WINDBER, WESTERN USA • 02 DE OUTUBRO DE 2008
— Alec, o que aconteceu? — Olivia perguntou preocupada, enquanto entrava no carro. Alexander rapidamente deu partida, saindo dali.
— Christoffer combinou de se encontrar com Ann-Marie e não apareceu. Agora Amaymon está com os dois. — Alexander respondeu, sentindo seu coração se agitar. Ele estava desorientado, seus sentimentos se misturavam aos de Olivia. — Preciso pensar… — Alexander respirou fundo, tentando afastar todos os seus pensamentos naquele momento. — Para onde eles iriam?
— Vamos até a universidade. Às vezes deixaram algo que indique onde estão. — Olivia sugeriu.
Logo que chegaram à universidade, Alexander desceu do carro, sendo seguido por Olivia. Em questão de segundos, seu telefone começou a tocar.
— Pelo visto você está empenhado em encontrar os pombinhos. — A voz de Amaymon soou debochada. — Acha que irá encontrá-los a tempo?
— Se você fizer alguma coisa a um deles, eu juro que acabo com todo o seu clã! — Alexander bufou.
— Gostei que veio acompanhado da cachorrinha de estimação... — Alexander olhou à sua volta, tentando ver se via ou escutava alguma coisa.
— Para onde você levou eles? — O vampiro disse, entredentes. Seus olhos agora estavam vermelhos devido à raiva.
— Talvez eu tenha pego as pessoas erradas… — Amaymon disse, reflexivo. — Não sabia que a cachorrinha era importante para você.
— Onde você está?
— Houve um tempo em que todo esse lugar era habitado, hoje em dia, algumas partes estão abandonadas. — Respondeu. — Vamos torcer para que você os encontre a tempo. Tic-tac! — Riu e finalizou a chamada.
— Filho da…
— Sabe onde eles estão? — Olivia estava preocupada, sentindo toda a irritação e preocupação de Alexander.
— Tenho uma ideia… — murmurou. — Escuta, você precisa ir para casa. — Alexander olhou Olivia. — Não abra a porta até que eu diga que pode abrir. Está me entendendo?
— Mas… — Olivia pensou. — Certo. Como você vai até lá?
— Eu vou andando, você vai com meu carro. — Alexander abraçou a ruiva. — O que você sentir, eu sinto. Não se esqueça!
— Tá bom. Fique seguro, e traga os dois de volta. — Olivia suspirou, abraçando Alexander fortemente.
— Não abra a porta em hipótese alguma! — Alexander depositou um beijo no topo da cabeça de Olivia e entregou-lhe a chave do carro.
Olivia entrou no carro, sentindo-se aflita. Parte do sentimento era dela, e parte de Alexander. Ela tentava controlar tudo que sentia, dirigindo até seu dormitório o mais rápido possível. Assim que chegou, estacionou e correu para dentro. Entrou em seu quarto, trancou a porta e conferiu a janela. Nervosa, sentou-se na cama, esperando por algum sinal do seu amado.
Enquanto isso, Alexander correu até a parte abandonada da cidade. Lembrava-se vagamente de quando ali ainda era habitado. Houve uma epidemia que assolou aquela parte da cidade, os poucos habitantes que restaram acabaram morrendo. Nunca mais o local foi frequentado, tornando-se um lado fantasma de Windber.
Assim que chegou ao bairro, o silêncio tomava o lugar. Apenas a luz da lua iluminava as casas, visto que a escuridão tomava conta. Olhando para todas as residências, escutou de longe certa movimentação. Seguiu o som até uma casa no final daquela rua. Assim que parou em frente à casa, bateu na porta.
— Amaymon! Abre essa porta ou eu mesmo arrombo e arranco a sua cabeça! — Alexander gritou com raiva. Logo Amaymon abriu-a.
— Até que você é inteligente!
— Onde está o meu irmão?
— Egyn! — Chamou, sorrindo sarcasticamente para Alexander.
Logo dois homens apareceram, puxando Christoffer. Seu rosto estava coberto de sangue, sua camisa completamente suja. Ele não conseguia falar nem respirar direito. Alexander irritou-se ao ver a cena, mas ao mesmo tempo um alívio tomou conta do seu ser ao ver que o irmão estava vivo.
— Você está morto! — O loiro disse com raiva.
— Uma pena que você não pode entrar aqui! — Amaymon debochou.
— Ora, ora. Não pensei que fosse levar tanto tempo para conseguir uma vingança. — A voz de Lenore ecoou. — Sabe, depois de todo esse tempo, aprendi algumas coisinhas sobre você. Eu disse que iria atrás de algo que você amasse. Por algum tempo, pensei ser alguma companhia. Entretanto, notei que a pessoa mais importante da sua vida é seu irmão. Visto que ele foi o único que você já transformou.
— Se você fizer algo a ele…
— Não se preocupe, você vai assistir tudo! — Lenore riu. — Egyn, Paymon! Dêem um show para ele.
Um dos homens perfurou a barriga de Christoffer, fazendo Alexander rosnar de ódio.
— Acontece que vocês não sabem de algo muito importante.
— Você não pode vencer, Alexander. Cometeu um grande erro ao negar meu chamado. — Lenore respondeu.
— Você sofre com excesso de confiança. — Alexander murmurou. — Você escolheu um ótimo local! — Olhou a volta. — Só esqueceu-se de um detalhe.
— Ah, é mesmo? E qual foi?
— Eu morei aqui por muito tempo. Inclusive, quando a epidemia assolou esse lado da cidade… — Alexander disse, tentando transparecer calma, fazendo Lenore olhá-lo intrigada. — Mas, imagino que não saiba que para evitar maiores problemas, a prefeitura decretou domínio público. — O sorriso de Lenore sumiu em questão de segundos. — Então, isso quer dizer que qualquer pessoa pode entrar aqui. — Terminou convencido, sorrindo de lado.
Assim que colocou um pé para dentro do local, Egyn correu até ele. Alexander desviou por instinto, agarrou-lhe o pescoço e torceu com força. O estalo seco ecoou pelo cômodo antes do corpo cair inerte no chão.
— Solte meu irmão, e talvez eu tenha misericórdia de vocês. — Alexander falou irritado, deixando o vermelho de seus olhos tomarem conta de todo o seu ser.
— Paymon! — Lenore gritou, fazendo o homem ir na direção de Alexander.
Paymon avançou, mas não chegou perto o suficiente. Alexander o interceptou, projetando o corpo contra a parede com força suficiente para silenciá-lo de vez. Sem olhar para trás, seguiu em direção a Amaymon e Lenore.
— Onde está a garota? — Perguntou irritado.
— Esses humanos patéticos! Por que perder tempo com eles? — Lenore gritou, com raiva.
— Eu só irei perguntar mais uma vez. — Alexander aproximou-se mais e mais. — Onde ela está?
— Eu disse que matá-la seria fácil. — Amaymon sorriu vitorioso.
— Onde ela está? — Alexander gritou, segurando Amaymon pelo pescoço.
— Se você fizer algo com ele, eu juro que mato seu irmão! — Lenore disse com raiva.
Alguns vampiros apareceram, puxando Alexander para longe de Amaymon. Um deles possuía um objeto perfurante na mão, o que não deu tempo suficiente para Alexander pensar, visto que fora atingido no tórax duas vezes.
O ferimento não se fechava como deveria. O objeto não era comum, queimava por dentro, atrasando a regeneração. O ar lhe faltou por um instante, e Alexander precisou se apoiar na parede para não ceder.
Com dificuldade, respirou fundo, empurrando o homem para longe dele. Dois vieram para segurá-lo, contudo com bastante agilidade, Alexander derrubou os dois, quebrando-lhes o pescoço.
Era a vez de Amaymon, que avançou contra. Alexander, já preparado, agarrou-o pelo pescoço e empurrou-o na parede, elevando seu corpo do chão.
— Se algo acontecer, Christoffer e a garota morrerão! Essa é a sua última oportunidade. — Lenore esbravejou. — Solte-o ou eu mesma irei acabar com ele! — A mulher puxou Christoffer pelo cabelo, fazendo-o encarar Alexander.
— Você vai ficar exatamente onde está! — Alexander encarou-a profundamente, fazendo Lenore entrar em transe.
— E você dizia que não usava seus poderes. — Amaymon debochou, falando com dificuldade.
— A garota. — Alexander encarou Amaymon profundamente.
— Continua na universidade… — O homem murmurou, tossindo, com extrema dificuldade, visto que os dedos de Alexander apertavam seu pescoço com força.
— Ótimo, eu irei encontrá-la! — Alexander disse com raiva. — Vá para o inferno!
Alexander sentiu o pulso de Amaymon acelerar sob seus dedos, medo, enfim. Então enfiou a mão em seu peito e arrancou-lhe o coração, deixando o corpo sem vida cair ao chão.
Ignorando completamente a dor que sentia, Alexander correu até Christoffer, que respirava com dificuldade. Sem saber por onde começar, tentava estancar o sangue do ferimento na barriga.
— Irmão, responda! — Alexander chamou.
— Alec… — Christoffer disse com dificuldade. — Ann-Marie…
— Eu sei, nós vamos encontrá-la!
— Universidade…
— Poupe suas forças, irmão. Eu vou trazê-la de volta.
— Era… eu… Ann… ficou… — disse com dificuldade.
— Você! — Alexander levantou-se, indo em direção a Lenore. — Onde exatamente está a garota? — perguntou, encarando profundamente a mulher.
Ele nunca usava aquele tipo de poder quando estava inteiro. Aquilo exigia foco, energia, controle, coisas que, naquele momento, lhe faltavam. Ainda assim, era a única saída.
— Ela ficou. Quando nos demos conta que quem você mais amava era o seu irmão, deixamos ela para trás e pegamos ele. — Ela falava lentamente, devido ao efeito da hipnose.
Alexander sentiu o vínculo com Christoffer vacilar. O medo não era pela própria existência, era pela dele. E isso o enfraquecia mais do que qualquer lâmina.
— Filha da… — Alexander respirou fundo. — Você vai voltar para o seu país e nunca mais vai perseguir meu irmão novamente!
Completamente irritado, Alexander saiu dali, levando Christoffer consigo com extrema dificuldade. Mas, naquele momento, só pensava em seu irmão.