Chaz

2899 Words
Acordo com um barulho estridente, sei que vem do meu celular. Mas me recuso a me mover para pará-lo. Estava deitado de bruços em cima de um dos meus braços, com a cabeça enfiada no travesseiro, era uma posição confortável demais para me mover para qualquer coisa. O celular continuava fazendo um verdadeiro escândalo em meu quarto, me convenci de que ele não iria parar, e que eu tinha compromisso. Odiava fazer qualquer coisa antes das 10h00 A.M. Bufo alto e me mexo, olhando para o aparelho barulhento que estava bem em cima de meu criado mudo. O pego e vejo o nome de Scooter brilhar ali, atendo: - Fala. – digo impaciente. - Espero que não tenha se esquecido da entrevista que vai fazer daqui 10 minutos. Ótimo! Eu estava encrencado. Não tinha esquecido, só imaginei que ainda fosse cedo. Nunca chegaria lá nesse tempo, nem se corresse muito. A People era longe da minha casa. - Lógico que não me esqueci. – ergo meu corpo rapidamente, e solto uma risada nervosa na medida em que corro pelo quarto. Scooter ri, ele sabe que eu dormi de mais. - Tem mais alguma coisa pra dizer? – questiono. - Não. Boa sorte! – ele finaliza a ligação, me fazendo sentir um alívio. Não ia conseguir me arrumar rapidamente tendo que dar atenção a ele no telefone. Largo o celular em qualquer canto e corro para o meu closet, nessas horas agradeço muito por dormir apenas de cueca, isso facilitaria minha vida agora. Visto uma calça de moletom, uma regata e uma blusa de moletom, nem sabia se estava frio o suficiente para uma roupa dessa, mas eu me sentia bem de moletom. Pego as minhas chaves e desço as escadas, eu sei que devia comer algo antes de ir mas já estava atrasado de mais para piorar a situação. Entro no meu carro e ligo meu rádio, saindo dali. o chegar na People fui metralhado por vários olhares, as pessoas não disfarçavam e isso era irritante as vezes. Bufo assim que as portas metálicas do elevador são abertas, saio dele vendo a secretária de Emily ali. - Bom dia, Sr. Bieber. Emily te aguarda na sala dela. Agradeço apenas com um aceno de cabeça e vou em direção a sala da Emily. Dou uma leve batida na porta, apenas para avisar que estou ali e entro, sem ouvir uma resposta. - Oi, Emily. – digo assim que entro. Ela me olha por cima de seus óculos de leitura e sorri. Me jogo na cadeira bem em sua frente, observando todos os seus movimentos. Ela larga a revista que folheava e a coloca sobre a mesa, tirando o óculos lentamente, o colocando em cima da revista. Vejo quando ela umedece os lábios e ajeita a camisa social que usa, deixando seu colo mais exposto. Emily era uma mulher incrivelmente linda e atraente, isso não tinha como negar. - Está atrasado! – ela diz me tirando de meus devaneios. Só aí reparo que ainda estava olhando para o seu colo fixamente, desvio os olhos para o seu rosto rapidamente torcendo para ela sequer ter notado meu olhar. Vejo que suas bochechas estão um pouco coradas. É, ela tinha notado! - M-me d-desculpe. – me embolo um pouco ao dizer. n**o algumas vezes e dou uma longa suspirada, estava visualmente sem graça. Não costumava ficar assim perto das mulheres por elas notarem meu olhar sobre elas, mas estava tanto tempo sem fazer algo desse tipo que acho que estou perdendo a prática. Quer dizer, Emily é o tipo de mulher que nem em meus melhores sonhos eu me imaginei tendo algo, ela é mais velha, mais experiente. E é verdadeiramente constrangedor demonstrar qualquer interesse por ela, já que eu levaria um fora facilmente. Não que eu quisesse ter algo de fato com ela, mas é uma possibilidade. Nunca descarto uma! - Me desculpe. A noite foi longa, dormi demais. – digo, e me ajeito em minha cadeira. Ela assente enquanto me olha séria. - Eu vi as fotos, esteve em uma festa ontem a noite, não é? – ela apoia seus dois cotovelos na mesa, se inclinando um pouco em minha direção. - Sim. Aniversário de um amigo. – dou de ombros. - Interessante. – ela sorri. - Você soube sobre as matérias que saíram sobre mim na People? Emily ficou pensativa. - Soube quando já estava postada. Sinto muito! – ela disse baixo. Parecia realmente triste com o assunto. - Ninguém te mostrou antes de postar? - Não faz parte do meu departamento. – ela diz séria. Apenas assinto e faço uma careta em negação. - Bom, podemos começar? – ela questiona depois de alguns minutos em silêncio, colocando seu óculos novamente. - Podemos! Emily pega um caderninho e uma caneta. Vejo ela tirar seu celular de alguma gaveta em sua mesa, é o que suponho. Ela coloca o aparelho em cima da mesa. E coloca para gravar. - Justin, você está sendo incansavelmente acusado de agredir uma mulher, o que tem a dizer sobre isso? – ela me olha atenta, enquanto segura firmemente a caneta entre seu dedo indicador e o dedo do meio. Prestes a escrever o que eu irei dizer. - As fotos são claras, eu realmente passei dos limites com aquela mulher. Mas de forma alguma, a agredi. – digo sério. Ela anota tudo e novamente me olha. - Como você mesmo disse, as fotos são claras. Você a segura fortemente, isso pode ser considerado uma agressão. – Emily mantém um ar de seriedade e profissionalismo, ela não estava me acusando ou fazendo suposições. Estava apenas constatando fatos. - Entramos em uma questão interessante, eu não a segurei forte em nenhum momento. – rebato o que é dito. - De acordo com pessoas que presenciaram a cena, você chegou a chacoalhar a moça algumas vezes. Assinto. Me dando conta de que não dava pra ela anotar aquilo, e o gravador não pegaria meu ato. Precisava verbalizar meus pensamentos. - Sim, isso realmente aconteceu. Mas eu posso garantir que não a machuquei, minha intenção de fato não era essa. Ela anota e novamente me olha atenta. - Qual era a sua intenção? – ela coloca seu dedo indicador e o polegar em torno de seu queixo. - Eu não sei. Acho que de início queria assustá-la. – suspiro. – Ela disse coisas absurdas, e eu tentei sair dali para evitar qualquer atrito, principalmente quando notei que minha paciência havia se esgotado. Mas ela me impediu. - Como ela te impediu? – Emily sorriu. Era quase como se me dissesse que era apenas uma garota, era só sair de perto e pronto. - Se colocou em minha frente, e nas vezes que eu tentei desviar ela me seguia. Impedindo que eu passasse. Ela assentiu e logo anotou tudo o que era dito por mim. - Vi que você se negou a dizer o que foi que ela disse, mas preciso te perguntar, o que ela te disse? – seus olhos escuros me encaravam com expectativa. Emily tinha mesmo esperança que eu dissesse a ela, mas eu não diria. Pra ninguém. - Isso realmente não vem ao caso. – dou um sorriso de lado. Ela n**a, me olhando de uma forma um tanto decepcionada. - Justin, isso é importante. Talvez o que ela tenha dito justifique sua atitude. - Independente disso, eu não direi. Isso diz respeito apenas a mim. – apesar de minha frase soar grossa, eu fui bem tranquilo na colocação de minhas palavras. - Tudo bem. – ela se deu por vencida. – Vamos para o próximo tópico. Assinto. Esperando ansiosamente pelo momento que essa tortura vai acabar. Eu realmente odeio entrevistas desse tipo. Lucy P.o.v – Apartamento. 18h00 PM. Passo a palma da minha mão na minha testa sentindo a mesma molhar por conta de meu suor. Abano a mão vendo as gotículas de suor cair no carpete. Solto um longo suspiro assim que me olho no espelho, eu estava em um estado deplorável. Tinha acabado de correr, decidi quebrar meu recorde hoje e foi incrivelmente cansativo e desgastante. Não sei nem como tive forças para voltar até meu apartamento, minhas pernas bambeavam na medida que eu andava, e sentia todo o meu corpo doer. Que merda! Já era pra eu estar acostumada com isso, não era? Parecia que eu tinha voltado a ser sedentária, coisa que não era. Tiro toda a minha roupa. A regata que usava chegava a estar colada em meu corpo, por conta de todo o suor. Ligo o registro deixando a água bem gelada e entro, sentindo todo o meu corpo relaxar no mesmo instante. Não costumava tomar banhos gelados, mas meu corpo estava em combustão, um banho quente não me ajudaria em absolutamente nada. Passo um bom tempo embaixo do chuveiro cantarolando uma música que eu podia jurar que era de Justin, eu ainda não conhecia todas as suas músicas mas já gostava das poucas que conhecia, principalmente de Fall, que ele tinha cantado no bar. Se eu fechar meus olhos consigo me lembrar exatamente de sua voz rouca cantando naquele dia, a sensação é boa. Saio do banho com uma toalha enrolada pelo meu corpo, caminho até meu quarto e rapidamente me visto. Tiro o excesso de água do meu cabelo com a toalha, até poderia secá-lo com secador mas estava com preguiça. Vou até a cozinha e abro minha geladeira, checando se tem algo de interessante pra comer, não acho nada. Pego o meu celular e abro um aplicativo de delivery, estava afim de comer um lanche. Peço um x-salada e aguardo eles confirmarem, quando confirmam eu vou até minhas mensagens checando se não tinha algo novo ali. Não tinha nada. A última mensagem que Justin tinha me mandado ainda estava bem destacada ali, sorrio ao ler ela novamente. Estava com saudade dele, isso é normal? Não é possível que seja. Suspiro e largo o celular ali em cima do balcão, é melhor me distrair. Vou até meu sofá e ligo a tv, estava pensando em assistir uma série nova, entro no catálogo da Netflix a procura de alguma que me interesse, escolho uma e coloco. Me ajeitando melhor no sofá para assistir. O primeiro episódio é bem interessante, mas não é nada que me prenda de fato, passo o tempo inteiro me perguntado se Justin está bem. Quer dizer, eu sabia que ele estava, por conta de sua última mensagem, mas ele não estava em seus melhores momentos e isso me preocupava bastante. Talvez seja só a minha consciência pesando, isso tudo é culpa minha. Ouço alguém bater na porta. Meu lanche chegou! Levanto animada, estava cheia de fome. Praticamente corro até a porta. Nem vejo pelo olho mágico, só abro a porta. Desfaço meu sorriso na hora, assim que encaro a pessoa parada em frente a minha porta. Sem perceber um suspiro escapa de meus lábios, a pessoa até então estava de cabeça baixa, mas foi só ouvir meu suspiro que ela ergueu a cabeça e me olhou. Ok, isso está estranho! - Oi. Eu... Eu meio...- começa a se embolar nas próprias palavras, parando de falar assim que percebe que nada que faça sentido vai sair dali. - O que você está fazendo aqui, Chaz? – o olho um pouco surpresa. – Achei que não quisesse papo comigo. – Até ontem ele não estava respondendo nada do que eu mandava, hoje tinha sido o primeiro dia desde o ocorrido que eu não tinha mandado nada, se soubesse que era tão fácil fazer ele vir aqui, teria deixado de mandar mensagem antes. Ele suspira e me olha sério. Chaz n**a algumas vezes. Ele parecia confuso e perdido no próprio raciocínio. - Eu gosto de você, Lucy. – ele diz baixo. – E precisava conversar com alguém sem ser o Justin. – ele solta de uma vez. – Não que ele não seja bom no que diz, mas você conhece os dois lados. – ele completa. Algo me dizia que Chaz estava aqui porque queria saber o que a Jen estava fazendo, posso sentir isso. Mas espero que seja apenas uma paranoia da minha cabeça, seria extremamente r**m se ele tivesse vindo aqui apenas para isso. Abro espaço para que ele possa passar, ele passa sem pestanejar. Chaz observa meu apartamento em silêncio, até parecia que não tinha vindo aqui antes. - Fique à vontade. – é o que digo. Ele rapidamente se senta em meu sofá, faço o mesmo. Ele olha para a minha tv vendo a serie em pause. - Você também assiste essa série? – ele solta animado. Não respondo, sei que se trata de uma pergunta retórica. – Ela é muito boa! - Bom, ainda estou achando ela ok. – digo sincera. Ele ri, me fazendo rir também. Quando nossas risadas cessam ele me olha sério, sinto que é agora que vem as perguntas sobre a Jen. - Como ela está? – sim, é isso que ele pergunta. Isso soa tão patético pra mim, Chaz sabia que ela estava “bem”, era o que ela estava decidida a mostrar em todas as redes sociais possíveis, e bom, Jen era ótima nisso. - Você sabe, ela está bem. – digo simples dando de ombros. Ele abaixa a cabeça por um breve momento mas logo volta seus olhos para mim. - Ela está saindo com outras pessoas? Ok. O que o Chaz estava tentando fazer aqui? Se torturar? Porque se for, ele vai conseguir com perfeição. - Olha, Chaz. Eu gosto muito de você, e sinceramente, não acho que essa informação seja realmente útil pra ti. Só vai te fazer m*l. – E eu nem sabia se ela estava saindo mesmo com alguém ou não. Posso ver seus olhos lacrimejarem, isso parte meu coração. - Eu sou um completo i****a, não é? – sua voz sai carregada de tristeza. Ele realmente estava péssimo, como Justin tinha dito. – Ela foi embora porque quis, não está comigo porque quis. E eu aqui no apartamento da melhor amiga dela perguntando se ela está com outro, quando eu sei que está. Eu vi as fotos ontem à noite. Ela está bem, e eu tô na merda. Mas o que esperar? Ela foi bem clara quando disse que não estava nem ai pra mim. – ele solta uma risada amarga. Apesar de seus olhos estarem cheios de lágrimas ele não solta uma sequer. Nego algumas vezes tentando me localizar e entender o que está acontecendo aqui. Eu gosto muito dos dois e isso torna minha situação delicada, porque não posso mesmo dizer o que penso sobre isso. Talvez se ele estivesse falando de outra pessoa, qualquer uma que não seja a Jen, eu diria que a garota é uma babaca e que ele tem que sair dessa. Mas quando se trata de sua melhor amiga o que você diz? Eu ainda acho que a atitude dela foi babaca, mas mesmo não entendendo o porquê dela ter optado pelo pior, eu sei que foi a melhor forma que ela encontrou de lidar com a situação. Pode não ser a melhor pro resto do mundo, mas pra ela era. - Antes de tudo, você não é um i****a. – digo séria segurando na mão dele, ele segura a minha também a apertando. – Jen fez escolhas, Chaz. E a única coisa que você pode fazer é aceitar, não podemos obrigar ninguém a ficar em nossas vidas, por mais que a gente queira muito. – faço uma pausa, vendo ele fungar. Estava se controlando muito para não cair em lágrimas na minha frente. – Você tem que seguir sua vida agora, Jen está vivendo a dela, conhecendo pessoas novas. E você precisa fazer o mesmo! Precisa urgentemente parar de ficar indo atrás do que ela está fazendo, isso só vai te deixar pior. Você merece ser feliz, e precisa correr atrás disso agora, por você! Ninguém mais pode te ajudar nisso. O abraço, sentindo ele retribuir, me apertando fortemente em seus braços. Sinto algo molhando o meu ombro, sei que são lágrimas. Começo a pensar que Chaz bebeu um pouco antes de vir aqui, seu comportamento não é normal. Por mais que ele esteja vulnerável, não consigo acreditar que um Chaz sóbrio viria até aqui. - Minha vida seria mais fácil se eu tivesse me apaixonado por você! – ele diz perto do meu ouvido. Não diga isso, Chaz! Não me faça parecer uma santa quando na verdade não sou. - Não seria não, mulheres são complicadas. – eu digo, ouvindo sua risada. Depois de um tempo Chaz me solta. Ficamos conversando um pouco, e depois ele acabou caindo no sono, deixando a minha suspeita ainda mais viva, ele devia mesmo ter bebido. O ajeito em meu pequeno sofá, não sabia se estava confortável o suficiente mas fiz o melhor que pude. O meu lanche tinha chego fazia alguns minutos, estava sentada na bancada comendo enquanto digitava uma mensagem pro Justin. Chaz está aqui em casa. É a única coisa que escrevo, aperto em enviar. Achava que Justin tinha que saber onde ele estava. Depois de acabar com todo o meu lanche, jogo a embalagem de isopor no lixo e ajeito toda a minha bagunça. Olho para o relógio bem em cima de minha cabeça vendo que já tinha passado das dez da noite, meu corpo estava gritando por cama.
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