Interlúdio - Family Ties

1180 Words
WINDBER, WESTERN USA • 06 DE SETEMBRO DE 2008 — Vou fazer alguma coisa para comer, você quer? — Olivia perguntou, vestindo a camisa de Alexander. — Acho ótimo! — Sorriu em resposta. — Gosta de waffles? — questionou, parada na porta do quarto. — Claro! — respondeu, sorrindo. A ruiva saiu dali, indo em direção à cozinha. Não demorou muito para que Alexander aparecesse, vestindo apenas uma bermuda. Enquanto ela misturava todos os ingredientes atentamente, o loiro a olhava, admirando sua beleza. Na verdade, ele não conseguia entender tudo o que estava acontecendo ou o porquê daquela ligação entre eles, mas estava disposto a descobrir, sendo melhor ainda se incluísse ficar próximo à ruiva. — Por que você tanto me encara? — Olivia sorriu, arqueando a sobrancelha. — Estou tentando entender tudo isso. — Defina “isso”. — Riu. — Você sentir, e eu também, tudo o que está acontecendo entre a gente. Tudo bem que em certos momentos é útil. — Sorriu de jeito maroto, fazendo-a rolar os olhos e rir. — i****a — murmurou, finalizando os waffles. — Vamos comer. Enquanto comiam, os dois conversavam animadamente, como se já se conhecessem há muitos e muitos anos. Era inexplicável sua conexão. — Me conta, você conheceu o Chris onde? Ou vocês são realmente irmãos? — A vida nos tornou irmãos. Eu o conheci há muito tempo — disse vagamente, porém Olivia continuava a olhá-lo, esperando toda a história. STRATFORD-UPON-AVON, REINO UNIDO 1564 D. E. C. Alexander caminhava em meio à floresta, indo em direção ao forte cheiro de sangue que sentira quilômetros atrás. Estava perto, ele pensava. Finalmente saciaria sua sede. Não muito longe dali, um casal recolhia alimentos no quintal, enquanto o filho dormia serenamente dentro da casa, em um berço de madeira. Atento a tudo à sua volta, o loiro ouvia corações batendo próximo dali. Ele havia resolvido fazer outro caminho para desviar das pessoas que ali estavam, quando sentiu cheiro de animais, mais precisamente, lobos. Pensando nos indivíduos que ouviu pelas redondezas, o vampiro focou nos sons e caminhou até lá. De longe, ele observou um casal que estava relativamente longe de sua casa, apanhando algumas verduras que haviam plantado. Porém, o que eles não tinham notado era que dentro de sua moradia haviam três lobos famintos, prontos para atacar. Como não poderia entrar na residência sem ser convidado, atraiu a atenção das figuras lupinas para si. Sem nenhuma dificuldade, quebrou o pescoço dos três lobos, fazendo o bebê chorar. Ao ouvir o choro de seu filho, aquele casal que outrora cultivava no quintal, correu para dentro da pequena casa de madeira. Ao ver os lobos caídos, mortos no chão, o bebê a salvo e o desconhecido que salvara a pequena criança, o casal foi extremamente grato a ele pela vida do seu único herdeiro. Mal sabiam eles que aquela gratidão e lealdade, um dia talvez, custaria-lhes a vida. WINDBER, WESTERN USA • 06 DE SETEMBRO DE 2008 — Então você salvou ele de um ataque de lobos? — Olivia questionou. — Sim. — Sorriu ladino. — Depois disso, seus pais me convidaram a ficar com eles por um tempo, como forma de gratidão. — Você viu o Chris crescer. — Olivia sorriu. — Sim, como disse, a vida nos fez irmãos. — Piscou para ela. — E foi você que transformou ele? — A garota estava curiosa. — Sim, mas ele estava morrendo — explicou-se. — Praticamente morto quando cheguei. Eu precisava salvá-lo. Chris era o mais próximo de família que tive em muitos anos — completou, com o olhar distante. — Entendo, você não poderia deixar nada acontecer com ele. — Olivia sorriu, apertando a mão de Alexander. — Mais alguma pergunta sobre a minha vida? — perguntou divertido, dispersando seus pensamentos. — A Ann-Marie lembra alguém que vocês conheceram e essa pessoa era importante para Chris. Tem alguma coisa a ver com a morte dele? — questionou, séria. — Você é bem inteligente, lobinha. — O loiro sorriu, mas logo ficou sério. — Marie-Jeanne foi o amor da vida de Christoffer. Ele nunca superou sua morte e talvez nunca supere — disse, triste. — E você? Já teve alguém para superar? — a ruiva o sondou, fazendo-o rir e arquear a sobrancelha para ela. — Curiosa sobre a minha vida amorosa? — Sorriu. — Só quero saber se seus padrões são muito elevados. — Deu de ombros, arrancando uma gargalhada de Alexander. — Não, meus padrões não são elevados — debochou. — Mas você já teve alguém importante, certo? — Franziu a testa. — Quer dizer, você está por aqui há muito tempo — Olivia disse, confusa. — Sim, já tive alguém importante. — Alexander encarou-a profundamente. — Mas ela não deixaria sua família por mim e eu jamais faria com que escolhesse entre eles ou eu. Então, o melhor que fizemos foi nos afastar. — Você valoriza bastante a família, não é mesmo? — indagou. — Você não? — Alexander franziu a testa. — Vindo de uma loba, isso é bem exótico. — Como assim? — Encarou-o, confusa. — Vocês sempre priorizam a família, acima de tudo. — Isso se ela não te achar uma aberração — completou, tristemente. — Você não é uma aberração! É uma pessoa maravilhosa e nunca deixe que te digam o contrário. — A ruiva sorriu, olhando-o. — Diga isso para uma família de lobos cujo a única descendente não teve sua ascensão completa. — Respirou fundo. — Não vejo isso como um problema. — Deu de ombros. — Já conheci uma loba que teve a ascensão antes do previsto. Talvez a sua chegue depois. — E foi por ela que você se interessou? — A ruiva arqueou a sobrancelha, fazendo-o rir alto. — E voltamos para a minha vida amorosa… — Rolou os olhos. — Então ela era loba? — questionou. — Sim, era — Alexander esclareceu. — Porém, isso aconteceu há anos. — E por que não deu certo? — Como disse, não mandaria ela escolher entre eles ou eu. A família dela tinha um nome para zelar e eu não lhe tiraria isso. — Os lobos tem essa coisa de nome mesmo. Uma m***a! — O loiro riu. Escutando alguns passos do lado de fora, Alexander olhou para a porta, fazendo com que Olivia repetisse o ato. — O que foi? — questionou. — Chris — Alexander disse, para tão logo ambos escutarem o barulho da chave e a porta abrindo, revelando o mais novo entrando. — Alec? — chamou e olhou para a mesa onde os dois estavam. — Olivia? — disse, confuso ao encarar o casal. Porém, assim que notou como estavam vestidos, soltou um sorrisinho. — Atrapalho alguma coisa? — Não, eu preciso ir trabalhar — Olivia disse, levantando-se da cadeira. — Não precisa sair porque eu cheguei — afirmou, divertido. — Eu já estava de saída — A ruiva respondeu envergonhada, saindo dali ao ir até o quarto de Alexander. — Não perde tempo, irmão! — Christoffer debochou. — Poupe-me do seu sarcasmo — Alexander resmungou.
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