O céu nublado complementava a sensação térmica daquele dia: menos dois graus.
Os passos rápidos de Cloe incluíam propositalmente duas funções: a tentativa de aquecer seu corpo enquanto caminhava pela avenida e a pressa correspondia a um chamado de emergência de seu chefe na empresa em que trabalhava como detetive.
Chegando no prédio, Cloe como de costume cumprimentou a secretária pessoal que atendia a agenda do seu chefe. Geralmente era ela que comunicava qualquer tarefa de investigação que ela era ordenada a fazer.
Por esse motivo, Cloe teve uma sensação de receio, pois era atípico da parte de seu chefe falar diretamente com ela fora de época de reuniões.
- Vou avisá-lo que chegou - Disse Ellen, a secretaria, enquanto pegava o telefone da sua mesa e fazia uma chamada.
- Ele disse que você pode entrar - ela avisou.
Cloe agradeceu e foi em direção a porta. Ao abrir, encontrou seu chefe sentado em sua mesa olhando para o computador. Seu chefe, Joseph, um senhor de aparentemente sessenta anos, calvo e com um rosto que embora parecesse cansado, transmitia muita seriedade, o que o fazia ser tão respeitado e reconhecido por todo o país.
- Bom dia, Cloe. Soube que sua última investigação foi um sucesso.
Cloe assentiu e disse:
- Sim, senhor. Eu e a esquipe nos dedicamos ao máximo para termos esse êxito.
Joseph balançou a cabeça:
- Cloe, todos sabemos que você é o cérebro da equipe. Eles praticamente são coadjuvantes em suas investigações, você que sempre se destacou para que todas as investigações fossem um êxito.
- Obrigada, Senhor - disse Cloe, realmente feliz em ouvir aquilo.
Ela sempre fora uma pessoa muito dedicada, e chegar até onde ela chegou não foi fácil. Então um reconhecimento como aquele era de enorme satisfação.
Joseph se levantou e foi até uma mesa que ficava do outro lado do escritório, perto de uma estante de livros.
Em cima da mesa havia uma pasta. Joseph a pegou e a chamou.
Cloe foi até a mesa e Joseph entregou a pasta para ela.
Sem entender, Cloe pegou a pasta. No nome da pasta estava escrito: Organização LeBlanc
- O que significa isso, Senhor? - perguntou
- Certamente você reconhece esse nome.
- Sim, senhor. Os LeBlanc são uma das famílias mais ricas dos estados unidos. Já ouvi falar sobre eles.
- Isso mesmo. Acontece que eles estão sob suspeita de uma investigação secreta dentro da empresa, quase ninguém sabe. O assunto é extremamente delicado, e preciso de alguém com muita competência para realizá-lo.
Cloe entendeu que se tratava dela.
- Fico lisonjeada por você pensar em mim pra esse caso, mas sei que ele é extremamente delicado e o senhor tem pessoas muito mais competentes, eu não gostaria de falhar em algo como isso.
Joseph sorriu de canto e falou:
- Há pessoas mais experientes que você aqui, realmente, mas poucos possuem o histórico adequado para adentrar nessa missão. Você tem nacionalidade brasileira, veio para os eua estudar e tem levado uma carreira brilhante. E o fato de você ter outra nacionalidade é o que a torna a pessoa perfeita para realizar essa missão.
- O que isso significa? - Perguntou Cloe
- Significa que você fará algo diferente de tudo o que fez até hoje. Você se infiltrará na família leBlanc como segurança pessoal do filho herdeiro. Ele é o principal suspeito do caso. E pelo que descobrimos, eles só aceitam como seguranças pessoas de outra nacionalidade.
Cloe estava surpresa com tudo aquilo.
- Não tenho experiência nenhuma com luta, não sei como posso ser segurança de alguém.
- Nos já preparamos toda sua documentação falsa de segurança. Inclusive já a mandamos com antecedência, se eu estou lhe dizendo agora é porque você já está aceita. Seu porte de armas será suficiente por enquanto. Lá você pode treinar alguma arte marcial. Creio que não recusaria uma proposta dessa.
Cloe o olhou e disse, seguramente:
- Jamais, senhor. Dedicarei ao máximo nessa missão, não voltarei sem o êxito dela.
Joseph sorriu e disse:
- É essa disposição e confiança que gosto em vocês, jovens. Leve essa pasta com você, é a ficha sobre a família e sobre o filho deles, Nicolas LeBlanc. Leia tudo que conseguimos sobre ele, mas temos poucas informações. Ele é muito reservado. Terá que dar o seu melhor nessa.
- Não o desapontarei - respondeu Cloe, pegando a pasta.
- Aí dentro também está sua passagem para Seattle e dinheiro suficiente para você se manter lá. Um carro lhe buscará amanhã no aeroporto de lá, e assim você começa sua missão. Boa sorte.
- Entendido. Obrigada, senhor. - respondeu Cloe
Ao sair do prédio, Cloe olhou para o céu que continuava nublado. Apesar de estar segura que daria seu melhor, Cloe estava ansiosa e com um estranho sentimento sobre aquilo.
Ao apontar as mãos para a avenida, o primeiro táxi que estava passando parou para que ela pudesse entrar. Antes de entrar no carro, Cloe suspirou fundo e a fumaça do ar gélido de Nova York saiu por sua boca.
"Estou pronta pra isso", pensou enquanto entrava no táxi.