Interlúdio - Always And Forever

2285 Words
STRATFORD-UPON-AVON, REINO UNIDO • 27 DE JULHO DE 1580 Christoffer Bloodyeye caminhava pelas ruas da cidade, localizada no Reino Unido, procurando lugares que vendiam as coisas que sua mãe havia pedido para comprar. Não muito longe dali, uma bela moça de pele tão branca quanto a neve e cabelos longos e encaracolados, andava tranquilamente, enquanto se encantava com as coisas ao seu redor. Seu pai — o Rei do Reino Unido — não deixava a garota sair. Então ela aproveitava quando ele viajava para fazer isso. Marie-Jeanne parou em uma banca para comprar uma fruta. Ao virar-se, chocou-se com um belo rapaz, que fez com que sua fruta caísse. Prontamente, o garoto se abaixou para pegar. — Perdoe-me, eu não… — Christoffer se viu hipnotizado pela beleza da moça. Marie-Jeanne estava igualmente encantada com o rapaz. Os dois trocaram olhares por alguns minutos, mas parece que foi uma eternidade. Olhares que falaram mais que mil palavras. Como se já se conhecessem há anos, séculos. Os corações palpitavam, as mãos suavam, o estômago se revirava. — Chris! — De longe, ouviu o irmão chamá-lo. — Eu... Eu tenho que ir. — A moça disse rapidamente. — Espere. — Ele segurou sua mão. — Tenho ao menos a honra de saber o nome da bela moça? — Marie-Jeanne. ╬╬═════════════╬╬ Semanas depois, o garoto continuava encantado pela garota da feira. — William, você precisava ver, ela é linda demais. Os cabelos todos enrolados, a pele tão alva quanto a neve. — Não me diga que está falando sobre a garota de novo? — Alexander chegou ali, e interrompeu os dois. — William, como você aguenta? — Eu não sei, mas essa história está deixando-me bastante inspirado para outra história. — Como assim? — Intrigou-se Chris. — Imagine uma história onde o casal se ama loucamente, mas algo impede ambos de ficarem juntos. — Você só pode estar brincando. — Christoffer se levantou levemente irritado, saindo dali e deixando os dois rindo. Resolveu caminhar pela floresta que havia ali perto, nela existia um riacho que Chris amava sentar e refletir sobre a vida. Ao chegar lá, surpreendentemente, a bela Marie-Jeanne estava sentada em uma das pedras, observando a água cristalina. — Isso é um sonho? — O garoto acabou pensando alto, assustando a moça. — Perdoe-me, eu não queria assustá-la. — Você?! — Marie-Jeanne exclamou surpresa. — Achei que nunca mais fosse te ver. — Eu passei todos os dias pensando se seria abençoado em admirar sua beleza novamente. — A moça sorriu, levemente encabulada. — Desculpe-me por meus modos. Não é seguro para uma moça estar sozinha no meio da floresta. — Eu precisava desobscurecer a minha mente. — Talvez posso ajudá-la com isso. — O moreno chegou mais perto e se sentou na pedra em frente a que a moça estava sentada. — Duvido muito que possa ajudar-me com isso. — Posso tentar... — Meu pai quer que eu me case com um príncipe que ele escolheu. Pensa que pode controlar minha vida, o meu futuro. — Então a senhorita já está prometida a alguém... — A tristeza era visível no rosto de Christoffer. — Não! Eu não vou casar-me com uma pessoa que não conheço, por quem não sinto nada. Eu preciso sentir algo por alguém, ao menos uma vez. Experimentar toda aquela emoção de apaixonar-se perdidamente. — Precisa ter amor para haver casamento. — Ele completou a frase dela. — Então você entende... — Surpresa, Marie-Jeanne encarava o belo moço ä sua frente. Seu coração se acelerava, quase era possível ouvi-lo bater. Parecia que sairia do peito a qualquer momento. Não muito diferente, encontrava-se Chris. Sua boca estava seca, seu estômago embrulhado e seu coração batia tão forte, que poderia ser ouvido a quilômetros dali. — Eu estou… — Christoffer começou a falar. — Você é encantadora, Marie-Jeanne. — Eu… Preciso ir! — Marie-Jeanne estava desconcertada com a fala do rapaz. Seu coração estava palpitando, sua respiração ofegante. — Ouça-me, por favor. — O rapaz pediu. — Desde a primeira vez que a vi, é como se eu já a conhecesse. Eu não sei explicar. Mas, eu nunca senti isso antes, Marie-Jeanne. A garota escutava tudo atentamente. Cada palavra de Chris, fazia seu estômago se revirar. Christoffer por sua vez, não estava tão diferente. Suas mãos suavam, seus lábios estavam trêmulos. — Não me deve explicações, senhor. Eu realmente preciso ir. Deixa-me ir. — Ela se desviou, mas ele segurou sua mão. Parecia que descargas elétricas passaram de um para o outro. — Você me deixa impressionado. — Os olhares se cruzavam, profundamente. — É como seu eu já te amasse… Desde sempre. — O belo jovem completou sua frase e se aproximou da garota. Ambos estavam ofegantes. Encaravam-se intensamente, os olhares falavam por mais de mil palavras. Era um encontro de almas. Chris aproximou seu rosto ao da moça devagar, colando suas testas. A respiração estava pesada. Ele subiu suas mãos para a cintura de Marie-Jeanne, puxando-a para mais perto, e vagarosamente aproximou seus lábios aos dela. O beijo foi intenso, era como se esperassem por aquele momento há muito tempo. — Não, eu não posso. — Marie-Jeanne se afastou dele. — Calma. — Christoffer sem brusquidão agiu, sentia-se como se estivesse levitando. — Preciso ir. — Ela saiu dali correndo. Apesar de parecer que ela não havia gostado, era muito o contrário. Marie-Jeanne estava confusa com o turbilhão de sentimentos que estava sentindo. Ligeiramente, ela ia para o castelo, completamente desalinhada. Como esse rapaz poderia provocar tantas emoções ao mesmo tempo nela? Por que ela estranhamente sentia o mesmo que ele, como se já o amasse? Desde a primeira vez que o viu na feira não conseguia mais deixar de pensar nele. Adentrou ao castelo e apressou-se para o seu quarto, a fim de que ninguém a visse chegar aquela hora. Ao chegar no seu quarto, jogou-se na cama e só conseguia pensar em uma coisa: Christoffer e seu beijo. ╬╬═════════════╬╬ Dias, semanas, meses depois, o jovem casal sempre se encontrava no mesmo lugar. Naquele belo riacho, onde sempre faziam juras de amor. Numa noite clara de lua cheia, eles estavam sentados debaixo de uma árvore, abraçados para se aquecerem do vento gélido, que por ali passeava, arrancando calafrios. De forma madura e ao mesmo tempo apaixonada, declararam-se um ao outro. Eles sabiam que poderia não durar muito, já que terceiros não almejavam sua união. — Sabe, acho que amo você. — Marie-Jeanne disse num tom brincalhão, aguardando a resposta do rapaz. — Você acha? Eu tenho certeza! — Christoffer falou convencido, arrancando risos da moça. — Espero que dure... — Ela sussurrou de forma preocupada, esperando que ele não ouvisse, mas seu tom foi o suficiente que chegasse aos seus ouvidos. — Não pronuncie tais palavras, por mim durará eternamente. Você é tudo que tenho. Você é minha, eu sou seu, juntos somos um só. Você me ensinou que viver é muito mais que respirar, afinal você é meu oxigênio. — Chris disse, com um lindo sorriso no rosto, olhando para Marie-Jeanne que estava sorrindo da mesma forma. — Eu queria que tudo fosse diferente. Que ninguém se intrometesse em nossas vidas, e nem tomassem decisões por mim. Não quero ser como minha mãe que precisou largar sua vida, família e amigos na França para mudar-se para cá e casar-se com meu pai forçadamente. — E o seu pai? — Perguntou ele. — Falou mais alguma coisa? — Sim... — Ela respondeu com o olhar triste. — O que ele disse? — Filipe virá para a cidade, haverá um jantar. Possivelmente um noivado. E eu serei obrigada a casar-me com ele para que meu pai tenha uma forte aliança e mais poder. — O que você respondeu a ele? — Eu nunca irei me casar com Filipe! E eu jamais deixarei você, a única pessoa que eu tenho e amo. — Garanto que ele não gostou muito. — Não mesmo.. Eu tenho medo. Medo que ele possa fazer algo contra a gente. Medo que ele possa nos afastar. — Jamais deixarei isso acontecer, e eu a protegerei sempre e se você morresse eu morreria junto. Vamos selar nosso amor? — Chris propôs. — Um pacto? — Marie-Jeanne perguntou, satisfeita com as palavras do rapaz. — Sim, um pacto, seremos eternos, nosso amor será eterno! — Ele falou empolgado. Então ela assentiu. Logo o rapaz procurou algo pontiagudo na grama e não achou. Vasculhou seus bolsos e enfim achou um canivete. Ele pressionou o objeto contra seu dedo e assim seu líquido vermelho escorreu pela palma da mão. Marie-Jeanne fez o mesmo. — A vida é muito curta para te amar só em uma. — Christoffer, olhando diretamente para ela. — Prometo procurar-te na próxima vida! — Marie-Jeanne completou a frase do amado. Então ela sugou o sangue no dedo do seu amado e ele fez o mesmo, sugando o líquido vermelho presente nos dedos dela. E a partir daquela noite de lua cheia, o jovem casal fizera seu pacto de sangue, selando seu amor, unindo eternamente suas almas e seus corações. — Preciso ir, meu amor. Ou meu pai sentirá minha falta. — Fuja comigo. — A garota assustada o encarou. — Só assim teremos paz e poderemos viver nosso amor livres de tudo e de todos. Se a ideia for muito insana eu... — Amanhã aqui, no mesmo horário de sempre. — Selou seus lábios nos do amado e saiu dali. ╬╬═════════════╬╬ A lua resolvera não aparecer e o vento se transformou em chicotes na pele de Christoffer. Aquele seria o dia que a amada seria dele para sempre, todavia uma sensação estranha tomava o seu peito, um pressentimento r**m. Havia algo de errado com ela, com a sua Marie-Jeanne. Prontamente correu até o castelo, não viveria sem sua amada. Ao chegar em frente ao castelo, notou que havia alguém no quarto e não era ela. Poderia morrer por isso, mas nem pensou muito, precisava ir lá ver o que estava acontecendo. Subiu rapidamente pelo lado de fora até chegar a sacada do quarto da amada. Abriu a janela com receio do que ali veria e ao entrar, viu-a no chão. Sua amada estava ali, com a pele gélida, seu corpo quase sem vida. — Meu amor, não me deixe. — As lágrimas escorriam do rosto de Christoffer. — Eu queria que tudo fosse diferente… — Ela estava com dificuldade para respirar. — Não… — As lágrimas escorriam do rosto de Chris. — Poupe suas forças, meu amor. — A vida... — Marie-Jeanne falou arfante. — é muito curta para te amar em apenas uma... — Prometo procurar-te na próxima vida. — Uma lágrima solitária escorreu do rosto da garota. — Por que ela? Por que não eu? Levaram-na... A minha Marie-Jeanne. O garoto não aguentou e soltou um grito de desespero. Um grito que foi ecoado por todo o castelo, chamando a atenção dos guardas e pais da moça. Esse mesmo grito foi ouvido por Alexander de sua casa. Temeu pela vida do irmão e saiu à sua procura. O pai de Marie-Jeanne abriu a porta de seu quarto, encontrando o rapaz segurando o corpo da sua filha no chão. — Guardas! — Ele gritou. Rapidamente Christoffer se levantou, deixando sua amada e saindo na mesma rapidez que entrou. O rei repleto de ódio pretendera ir em busca de Christoffer, de forma que não houvesse escapatória. O coração e alma de Chris se foram com ela, então não havia razão de escapar. Se for isso que o destino nos previu, quem seria ele para ir contra? Entrando na floresta nublada e escura, o desespero tomou conta do jovem rapaz. Já havia perdido sua amada, não havia mais nada para levarem, já que pegaram tudo que tinha... m*l sentia seu pulmão, respiração não tinha mais. Logo o impacto da gélida mão veio ao encontro do seu braço. O velho homem jogou Chris no chão de forma bruta, como um lixo sendo descartado. — Você não vai conseguir escapar. — O ódio em seu olhar era visível. — Não estou mais fugindo, aliás, não tenho razão para isso, vá em frente! — Disse em um tom apavorado, porém tentando transmitir coragem. — Vamos! Acabe com isso, cretino! — Desgraçado! — Ele gritou, demonstrando pura raiva. — Christoffer, isso é por ter acabado com a vida da minha filha! — Eu nunca faria nada com Marie-Jeanne. Eu a amo, sempre irei amar. O Rei Frederico fez um sinal para seus homens, e logo sentiu algo perfurar seu peito. Uma flecha perfeita no seu coração. Ele estava tonto, sentindo-se cada vez mais fraco. Enquanto o Rei o olhava com um sorriso nos lábios, Christoffer se lembrava de tudo com mais clareza, parecia que havia voltado no tempo e via tudo que ele não tinha visto, lembrou-se de coisas que nem deveria lembrar. Flashes vieram em sua memória. A imagem de amada, sorrindo, dizendo que o amava, dos momentos românticos, das confissões, do jeito como ela o olhava, como ela ficava quando estava em seus devaneios... A última frase da garota ecoava em sua mente: “Eu queria que tudo fosse diferente…” Tudo dentro dele estava aumentando, intensificado-se cada vez mais com muita rapidez e ele já não mais suportava tanta dor, raiva e vazio dentro dele... Ouviu um estrondo alto, forçando-o a abrir os olhos, e viu Alexander, derrubando os homens, um por um. — Chris! Chris! — Alec se abaixou ao lado do irmão, em desespero. — Você não pode me deixar. Fique comigo, irmão. Então fechou seus olhos, mergulhando no mar chamado escuridão. Não viu mais nada, apenas aceitou sua morte… — Perdoa-me. — Escutou distante a voz de Alec sussurrar.
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