O portão da mansão se abriu lentamente.
O carro preto entrou, cortando o silêncio do lugar com imponência. Seguranças se posicionaram automaticamente, atentos.
Ele desceu ainda com o semblante fechado.
Frio.
Perigoso.
Mas havia algo diferente.
Algo que nem ele conseguia controlar.
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Assim que entrou, foi direto para a sala principal.
Seus homens já estavam lá.
E o olhar deles dizia tudo.
— Chefe… o que aconteceu ontem? — um deles perguntou, cauteloso.
Ele passou a mão pelo rosto, impaciente.
— Eu fui drogado.
O silêncio caiu.
Pesado.
— Como assim? — outro questionou, já tenso.
— Alguém fez isso dentro do clube… — ele respondeu, a voz baixa, mas carregada de raiva. — E mandaram uma mulher pro meu quarto.
Os homens trocaram olhares.
Aquilo não era normal.
Aquilo era um ataque.
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— Quem foi ela? — o segurança perguntou.
Ele ficou em silêncio por um segundo.
Os olhos escureceram.
— É isso que eu quero descobrir.
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Antes que alguém falasse mais alguma coisa, passos firmes ecoaram pelo corredor.
Seu melhor amigo entrou na sala.
Sem cerimônia.
Sem medo.
— O que aconteceu, cara?
Ele levantou o olhar.
E disse, direto:
— Eu transei com uma mulher ontem… que eu não sei quem é.
O amigo ficou em choque por um segundo.
— O quê?!
— Eu transei com uma mulher que eu não sei quem é — repetiu, agora mais irritado.
— Que p***a é essa? Como assim você não sabe?!
Ele deu um sorriso sem humor.
Frio.
— Eu fui drogado. Alguém mandou ela pra mim.
O amigo passou a mão no cabelo, tentando entender.
— E como você tem certeza disso tudo?
Ele deu alguns passos pela sala.
Tenso.
Controlando a própria raiva.
— Primeiro… eu acordei sem roupa.
Parou.
— Segundo… tinha uma peça de roupa dela no quarto.
Ele pegou o pedaço de renda preta que havia trazido.
Jogou sobre a mesa.
— Terceiro… — sua voz ficou mais baixa — meu próprio corpo diz que aquilo aconteceu.
Silêncio.
Pesado.
Real.
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O amigo respirou fundo.
Agora entendendo a gravidade.
— Tá… então a gente resolve isso.
Ele assentiu, decidido.
— Eu quero todas as imagens do clube.
— Todas? — o segurança perguntou.
— Todas — respondeu sem hesitar. — Quero saber quem entrou naquele quarto. Quem autorizou. Quem encostou em mim.
Se aproximou da mesa, apoiando as mãos com força.
— E principalmente…
Seus olhos escureceram ainda mais.
— Quem é ela.
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O amigo cruzou os braços.
— Você acha que foi armação?
Ele ficou em silêncio por um instante.
Pensando.
— Pode ter sido.
Mas então… algo mudou na expressão dele.
Uma memória.
Um olhar.
Um toque.
— Ou… pode não ter sido.
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Ele fechou a mão devagar.
Aquele fio de cabelo ainda estava com ele.
Guardado.
Como uma prova.
Ou… como um mistério.
— Eu preciso encontrar essa mulher.
O amigo ergueu uma sobrancelha.
— Por causa de segurança… ou por outro motivo?
Ele não respondeu de imediato.
Mas o olhar dizia tudo.
Intenso.
Obcecado.
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— Você sabe quem eu sou — ele falou, firme. — Eu não posso deixar isso vazar. Não posso correr o risco de alguém usar isso contra mim.
Deu um passo à frente.
— Se existe um vídeo… se alguém planejou isso…
A voz dele ficou perigosa.
— Eu quero antes.
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O amigo assentiu.
— Relaxa. Eu vou cuidar disso.
— Não — ele corrigiu, sério. — Nós vamos cuidar disso.
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Horas depois…
Uma sala escura.
Telas ligadas.
Imagens sendo analisadas.
Câmeras do clube.
Corredores.
Entradas.
Saídas.
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E então…
Ela apareceu.
Mascarada.
Uniforme preto e branco.
Movimentos delicados… mas firmes.
— Para aí — ele ordenou.
A imagem congelou.
Ele se aproximou lentamente da tela.
O coração batendo diferente.
Algo nele reconhecia.
Mesmo sem ver o rosto.
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— Dá zoom.
A imagem aproximou.
A máscara de renda.
Os cabelos soltos.
O corpo.
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Ele ficou em silêncio.
Observando.
Memorizando.
Sentindo.
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— Quero saber quem é essa mulher.
A voz saiu baixa.
Mas sem espaço para erro.
— Nome. Endereço. Tudo.
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O amigo olhou pra ele de lado.
E soltou, quase rindo:
— Cara… isso não tá parecendo só investigação.
Ele não desviou os olhos da tela.
— Não é.
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E naquele momento…
sem nem imaginar…
ele não estava apenas começando uma busca.
Estava iniciando uma obsessão.