Capítulo Dois - Olivia Mackenzie

995 Words
WINDBER, WESTERN USA • 29 DE AGOSTO DE 2008 Olivia acordou cedo, como de costume. Sentou-se em sua cama e alongou seus braços. Observou que Ann-Marie ainda estava dormindo, serenamente. Sem fazer muito barulho, Olivia foi até sua cômoda e procurou uma roupa para passar o dia. Pegou sua mochila, arrumou tudo que seria necessário e colocou próximo a porta. Enquanto caminhava até o café próximo ao dormitório, olhava em seu celular um livro que precisaria fazer o resumo de dez capítulos. Já acostumada com sua correria, lia tudo e anotava pontos importantes nas notas do aparelho. — Bom dia! — Olivia sorriu para a atendente. — Gostaria de um café duplo bem forte, um capuccino gelado e dois muffins. — Hoje temos donuts. — A atendente logo disse, enquanto anotava o pedido. — Coloca dois também, por favor. Enquanto aguardava, Olivia sentou-se em uma das mesas e tratou de adiantar sua leitura. Logo que seu pedido ficou pronto, ela voltou até o dormitório. Deixou o capuccino, um muffin e um donut em cima da cômoda com um bilhete escrito “bom dia” e uma carinha feliz. Saindo dali, caminhou até o campus da universidade e logo foi para a sala de aula. Psicanálise era uma das suas disciplinas favoritas, gostava tanto que a aula passava sem que ela percebesse. Durante o intervalo, Olivia foi até a parte de trás do prédio, onde havia um belo gramado. Sentou-se embaixo de uma árvore e pegou uma folha para passar as anotações que fez sobre o resumo do livro. Assustou-se com o celular vibrando. — Alô? — Olá, prima! — A voz de Nimue ecoou pelo telefone. — Nimue, quanto tempo! A que devo a honra da sua ligação? — Olivia debochou. — Continua com o mesmo deboche de sempre… Nós estamos preocupados com você. Desde que partiu na calada da noite sem contar a ninguém para onde iria, os anciãos temem por você. — Não preciso dessa preocupação. — Olivia afirmou com toda certeza. — Eu estou bem aqui. Não tem mortes, lendas, pessoas me olhando estranho… — Ayla… — É Olivia! — A ruiva cortou a prima. Quanto tempo ninguém a chamava pelo nome. — Certo, Olivia. — Respondeu com desdém. — Você sabe que nunca havia acontecido isso em nossa alcatéia. Não é uma coisa comum. Você nunca foi uma pessoa fácil, a vovó que o diga. — Comentou, lembrando-se da infância. — Não coloque a vovó no meio disso. Pelo menos ela nunca me julgou por não ter feito a ascensão. — Você sabe que ela acreditava na lenda, Ayla. Ela tinha completa certeza de que a garota da profecia é você. — Não mencione essa bendita profecia! Já basta o que ouvi durante toda a minha vida. Escuta, Nimue, eu estou bem. Tenho uma vida, um trabalho, amigos. Se eu precisar de alguma coisa, eu vou entrar em contato. Ou, quem sabe, aparecer pela Escócia. — Tudo bem, Ayla. O que achar melhor. — Nimue se deu por vencida. — Pode pelo menos dizer onde mora? — Melhor não. Assim não corro risco de alguém vir me procurar. — Faça o que achar melhor. Você é a única família que tenho, não acho justo ficarmos afastadas. — Não, Nimue. Eu sou a única família que eu tenho. Você tem seu marido, filhos, um lar. Eu sou a única que fiquei sem ninguém. A vovó era a única pessoa que me mantinha presa ao vilarejo. Quando ela se foi, fiquei livre para fazer o que bem quisesse da minha vida. — Tudo bem, Ayla. — É Olivia! Sério, aprende. — Escutou sua prima bufar do outro lado da linha. — Saiba que sempre pode contar comigo quando precisar. Passar bem, Olivia. — Enfatizou o nome e finalizou a ligação. Oliva respirou fundo, colocando o telefone do seu lado. Ao se lembrar da vida em Perthshire, na Escócia, não conseguia pensar em tantas coisas boas. Houveram momentos felizes, sim, mas na maioria das vezes recebia olhares de piedade. Ayla Mackenzee, a pobre garota órfã. Após completar dezoito anos, ela deveria fazer sua ascensão. Porém, não foi o que aconteceu. O fato virou notícia em todo o vilarejo onde morava. Todos a olhavam de lado, como se fosse algum tipo de aberração. Todos os lobos ao completarem 18 anos, fazem sua ascensão, onde assumem seus poderes e transformações. Ayla se manteve por lá até a morte de sua avó, que foi a pessoa que a criou. Ao se mudar para os Estados Unidos, aproveitou para mudar o nome, a fim de americaniza-lo. Optou por Olivia, que lembrava o nome do seu pai, Oliver. O sobrenome manteve, apenas facilitou sua escrita. Assim, Ayla se tornou Olivia Mackenzie. Assim que chegou no bar onde trabalhava, Olivia guardou sua mochila no armário que havia nos fundos do bar, colocou o pequeno botton com seu nome na blusa e foi para frente do bar. Já passava das oito horas da noite e o bar estava com um fluxo mediano de pessoas. Olivia limpava o balcão quando um belo rapaz entrou; alto, loiro, de belos olhos claros. Ela colocou o pano na parte de dentro do balcão e começou a caminhar para atendê-lo, mas Zoe, sua colega de trabalho, chegou primeiro. — Olá, boa noite. — Zoe, amigavelmente, começou o atendimento. — Olá, amor. Um whisky, por favor. — Já está saindo. Olivia estava encantada pela beleza do rapaz. Era como se estivesse hipnotizada. O cabelo loiro fazia um contraste perfeito com sua pele. Sentia como se já o conhecesse, mas não sabia de onde. Provavelmente, do próprio bar, já que atendia inúmeras pessoas todos os dias. — Olivia! Ajuda aqui atrás! — A voz do seu chefe tirou do transe em que estava. Ao retornar, o rapaz não estava mais lá. Olivia balançou sua cabeça, focando seus pensamentos no trabalho. Algumas horas depois, finalmente, seu turno acabou. Mais que rápido ela saiu dali, seguindo para a sua casa.
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