Sarah.
*Esse lugar está ocupado?*
Olho com cara de poucos amigos para o homem parado a minha frente, com um terno sob medida, botões da camisa meio abertos, postura relaxada, imponente, músculos por todos os lados, olhos escuros e penetrantes, como se olhasse através da sua alma, maxilar rígido, com uma barba rala, meticulosamente aparada semanalmente no barbeiro que deve custar mais que meu salário.
Não estou afim de confusão e, deixar um Deus Grego sentar na minha mesa é o mesmo que gritar "confusao" em letras garrafas por todos os lados.
Olho em volta e vejo várias mesas livres.
*Acho que sentando sozinho, você teria chances de obter algo interessante, tem muitas mesas disponíveis.*
Ele não se move. Seus olhos escuros me acompanham com uma intensidade que parece pesar fisicamente, como se estivesse mapeando cada detalhe meu, minha expressão cansada, tensão nos ombros, como eu evito olhar diretamente pra ele.
Ele dá umbsorriso leve, quase predatório aparece no canto da sua boca. Elenrecosta na cadeira, com a segurança de alguém acostumado a ocupar o espaço e tomar que quer.
*Acho que você está enganada.*
Sua voz é baixa e rouca, carregada de uma confiança absoluta.
*Eu estava esperando por alguem interessante, e aqui está você*
Eu coro. Tenho o ridículo dom de corar quando fico desconfortável.
Seus olhar como se estivesse me despindo me deixa desconcertada.
Conheço tipos como esses, predadores, intensos, intimidadores, como se estivessem prontos para um desafio.
Não protestei. Sem responder, apontei a cadeira a minha frente e continuei bebendo meu drink com gosto de nada, sem voltar a olhar pra ele.
Henry
Olho para a linda mulher na minha frente, cabelo escuro com algumas mecha loiras, olhos verdes, apagados, boca carnuda, pele branca que cora quando fica desconfortável.
Observo ela apontar a cadeira a minha frente com uma frieza deliberada que poderia me deixar com raiva, mas me diverte.
Um predador reconhecendo que sua presa sabe que ele esta ali.
Puxo a cadeira lentamente, raspando os pés no linoleo do bar, sem nunca deixar de olhar para ela.
Me sento, com olhar arrogante, cotovelos na mesa, tirando o espaço entre nós.
*Você tem um nome?*
Não é uma pergunta. É uma exigência disfarçada de curiosidade. Continuo a olha-la, o rubor em seu rosto, me parecendo a coosa mais interessante do dia.
*Sarah*
Ela responde secamente, sabendo que eu seinque irei leva-la para minha cama no final da noite.
*Fique a vontade. Eu ja estava de saida.*
Vejo ela se levantar, minha mão se move com precisão, fechando suavemente em volta de seu pulso, deixando claro que não estou sugerindo.
*Sarah..*
Experimento o nome em minha boca, saboreando, como se fosse alg precioso.
*Você não esta indo. Não ainda.*
Meus olhos negros fixam em seus olhos verdes com uma intensidade que queima. Ao redor, a cafeteria continua indiferente, ninguém nota o momento Privado acontecendo.
*Sente-se, conte-me o que a está perturbando.*
Não é uma pedido, é uma ordem, fantasiada em veludo.
Ela me olha, duvidando de quem eu seja. Ela não me reconhece, isso é raro.
*Porque eu deveria? Olha moço, me desculpe, não quero ser grosseira, meus problemas, são meus problemas.
Nao tem a menor condição de eu falar sobre minha vida com um desconhecido. - ela acrescenta mais pra si mesma do que pra mim - *Ainda mais quando esse desconhecido parece um Deus que provavelmente terminaria na minha cama.*
Levanto a sobrancelha e meu riso ecoa pela cafeteria, como se ela tivesse dito a coisa mais divertida que eu ouvira em meses.
Solto o pulso dela, mas ao invés de me afastar, chego bem próximo, maos apoiadas no meu queixo.
*Honesta, direta. Gosto disso....*
Meus olhos brilham sedutoramente, perigosamente.
*Você esta certa. Sou um desconhecido. Mas também sou alguém que pode te ajudar. Meu nome é Henry Ashford.
Pauso. Deixo meu nome do ar, pendurado como isca.
*E você? Vai sentar ou continuar em pé tremendo?
Olho para suas mãos trêmulas segurando a barra do vestido azul que ela esta usando.
Sarah
*Eu coro novamente, sinto meu rosto queimando. Quero fugir dali, mas me sinto incapaz.*
*Esse nome não me é estranho... Olho confusa pra ele, tentando lembrar, mas não me vem nada a mente. Tudo esta meio nublado desde que aquela desgraçada da esposa do meu pai tirou tudo o que deveria ser da minha familia.*
*Respiro fundo e me sento, em duvida.*
Porque você me ajudaria? Você não conhece.
Você é um tipão de homem, bem apessoado, com ctz um ricaço filhinho de papai que acha que pode ter o mundo aos seus pés.
Pode conseguir a mulher que quiser com esse seu tipo físico absurdo de bonito e esse olhar que parece tirar nossa roupa.
Eu posso ser uma golpista.
*Ele inclina a cabeça levemente, estudando como um colecionador examinando uma peça rara. Não há ofensa em seus traços — apenas interesse puro.*
Filhinho de papai?
*Sua voz carrega uma aresta de ironia.*
Construí meu império do zero, Sarah. Meu pai era um homem comum. O que tenho, conquistei.
*Ele se aproxima mais, apoiando os cotovelos na mesa.*
E quanto a golpista? Talvez. Mas eu gosto de riscos. Gosto de desafios. Você é ambos.
*Seus dedos tamborilam na mesa com confiança absoluta.*
Conte-me sobre seus projetos. Se forem bons, eu invisto. Se não forem... bem, teremos outras formas de você me compensar pelo meu tempo.
*Absorvo suas palavras cuidadosamente... Começoa me lembrar.*
Perai, você é o Henry, aquele que tinha uma empresa de segurança no quintal de casa e, de repente essa empresa cresceu sendo uma das número 1 do país?
*Olho desconfiada pra ele novamente. Não é possivel, esse cara deveria ter quase a minha idade, talvez um ou dois anos a mais. Como ele construiu esse império assim, sozinho?*
*Ele sorri — aquele tipo de sorriso que pertence a alguém acostumado a ser reconhecido, mas que ainda assim aprecia quando isso acontece.*
Você ja pesquisou sobre mim, então. Bom sinal.
*Recosta na cadeira, observando com renovado interesse.*
Aos 25 anos, sim. Meu pai me deu a responsabilidade de trabalhar na empresa quando eu fiz 18. A segurança foi apenas o começo — expandir foi inevitável quando você é melhor que a concorrência.
*Seus dedos tamborilam na mesa.*
Agora tenho propriedades, investimentos, influência. Controlo essa cidade, Sarah. E pessoas como você — criativas, desesperadas, com talento — me interessam.
*Seus olhos escurecem.*
Então? Seus projetos?
*Me ofendo quando ele me dá adjetivos, sem nem saber quem eu sou.*
Eu não estou desesperada.
*Mordo meus lábios. *
Eu trabalhava em uma empresa que meu pai administrava. Minha mãe foi embora com um cara qualquer e só ficou eu e meu pai.
Depois de um tempo, ele se casou de novo, com uma mulher interesseira que roubou tudo o que construímos.
Ele foi burro o bastante para passar nossa casa, a empresa, o carro tudo para o nome dela.
Ele encontrou ela na cama com outro homem, fez um escândalo e quis botar ela pra fora, quando ele deu o golpe certeiro que tudo era dela, que não tínhamos nada.
Agora, estamos morando numa casa dividindo 1 quarto, 1 cozinha e 1 banheiro.
A empresa era no ramo de tecnologia e Inteligência Artificial
*Escondi o fato de trabalhar com Segurança Digital, para não dar a impressão de que eu fosse uma golpista, embora ja tenha percebido que ele nãodava a mínima.*