Capítulo Quatro - The River In Reverse

1314 Words
WINDBER, WESTERN USA • 31 DE AGOSTO DE 2008 — Então… Como vocês chegaram aqui? Vocês moram aqui ou algo do tipo? — Ann-Marie procurava entender. — Isso não importa agora, Ann. O importante é que eles me ajudaram. Obrigada. — Era a primeira vez que Olivia se manifestava. Alec encarou Chris e afirmou com a cabeça. Christoffer então começou a sua fala, de maneira concentrada: — Nós não moramos aqui, apenas passamos por perto e ouvimos o pedido de ajuda. — Sua voz ecoava como música. Ann-Marie o encarava encantada, sinal que a hipnose estava surtindo efeito. Já Olivia... — Mas como escutaram? Eu não gritei tão alto assim... — Comentou, deixando a dúvida no ar. Christoffer encarou o irmão de maneira confusa, já Alex esboçava um sorriso maroto em seus lábios. Ser sobrenatural, pensou ele. — Então, Olivia, você disse que é de onde mesmo? — Alec questionou, enfatizando seu nome. — Eu não disse… — Ela fitou-o confusa. — Eu vim de longe, um povoado distante. Você não deve conhecer. — A ruiva desviou o assunto. — Ah, eu conheço muitos povoados. — Alec a encarava curioso. — Bom, agradeço pela ajuda, apesar de não fazer ideia de como chegaram aqui. — Olivia se levantou e caminhou até a porta. — Nós estávamos por perto e escutamos seu pedido de ajuda. Prontamente ajudamos e nada além disso. — Alec falou, encarando o fundo dos olhos da ruiva. — Muito obrigada por isso. — Ela falou de maneira automática, o que indicava que a hipnose também havia funcionado nela. — Você tem quantos anos mesmo? — Chris perguntou a ela, interessado. — Dezenove. Por quê? — Ela estava um pouco desorientada, efeito colateral da hipnose. — Interessante… — Alec murmurou pensativo. — Você, Ann-Marie, é daqui mesmo? — Sim, eu nasci aqui. — Ela também estava confusa. — Engraçado, você é extremamente parecida com uma amiga nossa. Desculpe-nos o jeito de te olhar, mas é notável a semelhança entre vocês. Ann-Marie é um nome um tanto quanto diferente. É de família? — Alec perguntou curioso. — É uma tradição de família. Minha mãe se chamava apenas Marie. — Encantador. Nossa amiga se chamava Marie também, mas seria muita coincidência. E ela vivia na França, faz alguns anos desde a última vez que nos falamos. Seria impossível ter alguma relação com você. — Bom, como dizem que temos sete pessoas igual a nós pelo mundo, é possível que ela seja uma delas, não é mesmo, Alec? A família da minha mãe é da França, então não duvido de um parentesco. Porém, não tenho acesso a eles. — Provavelmente uma grande coincidência. Desculpe-me o incômodo. ╬╬═════════════╬╬ — Irmão, você acha que Ann-Marie pode ter algum parentesco com Marie-Jeanne? — Chris questionou Alec, ainda confuso. De alguma maneira, estar perto de Ann-Marie o deixava desordenado. — Não duvido! — Alexander ainda estava pensativo com relação a Olivia. — Ela é da França e completamente idêntica a Marie-Jeanne, com certeza tem parentesco. Provavelmente ela é da mesma família de sua amada. — No que você tanto pensa, irmão? Vejo que algo está deixando-o intrigado. — Chris sempre se preocupava com o irmão. — O fato de Olivia ser um ser sobrenatural. Aposto em lobo. Se fosse vampira, reconheceria seu nome quando apresentou-se a ela. A não ser que você não tenha usado o Bloodeye. — Eu sempre uso, Alec. — Chris comentou, rolando os olhos. — Às vezes ela não ouviu falar de você. Ela mesma disse que vem de um povoado distante. — Não ouvir falar sobre mim é algo intrigante. Será que esse povoado é tão pequeno que nem mesmo mencionam outros seres sobrenaturais? — Por que não pergunta a ela? — Chris sugeriu ao irmão. — Essa pode ser uma ideia interessante, irmão. Mas não posso despejar um turbilhão de informações sobre ela. — Preocupado com outra pessoa além da família, irmão? Interessante... — Debochou de Alec. — Vou procurar ela no bar amanhã. — Ignorou a fala do irmão. ╬╬═════════════╬╬ Alec chegou ao bar e havia pouquíssimas pessoas ali. Viu uma mesa um pouco afastada e se sentou lá. Estava com a cabeça abaixada, quando notou que alguém parou ao lado dele. — Olhe, se não é o carinha que me salvou. — Olivia sorriu para ele. — A ruivinha valente. — Valente? — Ela riu, surpresa com o elogio. — Eu estava apavorada. Depois até consegui zombar da situação, mas a verdade é que eu estava aterrorizada. — O importante é que nada de r**m aconteceu a você. Hoje a noite será bela. Você pensou nisso? A lua cheia estará mais brilhante que nunca! — Alec tentava descobrir mais sobre a bela ruiva. — Escuta — Olivia olhou para os lados, procurando se alguém ouvia a conversa dos dois. —, eu sei, tá bom? Você é vampiro e me hipnotizou ontem. — Não sei do que está falando. — Alec deu de ombros. — Jura? Porque eu sei bem do que estou falando! — Ela parecia levemente irritada. — Bom, suponho que você também seja alguma coisa. — Alexander sugeriu. — Loba, talvez? — Olha, eu não quero problemas com seu tipo de pessoa. E nem com a minha família. Agora, se me der licença, eu preciso trabalhar. Alec sentiu seu coração palpitar, um nervosismo tomou conta dele. Confuso, encarou a garota à sua frente. Notou que ela estava nervosa, sua boca estava seca, suas mãos suando e seu coração palpitando. Tudo que Olivia estava sentindo naquele instante, Alec também sentia. — O que isso significa? — Ele acabou murmurando alto demais. — Como? — Olivia olhou sem entender para ele. — Eu deixo você nervosa? — Perguntou a ela, fazendo Olivia desviar seu olhar. — Não, claro que não! — A garota rapidamente respondeu. — Não é o que parece! — Ele falou, com um sorriso maroto estampado em seu rosto. — Eu preciso trabalhar. Se me der licença… — Antes que ela pudesse sair, Alec segurou o seu pulso. — Você não perguntou qual seria meu pedido. — Ah, você quer alguma coisa? — Ela debochou. — Achei que queria apenas me atazanar. — Bom, eu quero um whisky duplo com gelo, por favor. — Alec ignorou o comentário da ruiva. — São dez da manhã! — Sim, e vocês estão funcionando. — Ele deu de ombros. — Porque vendemos café! — Olivia apontou para o balcão, mostrando como se fosse óbvio. — Sendo assim, me traz um muffin e o whisky. Preciso ir trabalhar ainda. — Então, você trabalha... — Para quem não estava interessada, até que é bem curiosa. — Comentou sarcasticamente. A ruiva rolou os olhos e saiu dali, deixando Alexander pensativo. Será que o que ele sentiu era um reflexo do que Olivia estava sentindo? Isso explicaria o medo que estava sentindo na noite anterior. Mas isso não fazia o menor sentido para ele. Em todos os seus anos de existência, nunca havia acontecido algo do tipo. — Aqui está! — Olivia colocou o copo e o muffin sobre a mesa. — Muito obrigado, lobinha. — Alec sorriu para ela. — Eu não disse que sou loba! — Na verdade, você se entregou no "seu tipo de pessoa". — Ele zombou da fala dela. — Você é sempre assim? — Depende... — Alec deu uma golada na bebida e encarou Olivia. Por alguns segundos ele se perdeu naquela imensidão esverdeada. Olivia encarou com profundidade aqueles olhos maravilhosamente azuis e sentiu seu coração parar por alguns instantes, até respirar ficou difícil. Alec se sentia confuso, jamais havia passado por algo do tipo e não fazia ideia de como lidar com seus sentimentos. — Ei, Olivia! Me ajuda aqui. — De longe escutaram Zoe chamando-a, o que fez os dois desviarem o olhar rapidamente. — O que acabou de acontecer? — Alexander murmurou para si mesmo.
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