WINDBER, WESTERN USA • 03 DE SETEMBRO DE 2008
Alexander acordou, ainda descrente do que havia acontecido na madrugada anterior. Sentou-se na cama, desviando os pensamentos da bela ruiva. Assim que saiu do quarto, encontrou Christoffer comendo cereais na cozinha.
— Você parece bem! — o mais velho comentou, indo até a cafeteira e colocando café na xícara. — Porém, poderia se alimentar melhor.
— Não notei a que horas chegaste ontem. Desculpe-me, estava cansado e acabei dormindo cedo. — Christoffer desviou o assunto, para que não entrassem na discussão sobre alimentação saudável.
— Eu precisei cobrir um plantão, cheguei pela madrugada... — comentou vagamente, recordando-se do beijo e de tudo o que sentiu quando seus lábios tocaram os da ruiva.
— Em que tanto pensa, irmão? — o mais novo questionou, ao notar a testa franzida e o olhar distante no outro.
— Em nada! — Balançou a cabeça para desviar seus pensamentos. — Você não tem aula agora?
— Apenas no segundo horário. Estava pensando em ir ao bar hoje. Gostaria de acompanhar?
— Bar? Parece uma ótima ideia. Estou precisando de um bom whisky.
— Ótimo! Vamos onde Olivia trabalha. — O loiro desviou o olhar ao escutar o nome da ruiva. — Sério! O que aconteceu? Você está estranho.
— Eu encontrei Olivia ontem — falou, vagamente.
— E? — Christoffer o incentivou a terminar.
— Aquele garoto estava atazanando-a novamente, e eu senti o que ela sentiu, de novo... — Alexander foi interrompido pelo irmão.
— Espera! De novo? Por que isso está acontecendo? Não faz o menor sentido, isso nunca aconteceu antes! Você sabe o que quer dizer?
— Estou tão perdido quanto você, irmão — Alexander murmurou, pensativo. — Mas, ontem foi… diferente.
— Diferente como? — Christoffer queria ajudar o irmão a entender tudo.
— Não sei explicar. Apenas diferente… — O mais velho definitivamente não queria falar sobre o acontecido, pelo menos por enquanto.
— Bom, eu vou para a universidade agora. Nos vemos à noite. Pensei em ir para o bar às dezenove horas, o que acha?
— Está ótimo! Nos vemos mais tarde. — Alexander sorriu para o irmão. — Agora vá, você não quer se atrasar.
Christoffer pegou suas coisas e saiu dali, caminhando em direção ao campus. Ao ver seu horário, notou que a aula seria de Literatura Britânica, novamente. Ele murmurou alguns palavrões e caminhou até a sala, alcançando-a no mesmo instante que a professora. Olhando rapidamente para as pessoas que já estavam em seus lugares, notou Ann-Marie sentada algumas fileiras à sua frente.
— Bom, vamos começar a aula de hoje — a docente começou a falar. — Eu fiquei bastante entusiasmada com a última aula, então pensei em promover uma atividade em dupla. Cada par deverá ler um livro clássico, e juntos farão um resumo, passando a história para os tempos modernos. — Um burburinho se formou. — Eu já separei as duplas e o livro de cada uma. No final da aula irei informá-los. Agora, vamos começar!
Christoffer estava levemente incomodado, pois a ideia de ter que fazer uma atividade com outra pessoa não o agradava muito. Ele era bastante detalhista e perfeccionista, então preferia fazer tudo sozinho. Enquanto atentava-se ao que a professora dizia, sentiu um fitar sobre si. Automaticamente, direcionou sua atenção para onde Ann-Marie estava. A garota rapidamente virou-se para a frente e desviou o olhar, fazendo Christoffer sorrir ladino ao escutar-lhe o coração agitado.
— Agora que finalizei o conteúdo, irei anunciar os pares. Lembrando que vocês têm um mês para entregarem o trabalho — a professora começou a falar. — O primeiro livro que selecionei foi "Orgulho e Preconceito", nosso queridinho da Jane Austen. A dupla escolhida foi Arthur Wilson e Kate Davies. — Os alunos selecionados começaram a conversar, mas foram interrompidos pela mulher. — Deixem-me terminar primeiro, depois vocês debatem. — Ela listou um por um e a tensão aumentava em Christoffer conforme ela não mencionava Ann-Marie. — E por último, a dupla que me inspirou na ideia da atividade: Christoffer Bloodyeye e Ann-Marie Eymer. Vocês ficaram com "Romeu e Julieta".
— Só pode ser uma piada… — Christoffer murmurou.
— Agora que já acertamos todos, enviarei para o e-mail de vocês a forma como quero que o trabalho esteja — a mulher finalizou. — Nos vemos na próxima semana.
Os alunos começaram a sair da sala, enquanto Christoffer guardava suas coisas e murmurava palavrões mentalmente.
— Parece que teremos muitas coisas para discutir. — A voz de Ann-Marie chamou a atenção de Christoffer, fazendo-o encarar a morena.
— Percebi… — resmungou, entre os dentes.
— Se você não quiser fazer, eu posso falar com a professora — Ann-Marie falou, levemente desapontada com a forma que o rapaz respondeu.
— Não é isso... — respirou fundo. — Você não entenderia.
— Eu sei que me pareço com sua amiga e que, claramente, algo aconteceu com ela. — Ele a encarou. — Eu sinto muito por isso. Se você não estiver à vontade, peço para trocarmos de dupla.
— Não! Está tudo bem. — Ele sorriu para ela depois de respirar profundamente. — Imagino que a lista de coisas que iremos debater será grande — falou divertido, fazendo-a rir.
— Com certeza. Você quer fazer alguma coisa hoje? — ela sugeriu.
— Eu tinha outros planos para hoje. Se você quiser, pode me acompanhar. Vou ao bar onde Olivia trabalha.
— Olivia? — Ann-Marie perguntou, arqueando a sobrancelha. — Não sabia que eram tão amigos assim…
— Bom — Ele riu levemente da maneira como a morena se expressou —, nós somos apenas amigos e eu tenho certeza absoluta que ela prefere o meu irmão.
— Isso é verdade. — Lembrou-se da cena que viu no corredor, na noite anterior. — Que horas vamos nos encontrar?
— Às dezenove. Pode ser?
— Ótimo! Nos vemos lá.
— Ora ora, a que devo a honra desse belo rapaz no meu local de trabalho? — Olivia perguntou divertida para Christoffer. — Fico feliz que já esteja melhor.
— Eu te disse que logo estaria melhor.
— Ainda bem! — A ruiva rapidamente olhou em volta.
— Procurando por alguém? — ele perguntou, divertidamente.
— O quê? — O encarou, confusa.
— Buscando alguém específico? Talvez meu irmão?
— Não! Estava observando o ambiente — rapidamente respondeu, e Christoffer riu ao escutar seus batimentos cardíacos acelerados, sinal de que estava mentindo.
— Irei fingir que acredito. — Piscou para ela. — Bom, vou me sentar naquela mesa vazia ali no canto.
— Vai querer beber algo? Ou vai esperar alguém?
— Cerveja, por favor — respondeu, sorrindo.
A porta do bar fez um barulho, indicando que alguém havia entrado. O coração de Christoffer se agitou ao perceber que era Ann-Marie. A morena olhou todo o ambiente, até que seus olhos encontraram os dele, fazendo-a sorrir ao caminhar até ele.
— E eu pensando que seria um happy hour de irmãos. — Olivia piscou para ele.
— Não! — Christoffer negou, rapidamente. — É que…
— Seu segredo está seguro comigo. Ei, Ann, não me contou que iria vir aqui.
— Decidi hoje, não tive muito tempo…
— Relaxa, vocês se justificam demais! — A ruiva rolou os olhos. — Vai beber alguma coisa?
— Água — Ann-Marie respondeu, sentando-se na cadeira em frente a de Christoffer.
— Sério? — questionou, confusa. — Temos drinks ótimos. Devo admitir que a Bloody Mary daqui é maravilhoso.
— São sete da noite. — Ann-Marie encarou a amiga.
— Alexander bebe whisky às dez da manhã — Olivia falou de maneira tediosa e Christoffer riu.
— Tudo bem, traz a Bloody Mary — a morena resmungou.
Olivia sorriu para a amiga, andou até o balcão onde estavam as bebidas, e abaixou-se para pegar os ingredientes para o preparo, quando a porta fez barulho. Levantou-se com várias coisas nas mãos e encarou Alexander, parado próximo a entrada. Seu coração acelerou instantaneamente, sua respiração tornou-se descompassada e suas mãos suaram. Simultaneamente, o mesmo aconteceu com o homem. Ainda confuso com tudo aquilo, ele foi até ela.
— Ei, seu irmão já está aqui. — Olivia disse, sorrindo para ele.
— É, eu vi… — O novo cliente olhou para onde o mais jovem estava sentado, notando já ser observado de volta pelo outro, que carregava um sorrisinho estampado.
— Vou levar bebidas para eles agora mesmo. Você quer alguma coisa?
— Quero sim. Pode ser um…
— Deixa eu adivinhar, whisky? — perguntou, divertida.
— Isso! — Sorriu para a ruiva.
— Posso tentar uma coisa diferente? — ela perguntou, envergonhada.
— Surpreenda-me — respondeu de maneira sedutora, sorrindo ao escutar as batidas do coração alheio acelerarem.
— Er… Certo! — a ruiva falou, confusa. — Eu já levo tudo para vocês.
— Acho que não tem muito espaço para mim lá... — comentou vagamente ao olhar para Christoffer e Ann-Marie, que conversavam e riam animadamente.
— Você pode ficar por aqui. Eu estou, na maior parte do tempo, desse lado — a mulher sugeriu, já sentindo o rosto esquentar de vergonha. — Se quiser, claro.
— Posso conviver com isso — Alexander respondeu, piscando para ela.