Joana Narrando Eu tava na cozinha, fazendo a janta, naquela correria de sempre. O arroz já tava quase pronto, aquele cheirinho bom subindo, misturado com o cheiro da carne desfiada com cenoura que eu tinha refogado na panela. Os meninos adoram esse prato, vivem pedindo. Enquanto eu mexia a colher, dava pra ouvir eles na sala, brincando no tapete. Ou melhor, brigando também, porque esses dois vivem entre o amor e a guerra. Um segundo tão dando risada, no outro tão se estapeando, me deixando maluca. — Menino, para de puxar o cabelo do teu irmão! — gritei da cozinha, já cansada daquela bagunça. Nem deu tempo de respirar que escutei bater na grade do terraço. A batida seca, insistente, me fez gelar na hora. Corri até a porta, tentando ver quem era, mas a porta do terraço tava fechada e não

