Acordei com braços em volta do meu corpo, no início estranhei a sensação mas logo me lembrei de tudo que tinha acontecido na noite passada. Abri um sorriso involuntário, e olhei pro louro que dormia tranquilamente ao meu lado.
- Bom dia. – ele disse rouco.
- Bom dia.
O louro me soltou e se sentou na cama, passou as mãos pelo o rosto e tentou arrumar seu cabelo, que nessa manhã estava bem rebelde. Nunca tinha o visto tão descabelado.
Mas ainda assim ele conseguia ser o homem mais lindo que eu já tinha visto.
- Vou descer e já volto! – ele deu um pulo pra fora da cama e rapidamente se vestiu.
Franzi o cenho e me sentei.
Não é possível que ele vai me deixar aqui assim, será que era só isso que ele queria o tempo todo? Sexo? Oh, meu deus! Como sou i****a!
- Lucy? – o olhar dele pra mim era de total diversão. Eu devia estar com a pior das feições.
- Hã? – disse sem pique algum.
- Para de paranoia! – seu sorriso de lado estava ali, e não sei descrever em palavras o quanto ele me irrita agora. – Eu só vou pegar um negócio e já volto! – ele parecia estar tentando me assegurar de algo.
Logo o louro estava em cima da cama, engatinhando em minha direção.
Nossos rostos estavam próximos demais.
- Eu já volto! – ele me selou e se levantou dali, saindo do quarto em segundos.
Não sei como, mas ele sempre parecia saber o que eu estava pensando. Justin sabia que eu estava pensando besteiras.
Aproveitei que ele saiu e fui fazer minha higiene matinal, assim que voltei para o quarto o Justin entrou, com uma bandeja.
- O que é tudo isso? – o fitei.
Com toda dificuldade ele fechou a porta com os pés e caminhou até a cama, deixando a bandeja ali.
- Nosso café da manhã! – ele soou animado.
Sorri pra ele quando vi seus olhos brilharem em minha direção, eu gostava tanto dele!
Caminhei animadamente até ele e o abracei forte, dando um beijo estalado em sua bochecha.
- Você é incrível!
Ele retribuiu o abraço e deu um beijo no topo da minha cabeça.
- Eu gosto tanto de você, garota! Você não tem ideia.
Tomamos café juntos e depois passamos boa parte do tempo deitados, choveu boa parte do dia o que fez todos pegarem a estrada mais cedo, não tinha mais o que fazer por lá, e Justin tinha um compromisso.
Na viagem de volta ele fez questão de segurar na minha mão o percurso inteiro. Eu estava me sentindo verdadeiramente feliz! Quando ele me deixou em casa a única coisa que pensei foi em tomar um banho, e dormir. E foi exatamente o que fiz.
Dias depois...
A semana tinha passado voando para mim, não tive tempo nem de respirar. Emily mandava um famoso atrás do outro para que eu pudesse fotografar, e não satisfeita ainda me fez ir até a revista todos os dias da semana. A People estava organizando um baile de gala para comemorar os 10 anos da revista, e ela estava a todo o vapor por causa desse evento e quis que eu fosse até lá para ter alguém para infernizar. Ok, talvez não fosse pra isso. Mas era assim que eu via, já que estar lá não tinha nada a ver com o meu serviço. Talvez Emily quisesse se aproximar de mim, construir uma amizade. Mas pela pouca experiência que tenho nesse assunto posso dizer com total certeza que ela é uma péssima amiga!
E Justin, bom, o Justin estava bem ocupado tentando limpar a imagem que eu ajudei a Emily a sujar. Por mais que o assunto não estivesse tão em alta como há uma semana atrás, as pessoas ainda estavam comentando sobre a polêmica.
Por conta da correria de ambos não tivemos muito tempo de nos ver essa semana, até tivemos algumas conversas rápidas por SMS, mas não era nada muito profundo. Em qualquer outra situação isso estaria me preocupando, nosso afastamento, mas eu andava tão atarefada que quando tinha um tempo livre eu só conseguia pensar em dormir. Sendo assim, não me lembrava de me preocupar, ou criar alguma paranoia i****a sobre o assunto.
Tinha acabado de chegar de um dia longo e cansativo, m*l entrei no apartamento e já me joguei em meu sofá, com a cara enfiada em uma almofada, se depender de mim eu durmo aqui mesmo.
Meu celular não demora a fazer um barulho extremamente irritante, de inicio ignoro, não quero papo com ninguém. Mas o barulho parecia ficar mais chato a cada segundo. Bufo alto e me dou por vencida, pegando o aparelho e torcendo mentalmente pra não ser a Emily, iria odiar ter que ir até ela uma hora dessa.
Ao olhar o visor um sentimento de alívio me apossa, era o Justin. Atendo:
- Que demora pra atender um telefone, estava ocupada?
Solto um suspiro.
- Sim, estava tentando dormir.
- Dormir, Lucy? A uma hora dessa?
- Dia longo...
- Tenho uma proposta pra te fazer. – ele parecia animado.
E ao ouvir sua frase automaticamente também fiquei. Estava com saudades dele!
- Que proposta?
Torcia para que a proposta em questão envolvesse ficarmos em casa assistindo algum filme. Mas no fundo sabia que isso só seria uma proposta se viesse de mim. Justin era bem mais animado, uma festa teria mais a ver com ele.
- Hoje terei que ir a um evento e quero muito que vá comigo, como minha acompanhante.
- Acompanhante? Eu e você...juntos? – engulo seco ao proferir tais palavras.
Ele é o Justin Bieber poderia escolher qualquer modelo famosa para estar com ele essa noite, por que eu?
- Obviamente, Lucy. Pra ser a minha acompanhante temos que estar juntos. – sei que ele revira os olhos ao dizer isso.
- Mas e a mídia? Isso é loucura! Eles irão saber quem sou e vão supor coisas. – parecia que só eu estava enxergando a situação como ela realmente era.
- Eles já estão supondo coisas sobre nós.
- Sim, mas eles não sabem quem eu sou.
- E vão continuar sem saber. Não estaria te chamando se isso fosse te expor de alguma forma.
- Eu acho melhor eu não ir.
- Lucy, por favor. Faz alguns dias que a gente não se vê, e seria uma oportunidade muito boa. É um evento de uma amiga minha, estaremos em casa.
- Você não vai desistir, né?
- Não. – ele disse convicto. – Um motorista vai passar aí daqui 30 minutos.
- Mas já? Não vai dar tempo de me arrumar, Justin.
- Eu sei que não. Ele vai passar aí pra deixar o vestido.
- Vestido? Que vestido?
Justin soltou uma risada.
- Daria tudo pra ver sua carinha dizendo isso. – ele suspirou. – Você vai precisar de um vestido caso não queira ir apenas de lingerie, o que eu iria amar, mas chamaria muito a atenção e tal.
- Justin! – repreendi. Sentindo minhas bochechas corarem. – Eu tenho vestidos aqui. Não preciso que me dê um.
- Não acho que tenha um específico para esse tipo de evento.
Por algum motivo me senti ofendida com o que ele disse.
- Que tipo? De gente famosa? – perguntei com desgosto.
- Não, Lucy. Por que tem que levar as coisas para outro lado? Não é nada disso! – ouvi ele bufar, acho que Justin estava se controlando muito para não perder a paciência comigo. – Quando o vestido chegar aí você vai entender.
- E se eu não aceitar?
- Isso não é uma discussão. Ele chega aí em 25 minutos.
Bufo.
- Nos vemos mais tarde!
É o que ele diz antes de finalizar a ligação.
Jogo o celular em qualquer canto e bufo, cruzando os meus braços. Me sentia uma criança birrenta. Sei que é errado ficar brava por tão pouco, mas detesto quando ele age assim. No fundo eu sabia que só estava com saudade de tê-lo por perto, saudade de implicar com ele. Ficar essa semana sem o Justin foi estranho, e só quando ouvi sua voz no telefone me dei conta do vazio que ficou durante a semana só por ele não estar por perto. Parecia estranho sentir tanto a falta de alguém assim, mas definitivamente, não é algo que controlo.
Espero os 25 minutos sentada em meu sofá olhando pra um ponto qualquer, quando olho pro relógio, o tempo tinha se esgotado. Dou uma risadinha e pego meu celular, pronta para mandar uma mensagem pro louro dizendo que ele não é tão pontual como eu pensava. Mas sou impedida pela a campainha da porta. Droga de pontualidade!
Caminho até a porta e me deparo com o mesmo segurança que havia me buscado pra ir na festa do Justin, sorrio pra ele. Ele sorri de volta. Só aí percebo que ele segurava uma caixa relativamente grande.
- Posso entrar, senhorita? – rapidamente assinto e dou espaço para que ele possa passar.
Ele passa e fecho a porta.
- Onde posso deixar? – seus olhos me fitam, esperando pela resposta.
- Pode deixar ali. – aponto para a mesa de centro.
Ele rapidamente deixa a caixa ali. Agradeço e logo ele vai embora.
Encaro a caixa por alguns segundos, ainda de pé perto da porta. Que vestido caberia em uma caixa tão grande? E que tipo de vestido era esse?
Me sento no sofá e puxo um pouco a caixa para perto, a mantendo sobre a mesinha. Tiro a tampa aos poucos, vendo que o tecido era tampado por um papel fino branco, lembrava seda.
O medo de odiar o vestido me domina, como Justin saberia o meu gosto?
Levanto o papel e de cara pude ver um tecido vermelho dobrado. Dou algumas piscadas frenéticas na medida em que tiro o vestido da caixa, aos poucos. Arregalo meus olhos quando estico meus braços o mais longe de meu rosto, para que pudesse encará-lo melhor.
Ele tinha um decote coração, tomara que caía. Era de um tecido que lembrava muito algodão. Não sabia como ele ficaria em meu corpo, mas estava torcendo para que ficasse perfeito.
O coloco na caixa novamente, pegando meu celular, havia uma mensagem do louro:
Louro:
Me diz o que achou do vestido?
Você:
Eu amei!
Meu sorriso se abre quando mando essa mensagem, eu realmente tinha amado.
Louro:
Sabia que ia amar! Esteja pronta às 21h00.
Concordo e vou até meu quarto, levando o vestido comigo.
(...)
Falo com a Jen rapidamente sobre o evento, nem tive tempo de dizer que eu e o Justin havíamos transado. Gostaria de dizer isso pra ela com calma, coisa que nenhuma de nós duas estávamos tendo. Jen estava a todo vapor com sua nova grife, já havia pego o lugar onde abriria a loja e já tinha mandado confeccionar todas as roupas que ela havia desenhado, todas eram incrivelmente lindas.
Saio do banheiro com a toalha enrolada no corpo, e com uma toalha enrolada em minha cabeça. Calmamente escolho uma lingerie e largo a toalha, vendo ela deslizar calmamente pelo meu corpo. Coloco a lingerie e paro em frente ao espelho.
Seco meu cabelo rapidamente, nessas horas me sentia aliviada por ter pouco cabelo. Depois dele estar totalmente seco, faço uma trança embutida de lado. Era um dos poucos penteados que eu sabia fazer. O resultado fica bom!
Me sento em frente ao espelho e faço uma make, era a única que eu sabia fazer além da que eu usava sempre.
Os olhos ficam levemente marcados, termino passando um batom vermelho, que pra mim não tem erro e deixa qualquer maquiagem incrível!
Ao terminar pego o vestido, abro bem ele e encaixo os meus pés, subindo com calma. Quando vejo que ele se encaixa em meu corpo perfeitamente subo o zíper que estava discretamente na lateral, facilitando o meu acesso.
Olho o resultado no espelho me surpreendendo.
Ele era justo e marcava bem meu quadril, minha b***a e minha cintura. No joelho ele abria, dando a impressão que eu era mais alta. Pego o salto preto de sola vermelha, essa era a oportunidade perfeita para usar esse sapato. O coloco e sorrio com o resultado.
Pego uma pequena carteira de mão, colocando meus documentos e o celular. Apago as luzes e saio dali. Fecho o apartamento e desço, eram 21h00 em ponto, Justin provavelmente já estaria lá embaixo.
Quando as portas de aço se abrem, vejo o louro do lado de fora, encostado em uma Lamborghini preta, mas essa não era do tipo esportiva com a qual eu estava acostumada. Ela lembrava muito uma SUV.
Saio do prédio mas ele não me nota, estava concentrado no próprio celular. Sei que ele me manda mensagens, sinto o meu celular vibrando na medida em que ando. Os saltos fazem um barulho um pouco irritante, me fazendo questionar se ele ainda não tinha ouvido.
O louro ergue a cabeça, e a primeira coisa que ele vê sou eu. Não sei definir a sua reação, sua feição é indecifrável, mas vejo quando seus olhos se arregalam. Jen estaria orgulhosa se me visse agora.
Quando paro em sua frente vejo que ele está com a boca levemente aberta enquanto ainda parece hipnotizado, ou algo do tipo. Sorrio, e parece que isso basta para que ele acorde do seu transe.
- Você está maravilhosa! – é o que ele diz.
O observando com calma vejo que ele usa um terno cinza escuro, e o cabelo estava penteado para trás. Ele estava formal e sexy. Vi que ele tinha um relógio no pulso, que devia valer mais que o meu apartamento.
- Muito obrigada! – sorrio abertamente. – Você está sexy. – digo próxima a ele.
O louro sorri e n**a com a cabeça.
- Não me faça abandonar a merda dessa festa e passar o resto da noite com você. – ele riu e segurou em minha cintura.
- Confesso que eu gostaria muito que você desistisse dessa festa. – dou um selinho leve nele, passando o dedo indicador levemente em seus lábios, tirando qualquer resquício de batom que eu tenha deixado ali.
- Se não fosse importante eu realmente deixaria isso de lado. Mas é bom que eu esteja nesse evento, pra limpar minha imagem.
Assinto e engulo seco. Justin abre a porta de trás e me dá espaço para que eu possa entrar, entro e dou espaço para que ele possa se sentar.
Assim que se senta ele segura em minha mão, e não demoramos muito pra sair dali.
O caminho não é longo. Mas sinto meu estômago revirar quando vejo do que se tratava o tal evento. Como eu não juntei as peças? Estava tão óbvio. Por um momento tinha me esquecido completamente de que esse baile de gala era hoje. Será que é tarde para dar meia volta e ir embora?
O nome da People brilhava em um enorme telão, haviam vários fotógrafos e pessoas muito bem vestidas. Minhas mãos começam a suar, e começo a ficar nervosa ali, não queria estar no mesmo lugar que Emily e Justin.
- Ei? – Justin diz me tirando de um transe. – Eu vou entrar por aqui, meu motorista vai te levar até a entrada dos fundos. Estarei te aguardando lá dentro.
Engulo seco e apenas assinto. Não conseguiria dizer uma palavra agora.
O carro para, Justin me olha preocupado, ele sabe que tem algo de errado, mas não pode perguntar agora, já que precisa sair do carro antes que os fotógrafos venham até aqui. Se eles viessem, Justin não conseguiria abrir a porta sem que eles me vissem. O louro dá um beijo rápido em minha testa e sai do carro. Respiro fundo algumas vezes, vendo todos os flashes serem direcionados ao Justin enquanto ele caminha pelo enorme tapete vermelho, subindo uma escadaria, vejo algumas pessoas o cercando, mas logo os perco de vista. O carro anda um pouco e entra num beco, o motorista para em frente a uma pequena porta.
- É ali, senhorita. – ele diz.
Agradeço e saio do carro, ajeitando meu vestido. Eu realmente não quero mais estar aqui. Talvez se eu tiver sorte nem veja a Emily, afinal o evento é gigantesco, e ela é a anfitriã. Provavelmente estará muito ocupada essa noite.
Abro a porta sem esforço algum e entro no local m*l iluminado, subo a escada que tem logo em minha frente dando um suspiro em cada passo que dou. Ao terminar a escada me deparo com outra porta, a abro vendo um ambiente bem iluminado. Era um corredor, alguns garçons passavam ali com bandejas que continham algumas taças de champanhe. Um deles para e me olha.
- A festa é para lá, senhorita. – ele diz educado. Pelo jeito esse lugar era proibido para convidados.
Assinto. Ele me acompanha até o salão principal. Me deparo com um lugar cheio, mas era bem espaçoso. Uma música tocava suavemente de fundo, deixando o lugar agradável. Vasculho o lugar com os olhos a procura do Justin, me sentia totalmente perdida ali.
Um garçom passa ao meu lado, me apresso a pegar uma taça. Bebo o líquido de uma vez só, precisava beber um pouco pra aguentar essa noite.
- Acho melhor ir com calma. – ele sussurra em meu ouvido, me causando arrepios. Sua mão está apoiada em minhas costas.
- Demorei? – é o que ele pergunta assim que para ao meu lado.
- Não.
Justin tem um semblante tranquilo, não era como se ele detestasse esse lugar, parecia que ele se sentia até um pouco em casa. Andamos um pouco pelo salão, Justin mantém a mão em minhas costas enquanto me guia pelas pessoas. Alguns olhares curiosos são direcionados a nós, e pela primeira vez isso não me incomoda. Estava preocupada demais com outra coisa.
Vejo rostos conhecidos por ali, haviam muitas pessoas famosas.
Justin cumprimenta alguns, mas é algo breve, ele não chega nem a parar. Até uma voz soar atrás de nós.
- Justin, que bom que veio!
Engulo seco várias vezes com uma esperança i****a de que meu ato me faça sumir daqui agora, o que obviamente, não acontece. Vejo Justin se virar em direção a pessoa, e aos poucos me viro também. De início ela me olha surpresa, talvez não imaginasse que fôssemos tão próximos a ponto dele me trazer aqui, depois seu olhar muda pra algo mais brutal. Era como se ela odiasse a ideia de eu estar aqui, e se for mesmo isso, ela não é a única.
- Emily! – Justin tira a mão de mim e dá um leve abraço nela, me fazendo revirar os olhos.
Quando ele se afasta dela, ela me olha com a sobrancelha arqueada. Sustento meu olhar sobre ela, não esboçando reação alguma.
- Emily, essa é a Lucy. – ele aponta pra mim com um sorriso largo no rosto.
Emily sorri, e não consigo colocar em palavras o quanto isso me assusta. Conheço os seus sorrisos para saber que esse de longe é um dos bons, penso que o Justin não a conhece o bastante para saber que esse sorriso é mais preocupante do que parece, já que ele se mantém sorrindo, como se nada estivesse acontecendo aqui. Quando na verdade ela estaria me xingando horrores se estivéssemos sozinhas. Emily sustenta o maldito sorriso por tanto tempo que a antipática parece eu.
- Acho que já nos conhecemos. – ela diz.
Por alguns segundos até me esqueço como se respira. Que merda de jogo é esse?
- Acho que não. – me esforço para não permitir que minha voz falhe.
Justin intercala seu olhar entre nós duas, visivelmente confuso com a situação. O seu sorriso já não estava mais ali, o que me deixou preocupada.
- O seu rosto não me é estranho. – ela permanece com o joguinho i****a. Sei que ela faz isso pra me intimidar de alguma forma, Emily não seria louca de revelar que me conhece, e que me contratou para fazer a matéria sobre o Justin.
Mas ainda assim me sinto nervosa. Engulo seco a olhando fixamente, tentando encontrar qualquer brecha para me livrar dessa situação.
- Devo estar te confundindo com alguém. – ela completa e sorri de um jeito meigo. Céus, o que ela está planejando? – É um prazer te conhecer, Lucy.
Sinto um tom leve de ironia na última frase, mas ignoro.
- O prazer é meu! – dou um sorriso leve.
Justin é chamado por um dos caras bem vestidos, ele se afasta um pouco para falar com o rapaz. Mantenho meus olhos nele, na medida que me desespero por estar sozinha com a Emily.
- Eu realmente não sei o que você fez pra ele te trazer aqui. – ela comenta. A olho, vendo que agora ela segura uma taça de champanhe e bebe um gole, me olhando com curiosidade.
- Não fiz nada. – dou de ombros e cruzo meus braços.
- Por algum motivo você é importante pra ele. – ela diz de uma forma fria. – Mas não acho que vá continuar caso ele saiba de toda a verdade. – ela sorri, de uma forma um tanto diabólica.
- Do que v-você está falando? – chego a gaguejar um pouco.
Ela abre um sorriso ainda maior.
- Ah, Lucy. Não entra no meu caminho. – logo ela troca o sorriso pra algo mais normal. – Foi bom te conhecer, querida. Aproveite a festa. – ela diz calmamente e vira as costas pra mim, indo falar com outras pessoas.
Franzo o cenho, confusa com o seu comportamento. Mas logo entendo o porquê.
- Agora minha atenção é toda sua. – Justin diz atrás de mim.
Por isso Emily tinha mudado o comportamento tão drasticamente.
Tento sorrir, mas o que sai é mais uma careta.
- Você está estranha, está tudo bem?
Assinto. Justin ainda me encara preocupado.
Voltamos a andar pela festa, às vezes ele parava pra falar com alguém. Quando um garçom passou por mim, peguei outra taça e novamente bebi tudo de uma vez.
Apesar de ser um péssimo momento sinto que não posso mas adiar, preciso dizer a verdade. Se ele tem que saber, melhor que saiba por mim.
- Lucy, você realmente está bem? – ele pergunta.
- Preciso falar com você. – dou um longo suspiro e o olho de uma forma um tanto desesperada.
- Precisa ser agora? – ele olha em volta, Emily sobe em um palco que tem ali e começa a fazer um discurso sobre o dono da People, ela estava babando o ovo dele. E depois começou a falar sobre como foram esses 10 anos de revista, de como eles se reinventaram conforme o tempo passou e toda essa baboseira.
- Sim, Justin. Precisa muito ser agora. – digo, mais nervosa do que gostaria.
Trocamos um olhar estranho durante alguns segundos e quando ele assentiu, concordando em ouvir o que eu tinha pra dizer, a voz da Emily nos interrompe.
- Um grande amigo meu finalmente veio em uma de minhas festas, a voz dele é uma das mais encantadoras que já ouvi em toda a minha vida, seria errado da minha parte não convidá-lo para cantar para nós essa noite. – desviei meus olhos do louro, olhando na direção em que ela estava, vendo que seu olhar queimava em mim. Ela estava fazendo de propósito! Emily sabia que eu estava prestes a dizer algo.
- Justin, você pode subir aqui? – ela perguntou sorridente. Todos os olhares vieram para ele em questão de segundos.
Justin deu um sorriso fraco e assentiu.
- Vou cantar só uma e aí conversamos. – ele diz baixo e sai de perto de mim. Me deixando completamente nervosa.
Não teríamos outra chance, sei disso quando olho para a Emily novamente. Vejo ela entregar um microfone pra ele e descer do palco, no momento em que seus pés chegam ao chão sei que ela vai vir até mim. Emily começa a andar em minha direção, fazendo todos abrirem caminho para que ela pudesse passar, ninguém nota o quão séria ela está, estão ocupados demais esperando pelo pequeno show do Justin.
Ela para ao meu lado e se vira em direção ao palco, olhando fixamente para onde Justin está. Observo cada movimento seu por canto de olho, vendo que ela cruza os braços.
- Ele é muito bom, não é? – ela fala sorridente. Justin nos olha de onde está, por isso ela mantém o teatro. Coisa que eu não consigo. Sou repórter, não atriz.
Quando ele começa a cantar se distrai, e acaba desviando seus olhos de onde a gente estava. Era tudo o que a Emily queria.
- Eu não sei o que você estava pensando em falar pra ele, posso supor, mas seria muito injusto acusar sem provas, não é? – a olho, vendo que seu sorriso está intacto.
Escolho não dizer nada, ela sabia, e eu não ia negar.
- Se o Justin souber de algo e eu sequer desconfiar que você faz parte disso eu juro que acabo com você. A multa definitivamente não é o seu maior problema, Lucy. – seu tom é calmo, o que me desespera ainda mais. Ela ainda sorri quando me olha brevemente. – Espero que eu tenha sido clara.
- Como água. – engulo seco. Vendo ela se afastar aos poucos. Solto o ar e n**o com a cabeça algumas vezes, só queria sumir desse lugar, sumir daqui.
Pelo resto da noite Emily tratou de manter o Justin ocupado o bastante para não ficar sozinho comigo. Ela quis apresentar ele para várias pessoas, e o fez perder um longo tempo conversando com algumas delas.
Ela tinha ganhado, mais uma vez!
Estávamos no carro, Justin batucava algo em sua coxa, enquanto eu mantinha minha cabeça encostada no vidro da janela. Queria esquecer a merda dessa noite!
- Você não foi com a cara da Emily, não é? – ele perguntou baixo.
Suspiro e penso na melhor resposta.
- Nada contra. – dou de ombros.
- E nem a favor. – ele disse divertido. Era pra ser uma piada, mas eu não ri. Continuei intacta na mesma posição, sem esboçar reação alguma. – Você queria falar comigo, sobre o que era? – sinto sua mão tocar a minha, ele a pega e entrelaça nossos dedos.
- Não era nada de mais. – o olho e sorrio, da melhor forma que posso.
- Tem certeza? Parecia ser sério. – ele franze o cenho.
- Sim, tenho. – concordo com a cabeça. – Só não estava me sentindo confortável naquele lugar.
- Por causa da Emily? – ele me olha atento, enquanto acaricia minha mão com o polegar.
- Por causa das pessoas em modo geral. Aquele não é meu lugar. – digo a primeira coisa que vem em minha mente.
- O que te faz pensar isso, Lucy?
- Não sei. – dou de ombros.
- Seu lugar é perto de mim. – sinto ele beijar a minha mão. – Quando se sentir desconfortável quero que me diga, não vou te forçar a estar em um lugar no qual não se sente bem.
- Obrigada por entender. – rio fraco, me aproximando dele o selando.
- Posso dormir com você hoje? – ele pergunta baixo.
A primeira resposta que vem em mente é um sonoro não. Precisava pensar em todas as palavras da Emily. Mas por outro lado o queria por perto, sentia que nosso tempo estava se esgotando. Apesar da sensação soar estranha, ela parecia mais real do que eu gostaria.
Assinto como resposta, ganhando um sorriso do Justin.
O percurso até meu prédio não dura muito, subimos em um completo silêncio, abro meu apartamento. E o deixo passar.
- Como vai dormir com essa roupa? – questiono assim que fecho a porta atrás de mim.
- Posso dormir de cueca, baby. – ele deu um sorriso malicioso e caminhou até mim, me beijando com uma certa urgência.
Agarrei seu pescoço e me deixei levar pelo momento, nos afastamos quando o ar faltou.
- Queria muito assistir um filme. – ele propôs enquanto estava com a testa colada na minha.
- Acho uma boa. – sorri.
Sabia que dormir estava totalmente fora de cogitação pra mim, meus pensamentos não deixariam eu apagar tão cedo. – Vou tirar esse vestido antes.
Ele assentiu e me soltou.
Fui em direção ao corredor.
- Nós vamos assistir o filme mesmo, né? – pergunto sorridente o olhando brevemente.
- Não posso responder pelos os meus atos. – ele afrouxa a gravata.
Gargalho, ele não ia deixar eu assistir esse filme. Rapidamente vou até meu quarto, retiro o vestido com calma e o guardo na caixa novamente. Visto um pijama, mesmo sabendo que ele não estaria em meu corpo daqui alguns minutos.
Tiro toda a maquiagem, lavando o rosto.
- Posso checar meus e-mails pelo seu notebook? – Justin pergunta alto da sala.
- Pode. – o respondo alto.
Seco o rosto, guardo a caixa em meu guarda roupa e saio do quarto, apagando a luz.
- Você já tem ideia do filme que quer assistir? – pergunto distraidamente do corredor.
Não obtenho resposta, ao chegar na sala vejo o louro com o notebook aberto diante de seus olhos, em cima da bancada, sentado em frente a ele.
Justin estava apenas com a camisa social, podia ver suas costas bem definidas de onde eu estava, mas infelizmente não via seu rosto.
Seu silêncio me incomodou, vi que sua respiração não estava normal, e seu corpo parecia estar rígido. Que e-mail ele recebeu pra estar dessa forma?
Me aproximo um pouco vendo que não é o e-mail que está aberto ali, é uma pasta, com fotos...
Paraliso, sinto minha boca secar e a vontade de chorar aparece ali.