremer. — Em sua sala, senhor Laurent... — Nem mesmo eu era capaz de desafiar Harry hoje. A única coisa boa, era que Margot falou, que iria para a reunião escolar de Zayn, liberando assim Harry e eu. Sarah e Karol estavam na minha cola hoje e pareciam duas baratas tontas tentando acompanhar o fluxo da empresa naquele momento. — Levi... — Dylan me chamou, se aproximou do meu ouvido na intenção de sussurrar. — Eu achei de onde os arquivos foram deletados. — Olhei para ele, que me encarava de um jeito muito nervoso. — Foi do meu computador, mas não fui eu... — Disse já ficando nervoso. Eu não tive tempo de dizer nada, Archie e Pietro saíram da sala de Harry sem olhar para ninguém, a não ser para Dylan que não sustentou o olhar. Harry logo apareceu na porta. — Dylan, na minha sala! AGORA! — Ele estava uma verdadeira fera, e eu tinha certeza de que aconteceria uma p**a injustiça lá dentro. Dylan se levantou, me olhou uma última vez antes de entrar na sala do senhor Laurent. Não demorou cerca de dois minutos para ouvirmos muitos gritos, mas não dava para entender muito bem, mas dez minutos depois Dylan saiu de lá com seus olhos lacrimejados e voltou a sua mesa. — O que ele falou? — Perguntei. — Eu fui demitido, e agora vou ser denunciado por ter apagado os arquivos, e vão investigar se eu não vendi as informações. — Ele abaixou a cabeça e secou as lágrimas que foram caindo. — E vou ter que pagar a multa por quebra de contrato. Olhei para meu amigo ali, ele precisava desse emprego, ele era sozinho nessa cidade e o sonho dele era trazer sua irmã e mãe para cá, ele economizará cada centavo. A porta de Harry foi aberta novamente. — Levi eu estou saindo! — Falou ainda ajeitando sua gravata. — Não está não! — Falei levantando e andando até ele, Harry me encarou e com toda a coragem que eu reuni na minha vida inteira, para usar quando tivesse que escolher entre minha vida e a vida de outra pessoa, eu me pus a sua frente. — A gente vai conversar! — Sobre? — Perguntou cruzando os braços e não se movendo um centímetro. — Vamos conversar, por favor! — Falei me aproximando ainda mais e vendo o corpo de Harry tencionar e recuar três passos. Harry entrou em sua sala junto comigo, fechou a porta e voltou a se sentar em sua cadeira, me encarando com superioridade. — Fala! — Foi grosso. — Você não pode fazer isso! — Disse me aproximando da sua mesa e apoiando minhas mãos ali. — O Dylan não fez isso, ele nunca faria isso. É injusto! Harry me encarou mais uma vez. — Olha aqui Levi, a empresa é minha, eu contrato e demito quem eu quiser, não me venha colocar ordens! — Disse mais grosso possível. Aquilo realmente me surpreendeu, Harry nunca foi grosso daquele jeito comigo. Nunca mesmo! — Já acabou? — Perguntou ríspido. — Não! Você não vai demitir ele! — Ele levantou e assim como eu apoiou suas mãos na mesa, e inclinou seu corpo um pouco mais em minha direção. — Eu faço o que EU quiser dentro da MINHA empresa! — disse me encarando com certa raiva, tomando raivoso e deixando sua presença ser liberada, e ela era esmagadora. — Não se ache tanto senhor Elliot, todo funcionário é substituível, até mesmo você! Então não me desafie! — Eu olhava para ele, um tanto abismado. — Não rosna para mim! — Disse fazendo ele me encarar, mas murmurar um pedido de desculpas. — Ele precisa desse emprego! — Tentei não me abalar. — Aqui é uma empresa e não uma casa de caridade! Se ele precisa tanto, deveria ter pensando nisso antes de fazer a m***a que fez! — Falou. — Ele não fez isso! — Foi do computador dele, que os arquivos foram apagados! — Qualquer um desse andar, tem acesso ao computador dele, só o meu que é restrito, pode ter sido qualquer um. Você sabe disso! — Eu não alterava o tom de voz, mas ainda assim era um desafio a ele, já que eu praticamente estava desobedecendo e o enfrentando. — Tem como provar? — Olhe as câmeras! — Disse como se fosse óbvio. — Não funcioLaurentm ontem. — Justo ontem? Você tem os melhores equipamentos de segurança, as câmeras são de última geração, nem mesmo se der um blackout elas desligam por ter um gerador próprio, aí ontem elas dão defeito? Achei que era mais inteligente! Me arrependi de dizer a última frase, assim que terminei. — Está me chamando de burro? — Perguntou ríspido. — C—claro que não! Só disse que não faz sentido... as câmeras não funcionarem justo no dia, que essa m***a toda aconteceu. — Pela primeira vez eu não consegui manter meu olhar, abaixei meus olhos e minha cabeça. Eu era apenas o secretário, e não deveria estar fazendo aquilo, mas torcia para Harry me levar em consideração. — Pode até ser algo planejado, mas quem garante que não foi o próprio Dylan? — Questionou. — Eu! — Você? Tem certeza? Absoluta? Quer mesmo garantir algo, que não tem tantas chances de darem certo? Que Deus me ajude e que Dylan não seja, um p**a manipulador mentiroso! — Sim! Eu garanto que não foi ele. — Quando encarei Harry, eu sentia vontade de me afastar e na verdade eu queria sair correndo dali. — É muita coragem, senhor Elliot! Harry não me chamava assim, a pelo menos quatro anos. O que tinha acontecido? O que eu tinha feito? — Eu só não quero que uma pessoa inocente, seja prejudicada atoa! — Falei mais baixo. Harry notou, e isso o deixou ainda mais imponente. — Okay! — disse umedecendo os lábios e parecendo pensar por alguns segundos. — Ele não será demitido. — Suspirei aliviado. — Mas, — cedo demais Levi, cedo demais! — Você fica aqui hoje junto comigo, para organizar os arquivos perdidos! O que? — O que? — disse. — Isso mesmo, que você ouviu! Se quer tanto que Dylan fique, tudo bem! Mas você vai ficar e arrumar a m***a que ele fez, ou alguém fez! — Harry me encarava. Ele sabia que eu não gostava de ficar depois do horário, ainda mais em uma situação que eu não tinha nem hora para sair. Merda! Maldito seja o demônio Laurent! — Tudo bem, senhor Laurent. Se é isso que você quer..., mas, não tire uma pessoa de forma injusta, você nunca fez isso nem com quem merece... — Harry franziu o cenho, mas concordou comigo. — Se provar que foi ele... vocês dois estão na rua! Entendeu Elliot? — disse dando a volta na mesa e parando a centímetros de mim. Nós não tínhamos tanta diferença de altura, mas sua pose superior me fazia recuar um pouco. — Sim senhor! — Falei engolindo seco. — Ótimo! Estou saindo, quando eu voltar esteja com boa parte das coisas adiantadas. — Se virou e caminhou até sua porta. — Entendido? — Sim senhor. — Falei caminhando para a porta, abri a mesma e todos olharam para nós. Fui direto para a minha mesa e Harry para o elevador. Eu respirava fundo e pensava no que aconteceu, e o porquê Harry me tratar tão m*l. Dylan começou a juntar algumas coisas e eu me lembrei que tinha dado certo apesar de tudo. — Você não vai embora! — Falei pegando-o de surpresa. — O que? — Isso mesmo, você não vai embora..., mas, agora temos que provar que não foi você. Ou roda você e eu! — Avisei já pensando no que fazer. — É só olhar as câmeras! — disse como se fosse óbvio. — Elas não funcioLaurentm ontem... Você se afastou do computador ontem? — perguntei. — Não...— pensou durante um tempo. — Na verdade sim, Ravi trouxe uns papéis que eu esqueci no apartamento dele, fiquei quase meia hora fora e você estava com Harry em uma reunião. Ótimo! — Onde encontraram? — perguntei já levantando junto com ele. — No estacionamento. — Desligue seu computador e vem comigo! — Falei vendo ele fazer o que mandei. Nós dois andávamos lado a lado, e todos olhavam a cena, quando entramos no elevador apertei de forma incessante o quinto andar, quando as portas se fecharam, Dylan soltou o ar que estava preso. — Obrigado! — Disse secando algumas lágrimas. — Eu sei que não foi você! Só vamos provar isso, e fazer Harry Laurent engolir aquelas malditas palavras. — Disse com raiva. — Que palavras? — Perguntou curioso. — Não importa agora, só vamos! — Disse agradecendo por ter sido rápido. Quando saímos, caminhando direto para a última sala, o segurança me deixou passar, e quando entramos vi Yan sentado e praticamente dormindo. — Yan? — Chamei fazendo ele me olhar de um jeito preguiçoso. — Oi? — falou se espreguiçando. — Será que você pode nos ajudar? Expliquei tudo a ele, que na mesma hora se pôs à disposição para procurar câmera por câmera. — Somente as câmeras do último andar que pararam, mas dos outros não. — Disse olhando a do elevador. Dylan apareceu, ele estava descendo para algum lugar, logo ele parou e as câmeras do estacionamento mostraram ele caminhando e depois abraçando Ravi, eles trocaram um selinho e Ravi entregou a ele uma pasta que tinha muitos papéis. Dylan conferiu cada um, e trocou algumas palavras com o namorado, na hora de ir embora eles se beijaram de forma rápida e se despediram, Dylan voltou ao elevador sorridente, e segurava aqueles papéis como se sua vida dependesse disso. — Está ai! — Yan falou. — Tem o horário? — Perguntei. — Tem sim... — Disse nos mostrando. — E como isso prova que não fui eu? — Dylan perguntou. Explicamos para Yan o que precisávamos, e ele se pôs a ajudar novamente. Saiu dali com a gente e deixou Charles no controle das câmeras, voltamos ao nosso andar, e em menos de dez minutos ele conseguiu o horário que os arquivos foram apagados. — Os horários batem! Aqui está sua prova de inocência... — falou sorrindo. Harry voltou para o andar, e caminhava com toda a sua pose, me olhou e em uma ordem muda, me chamou até sua sala. — O que ele está fazendo? — me questionou assim que fechei sua porta. — Ele conseguiu os horários em que os arquivos foram apagados e também as imagens de Dylan no estacionamento, isso prova que não foi ele. Harry me olhou, parecia ponderar. — Me mostre! — Falou. — Claro! — Disse tentando esconder a raiva. " todo funcionário é substituível, inclusive você! " Acredite ou não, mas isso me machucou. Andamos até Yan, que pelo meu computador acessou as imagens de ontem, mostrou as mesmas imagens de Dylan e depois mostrou a ele que hora os arquivos foram deletados. Harry olhou tudo e apenas agradeceu a Yan, e me chamou de volta a sua sala. — Já está bom para você, ou quer mais alguma coisa? — Perguntei com raiva, mas não alterei a voz. — Olha como fala! — Avisou se sentando em sua cadeira. — Vai me demitir por falar assim? Ou vai me demitir por eu ser tão substituível? Harry me olhou, e pareceu notar o que disse a mim. — Eu não vou demitir você! Sabe disso... E por isso você faz tanta coisa... — Falou suspirando irritado. — Olha senhor Laurent, tem alguma ordem para mim? Ou posso me retirar? Ele me encarava, e não dizia nada coisa que estava me irritando. Harry se aproximou de mim a passos curtos e demorados, logo ele estava na minha frente. — Deveria controlar a sua língua! — Falou mais baixo. — Eu a controlo muito bem, senhor! — Cuidado Levi, ela pode te colocar em sérios problemas. — Pode deixar, eu sei bem o meu limite e sei bem como usá-la! — Vi Harry umedecer os lábios e depois olhar diretamente para a minha boca. — Sabe mesmo... — Falou ficando cada vez mais próximo. Ele se aproximou ainda mais, e eu tenho certeza que ele me beijaria se não fosse, Archie batendo na porta. Nos afastamos e eu sai dali, dei espaço para Archie entrar e fui direto para a área aberta que tinha naquele andar. Eu precisava de ar, precisa ficar longe dele. Respirava fundo e tentava manter minha mente em ordem. Harry estava diferente hoje e eu não sabia o porquê, não foi por causa da rejeição, Harry Laurent é muito profissional para deixar uma coisa dessa atrapalhar ele. Então o que é? ⚜ Todos já estavam saindo, Dylan também foi embora me agradecendo inúmeras vezes, e eu fiquei feliz por ele. Harry não tinha falado mais comigo, e isso me deixava confuso. O que ele queria, afinal? Quando o andar e provavelmente parte do prédio já estava vazio, Harry me chamou até sua sala. Eu fui até lá, e o vi mais " relaxado ". Sem blazer, sem gravata, a blusa preta com alguns botões abertos e o colete cinza escuro grudado em seu corpo. Uma delícia! Mas não fiquei babando por muito tempo, logo estávamos anotando, revisando, lendo e comentando cada arquivo que tínhamos que recuperar. Já era tarde da noite, beirando a madrugada quando meu celular tocou, estranhei o fato e ao olhar a tela, o nome Detetive Cabal brilhava ali. — Alô? — atendi sem pensar duas vezes, Harry me olhava por saber que era alguém importante, já que não me importei de atender. — Senhor Elliot? Tudo bem? — a voz grossa dele se fez presente. — Sim! Mas, qual o motivo do contato? — Eu não escondia minha curiosidade e ansiedade. — Eu não vou enrolar muito... Achamos a pessoa que matou seus pais! E pedimos para que venha até a delegacia amanhã. Meu corpo travou, eu não sabia bem o que estava sentindo. Harry pegou o telefone da minha mão, e meu cérebro não conseguia acompanhar a conversa, tinha um zumbido irritante rondando minha mente, e eu estava tonto e enjoado. Vomitar! Eu ia vomitar, corri para o banheiro do escritório de Harry e vomitei todo meu almoço, janta e lanche no vaso sanitário. Senti a mão de Harry nas minhas costas, e outra no meu cabelo. Quando eu parei de vomitar, ele me ajudou a levantar, fechou o vaso e deu descarga, me sentou na tampa e com uma toalha úmida limpou meu rosto, ele veio até mim com uma escova que tinha pasta de dente. — Abre a boca. — Falou baixinho, fiz o que ele falou. Ele levantou meu queixo e foi escovando meus dentes, eu ainda estava tonto e não conseguia pensar. — Vamos na delegacia amanhã. Disse de forma doce e eu apenas concordei. Harry me ajudou a levantar, lavei a boca e meu rosto, Harry foi desabotoando minha camisa, a tirou do meu corpo e depois me fez sentar novamente, tirou meus sapatos, meias e até minha calça. Não tinha nenhum toque m*****o, era apenas carinhoso e cuidadoso. — Tome um banho... — Falou ligando o chuveiro. — Vou te esperar aqui, para você não cair ou sei lá... Apenas concordei. Harry ficou de costas para mim, acabei entrando de cueca no chuveiro, por incrível que pareça tem um armário no banheiro com algumas peças de roupa para Harry, já que teve uma época que ele morava aqui praticamente. Quando a água foi caindo em meu corpo, minhas lágrimas vieram, eu não importei de chorar, afinal era Harry que estava ali. Chorei muito e meu corpo foi ficando cada vez mais fraco, e eu cairia no chão, se não fosse o corpo de Harry me abraçando e me segurando. — Eu estou aqui! — Disse em meu ouvido. Aquilo realmente me confortou. Ficamos abraçados ali por alguns minutos, ele desligou o chuveiro e me tirou dali me secou e depois fez o mesmo com seu corpo. Me ajudou a me vestir com um moletom confortável. Ele me ajudava a andar, me deitou no sofá e me abraçou, eu ainda chorava e Harry apenas me fazia carinho. ⚜ Acordamos com muito barulho, conversas e algumas risadas. Uma luz forte entrou na sala quando a porta foi aberta por alguém, Harry nem se moveu, mas eu acordei e percebi que eu estava deitado com a cabeça no peito de Harry, a perna por cima da dele e abraçava seu corpo. Um dos seus braços abraçava minha cintura, e o outro cobria seus olhos. Quando olhei para a porta e vi que Sarah estava ali, e a porta estava completamente aberta e todos do andar olhavam nós dois. Que beleza! O celular de Harry começou a despertar e o mesmo apenas se mexeu e me puxou mais para seu corpo. — Temos mesmo que levantar? — Ele perguntou tirando o braço do rosto. Logo a luz alcançou seu rosto, e ele coçou os olhos, logo encarou a porta aberta e a primeira coisa que fez foi xingar. — Fecha essa m***a! — Falou. Sarah fechou de forma rápida, e eu apenas senti a dor de cabeça por ter chorado tanto. Nós levantamos, escovamos os dentes e nos arrumamos, bem... Harry vestiu uma roupa mais social, e eu apenas calçava os chinelos que estavam ali e continuei com o moletom dele. Quando saímos ninguém disfarçou, sério! Quando entramos no elevador tinha umas oito pessoas, entre elas Dylan que me olhava com certa curiosidade. Até ele? Eu não prestava muita atenção ao redor, mas me senti seguro quando Harry colocou a mão em minha cintura e me guiou para fora, primeiro paramos no andar restaurante. Fiquei na mesa que Harry escolheu e ele foi buscar o café da manhã. Eu já não ligava mais para os burburinhos e os olhares julgadores. Harry voltou com uma bandeja, que tinha chocolate quente, um misto quente e para ele um café sem açúcar e um misto quente. — Come... Você precisa ter alguma coisa no estômago. — Disse pegando em minha mão. Apenas concordei e só notei que estava com fome quando comecei a comer. A gente comia em silêncio, e quando terminamos, Harry deixou a bandeja no lugar e colocou o braço em minha cintura, como se me apoiasse. O clima no carro era incômodo, já que eu apertava minhas mãos e suava frio. Quando paramos em frente à delegacia, Harry saiu e abriu a porta para mim, andávamos lados a lado e de mais dadas, aquilo já não importava mais. Quando Cabal veio até nós, ele nos levou para sua sala, eu me sentei ao lado de Harry e o detetive começou. — Bem Levi, vou ser rápido. — Apenas concordei. — Seus pais sofreram um falso latrocínio, a pessoa que foi o mandante do crime queria m***r seus pais, e disfarçou com um assalto malsucedido. Mas achamos o mandante e aparentemente você o conhece. Aquilo me fez tremer, segurei firme a mão de Harry e aguardei a resposta. — Simon! — Falou, nesse momento minha mente pareceu me jogar todas as lembranças daquele alfa, ele era um dos melhores amigos do meu pai, me viu crescer, eu o chamava de tio! Aquilo era demais para mim, fiquei ali parado e Harry parecia conversar com o detetive. Ouvi as palavras "O que podemos fazer?", " meus advogados estão à disposição ", e "Não vou deixá-lo sozinho, vou ficar com ele o tempo todo!". Eu já não entendia mais nada, ou conseguia me concentrar.
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