Christoffer Bloodyeye estava completamente atordoado e Alexander estava preocupado com o irmão. Nunca havia visto ele assim.
— Ei, sente-se. O que aconteceu? Como assim você viu a Marie-Jeanne? Isso não faz sentido! — Alec procurava lógica naquilo, mas não encontrava.
— Eu a vi, ela está diferente. Mas ainda assim continua sendo ela.
— Irmão, eu sei que você a amou, sempre irá amar. Mas, Marie-Jeanne está morta.
— Não! Estou falando. Ela estava no quarto da Olivia.
— Olivia? — Alec tentava entender a loucura que o irmão falava.
— Conheci ela no bar esses dias…
— Não é coincidência? Porque você sempre vai ter esse amor por ela. Às vezes quando você viu que iam ficar, seu sentimento falou mais alto e projetou isso.
— Irmão, escuta-me. Sei que parece loucura, mas eu a vi. Ela se chama Ann-Marie, e divide o quarto com a Olivia.
— Certo, se você acredita, eu acredito. Podemos ir qualquer dia desses no bar, assim vemos se essa Ann-Marie aparece por lá. — Sugeriu.
— Eu vou tomar um banho e deitar, pois minha cabeça está cheia por hoje.
Do outro lado da cidade, Olivia estava finalizando seu expediente. Já passava das duas horas da manhã. Após limpar as mesas, despediu-se das poucas pessoas que ainda estavam ali e saiu andando rapidamente pelas ruas de Weindber.
— Olivia! — A ruiva se assustou ao escutar seu nome. Um pouco atrás dela, estava Mark correndo para alcançá-la.
— Mark! O que faz por aqui? — Olivia questionou e fez uma leve careta ao sentir o cheiro de álcool que exalava dele.
— Eu passei no bar, mas você já tinha saído. Vou te acompanhar até seu quarto.
— Não precisa, obrigada. — A ruiva sorriu, apressando seus passos.
— Nós vamos para o mesmo lugar.
Dando-se por vencida, aceitou a companhia do garoto. Mark sempre tenta ficar com Olivia, mesmo ela dizendo que não. Vez ou outra ele tenta passar dos limites, mas ela sempre consegue afastá-lo. Assim que chegaram na porta do seu dormitório, a ruiva respirou fundo.
— Obrigada, Mark. Como você pode ver, estou segura. Vá para o seu quarto, amanhã nos falamos. E mais uma vez, obrigada.
— Vou entrar para nós conversarmos. — O homem sorriu sacana. Compreendendo suas intenções, Olivia logo retrucou.
— Você não pode entrar. Obrigada por me trazer, mas está muito bêbado e a Ann-Marie está dormindo já. Vá para o seu quarto.
— Não, vou ficar. Podemos fazer programinha a três — O sorriso do garoto causou arrepios em Olivia.
— O quê? — Ela se manteve firme, apesar do medo. — Quem você pensa que é? Vai para o seu quarto agora!
— Não, eu vou entrar agora! — Ele tirou uma faca da cintura e empurrou contra ela.
— Mark, o que você está fazendo? — Olivia não estava sentindo suas pernas direito, m*l conseguia manter-se de pé. — Por favor, para com isso. Esse não é você. Me larga.
Enquanto isso, Alexander estava incomodado em seu apartamento. Andava de um lado para o outro, estava tão nervoso que deixou Chris nervoso.
— Por que você está assim inquieto, irmão? — Chris questionou o loiro.
— Não sei, tô sentindo algo estranho. Um sentimento de medo, pavor. Não sei explicar. — Alec estava confuso, nunca havia se sentido assim.
— Medo? De quê? Só estamos nós aqui. — Chris se assustou com a declaração do irmão, mas tentou passar tranquilidade, apesar de nunca ter visto seu irmão com medo.
— É como se esse sentimento não fosse meu. E tem essa voz, que não para de gritar. — Alexander puxou levemente seus cabelos. — Fica ecoando na minha cabeça.
— Gritar? Não tem ninguém gritando, irmão. — Agora Chris estava bastante assustado.
— Tem sim! Uma garota. Ela não para de gritar para largar ela. — Ele passava a mão nos cabelos, como se isso fosse tirar a voz da sua mente.
— Irmão, ninguém está gritando! Você está me assustando.
— Eu preciso ir! — Pegou sua chave e saiu.
— O quê? — Chris levantou-se correndo e seguiu o irmão. — Aonde você vai?
Sem tempo de obter resposta, Alec correu o mais rápido que pode, seguindo a voz da sua mente, que estava cada vez mais alta. Parou em frente ao prédio onde fica o dormitório de Olivia e Ann-Marie. O sentimento de medo que sentia se intensificou, praticamente estava sentindo um pavor, só não fazia ideia do que.
— Irmão, o que você está fazendo? Por que está aqui? — Chris questionou, já sabendo onde estavam.
— Não sei, a voz vem daqui. — Chris rolou seus olhos.
— Não tem voz nenhuma!
— Mark, me deixa em paz! — Eles escutaram de longe.
— Agora eu ouvi.
— Eu preciso ir. — Alec correu e entrou, logo chegando onde Olivia estava.
— É sério, me larga, Mark. Vai para o seu quarto. — Olivia tentava, em vão, empurrar Mark para longe, mas em vão. Além de mais forte, ele forçava a faca contra ela.
— Eu acho que ela pediu para largar. — Alexander falou, mantendo sua voz firme apesar do medo inexplicável.
— Não se mete, porque você não tem nada haver com isso. — Mark resmungou, ainda sem soltar Olivia.
A ruiva encarou Alexander com um olhar de desespero. Assim que seus olhares se cruzaram, Alec sentiu um sentimento de p******o pela ruiva muito grande, como nunca havia sentido antes. Nem mesmo pelo seu irmão. Confuso, manteve-se firme e se aproximou dos dois.
— Eu disse para você largar ela. — Alec disse pausadamente.
— Sério? E você vai fazer o quê? — Mark apontou então a faca para Alexander.
— Mark, pelo amor de Deus, para com isso. Vai para o seu dormitório e a gente finge que isso nunca aconteceu.
— Está acontecendo alguma coisa? — Chris parou do lado do irmão. — Olivia? — Confuso encarou a ruiva e depois o irmão, que mantinha seus olhos firmes no homem ao lado de Olivia.
Aproveitando o espaço que Mark deu, Olivia rapidamente correu em direção a Chris. Mark tentou pegá-la, mas Alec entrou em sua frente, juntamente com seu irmão.
— Acho que você não tem mais nada para fazer por aqui. — Alec deixou a raiva subir a sua mente e seus olhos ficaram vermelhos como fogo, fazendo Mark recuar e correr, até sumir pelo corredor.
— Graças a Deus você estava por aqui. — Olivia finalmente respirou aliviada.
— Está tudo bem? Ele te machucou? — Chris conferiu rapidamente.
— Não, graças a vocês. Se não fosse por vocês eu nem sei o que poderia acontecer… — Olivia sentiu seus olhos marejarem.
— Olivia? O que está acontecendo? — Ann-Marie perguntou assim que abriu a porta do quarto.
— Ann! — Olivia correu até ela e a abraçou.
— Ei, não fique assim. — A morena consolava a amiga.
Seus olhos percorreram o corredor e encontraram os dois parados encarando ela. Alexander estava boquiaberto ao ver a garota e Chris sentia seu coração palpitar.
— Venha, vamos entrar. — Ann-Marie abriu mais a porta, dando espaço para a amiga. — Vocês dois também.