Prólogo

1318 Words
A noite parecia carregar o peso de uma maldição. As estrelas, tímidas, esconderam-se atrás de nuvens densas, enquanto a Lua cheia dominava o céu, tingida de um vermelho profundo, como se refletisse o sangue derramado no mundo abaixo. O ar estava carregado de tensão, e cada sopro do vento trazia o cheiro de ferro e carne queimada. Lá embaixo, o caos reinava. Dois exércitos colidiram com brutalidade animalesca. De um lado, os Lycans rugiam e avançavam, suas formas bestiais movendo-se como uma força imparável da natureza. Do outro, os vampiros deslizaram pelo campo de batalha, rápidos e letais, como sombras afiadas pela escuridão. Os gritos de guerra e os estalos de ossos quebrando ressoavam no vale, como se a própria terra estivesse chorando. No coração do m******e, Damian Nightshade, o Rei Lycan, estava em seu ápice. Suas garras rasgavam a carne de qualquer vampiro que ousasse cruzar seu caminho, enquanto seus olhos dourados brilhavam com uma fúria quase sobrenatural. Ele era um símbolo de poder e resistência, mas também de dor. Ele sabia que estavam perdendo. E então, ele a viu. Elara, sua esposa, estava cercada. Ela lutava com uma força admirável, mas estava exausta. Antes que Damian pudesse alcançar seu lado, Viktor Dracul surgiu das sombras, movendo-se com a precisão de um predador. A lâmina em suas mãos brilhava sinistramente à luz vermelha da Lua. — "Elara!" Damian gritou, sua voz reverberando pelo campo como um trovão. Mas era tarde demais. Viktor atacou com uma graça mortal, e a espada atravessou o peito de Elara. Seu grito de dor foi curto, mas ressoou como uma punhalada na alma de Damian. Ele caiu de joelhos ao vê-la desabar, seu corpo já sem vida sendo engolido pela terra manchada de sangue. — "Você é fraco, Damian," Viktor zombou, limpando a lâmina ensanguentada. Seus olhos vermelhos brilhavam com um prazer c***l. "Essa é apenas a primeira de muitas perdas. Em breve, seus Lycans serão nada além de poeira." A risada de Viktor ecoou enquanto ele desaparecia, deixando Damian sozinho no campo, cercado por corpos e silêncio. Ele segurou Elara nos braços, sentindo o calor de sua vida desaparecer. A Lua parecia assistir, impassível, como se fosse uma testemunha silenciosa de sua dor. Aquela noite marcou o fim de uma era. Mais de 300 anos depois… Sobraram apenas cinco. Cinco Lycans. A última linhagem pura de uma raça que outrora fora gloriosa e temida. Eles viviam juntos no grande castelo de pedra n***a que se erguia sobre um penhasco, cercado por florestas sombrias. Eram os sobreviventes da Grande Guerra contra os vampiros – cinco guerreiros imortais que carregavam o peso de séculos de sangue, dor e extinção. E no centro de tudo, o mais forte deles, o último rei: Damian Nightshade. Damian era uma lenda viva. Alto, com músculos esculpidos como pedra e olhos prateados que refletiam o brilho da Lua, ele não era apenas um líder; ele era uma força da natureza. Os alfas das matilhas de lobos – criaturas que descendiam de Lycans há muito tempo misturados com humanos – se reportavam a ele, reconhecendo sua autoridade absoluta. As matilhas eram numerosas, espalhadas pelas florestas e montanhas, mas os alfas sabiam que sua linhagem impura jamais alcançaria o poder de um Lycan puro. Damian governava com mão firme, mas o peso da liderança se tornava mais esmagador a cada ano. Ele sabia que quando os cinco últimos Lycans caíssem, sua espécie desapareceria para sempre. E com ela, a ordem que ele havia lutado tanto para manter. O vento soprou pela sala do trono, onde Damian estava sozinho. Era um vento frio e cortante, carregando o cheiro distante da floresta e algo mais... algo que ele não conseguiu identificar. Algo inquietante. Ele fechou os olhos e respirou fundo, tentando afogar as memórias que ainda o assombravam. A mesma Lua que havia testemunhado a tragédia de Damian agora brilhava novamente, prateada e fria, lançando sua luz sobre uma floresta antiga. Mas naquela noite, o que a Lua iluminava era algo ainda mais sombrio. No coração de uma clareira isolada, cercada por árvores cujos galhos pareciam mãos retorcidas, um ritual sombrio tomava forma. Um círculo de vampiros estava reunido, suas vozes formando um sussurro baixo e constante, carregado de poder e malevolência. O cheiro de sangue fresco misturava-se ao ar úmido, e o chão parecia pulsar com uma energia sinistra. No centro do círculo, estava Viktor Dracul, seu rosto marcado pelo tempo, mas seus olhos tão implacáveis quanto no dia em que derrotou os Lycans. Ele era o arquiteto daquela noite, o maestro de um plano que levaria séculos para se desenrolar. — "Tragam a criança," Viktor ordenou, sua voz como o roçar de lâminas. Dois vampiros trouxeram uma menina pequena, seus olhos grandes e aterrorizados. Ela era pequena, não mais que três anos, com cabelos negros desgrenhados e olhos grandes e brilhantes. Mesmo naquela idade, havia algo nela que era impossível ignorar – uma presença quase palpável, uma energia latente que parecia desafiar o ar ao seu redor. Mas agora, essa energia estava silenciada, contida pelas correntes de prata que prendiam seus pulsos. — "Você sente isso?" Viktor Dracul murmurou, observando a criança com um brilho perigoso nos olhos. Sua voz era baixa, mas todos os vampiros ao redor podiam ouvir. "É como segurar uma tempestade em suas mãos." Viktor deu um passo à frente, seu manto n***o roçando o chão enquanto ele se aproximava. Seus olhos vermelhos brilhavam à luz da Lua, e um sorriso curvou seus lábios pálidos. "Trezentos anos atrás, os Lycans quase nos destruíram. Quase. Agora, é nossa vez de decidir o futuro deles." Um dos vampiros hesitou. — "Você tem certeza disso, meu senhor? A profecia fala da Loba Branca como um símbolo de salvação. Estamos brincando com forças que podem nos destruir." — "Não há salvação," Viktor respondeu friamente, sem tirar os olhos da criança. "Há poder. E se nós não o controlamos, os Lycans o usarão contra nós. Esta criança é a última fagulha deles, e eu transformarei essa fagulha em uma arma para terminar o que começamos." Ele ergueu uma adaga n***a, sua lâmina tão escura que parecia devorar a luz ao seu redor. Os outros vampiros começaram a entoar cânticos, palavras em uma língua antiga que vibravam como trovões distantes no ar. O chão começou a tremer, e a criança fechou os olhos com força, o pequeno corpo tremendo enquanto a magia começava a envolvê-la. Viktor ajoelhou-se diante dela, tocando a ponta da lâmina no centro de seu peito. — "Você será o selo. Sua força será contida até que o momento certo chegue. E quando chegar... o destino dos Lycans estará em suas mãos." Ele pressionou a lâmina, fazendo um pequeno corte. Sangue escorreu, e a terra pareceu sugar cada gota, como se estivesse faminta por aquele sacrifício. A criança gritou, e a Lua brilhou com uma intensidade ofuscante. Um símbolo apareceu no mesmo local ao qual a adaga havia sido pressionada – uma meia-lua prateada, cintilante como um farol na escuridão. Seus cabelos negros ficaram com uma mecha prateada na frente. A magia ao redor explodiu em um clarão, e o símbolo desapareceu, o corpo da menina caiu ao chão, imóvel, mas ainda respirando. — "Está feito," ele disse, com um sorriso satisfeito. "O destino deles está selado." Os vampiros desaparecem como sombras dissolvendo-se na escuridão, deixando a criança sozinha em uma clareira próximo a uma alcatéia, inconsciente e envolta em um silêncio perturbador. A Lua, agora fria e distante, iluminava a cena como uma testemunha muda. A profecia da Loba Branca estava em movimento, um eco de esperança e destruição, esperando pelo momento certo para despertar. (Trecho da profecia inscrito em pedra antiga) "Quando o sangue tocar a terra e a Lua tremer, A loba marcada surgirá. Seu grito será ouvido pelos céus e pela escuridão, E o último rei se curvará diante de sua escolha: Salvar... ou destruir."
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