Capítulo 3

4927 Words
A fina garoa caía e o ar gélido fazia com que as ruas fossem frias e nada convidativas, após a noite na casa do senhor Laurent, a gente ainda estava meio estranho um com o outro, após o café da manhã eu pedi um carro e vim para o meu apartamento. Assim que cheguei Kurama estava na minha cama, e me olhava com certa curiosidade, na verdade ela parecia me julgar por ter dormido fora. — O que foi? — perguntei tirando a roupa que trabalhei ontem, já que me neguei a vir com a roupa de Harry. — Não fiz nada de errado e nem de bom... Ela miou em resposta e me acompanhou até o banheiro. — Margot perguntou por você- ela miou outra vez. — Eu contei a ela, que você desprezou o arranhador que comprei a você! — ela virou de costas para mim, levantou o r**o peludo e saiu rebolando e miando para o quarto. Revirei os olhos, e me enfiei em baixo do chuveiro, deixei a água quente levar todo o meu estresse. Sasha e Ravi tinham me mandado mensagem, avisando que passariam aqui e trariam pizza, refrigerante e cerveja. Por isso não demorei muito, quando sai coloquei uma cueca vermelha e um conjunto de moletom laranja. A companhia soou e fui abrir a porta, dando de cara com a rosada e o perolado da minha vida. — Oi Lou! — Sasha falou me abraçando e entrando. — Oi loirinho! — Ravi me cumprimentou com um abraço e entrou logo em seguida. Fomos para a sala que tinha um sofá grande e uma televisão grande, que fazia menos de um mês que comprei. — Me responde aqui loirinho, quanto o Laurent te paga? — Ravi perguntou pegando mais um pedaço de pizza. — O suficiente para eu ficar lá, até o dia que ele quiser. — Respondo rindo. — Cara, eu ganho duas mil libras por mês, e não consigo ter a vida que você tem! — Sasha falou revoltada. — Deve ser porque ganho bem mais. que isso! Tipo umas quatro vezes mais... — vi ambos arregalaram os olhos. — Isso não é justo! — Ravi falou me olhando. — c*****o, você faz o que? Dá para ele? Só pode! — Ri da cara do meu amigo. — Eu até queria sentar naquele a, porque porra... ele é uma delícia! Mas infelizmente, eu só organizo e resolvo a vida dele! — Falei mordendo um pedaço da minha pizza. — E agora vou ter que ensinar ele a ser pai! — O marido dele, foi mesmo? — Sasha perguntou. — Até eu iria! Harry é o t***o em pessoa, e deve fuder muito bem, mas aquilo como marido é h******l! Acreditem, Kenji errou em trair ele, mas demorou... se fosse eu já teria metido pelo menos cinco chifres naquele homem. Eu já vi Harry maltratar Kenji tantas vezes que mesmo sendo praticamente humilhado, não deixava Harry e ainda cuidava da casa, do filho e do próprio Harry! Eu teria dado para outro na cama dele! Nós três rimos e ficamos em assuntos aleatórios, até alguém ligar para Ravi, que saiu para atender. — Lou... — Sasha me chamou olhando para onde Ravi tinha saído. — O que foi? — Eu estou muito fudida! — ela disse meio desesperada. — Eu estou fazendo uma coisa com o Ravi que não deveria com toda certeza do mundo. — Nossa! Tu fez o que? Matou alguém e escondeu o corpo na casa dele? — perguntei rindo. — Um pouco pior... — Nossa! Então foi o que? Pior que isso é só ficar com a Hannah! — Falei rindo, mas meu riso foi sumindo ao ver a rosada me encarando mais sério. — Sério? Vocês duas? — Ela confirmou. — Eu não sei como falar com o Ravi— — Me falar o que? — O ômega voltou para a sala, nos pegando de surpresa, Sasha arregalou os olhos e encarou nosso amigo como se tivesse realmente matado alguém e escondido o corpo na casa dele. — A Sasha está gostando de uma menina aí... — Falei de forma vaga. — Ah, isso é bom... Eu conheço ela? — Mais ou menos. — A alfa respondeu tomando um gole longo da sua cerveja. — É alguma ex minha? — Ele perguntou fazendo Sasha negar imediatamente. — Então está de boa. — Ele falou rindo e voltando a se sentar. — Quem era? — perguntei mudando de assunto e Sasha agradeceu. — Um boyzinho aí, estou começando a conhecer ele, a gente saiu ontem e foi bem legal aí ele ligou hoje. — E esse boyzinho tem nome? — perguntei olhando-o. — Tem sim, Dylan! — Acabei me engasgando com a cerveja pela surpresa. Ravi me ajudou junto com Sasha. — O que foi Lou? — Ele trabalha comigo. — falei após me recuperar. — Eu sei, ele é seu secretário. Não é? — confirmei com um aceno. — Mas, como vocês se conheceram? — Perguntei tentando fazer o clima ali voltar ao normal. Sasha não falava mais nada, apenas bebia sua cerveja e olhava Ravi. — Foi através da Hannah, eles se conhecem e fazem faculdade juntos, aí ele foi lá em casa fazer um trabalho junto com ela, e acabou indo mais vezes até que eu comecei a reparar bem nele. Aí começamos a conversar e ele passou a dormir lá em casa... — Ravi falava tudo com um brilho especial em seus olhos. — Quando eu percebi, eu já estava chamando-o para sair, e quando a gente saiu, foi tudo tão diferente. Ele não ficou perguntando sobre minha família ou algo do tipo, perguntou sobre mim sabe? O que eu gostava de fazer ou como eu me imaginava daqui a alguns anos... Foi diferente. — Ele concluiu com um sorriso no rosto. — Nossa, já está apaixonado? — Sasha falou após tanto tempo calada. — Não é isso, é que pela primeira vez, ninguém perguntou sobre minha família ou a fortuna que meu pai deixou, ele também não tentou me beijar ou fazer nada do tipo. A gente realmente se beijou, mas foi porque eu tomei a iniciativa. — Isso é lindo Ravi. — Falei de forma verdadeira. — Aproveita bastante. O dia foi se passando assim, entre conversas novas e aleatórias, eu me sentia bem ao lado deles e me sentia feliz. ⚜️ O dia amanheceu chuvoso, e acho que combinava bem com o que eu sentia dentro de mim, hoje já era segunda e minha semana já tinha acabado para mim. Hoje era a pior data do ano para mim, primeiro de novembro o dia em que meus pais foram assassinados em um assalto. De forma preguiçosa e bem demorada me levantei e fui até meu banheiro, tomei um banho longo nesse dia eu realmente não me importava de atrasar para o trabalho. Após um banho quente, eu me vesti com roupas mais escuras em sinal de luto, era sempre assim. Vesti uma calça social preta, uma blusa de botões também preta e um colete da mesma cor, uma gravata borboleta e nos pés um sapato muito bem lustrado. Resolvi usar meu carro, e por isso o caminho foi feito de forma mais rápida, parei na padaria perto da empresa e pedi três cafés, um descafeinado, um com leite e um sem açúcar. Quando estacionei, fui em modo automático até o elevador, em minha mão levava o suporte com três copos, o elevador encheu e isso não me importava, assim como os olhares julgadores também não importavam, eu sempre ficava desse jeito nessa data, nos últimos três anos. Quando parei em meu andar, Dylan me olhou e agradeceu o café, em questão de minutos o elevador se abriu novamente e Harry passou por ele. Ao me olhar arqueou sua sobrancelha direita e veio até mim. — Por que está aqui? — Perguntou de um jeito compreensivo. A três anos quando me ligaram, eu estava aqui fazendo hora extra junto com ele, me lembro de ter chorado ao telefone quando o hospital me informou que meus pais estavam lá. — Eu te levo! — Foi a única coisa que ele falou, ao me ouvir. Saímos em silêncio, ele foi comigo até o hospital e não saiu do meu lado, quando a notícia da morte deles foi dada a mim, me lembro dele me abraçando forte, e dizendo que por mais que aquilo estivesse doendo um dia iria melhorar. E todos os anos nessa mesma data, ele ainda não gosta que eu venha trabalhar, e quando eu insisto para ficar ele é o ser mais compreensivo do mundo. É nessas horas que eu vejo, que ele ainda tem um coração. — Você sabe que eu viria. — disse baixo. — Se precisar de alguma coisa, só me fala. Okay? — pergunta tocando minha mão e atraindo olhares. — Eu sei... Obrigado! — Respondi com um sorriso pequeno. Ele se afastou e foi para sua sala, Dylan não perguntou nada, apenas me falou meus compromissos separados de Harry. Após uma hora que eu já estava ali, Karol e Mei se aproximaram da minha mesa, ambas com agendas em mãos. Revirei os olhos mentalmente, e quis mandar elas a p**a que pariu, mas por mais que hoje fosse um dia triste, eu ainda tinha que trabalhar e por isso apenas indiquei a mesa para que se sentassem. Iniciei algumas anotações importantes, falando sempre para elas o que estava fazendo e elas acompanhavam e me olhavam com curiosidade. — Vamos! — falei me levantando e vendo elas repetirem o gesto. Caminhamos até a sala de Harry, e bati apenas duas vezes antes de receber a autorização para entrar, Harry me olhou de forma até carinhosa. — Minha agenda está cheia? — perguntou. — Um pouco, até às cinco você consegue resolver tudo. — Respondi anotando algumas coisas. — Sairemos às três! Zayn ficará com a babá, e tem alguns compromissos que posso jogar para amanhã. — falou anotando algumas coisas em seu notebook. — Sim senhor! — disse baixo. — Mas alguma coisa? — Só confirme para mim, o buquê de flores e pode deixar que hoje eu me viro sozinho, se puder deixar seu secretário responsável por minha agenda essa semana, tem total autorização. E não precisa vir trabalhar ou permanecer aqui, pode ficar em casa e tirar um tempo se quiser. Até se sentir melhor pelo menos. — As mulheres ali arregalaram os olhos e me olharam como se Harry tivesse dito " ei vamos t*****r! " Eu sei que ele nunca é gentil, mas nem tudo está ligado a s**o! — Obrigado Harry, se eu não me sentir bem, eu te informo e vou para casa...— falei entregando a ele sua agenda e saindo dali com aquelas duas atrás de mim. Voltamos para minha mesa, e eu via as duas loucas para perguntarem o que foi aquilo, mas ficaram caladas, esperando alguma ordem ou orientação. — Estão liberadas hoje, façam o que quiserem, mas sumam da minha frente por favor. Ambas nem questioLaurentm, e apenas se levantaram e saíram. O dia foi se arrastando, mas eu não via ele passar, apenas fiquei na minha mesa ajudando Dylan em algumas coisas, ele não perguntava nada por saber o que bem o que eu estava sentindo. Logo era hora do almoço, e ele perguntou se queria que trouxesse algo para mim, que neguei o que foi uma péssima ideia. Harry estava saindo da sua sala, quando me ouviu negar o almoço e com preocupação respondeu por mim. — Traga um sanduíche natural para ele, com suco de laranja. — falou para meu secretário que concordou imediatamente e saiu para comprar. — Eu não estou com fome. — falei escorando meu rosto em minha mão direita. — Você tem que comer, nem que seja um pouco. — Disse ao meu lado, muitas pessoas olhavam e cochichavam. — Vá para minha sala, lá você estará melhor, e pode ficar no sofá, deite um pouco e tente descansar. Não falei nada, apenas me levantei e fiz o que ele falou. Harry foi atrás de mim, e garantiu que eu estivesse confortável naquele sofá grande e caro. A sala do senhor Laurent era grande, com uma mesa de mogno preta, uma parede inteira de vidro que dava uma vista privilegiada de Londres, um sofá espaçoso, e um banheiro também luxuoso. Dylan não demorou, eu comi o sanduíche na presença dos dois, já que Dylan trouxe o mesmo para ele e para Harry. Ambos me olhavam com cuidado, como se em algum momento eu fosse desmaiar ou chorar. Ambos já viram os dois e não me julgavam, apenas ficavam ao meu lado. O dia foi passando de forma arrastada novamente, mas acabei pegando no sono e dormi ali mesmo, sabendo que enfrentaria muitos comentários depois, só acordei quando Harry fez um leve carinho em meu rosto para me acordar e me chamava bem baixinho. — Levi... Ei, temos que ir...— Sua voz era quase um sussurro, o que me fez acordar. Esfreguei os olhos na tentativa de conter algumas lágrimas que já banhavam meu rosto, já que eu sonhei com meus pais. Harry me guiou até o banheiro e me aconselhou a tomar um banho quente, e assim eu fiz. Quando saímos da sua sala, eu de cabelos molhados e ao lado de Harry, todos concluíram o mesmo e nesse momento já não me importava mais nada. O caminho até o cemitério foi completamente silencioso, paramos em uma floricultura onde Harry comprou dois buquês, um de lírios brancos que eram os preferidos da minha mãe e um de girassóis que eram os preferidos do meu pai. Ele dirigiu de forma calma e sempre conferia se eu estava bem ou queria parar ou que ele fosse mais devagar. Quando finamente chegamos, eu já não importei das lágrimas descerem, Ravi e Sasha já estavam na porta à minha espera. Quando descemos eles cumprimentaram meu chefe e seguiram junto a nós dois até às lápides dos meus pais que ficavam lado a lado. " Ethan Payne, filho, marido, pai e amigo amado. Sua memória será lembrada enquanto tiver girassóis nos iluminando. " " Anne Elliot Payne, filha, esposa, mãe e amiga amada. Sempre viverá em nossos corações, e sua memória será lembrada a cada lírio que nascer. " As homenagens em suas lápides me faziam ter a certeza de que eu sempre lembraria deles, e nunca esqueceria de quem eles foram e do quanto me amavam. Ravi e Sasha colocaram os buquês em cada lápide, ambos compraram dois buquês de rosas brancas, Harry me entregou as flores e foi minha vez de colocar ali, a homenagem aos dois. Eu chorava muito e já sentia minha cabeça doer. — Eu nunca vou me esquecer de vocês... Eu prometo! — falei deixando cada buquê ao lado das rosas brancas, ficamos ali mais algum tempo, e quando eu comecei a ir embora todos me acompanharam. — Tem certeza, que não quer que a gente vá? — Ravi me perguntou novamente. — Tenho sim, obrigado. Nós despedimos e vi meus amigos entrarem em seus carros e irem embora. Harry abriu a porta para mim e eu entrei, ele dirigiu até meu prédio, e quando eu saí do carro ele veio atrás. — Não precisa disso Harry... Eu estou bem! — falei sorrindo pequeno. — Não está! Ano passado você tinha aquele i****a do Kayon para ficar com você, mas hoje você não tem... Eu vou cuidar de você! — Falou me seguindo até o elevador. — O grande Harry Laurent se importa com alguém, além dele mesmo? — fingi surpresa. — Isso é um dia histórico minha gente! O vi revirar os olhos, e me olhar enquanto esperávamos o elevador. — Hahaha, sabe que eu me importo, ainda mais com você... — Olha, isso foi quase uma declaração! — provoquei. O elevador chegou e entramos em silêncio, ele apertou o número seis e assim seguimos para o meu andar. Quando chegamos andamos em passos curtos, alcançando a porta, abri a mesma e sem ser convidado ele entrou, logo Kurama veio até nós e se enroscou nas minhas pernas, a peguei no colo e fui até o sofá, Harry foi para cozinha provavelmente fazer um chá. Dez minutos depois ele voltou com duas xícaras de chá de camomila, e se sentou ao meu lado. Ele olhava tudo ao redor e franzia a testa a cada novo detalhe. Revirei os olhos e encarei o homem. — Fala logo! — disse vendo-o deixar a xícara em cima da mesinha de centro. — Eu te pago muito bem, para você viver em um lugar assim! — ri da sua fala. O apartamento era ótimo na verdade, dois quartos, sala, cozinha, dois banheiros sendo um em meu quarto e duas varandas sendo uma também em meu quarto. — Harry, aqui é ótimo e na verdade está bem a cima do que muitos trabalhadores podem pagar. — Respondi tomando um pouco mais de chá. — Aqui é minúsculo! Tem quantos quartos aqui? Três? — Dois! — ele arregalou os olhos e eu quis rir. — Dois? Levi, isso não é nem um duplex! Por Deus! — Não exagera! Você que está acostumado ao luxo extremo. Isso aqui para mim, está ótimo! E ainda dá para pagar e guardar uma boa grana na minha conta. — Está economizando para alguma coisa? — perguntou voltando a pegar sua xícara. — Sim! Casos de emergência, tipo eu ser demitido. — falei sem pensar, minha poupança realmente era para isso. Mas, eu me esqueci que era meu chefe ali. — Você não vai ser demitido! Eu não sei nada da minha vida, e você cuida dela para mim, então não precisa se preocupar. Ri da sua fala, por ser verdade. Mas o apartamento era muito bom para mim, e eu conseguia ter tudo aquilo e ainda um carro — que eu deixei na empresa- praticamente quitado. — Olha Harry, eu sei que você está acostumado com tudo luxuoso, mas eu vim de uma família pobre, e isso aqui para mim é demais! O que você me paga me deu a chance de ter coisas que nunca pensei, e pude dar aos meus pais cosias que nunca tiveram, como uma cerimônia — na qual ele foi— e uma lua de mel. Para mim está ótimo! Ah, e aqui também o Kayon não pode entrar. — falei fazendo ele torcer o nariz. Kayon era meu ex namorado, namoramos por dois anos, e terminamos no dia que ele insinuou que Harry e eu tínhamos algo. Ele fez isso na porta da empresa, quando já era de madrugada e ainda estávamos trabalhando por ser uma época muito agitada, Harry iria me levar até em casa, mas Kayon apareceu bêbado e gritou várias coisas. Desde então, Harry não pode nem ouvir o nome dele, que deixa claro sua raiva. — Isso é bom! Vai que aquele i****a tenta fazer alguma coisa... — Nem fala! — disse terminando o chá. Ficamos em um silêncio agradável, e Harry agia como se morasse ali, ligou a tv, tirou os sapatos e colocou os pés na mesinha de centro. Eu estava bem melhor, não vou negar. A presença dele, me dava um conforto e até mesmo uma segurança estranha. Fui até meu quarto e tomei um banho rápido, vesti um conjunto de moletom azul e separei um preto para Harry, uma toalha e até uma cueca branca já que eu imaginava o quanto aquilo iria ficar uma delícia nele. Voltei para a sala e Kurama estava em cima de Harry que já tinha tirado o blazer, a gravata e aberto três botões da sua camisa. — O rei do mundo! — Chamei fazendo ele me olhar. — Já que não vai embora, toma um banho e veste esse moletom. Tem uma cueca também! Ele nem ao menos questionou, foi até o banheiro social e ficou lá por meia hora, enquanto isso eu escolhia um filme de comédia romântica e acariciava Kurama que já dormia em meu colo. Quando Harry voltou, tive que me controlar para não babar. Talvez, apenas talvez eu tenha pego um moletom pequeno para ele, só para ver seu corpo todo marcado naquela calça, que desenhava seu corpo muito bem, principalmente o contorno do seu m****o. — Colocou o que? — ele perguntou se sentando ao meu lado e voltando a deixar seus pés na mesinha de centro, um braço no encosto do sofá e uma mão dentro do bolso do moletom. — Esposa de mentirinha. — Respondi vendo-o concordar. Eu amava comédias românticas, ainda mais por lembrarem tanto meus pais, Harry sabia disso, já que eu tinha falado em uma das vezes que ele ficou comigo nessas datas. — Minha mãe sequestrou meu filho, disse que vai ficar com ele essa semana, porque ela vai viajar no fim de semana! — Harry disse bufando em seguida. — Margot é apaixonada no neto, duvido nada que Ohana está junto. — disse me aconchegando cada vez mais no sofá. — Deve estar mesmo, junto com aquele louco do Dean. — Me impressiona o quanto você ama sua família. — Jura? Tento ao máximo demonstrar... — piscou os olhos repetidamente em minha direção. — Percebe-se! — rimos juntos e voltamos a nossa atenção ao filme, a chuva lá fora voltou a cair e o frio ficou mais forte, por isso fui até meu quarto e peguei uma manta para nós dois, ficamos mais próximos no sofá e estávamos a centímetros um do outro. — Se Jeniffer Aniston fosse um ômega macho, com certeza seria alguém que eu pegaria! — Harry falou na cena em que eles vão nadar em um lago. — Achei que gostasse dos albinos. — disse provocando-o. — Gosto mais de loiros! — Falou me encarando de forma descarada. Engoli seco e voltei minha atenção ao filme. — Posso te fazer duas perguntas? — Fala! — Por que se casou? — perguntei me virando para ele. — Meus pais sempre me acharam robótico de mais, centrado demais e achavam que eu precisava de alguém. Eu conheci Kenji na faculdade ainda, namoramos por dois anos e meio, até meus pais darem a ideia do casamento. E eu fiz, me casei com ele, e depois de um tempo ele quis ter Zayn e eu concordei. Não me lembro em que momento eu deixei de cuidar da minha família para viver apenas para a empresa, quando eu descobri a traição dele, não doeu, apenas jogou na minha cara que eu fui tão burro que alguém como Kenji foi capaz de me trocar... Eu não o culpo, se fosse eu teria feito o mesmo, na minha cama ainda para deixar de ser trouxa. — Okay! Foi impossível segurar a risada. Rimos juntos e nos encaramos por um tempo, parando sentir aos poucos. — E qual é a outra pergunta? — Falou virando seu corpo no sofá, ficando de frente para mim, imitei seu gesto e assim ficamos a centímetros de distância. — Você o amou? — Muito! Amei ele de verdade... — Mas? — Mas acabou... Eu não tinha coragem de pedir o divórcio, e na verdade eu torcia para ele fazer isso, e se libertar da prisão que era ser casado comigo. Kenji é alguém incrível e merece ser feliz, eu sei que ele errou, mas eu errei primeiro. Deixei nosso filho apenas nas mãos dele, e vivia descontando minha raiva em cima dele. Ele aguentou até demais. Fiquei observando o rosto masculino e bem marcado que Harry tinha. Ele era lindo, e disso eu sabia. — Posso tirar uma dúvida que me mata, a anos? — perguntou deixando um sorriso, que eu sabia ser um debochado. — Fala! — Você é relativo, não é? — perguntou me fazendo arregalar os olhos. — O que? — Eu sempre tive a certeza, de que você não era um ômega comum... Então você deve ser relativo! — Ele bebeu? Não! Mas Harry falava algumas coisas s*******o de vez em quando. — Sim Harry, eu sou relativo... Igual a você! — Harry franziu a testa e me olhou. — Eu não sou relativo! — Falou convicto. Acabei rindo, mas parei ao ver que era sério. — Você nunca foi o passivo? — Ele negou. — Nem para o Kenji? — Negou novamente. — Harry você não pode saber de uma coisa, sem experimentar, só precisa achar alguém certo. — Levi, eu não vou dar minha b***a por aí! Eu sou um alfa! — Falou me fazendo rir novamente! — Tenho certeza, que vai gostar. — Prefiro fuder alguém, do que ser fudido! — Olhei seus olhos tão negros, e não pude evitar minha imaginação de vagar por lugares perigosos, como por exemplo Harry embaixo de mim, me fudendo de baixo para cima em uma velocidade gostosa. — Ah senhor Laurent, dar para alguém, depois de fuder muito a outra pessoa, é maravilhoso! Você vai ao céu e volta em uma velocidade absurda! Mesmo sendo alfa...— vi Harry lubrificar os lábios e encarar minha boca, que nesse momento estava sendo mordida. — Quem sabe um dia eu não encontro um loiro que faça isso! — É impressão minha, ou ele deu em cima de mim? — Quem sabe... Ficamos nos encarando por mais alguns segundos, antes dele avançar em cima de mim e tomar minha boca em um beijo quente, sua mão foi parar em minha nuca e a outra em minha cintura, minhas mãos foram para o seu pescoço, onde eu arranhava sua nuca e puxava para mais perto, Harry foi me empurrando para trás, até estarmos deitados no sofá. Ele passava a mão por todo o lado do meu corpo e apertava com força minha cintura, enfiei meus dedos em seu cabelo e o puxava de leve, minha mente chegava a rodar com tanto prazer que era ter a boca dele na minha. Harry beijava muito bem, enfiava sua língua em minha boca e brincava com a minha língua que apenas acompanhava os movimentos. O ar foi faltando e Harry finalizou o beijo com uma mordida em meu lábio inferior, eu achei que ele iria se afastar, mas ele apenas desceu a boca para o meu pescoço e foi chupando a pele me fazendo arrepiar e gemer. Eu segurava em seu cabelo e a outra mão pressionava sua nuca para que ele continuasse a beijar meu pescoço. — S—senhor Laurent... — Gemi quando ele simulou uma estocada forte em mim, arrastando sua ereção coberta na minha que já pulsava dentro da cueca. Ele levou a boca até meu ouvido, mordeu o lóbulo da minha orelha e isso me fez arfar mais uma vez. — Geme para mim, vai... Geme para o seu chefe que está louco para te f***r! — Sussurrou mordendo o lóbulo novamente e simulando mais uma estocada, eu gemi alto quando senti sua mão em minha b***a, me apertando forte. Ficamos nessa pegação por alguns minutos, Harry rebolava em cima de mim, e maltratava meu pescoço me arrancando gemidos cada vez mais altos. Ele parecia saber bem aonde tocar, já que suas mãos iam da minha cintura, para a parte inferior da coxa, depois minha b***a, depois minha cintura, pescoço até mesmo em alguns pontos específicos em minhas costas. — P—para, por favor... — Pedi quando ele parou de me beijar de novo. — Por que? — Ele perguntou ofegante. — Porquê a gente não vai além disso, e eu não quero gozar na minha roupa! — Falei ofegante. Harry foi parando de se mexer, mas não de distribuir beijos por todo o meu rosto. Ficamos deitados por um tempo, não dizíamos nada, apenas ficávamos ali. Harry realmente conseguiu me distrair do dia de hoje, ele rolou para o meu lado e me ajeitou, de um jeito que ficasse com minha cabeça em seu peito. — Você nunca me falou da sua mãe... Como ela era, ou que tipo de pai você teve... Eu conheci pouco deles. — falou me acariciando. — Minha mãe era brava! — falei arrancando risadas dele. — Meu pai e eu sofremos nas mãos dela, mas também ela era a mais amorosa que eu já conheci... Sempre com um sorriso no rosto, sempre alegre e animada, na verdade meu gênio e todo dela! — Sério? Então me enfrentar e me xingar todos os dias vem dela? — perguntou me fazendo rir. — Vem sim! Meu pai era calmo, doce e muito inteligente, porém era lerdo! Minha mãe dizia que se não fosse ela a beijar meu pai, eu nunca teria nascido. Rimos novamente e meus olhos encheram de lágrimas pelas lembranças, mas não era tristeza e sim alegria de lembrar deles dessa forma. — Eu sinto saudades... Antes de morar aqui, eu morava em uma casa com eles, só me mudei quando tudo aconteceu... Não queria ficar lá... — Eles eram incríveis! — Harry disse de forma verdadeira. — Eu via o amor que sentiam por você. — É, eles eram incríveis! — falei deixando lágrimas rolarem. Ficamos em silêncio durante um tempo, depois nos levantamos e fomos tomar banhos separados. Quando nos encontramos de novo foi na cozinha, onde eu preparava o jantar para nós dois, já que meu amado chefe me informou que dormiria na minha casa. Fiz uma macarronada simples e jantamos na cozinha mesmo, rimos das histórias desastrosas da minha vida e da dele, ficamos naquele clima agradável, e Harry não parecia aquele demônio de sempre.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD