Parque de Diversões

4997 Words
Soltei o meu cinto e sai do carro sendo acompanhada por ele. Tinha um parque de diversões por ali há anos, e eu nunca tinha vindo. A roda gigante era o destaque, já que ela era incrivelmente grande e iluminada. - Vamos? – despertei de meus pensamentos com a voz do Justin. O acompanhei e fiquei feliz em ver que ele estava indo em direção ao parque, eu realmente estava curiosa para ver isso de perto. Era tudo tão bonito, e como já havia escurecido as luzes dos brinquedos tinha um destaque a mais. Justin parecia tão animado quanto eu, a verdade é que somos duas crianças em corpos de adultos. O parque não estava cheio, mas tinha gente o suficiente para avisar algum paparazzi que Justin estava aqui, ou até mesmo tirar fotos. - Estar aqui não é r**m pra você? – perguntei próxima a seu ouvido. - Não. Por que seria? – ele me olhou sério. - Tem muita gente. – o olhei preocupada. - Ah, não. Tá tudo bem. Eu trouxe seguranças. – ele deu de ombros. Indicando os seguranças, eles estavam vestidos como pessoas normais, por isso não havia notado. Estavam próximos de nós dois, na verdade, nos cercando. Mas nada que fosse realmente óbvio, mas impediria que alguém se aproximasse mais do que o desejado. Eu ainda olhava para tudo de uma forma meio abobada. Não conseguia acreditar em como esse lugar era lindo. - Pelo visto você gostou da minha ideia. – ele comentou. Me permiti o olhar, e ele estava tão radiante, seu sorriso estava enorme e as luzes dos brinquedos iluminava seu rosto de uma forma que conseguia o deixar ainda mais lindo. Sem contar os seus olhos castanhos, que nesse momento conseguiam estar numa cor ainda mais linda que o normal. - Eu amei! Nunca tinha vindo aqui antes. – respondi com um sorriso grande. Eu estava mesmo feliz. - Você não sabe mesmo se divertir. – ele me empurrou com seu ombro. – Ainda bem que apareci em sua vida. - i****a! – o empurrei de volta, mantendo um sorriso no rosto. - i****a bom ou r**m? – ele me olhou de soslaio. E nesse momento eu entendi. Tinha mesmo dois tipos de idiotas, e ele estava longe de ser o r**m. - Definitivamente o bom! Ele piscou pra mim e me puxou em direção a um brinquedo. Era o carrinho de bate-bate. Me perguntei se eu tinha idade para brincar naquilo, mas era tarde demais para recusar já que éramos os próximos a entrar. Um garotinho que estava na fila, atrás de nós, puxou o Justin pela barra da camisa. Ele deveria ter por volta de uns 5 anos. Eu e o Justin desviamos os nossos olhos para ele. - Justin, pode tirar uma foto comigo? – ele falou tudo de um jeitinho tão fofo. Justin sorriu e concordou de imediato. Ele se abaixou e pegou o menino nos braços, se virando totalmente para a mãe, que já estava com seu celular pronto para tirar uma foto. Ela tirou a foto e agradeceu o Justin. - Toca aqui! – Justin disse pro garoto assim que o colocou no chão. Levantando a palma de sua mão para que ele batesse, ele bateu e sorriu. O garoto era uma fofura. Era a nossa vez. Justin acenou para a mãe e entrou, permitindo que eu o seguisse. Optei em pegar um carrinho vermelho, que estava no canto. Justin foi logo em um roxo, que estava bem no meio da pista. Ele ia ser o alvo de todos os outros. Assim que todos os carrinhos foram ocupados um sino um tanto alto foi tocado, indicando que o brinquedo estava ligado. Acelerei o meu já perdendo o controle quando alguém bateu em minha traseira me fazendo girar um pouco. Me ajeitei novamente, mas assim que arrumei meu carro senti um novo impacto, olhei para ver quem tinha sido e era o Justin. Seu sorriso estava enorme, e eu só conseguia me perguntar como ele tinha chego em mim tão rápido, já que eu m*l tinha saído do lugar. Mais ele foi atingido também, e seu corpo foi para a frente com o impacto. Gargalhei quando vi sua careta, por essa ele não esperava. Quando ele notou que eu ria de sua situação uma guerra de iniciou. Tentei sair dali rápido, mas fui atingida por um outro carro, Justin tentava chegar até mim, mas toda hora era atingido. Cada batida que recebíamos era uma gargalhada soltada por ambos, tinha me esquecido de como esse brinquedo era divertido. Quando o sino soou novamente e os carrinhos pararam, um resquício de tristeza me dominou. Eu queria mesmo brincar mais. Saímos dali com sorrisos radiantes. - Você é uma péssima motorista. m*l saiu do lugar. – ele bagunçou um pouco o meu cabelo com as mãos. Arrumei rapidamente, e só não briguei com ele porque me sentia muito feliz. - Como se você tivesse ido muito longe né. – mostrei a língua pra ele. - Tão adulta. – ele se referiu ao fato de eu ter mostrado a língua. Seu tom foi totalmente sarcástico. Estava tão distraída com o Justin que nem tinha notado os olhares das pessoas em cima da gente, por onde passávamos éramos o centro das atenções. Sem contar, nos vários celulares que estavam sendo apontados em nossa direção. Era uma situação realmente chata e constrangedora. Em um ato automático eu me encolhi e abaixei a minha cabeça, não queria mesmo que o meu rosto saísse em uma dessas fotos. - Me desculpe por isso. – Justin disse baixo. Parecia meio m*l por me fazer passar por isso. Apenas concordei com a cabeça, sendo puxada pelo mesmo até a roda gigante, que eu não iria de jeito nenhum. - Eu não vou nisso. – me soltei dele e observei melhor o enorme brinquedo, que era extremamente alto de perto. Mais do que eu imaginava. Justin me observava com um sorriso divertido nos lábios, seus braços estavam cruzados. - É sério que você está com medo? - Quem disse que é medo? – meu semblante era sério. – Só não vou me arriscar nesse brinquedo, vai que acontece algo. - Traduzindo, medo. - Não é medo! – disse um pouco alto. Odiava a forma como ele estava me olhando, era como se eu fosse uma criança medrosa. O que não é verdade! Talvez eu tenha um certo problema com altura, mas não é nada muito exagerado. - Então me prova! Vamos comigo. – ele esticou uma de suas mãos para mim. Olhei para a mão dele por um instante, e desviei meus olhos para a roda gigante, ela era muito alta e me dava pânico. Ok, Justin não precisa saber disso. Mas também não preciso provar nada para ele. - Eu realmente não quero. Vou optar por minha segurança. – cruzei meus braços. Ele tinha uma mania irritante de achar que toda a situação estava sobre o seu controle, e pior, era assim mesmo que as coisas funcionavam. Não sabia como, mas ele conseguia manipular toda uma situação para que tudo corresse conforme ele queria. - Podemos fazer um trato. – ele disse animado. - Sem tratos! – respondi convicta. - E se eu te propor algo legal? Do tipo, se você subir ali comigo eu te dou o que quiser. – seu sorriso era sugestivo. Por que raios ele estava achando que tinha algo que eu realmente queria e que ele poderia me dar? Justin era tão iludido ás vezes. - Eu não quero nada. – abri um sorriso de satisfação ao dizer isso. Mas seu sorriso não tinha sumido de seu rosto. A situação ainda não tinha fugido do seu controle, e isso só me dava vontade de socar aquele rosto até esse sorriso maldito sair dali. - Lucy, você não pode me deixar ir sozinho. Viemos aqui para nos divertir juntos, se lembra? - Sim, mas não somos gêmeos siameses. Você pode ir sem mim! - Poder, eu posso. Mas não quero. – Justin se aproximou de mim ficando a poucos centímetros de distância, por um momento até me esqueci como se respirava. Justin tinha um efeito bizarro no sexo feminino, ou talvez fosse só comigo. Num ato automático me afastei dele, não gostava desse efeito que o louro causava em mim, odiava me sentir tão vulnerável. E ele sabia a forma como me sentia, e abusava disso. Justin foi rápido em segurar em meu pulso e me levar em direção a fila do brinquedo, ele sabia, essa ele tinha ganho! Eu achei melhor não contestar, tinha medo de abrir a boca e falar alguma baboseira, estava totalmente desconcertada depois de sua súbita aproximação. Enquanto a nossa vez se aproximava eu só conseguia criar maneiras em minha cabeça de fugir dali, eu tenho pavor de altura e só de imaginar que daqui há alguns minutos estarei à mais de 20 metros do chão um desespero toma conta do meu ser. Só queria sumir desse lugar! O meu pânico era nítido, sentia até o olhar de pena de algumas pessoas para mim, eu estava soando frio e a minha feição deveria deixar claro que eu não queria de forma alguma estar ali. Por um momento Justin me olhou, achei que ele fosse ter um pouco de consideração e desistir da ideia i****a de me fazer ir nesse brinquedo, mas não. - É só não olhar para baixo. – seu tom era sério. E senti vontade de esganá-lo naquele momento. As pessoas sempre acham que a melhor solução pra quem tem medo de altura é simplesmente não olhar para baixo, mas para mim é simplesmente não ir em brinquedo algum que envolva altura. Muito simples! Quando nossa vez chegou, Justin caminhou em direção aos bancos com um sorriso enorme em seu rosto, não conseguia entender o que ele via de tão divertido nisso. Me sentei ao lado dele, vendo o mesmo puxar uma barra de ferro que estava acima de nós, a travando bem na altura de nossa cintura. Olhei para aquela barra e me perguntei mentalmente se eles achavam mesmo que isso iria impedir que alguém caísse de lá de cima caso dê alguma merda. Porque sinceramente, se eles acham isso, estão enganados. Essa merda só evita que meu corpo vá para frente, mas tanta coisa pode acontecer, meu corpo ser impulsionado para frente é o menor dos meus problemas. Quando o brinquedo foi ligado e começou a subir, o meu desespero que já não era pouca coisa, piorou de vez. Segurei na barra de ferro e a apertei com toda a força vendo as pontas dos meus dedos ficarem cada vez mais brancas, pela força que eu estava usando ali. Em poucos minutos nós estávamos numa altura bem considerável e eu só conseguia pensar em não olhar para baixo, eu não podia ter noção da altura que eu estava. Talvez passar por tudo isso com os olhos fechados seria uma boa, afinal dizem que o que os olhos não veem, o coração não sente. Fechei os meus olhos, e a sensação ainda era uma das piores, porque agora eu conseguia sentir o banco em que eu estava sentada balançando, não era nada exagerado, mas pra quem está tendo um leve ataque de pânico isso é praticamente uma tortura. Com os olhos abertos era r**m, com os olhos fechados também. Resumindo, estou vivendo um dos meus piores pesadelos graças a esse louro filho da mãe que está sentado ao meu lado. - Não acredito que está perdendo a melhor parte! – a voz do louro soou. A “melhor parte” que ele se referia é provavelmente aquele momento que a roda gigante para no topo, e pra mim essa é de longe a melhor parte. Sou mais fã daquela parte que a gente desce daqui e volta pro nosso habitat natural, o chão. - Não estou perdendo nada. – permaneci com os olhos fechados. - Como sabe se não está vendo? - Tem coisas que não precisam ser vistas. - Lucy, qual é! Abre esses olhos. - Nem que você me pague. - Por que você não me disse que estava com medo? - Porque você já sabia. - É verdade! - Por que me fez subir então? - Não teria feito se não achasse que essa vista merece ser admirada. - Justin, eu estou apavorada. Por favor, vamos descer? Senti ele ficar mais próximo de mim, e do nada senti sua mão quente segurar a minha, que estava extremamente gelada. Foi quase um choque térmico. E nesse momento tinha algo que me assustava mais do que a maldita altura, e se tratava dessa aproximação do Justin, não conseguia entender porque eu me sentia tão nervosa próxima dele. - Eu prometo que descemos, só abra um pouco os seus olhos. – ele disse bem próximo ao meu ouvido. Senti meu coração disparar, eu espero que Justin não consiga ouvir isso, porque ele esta bem barulhento. Com muita calma abri os meus olhos, por um momento mantive minha visão fixa no céu, não estava preparada para olhar ao meu redor, tinha medo do que isso poderia me causar. Senti um leve aperto na mão em que Justin segurava, ele queria me passar segurança, e por incrível que pareça estava conseguindo. Me permiti olhar ao redor e me surpreendi com o que vi, era realmente lindo. Uma das coisas mais lindas que eu já tinha visto em toda a minha vida. Já estava totalmente escuro, Los Angeles era iluminada por várias luzes, e tudo parecia tão minúsculo.  - É por esse sorriso que te fiz subir aqui, estava louco para te ver sorrindo assim. – o louro comentou e só ai me dei conta de que estava sorrindo abertamente. Eu me sentia feliz ali! Me sentia feliz estando exatamente onde estava. - Obrigada! – o olhei sorrindo. - Disponha. – ele sorriu e soltou a minha mão, e por algum motivo o seu ato me incomodou, senti falta de ter a sua mão na minha. - Agora só falta você assumir que eu estava certo. – ele disse. - Você sabe que não vou fazer isso. - Sim, eu sei. Mas não custa nada tentar. – nós dois rimos. Justin começou a admirar a vista enquanto eu mantive meu olhar nele. Não conseguia entender o porquê dele ser tão legal comigo, quer dizer, por que ele fazia tanta questão de me ver bem? Por que ele queria fazer eu me divertir? Era estranho ter alguém como ele sendo tão legal assim, porque esse não era o Justin que a mídia vendia, esse não era o Justin de que falavam. - Se está pensando em formas de me jogar daqui, eu tenho que te dizer que é uma péssima ideia! – ele disse do nada, me despertando de meus pensamentos. - Do que está falando? - Eu sei que nesse momento você deve estar planejando um jeito de me matar, por eu ter te feito subir aqui. - Sabe que não é uma má ideia. Mas não, não irei te matar por isso, talvez por outro motivo mas não por esse. – soltei uma risada, sendo acompanhada por ele. Que bateu levemente seu ombro no meu. Sem perceber eu continuei o olhando, estava mesmo imersa em meus pensamentos. - Tá legal, no que está pensando? – ele questionou. - Não vou te dizer. - Eu mereço saber o que é, afinal é sobre mim. – ele me olhou. - Não se ilude. – desviei meus olhos. - Não é ilusão, é lógica. Você esta me encarando a séculos, só pode ser sobre mim. Voltei a olhá-lo, eu deveria perguntar? Só ele podia me responder isso. Quer saber, melhor perguntar logo. - Por que você é tão legal comigo? – perguntei de uma vez. - Porque você é legal comigo! Sua resposta soou i****a para mim, eu sabia que não era só por isso. - Justin! - O quê? – ele riu.- Por que isso é tão importante? - Porque sim. - Preciso de uma resposta mais elaborada, porque sim é muito vago. – ele cruzou os braços. - É só que...- parei por um momento e pensei bem no que estava prestes a dizer, e na minha cabeça soou ofensivo demais para ser reproduzido em voz alta. Fechei a minha boca e tentei pensar em um motivo melhor, mas nada me vinha em mente. Eu sentia o olhar do louro queimar em mim, sabia que eu estava a tempo demais calada, e isso não era nada bom. - Só que...? – ele fez um gesto com a mão, como forma de me incentivar a continuar o que estava dizendo. - Nada. – achei que seria o melhor a dizer. – Deixa quieto. - De jeito nenhum! Você começou e agora vai terminar. – ele mantinha seus olhos fixos em mim. Por um momento fechei meus olhos e por impulso disse o que estava pensando. - É só que a mídia te mostra de uma outra forma. – disse rapidamente e ao ver sua feição tratei de tentar consertar o que havia dito. – Desculpe se soou rude. Um sorriso maroto abriu em seus lábios, me deixando confusa. Por que ele estava rindo? - Quer dizer que você anda pesquisando sobre mim? – ele parecia feliz com a descoberta, só não entendia o porquê. - É.. não foi nada de mais, só estava curiosa sobre algumas coisas. – disse meio sem graça. Já podia sentir um certo rubor tomar conta de minhas bochechas, estava sentindo todo o meu rosto queimar, e a forma como ele estava me olhando não ajudava em nada. – Eu não sabia nada sobre você. – completei. - Mas essa é a melhor parte. – ele disse animado. - Qual? – franzi o cenho. - Achei que não se interessasse pela minha vida. – ele passou o braço por cima do meu ombro e me puxou para mais perto. E ali eu entendi tudo, ele estava usando isso para mudar o foco da conversa. - Para de desconversar, Justin. Responda minha pergunta. – o olhei séria, enquanto me soltava de seu abraço. Seus olhos se desviaram de mim no mesmo instante em que o brinquedo parou, a barra que nos prendia foi destravada e Justin rapidamente a puxou para cima saindo dali sem sequer olhar para trás. Por algum motivo ele estava evitando o assunto, o que era confuso para mim, era uma simples pergunta.  Sai do brinquedo e tive que correr um pouco para alcançar o louro, já que o mesmo parecia ter se esquecido de minha presença nos últimos minutos. Quando cheguei ao seu lado ele parou de andar e olhou ao nosso redor, fiquei o observando visivelmente confusa. - Já sei qual vai ser a nossa próxima atração. – ele disse animado e sem me dar chances de formular uma resposta segurou em meu pulso e saiu me levando em uma direção qualquer. Me deixei ser guiada por ele até uma barraca, aquelas típicas barracas de tiro ao alvo. Haviam ao todo três alvos, e a única coisa que precisava ser feita era mirar no centro e acertar, se caso acertássemos os três alvos, ganharíamos um brinde. Que no caso seria um dos diversos ursos de pelúcias que haviam ali. Eles eram enormes e bem bonitos, e eu gostaria muito de ganhar um, mas para isso eu dependia da minha mira, que por sinal é um lixo. Resumindo, não tenho chance alguma. - É essa sua ideia de diversão? – perguntei ao Justin. - Sim. Eu sou muito bom com miras e quero ver se você manda bem nisso. – é, ele queria uma competição. Arqueei a minha sobrancelha. - Então tá. – fiz pouco caso, sabia que ia perder nessa. Justin pareceu animado com a minha resposta. Ele pediu para a moça que cuidava da barraca alguns dardos e pagou. Distribuindo os dardos igualmente para nós dois. - Primeiro as damas. – Justin disse e deu alguns passos para trás, para me dar espaço. - Pode ir primeiro. – dei espaço para ele. Eu precisava que ele fosse primeiro para mim ver exatamente o que ele iria fazer pra fazer igual. - Tem certeza? Não quero que se sinta m*l quando me ver arrasar. – revirei os olhos. - Justin, você é tão mais atraente de boca fechada. - Você me acha atraente? – ele sorriu. Bufei e passei a mão pelo meu rosto, a moça observava nossa conversa em silêncio enquanto dava algumas risadas. Devia ser engraçado pra quem visse. - Só joga isso logo! – disse impaciente e empurrei seu ombro levemente com uma das mãos. O louro sorriu e sem pensar muito jogou o dardo, acertando o centro em cheio. Que merda! Ele era muito bom e eu estava prestes a passar uma tremenda vergonha. Engoli seco quando ele me encarou com aquele maldito sorriso presunçoso, argh! Só deus sabe o quanto odeio esse sorriso. Era como se ele já soubesse que eu não faria melhor que aquilo. Me aproximei da bancada e analisei o alvo, Justin estava parado ao meu lado e me observava atentamente. Arrumei um dos dardos na minha mão direita e impulsionei ela para a frente como se fosse jogar, precisava ter uma ideia se a minha mira estava correta, mas não dava pra saber. Joguei o dardo e pro meu azar ele acertou bem longe do lugar desejado. Ouvi a risadinha do i****a ao meu lado e sai dali dando espaço para que ele pudesse jogar mais uma vez. A humilhação já era previsível, de 3 dardos meus eu errei 2 e só não errei o ultimo porque ainda não tinha jogado. E de 3 do Justin ele acertou os 3. Apesar de ter um dardo sobrando, eu nem tinha interesse em jogar mais. Justin escolheu o urso que queria todo animado, a moça colocou o urso escolhido na bancada, ele era lindo. Justin se aproximou de mim. - Nesse eu vou te ajudar. – ele se posicionou atrás de mim, e segurou o dardo junto comigo. Senti todo o meu corpo ficar em alerta, será que não dava pra me ensinar de longe? Tudo era ainda pior por eu sentir que todos estavam nos observando, tinha um aglomerado de pessoas na nossa volta que estavam observando a nossa brincadeira desde o inicio, e os flashes que não paravam nem por um segundo não facilitavam em nada. - Não precisa. – eu disse e tentei me afastar, mas Justin não permitiu que eu me movesse. - Concentra. – Justin disse próximo ao meu ouvido, e sinceramente, não dava para se concentrar assim. Dei o melhor que pude e olhei bem para o alvo, tentando ao máximo me esquecer de todas aquelas pessoas que estavam ali e do próprio Justin que tinha seu corpo colado ao meu. Junto com o Justin joguei o dardo e o vi acertar o centro em cheio. Justin já não estava mais próximo a mim, e me permiti pular de alegria, estava verdadeiramente feliz por ter conseguido acertar pelo menos um, mesmo que tenha sido por causa do Justin. O louro me observava um pouco distante, com um sorriso nos lábios, enquanto batia palmas de leve. Sem pensar muito o surpreendi com um abraço, nos primeiros segundos ele não soube o que fazer, e seu corpo ficou até um pouco rígido, mas ele logo tratou de passar seus fortes braços pelo meu corpo, retribuindo o abraço da forma mais carinhosa possível, quando nos soltamos me dei conta do que tinha feito e me senti constrangida. Tinha sido por puro impulso. Os seguranças faziam o árduo trabalho de manter as pessoas o mais longe que podiam, mas estava chegando em um nível que eles não estavam mais dando conta, cada vez surgia mais gente e estava ficando perigoso. Justin se despediu da moça da barraca com um abraço, e tirou uma selfie rápida com ela, pegando o urso. – Precisamos ir! – foi o que ele me disse. Me permiti apenas assentir. Esperava que Justin me segurasse pelo pulso como tinha feito durante toda aquelas horas, mas não fez. Ele simplesmente saiu andando entre as pessoas, enquanto os seguranças iam abrindo caminho, fui andando atrás dele tentando ao máximo acompanhar os seus passos, o que era bem difícil. Quando chegamos no carro já não haviam tantas pessoas por perto, entramos no carro e vi os seguranças entrando num carro preto que estava estacionado bem atrás de nós, como eu não tinha reparado neles quando chegamos? Justin colocou o urso em um pequeno espaço que havia atrás dos bancos e colocou o cinto, ele estava sério demais. Coloquei o cinto também e encostei minha cabeça na janela. Estava me sentindo cansada, iria dormir bem rápido essa noite. O percurso foi feito inteiro em silêncio, e dessa vez nem quis ligar o rádio, senti que Justin queria que o silêncio permanecesse, ele estava imerso em seus próprios pensamentos. Quando ele parou em um semáforo, quase perto do meu prédio. Ouvi ele soltar um longo suspiro, quis olhá-lo mas achei melhor manter a minha visão para a rua, parecia mais atrativa. - Eu sou legal com você porque você merece. – a sua voz soou calma e até um pouco baixa. O olhei no mesmo instante, estava visivelmente confusa. - A imprensa falou m*l de mim durante todos esses anos – vi ele apertar o volante. - e eu nunca me preocupei em provar o contrário. Porque eles não mereciam saber. – ele respirou fundo e fechou os olhos por alguns segundos, abrindo novamente. – Eu aprendi que nem todos merecem nosso melhor, e por isso não darei meu melhor a todos. Mas você merece, e é por isso que sou legal com você. É por isso que sempre darei o meu melhor a você, sinto que é reciproco. – ele me olhou, e senti meu mundo desmoronar. Ele não sabia do que estava falando! Ele não fazia ideia do quão errado ele estava! Eu não merecia o seu melhor! O que estou prestes a fazer me faz ser tão suja quanto a imprensa, me faz jogar ainda mais baixo que eles. E de repente me sinto péssima, desvio meus olhos do louro enquanto o vejo voltar a dirigir já que o sinal acabara de abrir. Minha garganta fecha, sinto meus olhos formigarem, e aquela velha sensação de um choro preso na garganta que está prestes a sair me apossa. Me concentro em não chorar, mas o que louro disse se repete em minha cabeça várias vezes. Eu não posso fazer isso com ele, não posso ser tão podre assim. Não posso ser a pessoa que ele confiou cegamente e se decepcionou no final, não quero causar nada de r**m a ele, Justin não merece! Mordo meu lábio com tamanha força que chego a machucá-lo. Eu quero gritar, quero dizer a ele toda a verdade, mas me mantenho em silêncio, como qualquer pessoa covarde faria. E só ai percebo que só tenho duas opções e nenhuma delas me parece boa o suficiente. Eu poderia simplesmente continuar com o plano, ou poderia me afastar dele de vez. E o que o Justin disse se repete mais uma vez em minha cabeça e me decido em poucos segundos, tenho que me afastar. Eu não mereço o Justin, não mereço sua amizade. O carro dele para em frente a meu prédio e tudo em que penso é que não posso olhá-lo nos olhos agora, porque se fizer isso todo o meu auto controle para manter o choro preso vai por água abaixo. Mantenho meus olhos fixos na rua a minha frente, enquanto sinto o olhar do louro queimar em mim, ele espera que eu diga algo, qualquer coisa, mas eu não digo. Não conseguiria dizer. Todos os diálogos que passam pela minha cabeça parecem melancólicos demais, e melancolia nunca foi o meu forte. Olho para a minha porta e estou prestes a abri-la para sair dali, mas sinto sua mão segurar levemente o meu braço esquerdo. Um desespero toma conta de mim e só nesse momento percebo o tanto que eu quero sair daqui o mais depressa possível, o ambiente se torna sufocante e eu não sei até quando vou aguentar. - Você está bem? – sua voz sai baixa, quase como um sussurro. Meu coração se aperta, fecho os meus olhos com força e torno a abri-los. - Sim. – é o que consigo responder sem que minha voz falhe. - Eu disse algo errado? – sua voz parece suplicante. Ele sabe que algo está errado. - Não. Eu preciso ir. – me solto de sua mão sem fazer muito esforço. - Espera! – ele novamente me impede, paraliso. Justin se estica um pouco até alcançar o urso que estava na parte de trás, assim que o pega estica em minha direção. - É seu! – é o que ele diz. E recuso a aceitar, não posso. - Não posso aceitar. - Fique com ele. – ele insiste. – Ganhei especialmente pra você. – engulo seco. Pego o urso e sem olhar para ele abro a porta do carro. - Obrigada pela noite! Boa noite, Justin. Sinto seu olhar perdido sobre mim, ele sabe que tem algo de muito errado, mas não questiona. Saio do carro sem ser impedida dessa vez e a última coisa que ouço antes de bater a porta é: - Boa noite, Lucy. Não sei se ele ainda me olha, me recuso a olhar para trás, não suportaria ter que lidar com seu olhar triste sobre mim. Aperto o urso fortemente em meus braços e sinto meus olhos se encherem de lágrimas. Isso não é apenas um boa noite, Justin. É um adeus. – digo baixo para mim mesma, enquanto em passos rápidos passo pela porta de entrada do meu prédio. A mentira se tornou impossível de ser mantida, e não posso mais lidar com ela.
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