WINDBER, WESTERN USA • 06 DE SETEMBRO DE 2008
Alexander assustou-se ao escutar a campainha tocar insistentemente. Levantou-se e foi até a porta, abrindo-a e dando de cara com Olivia. Encarou a ruiva, surpreso.
— Olá! — ela disse, sorrindo.
— Chris não está aqui — Alexander disse rapidamente, confuso com o fato da garota estar ali.
— Eu sei, ele está no meu quarto. Quer dizer… No quarto onde moro — tentou esclarecer, mas confundiu tudo mais ainda.
— No seu dormitório... — ele comentou, vagamente. — Com Ann-Marie, eu suponho.
— Isso! — exclamou, rapidamente. — Eu vim falar com você.
Alexander chegou para o lado, dando espaço para ela, fechou a porta e seguiu para o sofá, com Olivia a acompanhá-lo.
— Então... — o loiro a incentivou.
— Seria muito estranho se dissesse que eu não sei qual o real motivo de estar aqui?
— Seria muito estranho se eu dissesse que entendo? — o rapaz rebateu, de maneira divertida.
— Isso é loucura! — A garota passou a mão pelos cabelos. — Não faz o menor sentido.
— Eu sei, mas de alguma maneira parece certo. — Alexander encarou-a por alguns segundos.
— Sério? — disse, surpresa. — Tenho essa mesma sensação. Você está bem? — perguntou, observando-o. — Parece meio triste.
— Eu não estou triste... — falou, vagamente.
— Alguma coisa aconteceu? É por que estou aqui? Eu vou embora! — a ruiva disparou rápido demais, levantando-se do sofá.
— O quê? — Alexander interrompeu-a. — Não tem nada a ver com você, óbvio que não.
— Então por que está triste? — ela sentou-se mais próximo dele, desapontada com o loiro por não falar consigo.
— Não estou triste. Estou com muita fome! — resmungou. — Como disse, nada a ver com você.
— Por quê? — A garota queria ajudá-lo. — Você não tem… Você sabe. Matado... — completou, vagamente.
— Eu não mato, Olivia — o vampiro respondeu, rindo levemente da forma com que lhe foi perguntado.
— Ah… E como você come?
— Bolsa de sangue, amor — Alexander sorriu para ela. — O hospital que trabalho está com estoque baixo, então já faz um tempo que não pego. A última vez que consegui foi para o Chris.
— Você tem mais controle que ele? — questionou, intrigada.
— Digamos que sim — Riu da curiosidade da ruiva. — Uns dias atrás você nem queria falar comigo, e agora está aí, cheia de perguntas.
— Irônico, não é? — Riu, acompanhando-o. — Bom, eu vou embora. Não quero te deixar irritado ou nada que deixe minha vida em risco.
— Não precisa se preocupar com isso. Eu jamais iria machucar você, lobinha. Não machuquei nem seu amigo b****a, por que faria algo contigo?
Subitamente, Alexander prendeu sua respiração, sentindo o estômago doer. Fechou os olhos e colocou sua cabeça para trás ao apoiá-la no sofá, tentando controlar a fome.
— Tem alguma coisa que eu possa fazer para ajudar? Não dá para te ver assim e não fazer nada — Oliva perguntou, colocando sua mão no braço de Alexander.
— Só fala comigo — Abriu os olhos e virou a cabeça para ela.
— Seus olhos… — Olivia disse, passando a mão pelo rosto alheio, fazendo-o piscar instantaneamente.
— Desculpe-me por isso. — Abriu-os novamente e estavam azuis de novo.
— Como faz isso? — A garota estava encantada com suas descobertas.
— Meus olhos refletem meus sentimentos quando estão muito intensos, por isso seu amigo correu duas vezes.
— Você estava com raiva… — comentou, vagamente. — Qual é a cor da raiva?
— Vermelho… — Alexander sorriu, envergonhado.
— E o que cinza quer dizer? — perguntou, com a sobrancelha arqueada.
— Estou com fome — Riu levemente. — Ou tristeza.
— E quais cores têm? — Ela se aproximou mais, fazendo suas pernas se encostarem.
— Só sei essas duas…
— Jura? — O encarou, surpresa.
— Sim… — disse vagamente, sentindo seu coração palpitar com aquela aproximação repentina.
— Sabe, tem uma coisa engraçada em tudo isso… — disse de maneira sedutora, aproximando a boca até a orelha do outro. — Eu nunca sei se estou nervosa ou se é você — confessou baixo, sentindo seu coração acelerar tanto, que era possível o vampiro escutar sem nenhum esforço.
— O que você está fazendo? — ele indagou com dificuldade, sentindo sua respiração pesar.
— Estou criando uma distração — a ruiva respondeu, aproximando-se ainda mais.
— Não faz isso… — o loiro murmurou, tentando controlar toda a carga de sentimentos que havia dentro de si.
— Por que? Eu estou te deixando nervoso? — perguntou, com os lábios bem próximos aos dele.
— p***a! Pelo amor de Deus! — Alexander disparou ao puxá-la para o seu colo, colocando uma perna de cada lado do seu corpo. — Por que está fazendo isso comigo?
— Isso o quê? — questionou docemente, fazendo-se de inocente.
— Oh, inferno! — rosnou, sentindo seu coração disparar e as mãos suarem, enquanto deixava a boca entreaberta para soltar sua respiração pesada. Olivia sorriu, mordendo os lábios em seguida, ao ver que causava um efeito poderoso sobre Alexander.
— Você tem uma vantagem que eu não tenho — resmungou. — Você consegue escutar meu coração, sabe quando ele está disparado — disse de maneira sexy, roçando os lábios nos dele. — Já eu, não faço ideia do que causo em ti — completou, finalizando com um beicinho.
— Na verdade — Alexander disse, apertando a cintura da garota —, você sabe sim. Nós temos essa vantagem. Mas, me esclareça algo. Você é algo, não é? Lobo?
— Eu não tive a minha ascensão — ela explicou para ele. — Eu nunca tive acesso aos meus poderes, ou transformações.
— Mas… Isso é possível? — o rapaz olhou-a confuso.
— Aparentemente sim. — Deu de ombros, envergonhada.
— Talvez você não tenha conseguido chegar até eles. Posso tentar te ajudar com isso.
— Me ajudar? — perguntou de maneira debochada. — Você m*l está conseguindo controlar sua fome!
— É isso que você acha? — O vampiro arqueou a sobrancelha. — Porque eu acho que estou me controlando muito bem. Em todos os sentidos, dado aos fatos que aconteceram comigo alguns minutos atrás. — Sorriu convencido.
— Duas coisas! Primeiro: não se controle tanto, se é que você me entende. — A ruiva piscou, fazendo-o rir. — Segundo: como você me ajudaria? Você é vampiro! Já eu, lobo.
— Eu tenho um longo histórico de vida, lobinha, e adquiri conhecimentos ao longo dele. Comece se concentrando, foque naquilo que você quer escutar — falou, pausadamente. — Você quer escutar meu coração, certo? Comece pelo seu, foque nas suas batidas e as mentalize, deixando seus ouvidos atentos.
Alexander colocou os cabelos de Olivia para trás, deixando o pescoço livre. Lentamente, aproximou-se dela e traçou uma linha de beijos do ombro até o pescoço, parando no ouvido. Ele conseguia ouvir claramente as batidas agitadas do coração alheio. A ruiva engoliu em seco quando foi beijada próximo ao lóbulo da orelha.
— Agora que está concentrada no seu coração, tente escutar além — orientou, devagar. — Sua vez de deixar meu coração disparado. Apenas para fins científicos, é claro.
Olivia ajeitou-se no colo de Alexander, dando um leve sorriso ao perceber que ele havia prendido a respiração, logo soltando-a pesada. Tentando focar nos sons que ele dissera, a ruiva subiu suas mãos por toda a extensão dos braços do vampiro, levando as palmas até o pescoço dele, puxando os cabelos de leve. Aproximou seus rostos devagar, olhando-o nos olhos, sem cortar o contato, mantendo o foco da mente em escutar tudo à volta. Por fim, desceu a mão em direção ao peito de Alexander, colocando-a na direção do coração. Com certo esforço, sorriu ao conseguir senti-lo batendo rapidamente, quase de maneira sincronizada consigo.
— Eu não ouvi, mas consegui sentir — disse, baixo. — Eu te deixo nervoso? — perguntou, antes de colar seus lábios nos dele, iniciando um beijo lento.
O homem subiu a mão até a nuca da ruiva, enrolando-a lentamente em seus cabelos, puxando-os de leve. O beijo foi se intensificando e Alexander já conseguia sentir o mesmo que Olivia. Era um misto de desejo e felicidade, como se quisessem aquilo por um longo tempo, ao mesmo tempo em que ela podia sentir o calor do corpo alheio contra o seu.
— Olivia… — Alexander murmurou em voz baixa.
Ela tentou ignorar a maneira como a voz dele soou rouca e sedutora. Finalizando o beijo, a garota olhou profundamente para ele, notando que, no lugar da imensidão azul, um amarelo-ouro tomava lugar em seus olhos.
— Essa cor lhe cai muito bem. — Olivia sorriu, mordendo os lábios. Alexander estava focado diretamente nela.
— Desculpe-me por isso… — Rapidamente piscou algumas vezes, trazendo o azul de volta.
— O que ela quer dizer? — perguntou, baixo.
Os lábios de Alexander já estavam quase juntos aos dela, quando sussurrou rapidamente:
— Desejo — disse, juntando seus lábios aos dela novamente.
Dessa vez o beijo era calmo, porém o desejo disparava do mesmo jeito. O loiro respirou fundo e puxou-a com força para mais perto, seu gesto fazendo com que a ruiva sentisse borboletas voando no estômago. Então, o ósculo se tornou ardente e possessivo, no qual a mulher facilmente rendia-se a cada toque alheio.
Por um momento, eles se afastaram, recuperando o fôlego. O homem brincou com uma mecha de cabelo da ruiva antes de acariciar-lhe suavemente o rosto, fazendo-a sorrir.
Olivia ainda procurava palavras, entretanto, o vampiro tinha outros planos, visto que a beijava novamente. O contato, dessa vez, estava repleto de desejo e luxúria. A mão dele desceu da nuca alheia diretamente para a coxa, onde apertou, despertando nela um pequeno gemido durante o beijo. Alexander deitou-a no sofá e pôs-se por cima dela, enquanto suas mãos ágeis passavam-lhe por dentro da blusa, arrancando arrepios por onde tocava, ao mesmo tempo em que recebia puxões leves em seus cabelos, cedidos pelos dedos dela. A ruiva, por sua vez, desceu as palmas pelos braços do outro e passou-as por dentro da blusa, arranhando-lhe levemente o abdômen.
O vampiro levou os beijos para o pescoço dela, mordendo com leveza ao causar arrepios. Com bastante agilidade, tirou-lhe a blusa, jogando-a longe. Olivia encontrou os lábios apressados de Alexander, e àquela altura, o beijo já estava de maneira bruta e selvagem; os dois exalavam desejo. Era como se tivessem esperado por aquele momento a vida inteira. De certa forma, era como se fosse destino, como se estivesse destinado a ser.
Olivia sorriu para ele ao notar que o amarelo-ouro havia voltado para os seus olhos. Rapidamente e com ajuda, ela se livrou da camisa do loiro para, em seguida, iniciarem mais um beijo, porém tinham pressa naquele instante. Pensando na parte confortável, Alexander levantou-se, puxando-a junto consigo.
— O que aconteceu? — perguntou, confusa.
Sem responder nada, ele puxou-a para perto, carregando-a com um impulso. A ruiva passou as mãos em volta do pescoço alheio e as pernas em volta de sua cintura.
— O quarto soa melhor nesse momento — ele explicou-se, enquanto andava pelo corredor, em direção ao cômodo.