Aniversário

4821 Words
Acordo com o meu querido despertador, levanto com muita preguiça e faço toda a minha higiene matinal. Saio do quarto, e vou até a cozinha, Justin não tinha acordado ainda pelo jeito. Preparo todo o café da manhã, logo o loiro surge ali. Seu cabelo estava todo desarrumado, suas olheiras estavam bem escuras e sua cara estava péssima. - Deixa eu adivinhar, você está de ressaca. – sorrio ao dizer. Diferente do que eu pensava ele não ri, e nem chega a me dar uma resposta, apenas me olha sério e suspira. - E m*l humorado. – completo. Vendo o loiro revirar os olhos e se sentar na bancada. Pego o remédio para dor e um copo d’água, colocando ambos bem em sua frente. Ele rapidamente toma o remédio. Me sirvo e sento ao seu lado, comendo em silêncio. - Não precisava ter feito o café da manhã por minha causa. – ele diz. - E quem disse que foi por sua causa? – franzo o cenho. - Você não costuma tomar café da manhã, Lucy. – ele diz óbvio. - Achei que precisava comer algo. – digo e dou de ombros. - Obrigado! Pelo café, e por ter cuidado de mim. - Só foi uma retribuição. Você fez o mesmo por mim! – pisquei pra ele. Justin se serviu e começou a comer. - Eu vi a entrevista. – digo depois de um longo período em um silêncio constrangedor. O loiro não esboça reação alguma com a minha afirmação, muito pelo contrário, ele mantém sua atenção no que come, parecendo ignorar totalmente o que eu acabo de dizer. Passo alguns segundos o observando, esperando que ele diga algo, qualquer coisa, mas desisto de esperar quando percebo que seu tempo em silêncio é longo demais. Volto os meus olhos ao meu prato e suspiro. - Não deveria ter visto. – Desgosto. Era exatamente o que o tom da sua voz denunciava. - Jen me disse para ligar a tv no canal, fiquei curiosa para saber o que iriam te perguntar. – comentei e dei de ombros. - Falando em Jen, como ela está? – ele me olhou atento. Justin não queria mesmo falar sobre o assunto. - Já esteve melhor. – fui sincera. Vendo ele assentir. – Tudo bem se não quiser falar sobre o fiasco que sua entrevista foi, mas não há como negar que seu porre da noite passada foi por conta disso. – digo de uma vez, ouvindo um longo suspiro do mesmo, como resposta. - Só deu vontade de beber. – ele disse despreocupado. - Você tinha saído dessa fase, se lembra? – ele me olha visivelmente confuso. – De encher a cara. – completo. - O que quer que eu diga? – ele diz um pouco alterado. O olho. Era a primeira vez que via Justin dessa forma, ele parecia incomodado com algo. Me pergunto se talvez a sua confissão da noite passada tenha a ver com isso, quer dizer, ele ficaria mesmo dessa forma porque eu não dei uma resposta sobre ele dizer que gosta de mim? Talvez ele nem se lembre disso, talvez ele só disse em forma de agradecimento por eu estar cuidando dele, talvez isso não tenha a importância que eu estou colocando. Acho que estou ficando um pouco paranoica aqui. Justin tinha milhares de motivos para estar como está; a entrevista, todas as polêmicas, as falsas notícias. Coisas que eram mais importantes do que a falta de uma simples resposta minha. - Não quero que diga nada, só achei que precisasse falar sobre o assunto, as vezes ajuda, falar. Mas o que eu sei, né? Você deve ter uma psicóloga e é com ela que deve falar sobre esses assuntos. Justin bufa e larga seu garfo, estreitando os olhos em minha direção. Vejo quando ele umedece os lábios e passa as mãos pela cabeça. - Eu só quero esquecer de toda essa merda, esquecer da entrevista, de todas as matérias e fotos. - Você se saiu bem ontem. – coloco a mão em seu ombro. – E não importa o que digam, o que importa é que você tem consciência de que não fez nada daquilo por m*l. - Você viu o que o entrevistador disse no bloco seguinte? – ele solta uma risada amarga. Nego. - Não, como ele disse que no próximo bloco seria outra pessoa que seria entrevistada eu acabei desligando a tv. – digo simples. Vendo o loiro passar as duas mãos no rosto. Seja o que for que ele tenha dito, não foi nada bom. - Ele disse que eu visivelmente não sabia o que estava fazendo, que provavelmente nem me lembrava de toda a discussão e tudo o que aconteceu naquele dia, já que soltaram a suposição de que eu estava drogado no dia. – ele bufa e dá um soco leve na bancada, me fazendo dar um tranco para trás, por conta do susto. - Justin, mas isso...- eu mesma me interrompo. Tento me lembrar se tinha algo na matéria que eu tinha escrito sobre drogas, não me lembrava de ter escrito nada desse tipo. Dá onde tinham vindo essas suposições então? – O próprio entrevistador surgiu com essa suposição? – Só podia ter sido ele. Justin n**a e tira o celular do bolso com uma certa brutalidade. Era nítido que ele estava se controlando para não perder o controle na minha frente, aposto que se estivesse sozinho estaria quebrando tudo o que estivesse em sua frente. Ele digita algo no celular rapidamente, enquanto o observo calada. Logo o celular é colocado na minha frente, com uma página aberta, conheço o site que aparece, sinto minha boca secar. Era a People. Pego o celular e leio, era uma outra matéria, dessa eu nem sabia da existência. Ali basicamente dizia que Justin podia sim estar drogado no dia em que aconteceu a suposta agressão contra a garota, já que ele não parecia estar muito normal, de acordo com pessoas que estavam próximas do local, quando tudo aconteceu. Essa é a parte mais engraçada disso tudo, as fontes que eles supostamente têm, a única fonte era a mente diabólica da Emily, que podia criar qualquer bosta e dizer que foram testemunhas que disseram. O mais bizarro é que eu realmente não fazia ideia da existência dessa matéria, quer dizer, ela devia ter me dito algo, certo? Mas não, só soltou a bomba. A primeira matéria não foi o suficiente pra ela, queria que Justin saísse ainda mais queimado. - O que mais me irrita é isso ter saído da People! – ele diz irritado. Me lembro de sua breve visita a Emily, e de como eles pareciam ser próximos. Havia me esquecido disso, desse dia. - Eu disse a Emily que estava fazendo de tudo para me manter longe desse tipo de polêmica, e veja só, estou envolvido em uma que saiu de sua própria revista. Engulo seco, o que eu diria agora? - Você é amigo da dona dessa revista? – é o que vem em mente. E é uma pergunta que eu realmente quero saber a resposta, sabia que eles se conheciam mas não imaginava que eram tão próximos. - Sim. – ele bufa. – Nós somos bem próximos, ela sempre me passou muita confiança. – pausa. – Emily não chega a ser dona da People, mas ela é claramente uma das pessoas que mandam e desmandam ali, não acredito que ela deixou postarem algo desse tipo. – ele suspira. Ah, Justin. Se você soubesse a cobra que a sua amiguinha é, não confiaria tanto nela assim. Ela não só deixou que postassem a matéria, como foi a própria que pediu que escrevessem isso. Eu sei que tem dedo dela. - Eles vão inventar qualquer coisa para te queimar. – digo sincera. Era exatamente o que a Emily e sua corja estavam fazendo, só de pensar que isso me inclui, Argh! Justin n**a, e olha para um canto qualquer, longe do meu olhar piedoso. - Bom, eles conseguiram. – sua risada seca ecoa pelo apartamento. Sinto meu coração se apertar, Justin volta a comer e o assunto se dá por encerrado. Volto a minha concentração em meu café, enquanto ouço o barulho do loiro mastigando, não que ela faça muito barulho comendo, mas estávamos num completo silêncio. Logo o celular em minha frente começa a vibrar desesperadamente sobre o balcão, num ato automático o olho, vendo o nome de Scooter brilhar ali. Vejo uma mão passar diante de meus olhos, pegando o aparelho. Acompanho seu movimento, vendo o loiro bufar e colocar o aparelho na orelha. - Oi. – ele diz seco. Posso ouvir uma voz ao fundo, não entendo o que o cara do outro lado da linha diz, mas sei que ele fala alto. - Você viu o desastre que aquela entrevista foi, eles não querem ouvir o meu lado, querem apenas mais munição para me atacar. – Justin diz. Seu tom é calmo, ele parece cansado desse assunto e de tudo isso. Uma longa pausa é dada, o loiro parece ouvir atentamente o que a pessoa diz, enquanto brinca com o seu garfo sobre o balcão, fazendo movimentos circulares. - Ok, acho que posso fazer isso. – ele suspira baixo. – Vai ser bom falar com alguém que eu confio. – pausa. – Será bom pra esclarecer algumas coisas também, como porque ela deixou que fossem publicadas duas matérias completamente equivocadas sobre mim. – ele diz e passa a mão pelo o cabelo. Posso supor que ele fala de Emily, Justin daria uma exclusiva pra ela? Só pode ser brincadeira. - Eu sei, Scooter. Mas ela tem controle sobre essas coisas, você sabe que ela manda ali. Ela devia saber sobre a matéria, e devia ter me questionado sobre, antes de deixar que postassem. – pausa. – De certa forma, esclarecerei isso com ela. Sei que sua rotina é corrida e que nem tudo dá para ser supervisionado por ela mas uma matéria sobre mim deve ter passado pelo os seus olhos. Termino de comer e me levanto, levando o meu prato até a pia. O lavando, e tirando toda a bagunça que eu havia feito para preparar tudo. Encaro o relógio um pouco acima de mim constatando que já se passaram das onze da manhã, eu precisava sair pra correr. Me viro em direção ao loiro que permanece atento a conversa, enquanto olha fixamente o garfo em sua mão. Justin não parece estressado com o que é dito, parece tenso. - Vou passar em casa antes e te encontro. – ele diz sério. – Ok, nos vemos mais tarde. Tchau! Ele tira o aparelho do ouvido e desliga a ligação, os olhos do loiro vem de encontro a mim e ele sorri fraco. - Está na minha hora. – ele se levanta. - Não vai nem terminar de comer? – aponto para o seu prato, que ainda continha uns pedaços de ovos. Justin olha para o prato e rapidamente n**a, voltando a me olhar. - Estava uma delícia, mas eu realmente preciso ir. – ele coloca as duas mãos no bolso. - Tudo bem. – assinto. Justin vem até mim e me dá um beijo no topo da minha cabeça. - Sei que está na hora de sua corrida. – ele diz me surpreendendo, como ele podia saber do meu horário? Ele rapidamente ri quando se depara com a forma que o olho, visivelmente surpresa. – Eu observo. – ele pisca. - Você é estranho. – digo séria. Arrancando um sorriso do loiro. - Até mais. – ele se afasta um pouco e acena. - Vai me avisar quando tiver outra entrevista? – cruzo os meus braços. Justin me olha sério e dá de ombros. - Se eu lembrar...- ele deixa no ar e rapidamente some da minha visão, ouço quando a porta é batida, deixando claro que eu estava sozinha. Ele não me avisaria. Depois de arrumar toda a bagunça da cozinha, eu me arrumei e sai pra correr. Estava decidida a quebrar meu recorde hoje, coloquei meus fones e comecei a fazer o meu trajeto. O vento quente da manhã de Los Angeles batia diretamente em meu rosto, me causando uma sensação muito boa. O dia estava bonito naquele manhã, o sol brilhava deixando tudo mais vivo, mas o clima era fresco, nada calor exagerado. Corri por alguns quarteirões até avistar uma banca de jornal, uma revista clamou a minha atenção, parei de correr e parei bem em frente a ela, apoiando minhas mãos em meus joelhos, esperando que minha respiração se regulasse. Olhei para a revista vendo as fotos do Justin bem destacadas na capa, e um texto grande com letras garrafais sendo bem destacado ali. E o mistério em volta de toda a última confusão com o Justin Bieber continua, o que ele está nos escondendo? O que a moça agredida por ele na verdade era? Um novo affair? Muitas questões estão no ar. Pego a revista e abro na primeira página, vendo toda a matéria ali. Eles estavam dizendo que a moça que o Justin supostamente agrediu era uma ficante secreta dele, que o irritou, talvez dizendo algo sobre a outra moça que tinha sido vista com o loiro em outras ocasiões nos últimos dias, essa moça no caso era eu. Tinham algumas fotos nossas por ali, principalmente no dia do parque. Eles basicamente estavam insinuando que a garota estava ameaçando a entregar o Justin pra mim, e por isso ele perdeu a cabeça e a agrediu. Além de estar sendo acusado de agressão ele também está sendo acusado de estar traindo alguém, alguém que não tem absolutamente nada com ele. Bufo ao terminar de ler tamanho absurdo, a imaginação desses caras é muito fértil. Deveriam usar pra algo mais útil. Coloco a revista atrás de outras, numa tentativa falha de impedir que alguém veja essa lixo. Escondo todas as outras que vejo, e logo me deparo com uma People por ali, a mesma que dizia que Justin podia estar drogado no dia da “agressão”. O lado bom disso tudo é que as pessoas não costumar ler muitas revistas, o que significa que ninguém vai ficar olhando isso, pelo menos eu acho. O lado r**m é que a internet está logo aí, o que facilita que todas essas falsas notícias sejam notificadas rapidamente a todos, podendo atingir um público bem mais amplo que o público que uma revista atingiria, por exemplo. A situação estava fora de controle, essa é a verdade. E a única que saiu feliz nisso foi a Emily, que pelo o que estou vendo conseguiu exatamente o que queria. Ela completou seu plano com êxito. P.o.v Justin Bieber. Escritório do Scooter – 13h30 P.M. Paro o meu carro em frente ao grande prédio, não imaginava que viria aqui tão cedo. O combinado era claro, eu tiraria um período longo de férias depois da minha desistência da turnê. Mas as coisas não estão saindo bem como eu gostaria. Vejo os grandes portões se abrirem, entro com o carro e logo saio dele. Vendo a entrada que eu tanto conhecia, entro encontrando com uma recepcionista, essa eu não conhecia. Eles costumavam trocar muito os funcionários daqui, as pessoas sempre acabavam se exaltando por causa de algum famoso que aparecia ocasionalmente, e isso era inadmissível, principalmente para os famosos, que só queriam estar em paz. Sem ninguém agindo como se fossem um ser de outro planeta, parece que não, mas isso é bem chato. Cumprimento a garota apenas com um aceno, e ela rapidamente se ajeita em sua cadeira. - Scooter te aguada na sala. – ela diz rápido, e logo atende o telefone ao seu lado que fazia um barulho estridente. Minha cabeça ainda doía pelo porre da noite passada. Vou até a sala do Scooter, e entro sem nem bater. Ele estava ali, junto com algumas pessoas da minha equipe, pessoas essas que cuidavam da minha imagem, um dos meus advogados também estava presente, já que esse caso era mais sério do que qualquer outro e podia facilmente envolver polícia. Todos os olhares foram direcionados a mim. - É bom ver vocês também. – digo, já que todos me olhavam sérios. Eu estava atrasado! - Você precisa ser mais pontual. – é Scooter que diz. Bufo e caminho até o canto da sala, me servindo com um pouco de água, sentia minha boca seca. - Eu sei, me desculpem. – falo contragosto e me sento, esperando que eles digam logo tudo o que preciso fazer. Uma das minhas assessoras folheia uma revista, sei que deve conter algo ali que me envolve. - Saiu uma nova matéria. – Scooter diz incomodado, não podia ser pior que a primeira. - E o que eles inventaram dessa vez? – pergunto entediado. Ashley, a assessora que folheava a revista me olha séria, coisa boa não era. - Veja você mesmo. – ela esticou o seu braço com a revista em mãos, peguei. Assim que bati os meus olhos na revista entendi tudo, eles estavam achando que eu tinha algo com a garota. - Até que demoraram para supor isso. – digo tranquilo, percebendo todos me olharem tensos. - Justin, abra a revista. – meu advogado, Julian, diz. Abro na primeira página e de cara vejo fotos minhas com a Lucy, franzo o cenho. Novamente eles estavam falando dela, ela ia odiar ver isso. Passo os meus olhos pela matéria rapidamente, vendo que as suposições iam muito além de um novo Affair, eles estavam achando que eu tinha algo mais sério com a Lucy, e a estava traindo com a garota, que supostamente, me ameaçou e eu perdi o controle a agredindo. Era isso que a matéria dizia. Travei meu maxilar e joguei a revista na mesa, vendo ela cair bem em frente ao Scooter, ele não desviou os seus olhos de mim. - Eles não param. – passo a mão pelo rosto, me irritando ainda mais com essa situação. - Quem é a garota do parque? – é o que ele pergunta. Não era a primeira vez que eu ouvia essa pergunta vinda de Scooter, na primeira vez me recusei a responder, porque aquilo não envolvia a minha imagem e minha carreira, mas dessa vez, sabia que o buraco era bem mais embaixo. - Isso não importa, o foco aqui não é ela. – digo sério. Não queria mesmo envolver a Lucy nisso, mesmo sabendo que ela já estava totalmente envolvida. - Você sabe que importa. – ele diz calmo. – Principalmente quando tem fotos dela espalhadas por ai. - Ela não é famosa. - Isso é óbvio, conte nos uma novidade. – Ashley diz entediada. – Você sabe que não vai demorar muito pra que eles descubram quem ela é. - Eu sei disso. – digo irritado. – Preciso que façam algo a respeito. Não quero que transformem a vida dela num inferno. - É justamente por esse motivo que precisamos que nos diga quem ela é. – um dos assessores disse. Não costumava ter muito contato com ele, acho que ele se chama Marcos, ou qualquer coisa com M. - O nome dela é Lucy. – digo. Me dando por vencido. - E o sobrenome? – Ashley me olha atenta, depois de anotar o nome da Lucy em uma folha. - Eu não sei. – dou de ombros. Eu realmente não fazia ideia de qual era o sobrenome da Lucy, isso não era relevante. - Tudo bem. Faremos o possível para poupá-la de qualquer estresse que a imprensa possa causar. – o assessor disse. Assinto enquanto vejo todos desviarem seus olhos para o Scooter, esperando que ele desse a próxima ordem. - Vou marcar uma entrevista exclusiva com a Emily, enquanto ela não sai preciso que soltem uma nota negando todas as acusações que a imprensa tem feito. Sabemos que isso não vai ajudar em nada, mas precisamos ganhar tempo. – Scooter diz. Todos os assessores se levantam e saem dali, deixando apenas eu, Scooter e o Julian. - A situação foi controlada, a garota garantiu que não vai prestar queixa contra o Justin. – Julian diz sério enquanto arruma seu terno. Disso eu já sabia, toda a imprensa já sabia. - E quais serão os próximos procedimentos? – pergunto. - Você vai ter que dar uma quantia em dinheiro a ela, como um acordo. - Se ela quer um acordo terá que me processar e conquistá-lo. – digo sério, ganhando um olhar de reprovação de ambos. - Você ficou maluco? – Scooter questiona irritado. – Já entendeu a gravidade disso? Se não der essa quantia, ela vai realmente te processar, e provavelmente vai ganhar, fazendo seu nome sair mais sujo do que já está! - Você que não está entendendo, eu não vou pagar pra mantê-la calada, Scooter! – cruzo os meus braços. Achava esse plano precipitado. - Não estamos falando de pagar para mantê-la quieta, você só pagará uma espécie de indenização. Nada de mais. – Julian disse. - E isso me ajuda em quê? – arqueio minha sobrancelha. - Ajuda a abafar o caso, pelo menos por agora. Se ela te processar, esse caso irá longe demais, te causando transtornos ainda maiores. – Julian diz calmo. - Ok, faça o que achar melhor. – Digo muito a contragosto, não é como se eu tivesse outras opções. Julian assente e olha para Scooter. - Pode ir agora, Julian. – Scooter diz. Julian se levanta e sai da sala, me deixando a sós com o Scooter. Bufo assim que vejo o olhar sério do cara a minha frente me encontrar. - Você podia ter causado problemas maiores na noite passada. – ele comenta cansado. Parecia que tínhamos voltado em meados de 2014, a época que eu dei mais trabalho ao Scooter e toda a minha equipe. - Mas não causei. - O que deu em você? Achei que tivesse saído dessa fase. – ele diz. Me lembro de Lucy ter dito o mesmo hoje mais cedo, eu também achava que tinha saído dessa fase. - Precisava me distrair de toda essa merda. - E resolveu encher a cara? – ele franze o cenho. – Você sabe que isso não resolve nada, só causa mais problemas. - Eu sei. – respondo entediado. – Algum paparazzi me viu? - Viu, mas pagamos uma quantia considerável para que ele nos desse todas as fotos que tirou. – assinto. – Já entrei em contato com a Emily. - Qual foi o combinado? – me ajeito na cadeira. Estava desconfortável. - Você vai dar uma exclusiva a ela amanhã. - Tudo bem. Odiava a ideia de dar entrevista, mas pelo menos era com alguém que eu me sentia bem, não com qualquer pessoa. (...)  Paro meu carro em frente ao portão, vendo ele se abrir lentamente diante de meus olhos, entro com o carro vendo um dos meus seguranças observando de perto o portão se fechar. Não costumava ter esse cuidado até ver um grupo de pessoas entrar escondidos na minha casa. Desde então toda vez que chego e que saio, um segurança fica bem em frente ao portão esperando até que ele se feche para voltar ao seu posto. Saio do meu carro batendo a porta um pouco forte, fazendo uma careta quando percebo a merda que faço. Observo rapidamente a lataria, só para checar se não tinha feito nenhum estrago, e consto que não. Ainda bem! Ao andar até a entrada da casa me deparo com um Chaz sentado em frente a porta. Quando ele me olha, se levanta num pulo. - O que está fazendo aqui? – pergunto sério. Enquanto analiso seu estado, ele já esteve melhor. - Estou cansado de ficar enfiado em um apartamento sozinho. – ele bufa. Nós últimos dias as coisas não estavam nada fáceis. Nem pro Chaz e muito menos pra mim. Passo por ele e abro a porta, me deparando com um enorme silêncio. A casa não era tão grande como parecia, mas pra uma pessoa que morava sozinha era demais. Chaz vem logo atrás de mim, ouço quando ele fecha a porta. - Já pensou na possibilidade de voltar ao seu trabalho? – o olho por cima do ombro, ouvindo um suspiro do mesmo. - Não quero voltar ao trabalho. – ele diz entediado enquanto passa por mim e caminha até minha cozinha. O sigo. - Não acha que está na hora de sair dessa fossa? Já faz mais de uma semana que ela foi embora, Chaz. – pego uma maçã e me sento na bancada. Não que eu esteja achando r**m essa bad dele, mas eu sinceramente odeio ver esse tipo de coisa, não sou bom em ajudar amigos nesse tipo de situação. Na verdade, não consigo nem me ajudar nesse tipo de situação. Chaz abre minha geladeira a procura de algo. Todos os meus amigos eram assim, chegavam mexendo em tudo. Mas não posso nem sequer julgá-los, costumava fazer o mesmo. - Eu estou bem. – ele me olha sério. Era sempre assim. Ele sempre dizia que estava bem. - Se estivesse mesmo bem estaria a uma hora dessa em sua casa, se enchendo com coisas do trabalho e conversando por SMS com uma garota que conheceu por ai. – digo tudo de uma vez, ganhando um olhar confuso do Chaz. - Isso não é estar bem, é deprimente. Nego. - Por que deprimente? Essa é sua vida. - Por isso digo que é deprimente, rotinas são deprimentes. – ele bufa. – Eu estou precisando sair por aí, conhecer lugares novos. - Precisa dizer isso ao seu pai, posso apostar todas as minhas fichas que ele não vai gostar nada dessa ideia. – dou mais uma mordida em minha maçã. - O que acha de dar um social hoje? – ele me olha animado. Resolvo ignorar completamente sua pergunta. Chaz ainda permanecia com a porta da minha geladeira aberta, gastando uma energia desnecessária. - Fecha essa merda! – aponto irritado pro objeto enorme diante dele. – Meu dinheiro não nasce em árvore. – resmungo. Nunca achei que usaria uma frase dessa em toda a minha vida, mas era a verdade. Chaz fecha a porta da geladeira e volta seus olhos pra mim. - Você ouviu o que eu disse? - Eu ainda não sou surdo, Chaz. – digo carrancudo. Estava irritado com tudo a minha volta ultimamente. - Não vou fazer social nenhuma. Além de fazer uma bagunça sem tamanho, não posso me envolver nesse tipo de coisa agora, chamaria muito a atenção dos paparazzo pra mim, e já tenho atenção demais pra querer mais alguma. – Respondo. Ouço o seu longo suspiro. - Vamos marcar com os caras de ir naquele bar? Faço uma careta em negação ao ouvir sua proposta. Não que ela não fosse tentadora, mas eu realmente não estava afim de fazer merda por ai, e sei que é exatamente o que farei caso resolva ir. - Eu sei que você quer ocupar sua cabeça com algo, mas prefiro que não me envolva nisso. – me levanto e jogo o que resta da maçã em um lixo próximo, saindo rapidamente dali. Ouvia os passos do Chaz atrás de mim. - Qual é, Drew? Você não costuma dispensar um rolê. - Eu estou com problemas, Chaz. – o olho sério e suspiro. – Inclusive, o rolê de ontem quase me rendeu um problemão. Ouço um barulho um tanto alto, era uma notificação de algum celular. Pego o meu vendo que não era dele que estava vindo. Volto os meus olhos ao meu amigo vendo ele desbloquear o celular e soltar uma bufada. - É a Lucy. – ele diz tristonho. – Ela me manda mensagens sempre. - Responde. – digo simples. Sabia que ele estava evitando a Lucy por causa da Jeniffer, o que pra mim não fazia sentido algum. Tudo bem que elas são melhores amigas, mas Jeniffer está a quilômetros de distância da gente, não é como se isso interferisse em algo. - Melhor não. – ele bloqueia o aparelho e volta a colocar em seu bolso. - Ela está preocupada com você, é mancada da sua parte deixar ela no vácuo assim. - Eu sei disso cara. Mas não quero ter que lidar com ela agora. – ele bufa. - Você que sabe. – dou de ombros. Subo as escadas tendo consciência de que Chaz não me deixaria em paz, provavelmente já deve estar jogado em meu sofá assistindo algum jogo, não que isso seja r**m. Mas eu realmente queria ficar sozinho. Ouço um barulho de mensagem, e pego meu celular. Dessa vez era o meu mesmo. Era a Lucy: Ei, como você tá? Espero que esteja melhor de sua ressaca, e do mau humor. Digito rapidamente e logo envio a seguinte mensagem: Meu humor está ótimo, obrigado por se interessar! Solto uma risada pelo nariz e jogo o aparelho em qualquer canto, não era importante, não agora.
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