Capítulo Seis - Anchor

1185 Words
WINDBER, WESTERN USA • 02 DE SETEMBRO DE 2008 Alexander estava saindo mais tarde do que o esperado do trabalho. Já passava das três da manhã e o hospital estava movimentado naquela noite. Seu plantão havia terminado às vinte e duas horas, mas o médico que ficaria em seu lugar precisou assumir uma cirurgia de emergência e Alec acabou cobrindo-o até ele terminar. Enquanto ele caminhava para a sua casa, uma onda de pavor o atingiu, fazendo seu coração se acelerar. Instantaneamente, sua mente enfatizou todos os sentimentos para Olivia. Não muito longe dali, a ruiva caminhava a passos largos, se afastando o máximo que podia de Mark. — Olivia, é sério! Eu preciso falar com você! — O rapaz andava apressado atrás dela. — Eu não tenho nada para falar com você. Já disse que é para me deixar em paz! — A ruiva tentava controlar sua respiração, enquanto focava em não surtar. — Pelo amor de Deus! Você de novo? — O alívio inundou o interior de Olivia ao escutar a voz de Alec. — Alec! — Nunca se sentiu tão entusiasmada ao ver um vampiro como estava se sentindo naquele momento. — Sério, ela não quer nada com você. Para de incomodar ela, ou você terá problemas comigo. — Alexander falou seriamente, encarando o homem à sua frente. — E quem é você para me dizer o que fazer? Ou melhor, para dizer o que a Olivia quer. — Mark falou em um tom desafiador. — Olivia, você quer alguma coisa com ele? — Alec perguntou em um tom de voz entediado, já sabendo da resposta, ainda sem desviar o olhar de Mark. — Não, credo! — Olivia respondeu rapidamente, fazendo uma careta. — Agora estamos esclarecidos. — Alec continuava encarando ele de maneira fria. — Eu espero que você não incomode mais ela, caso contrário você vai se ver comigo. Se eu souber que você pensou em se aproximar dela novamente, eu mesmo acabo com você. — As palavras foram despejadas com tanto ódio e repulsa que por meros segundos os olhos de Alec ficaram vermelhos como sangue, fazendo Mark se afastar, concordando inúmeras vezes com a cabeça. — Eu não vou mais incomodar. Sinto muito, Olivia. — Rapidamente ele saiu dali, deixando Alec e a ruiva para trás. — Uau, belo uso de poderes. — A ruiva comentou, rolando os olhos. — Eu não usei. — Alec deu os ombros. — O quê? — A ruiva o encarou boquiaberta. — E ele concordou por que? — Eu achei minha ameaça bem plausível. — Alec se gabou, fazendo Olivia olhar com desdém. — E como você chegou aqui mesmo? — Você estava bem nervosa. Estava me incomodando. Além do mais, de nada. — Obrigada, de novo. Como assim estava incomodando? — Questionou, encarando aquele belo par de olhos azuis. — Você fica nervosa e eu sinto, simples. — Ele se aproximou, deixando seus rostos próximos, talvez até demais. A respiração de Olivia ficou descompassada e ela engoliu seco, seu coração se agitou. — Assim como eu te deixo nervosa, porém um nervosismo diferente… — Alec sorriu convencido, além de sentir seu coração palpitar, escutava as batidas irregulares de Olivia. — E quem te disse que você me deixa nervosa? — Olivia desviou o olhar e respirou fundo, recuperando o fôlego. — Posso listar. Prefere em ordem alfabética ou cronológica? — Alec debochou dela. — Vamos, te acompanho até em casa. Olivia não falou nada. Apenas seguiram o caminho em silêncio. Pouco tempo depois, Oliva parou em frente a porta do seu dormitório. Ela ainda pensava no que dizer para Alec. Olivia sabia que ele causava nervosismo nela, mas era um sentimento bom. Diferente de qualquer coisa que já havia sentido. Ela virou-se para ele, mas não conseguiu formular nada para falar. Ao notar que o encarava por tempo demais, abaixou a cabeça envergonhada. Alec sorriu ao notar que conseguia desestabilizar a ruiva. Ele levou sua mão até o cabelo dela e enrolou uma mecha em seu dedo. — Eu amo seu cabelo. — Alec falou sem pensar muito, mas notou o sorriso maroto estampado em Olivia. A ruiva levantou sua cabeça e eles se encararam por longos minutos. Alec conseguia se perder rapidamente naquela imensidão esverdeada. E, não muito diferente, Olivia viajava nos olhos de Alec. Havia um desejo ali, um desespero devastador que fazia o coração de Olivia subir para a garganta e uma sensação quente surgir em seu estômago. Uma química intensa havia entre eles. Alec jamais havia se sentido dessa maneira e não sabia bem como lidar com tudo isso. Olivia parou de respirar e se aproximou dele, era como se o mundo ao redor tivesse desaparecido. A garota estava com receio de Alec se afastar, mas ao invés disso, ele se manteve parado. Eles estavam tão próximos que Olivia sentia a respiração dele em seu rosto. Tão perto que Olivia tinha certeza que ele conseguia sentir a respiração dela. Alec encara a ruiva profundamente. A respiração dele estava descompassada, ele nunca havia estado tão nervoso perto de uma garota antes. Era tudo novidade para Alec. Alguns segundos depois, que pareciam uma eternidade, ele se afastou dando um passo para trás. — Está entregue. — Ele falou baixinho, desviando o olhar e quebrando o encanto do momento. — Desculpa, eu… — Olivia começou a falar, mas tudo saía rápido e sem sentido. — Eu não devia ter feito isso. Não é como se você fosse um cara qualquer, lógico que não. — Alec olhou confuso para ela. — Eu sou apenas um lanche feliz e ambulante para você. E por mais sexy que você seja, eu não posso deixar isso influenciar nad… Por maior receio que Alec estivesse, em um movimento rápido ele se aproximou novamente da ruiva. Levando sua mão até a nuca dela e entrelaçando os dedos em seu cabelo, puxando gentilmente os fios, fazendo o pescoço dela se curvar para trás. Olivia ergueu seus olhos para ele, encarando-o profundamente. Alec se inclinou para frente, aproximando suavemente e deixando os lábios dele encontrar o dela. Não era um beijo apaixonado, intenso ou selvagem. Era leve, como as asas da borboleta se encontrando. Suave como um floco de neve. Mas, para eles era poderoso o bastante para as borboletas no estômago começarem a voar e eles se esquecerem de como respirar. — Olivia, é… — Eles rapidamente se separam ao escutar a voz de Ann-Marie no fundo. — Opa, desculpa, não queria atrapalhar nada. — A morena encarou os dois envergonhada. — Eu ouvi vozes e fiquei preocupada. — Eu já estava indo embora. — Alec falou enquanto se afastava. — Boa noite, meninas. Ele saiu dali, caminhando a passos largos. O que havia acabado de acontecer? Por que ele estava se sentindo dessa maneira? Claro que ele já havia ficado com muitas outras garotas, mas nenhuma aconteceu isso. Todo esse sentimento diferente, o nervosismo, o batimento irregular do coração, as mãos suando. — d***a! — Resmungou, se lembrando de uma conversa sobre sentimentos que teve há alguns anos com Chris. — Não acredito que estava certo!
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