A Obsessão

734 Words
O portão da mansão se abriu lentamente. O carro preto entrou, cortando o silêncio do lugar com imponência. Seguranças se posicionaram automaticamente, atentos. Ele desceu ainda com o semblante fechado. Frio. Perigoso. Mas havia algo diferente. Algo que nem ele conseguia controlar. --- Assim que entrou, foi direto para a sala principal. Seus homens já estavam lá. E o olhar deles dizia tudo. — Chefe… o que aconteceu ontem? — um deles perguntou, cauteloso. Ele passou a mão pelo rosto, impaciente. — Eu fui drogado. O silêncio caiu. Pesado. — Como assim? — outro questionou, já tenso. — Alguém fez isso dentro do clube… — ele respondeu, a voz baixa, mas carregada de raiva. — E mandaram uma mulher pro meu quarto. Os homens trocaram olhares. Aquilo não era normal. Aquilo era um ataque. --- — Quem foi ela? — o segurança perguntou. Ele ficou em silêncio por um segundo. Os olhos escureceram. — É isso que eu quero descobrir. --- Antes que alguém falasse mais alguma coisa, passos firmes ecoaram pelo corredor. Seu melhor amigo entrou na sala. Sem cerimônia. Sem medo. — O que aconteceu, cara? Ele levantou o olhar. E disse, direto: — Eu transei com uma mulher ontem… que eu não sei quem é. O amigo ficou em choque por um segundo. — O quê?! — Eu transei com uma mulher que eu não sei quem é — repetiu, agora mais irritado. — Que p***a é essa? Como assim você não sabe?! Ele deu um sorriso sem humor. Frio. — Eu fui drogado. Alguém mandou ela pra mim. O amigo passou a mão no cabelo, tentando entender. — E como você tem certeza disso tudo? Ele deu alguns passos pela sala. Tenso. Controlando a própria raiva. — Primeiro… eu acordei sem roupa. Parou. — Segundo… tinha uma peça de roupa dela no quarto. Ele pegou o pedaço de renda preta que havia trazido. Jogou sobre a mesa. — Terceiro… — sua voz ficou mais baixa — meu próprio corpo diz que aquilo aconteceu. Silêncio. Pesado. Real. --- O amigo respirou fundo. Agora entendendo a gravidade. — Tá… então a gente resolve isso. Ele assentiu, decidido. — Eu quero todas as imagens do clube. — Todas? — o segurança perguntou. — Todas — respondeu sem hesitar. — Quero saber quem entrou naquele quarto. Quem autorizou. Quem encostou em mim. Se aproximou da mesa, apoiando as mãos com força. — E principalmente… Seus olhos escureceram ainda mais. — Quem é ela. --- O amigo cruzou os braços. — Você acha que foi armação? Ele ficou em silêncio por um instante. Pensando. — Pode ter sido. Mas então… algo mudou na expressão dele. Uma memória. Um olhar. Um toque. — Ou… pode não ter sido. --- Ele fechou a mão devagar. Aquele fio de cabelo ainda estava com ele. Guardado. Como uma prova. Ou… como um mistério. — Eu preciso encontrar essa mulher. O amigo ergueu uma sobrancelha. — Por causa de segurança… ou por outro motivo? Ele não respondeu de imediato. Mas o olhar dizia tudo. Intenso. Obcecado. --- — Você sabe quem eu sou — ele falou, firme. — Eu não posso deixar isso vazar. Não posso correr o risco de alguém usar isso contra mim. Deu um passo à frente. — Se existe um vídeo… se alguém planejou isso… A voz dele ficou perigosa. — Eu quero antes. --- O amigo assentiu. — Relaxa. Eu vou cuidar disso. — Não — ele corrigiu, sério. — Nós vamos cuidar disso. --- Horas depois… Uma sala escura. Telas ligadas. Imagens sendo analisadas. Câmeras do clube. Corredores. Entradas. Saídas. --- E então… Ela apareceu. Mascarada. Uniforme preto e branco. Movimentos delicados… mas firmes. — Para aí — ele ordenou. A imagem congelou. Ele se aproximou lentamente da tela. O coração batendo diferente. Algo nele reconhecia. Mesmo sem ver o rosto. --- — Dá zoom. A imagem aproximou. A máscara de renda. Os cabelos soltos. O corpo. --- Ele ficou em silêncio. Observando. Memorizando. Sentindo. --- — Quero saber quem é essa mulher. A voz saiu baixa. Mas sem espaço para erro. — Nome. Endereço. Tudo. --- O amigo olhou pra ele de lado. E soltou, quase rindo: — Cara… isso não tá parecendo só investigação. Ele não desviou os olhos da tela. — Não é. --- E naquele momento… sem nem imaginar… ele não estava apenas começando uma busca. Estava iniciando uma obsessão.
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