Interlúdio - No More Heartbreaks

786 Words
MILÃO, ITÁLIA • 18 DE JUNHO DE 1918 Alexander e Christoffer caminhavam pelas ruas de Milão, aproveitando o dia fresco de verão. Mesmo tendo passado vários anos desde a perda da amada, Christoffer continuava acreditando no amor, e faria de tudo para fazer seu irmão acreditar também. — Não acredito que você nunca tenha encontrado alguém que fizesse seu coração palpitar, irmão. — Amor é uma distração para os humanos, imagine para nós, seres amortais. — Alec se justificou. — Mas, pense pelo lado positivo. Você viverá um amor intensamente e isso sempre estará na sua memória. — Chris se esforçava para convencer o irmão. — Exatamente como a morte da amada estará para sempre na sua memória. — Alec encarou o irmão. — Nós não podemos ter esse luxo de amar e viver um grande amor, irmão. Isso nos deixa vulneráveis e seria apenas mais um motivo para os Bloodlust virem atrás de mim. Mais uma pessoa para perder no decorrer da minha longa vida... — Irmão, os Bloodlust não virão atrás de você. — Chris rolou seus olhos. — Se eles quisessem, já teriam eclodido. — Lenora foi bem específica. O dia em que eu tivesse coisas a perder, ela viria. E amar alguém seria motivo o bastante para isso. — Ah, irmão. Um dia você vai conhecer alguém. Essa pessoa vai virar sua vida de cabeça para baixo. Você vai amar como nunca aconteceu antes. E eu estarei bem aqui do seu lado dizendo "eu avisei". — Chris falou convencido, fazendo Alec bufar. — Amor é luz, e nós, criaturas sombrias, somos os que mais precisamos dessa luz. — Pelo amor de Deus, a vida humana não vale nada comparada à nossa. Eles morrem e nós ficamos, vagando por longos e longos milênios. — Eu e Marie-Jeanne, por exemplo. — Chris ignorou totalmente a fala do irmão. — Nos conhecemos, conversamos, nos apaixonamos. Foi magnífico! Até o dia que tudo aconteceu e a realidade veio à tona. Mas eu continuo amando-a, mais do que eu imaginei ser possível amar alguém. É o sentimento mais lindo e complexo que alguém pode ter. — Nós somos a definição de maldição, irmão. No fim, passaremos a eternidade sozinhos. — Alec comentou vagamente, enquanto encarava o vazio. — Não somos tão ruins. Não somos os monstros que você tanto fala, Alec. Nós escolhemos não viver assim. E um dia você vai conhecer alguém que irá te dar o que você nunca imaginou ter, um amor incondicional por alguém. — Nós estamos fadados a viver sozinhos, irmão. Eu sei disso. Eu já perdi muitas pessoas com quem eu me importava. — Alec murmurou tristemente. — No fim, estaremos sempre sós. — Você está errado, Alec. E um dia eu vou te provar isso. Você é um ser maravilhoso, merece todas as coisas boas que o universo tem a oferecer. Inclusive viver um grande amor. — Eu só não quero carregar o sangue de alguém que eu amo nas mãos. Não quero viver com essa culpa. Sabendo que se eu não estivesse com a pessoa, ela estaria viva. — Não seja tão pessimista, irmão. Pense nas coisas boas que o amor tem a oferecer. Já que você despreza os humanos, que tal um ser sobrenatural? — Sugeriu divertido. — Eu não desprezo humanos. — Murmurou rolando os olhos. — E nenhum vampiro se aproxima de mim com boas intenções. Sempre têm outros planos por trás da aproximação. — E lobos? Já conheceu alguma loba interessante? — Sorriu maliciosamente. — Lobos não gostam muito de vampiros, irmão. — Alec riu. — Impossível ser todos. Pense pelo lado bom, eles não vão querer dominar outros vampiros. De repente o que você precisa é de uma loba em sua vida. — Chris, lobos não são amigáveis. Jamais aceitariam isso. Confie em mim, eu sei. — Alec comentou, recordando-se do passado. — Então teve uma loba? — Chris encarou o irmão entusiasmado. — Sim, anos atrás. Ela era especial, gostava dela. Mas, sabe toda essa rivalidade, essa disputa por vaidade. Foi demais. O poder e o ódio ficaram à frente de tudo. — Eu sinto muito, Alec. Eu não fazia ideia. — Chris respondeu cabisbaixo. — Está tudo bem. Ela jurou que esquecer tudo era o melhor. Bom, ela e sua família. Por isso eu te digo, eles não são tão amigáveis assim. — Eu acho isso bem parecido com você. — Ele deu os ombros. — Como assim? — Encarou o irmão, confuso. — Viver um romance perigosamente. — Falou divertido, arrancando risos do loiro. — Você não vai deixar isso passar, não é? — Alec perguntou arqueando a sobrancelha. — Por enquanto, sim. Mas, de tempos em tempos irei lembrá-lo disso.
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