Justin Bieber P.O.V.
Good Times Wayne's. – 11h00 P.M.
Ainda estou tentando entender o porquê de ainda estar aqui, quer dizer, passei nervoso a noite toda. Eu realmente pensei que essa noite seria mais interessante quando resolvi sair da minha casa, não esperava encontrá-la aqui. Confesso que depois de muito conversar com a minha mãe sobre o assunto eu voltei pros Estados Unidos mais disposto a ouvir o lado da Lucy dessa história, mesmo estando extremamente irritado com todas as mentiras que ela inventou e o que ela causou. Mas quando a vi aqui, todo o ódio que eu senti na noite em que descobri toda a verdade, voltou. E por mais que eu quisesse me controlar, olhar pra ela agora me causa uma raiva incontrolável, e isso piora quando ela tenta discutir comigo, como se tivesse mesmo um motivo bom para ter feito o que fez. Eu só queria que ela assumisse que errou, talvez isso diminuísse minha raiva. Mas não, Lucy é o ser humano mais teimoso que já conheci em toda a minha vida.
E o que me irrita ainda mais nessa história é que por mais que eu queira distância dela, eu quero estar por perto. Agora por exemplo, estou feito um o****o vigiando cada passo que ela dá nesse bar, dispensei uma garota linda que estava dando em cima de mim só pra ter a certeza de que a Lucy não vai fazer nenhuma besteira. Eu poderia estar me divertindo agora, mas não. Estou parado vendo ela se divertir, simplesmente porque sei que ela só faz bosta quando bebe, e que não está nada acostumada com essa vida. Nem consigo entender o que a fez beber tanto essa noite, Lucy não suporta bebidas!
Nesse momento ela está dançando, o jeito desajeitado dela se mover me causa boas risadas, que logo cessam quando eu vejo um cara grudando nela. Penso que ela vai afastá-lo, mas ela não faz. E isso faz meu sangue ferver, sinto vontade de ir até eles e arrancá-lo de lá a força, mas não tenho esse direito. Ela é solteira, dança com quem quiser, quando quiser.
Quando ela o afasta sinto um alívio imenso, mas isso passa quando vejo ela se direcionar até o bar, provavelmente quer pegar mais uma dose da bebida que deixou ela nesse estado.
Caminho em passos rápidos até ela, parando bem em sua frente, tento impedi-la de beber mais, mas ela me ignora e tecnicamente, eu não me importo. O que estou fazendo? Deixo ela ir sem mais impedimentos e me afasto, sentando em um dos sofás, a observando de longe. Queria que a Jen parasse ela, mas ela parece mais ocupada com o cara que está enfiando a língua dentro de sua boca, espero que o Chaz não tenha visto isso antes de ir embora.
Alfredo também está bem ocupado se pegando com uma garota. Resumindo, eu sou o único preocupado com a Lucy aqui.
Falando nela, vejo ela se sentar e começar a beber dose atrás de dose, isso não vai prestar. Ela para do nada e olha em volta, vejo que seus olhos estão quase fechados, parece que ela está forçando a vista pra enxergar algo em volta.
Vejo ela segurar firmemente o banco no qual está sentada, parece que ela está perdendo o controle do próprio corpo.
Me levanto rapidamente quando percebo que ela não vai aguentar por muito tempo, corro até ela, mas não chego a tempo de segurá-la, ela cai.
Me abaixo perto do seu corpo, ela está completamente apagada.
- Lucy? Acorda. – balanço um pouco o seu corpo, mas ela não dá sinal nenhum.
Pego o seu pequeno corpo e ajeito ele no meu colo, olho para trás procurando por Alfredo, ele ainda está parado no mesmo lugar, ainda com a menina.
- Alfredo! – grito o mais alto que posso. A música no bar estava alta demais.
Ele ouve e passa um tempo me procurando com os olhos, quando me encontra olha diretamente para a Lucy em meus braços, sua feição muda para preocupado em questão de segundos e não demora muito para ele estar correndo em minha direção.
- O que aconteceu com ela? – é o que ele pergunta quando para na minha frente.
- Ela bebeu muito e desmaiou. Precisamos levá-la ao médico. – digo rápido e um pouco nervoso. Ela estava apagada por tempo demais, desmaios normais costumam durar apenas alguns segundos.
Ele assente rapidamente.
- Só preciso achar a Jeniffer. – ele vasculha o lugar com o olhar, não demorando muito pra localizar a Jen.
- Ok, vai chamando ela enquanto levo a Lucy pro carro. – falo de uma forma afoita, vendo o Alfredo concordar e rapidamente ir na direção da Jen.
Giro meus calcanhares e saio do bar em passos rápidos, paro ao lado do meu carro e faço uma grande manobra pra pegar as chaves no bolso da calça, sem soltar a Lucy. Com muito custo consigo destravar o carro, já estava me amaldiçoando muito por ter vindo com a Lamborghini, devia ter vindo com a Range Rover.
Abro a porta do passageiro e tento ajeitar o corpo dela da melhor forma que posso, colocando o cinto. Que merda eu estava fazendo afinal? Ajudando a pessoa que mais me prejudicou nesses últimos tempos? Eu devo ser muito o****o mesmo! Ela precisa de mim agora, e não quero deixá-la na mão.
Eu deveria ter parado ela quando tive chance.
Alfredo surge ali quando fecho a porta, a Jen parece mais sóbria agora.
- Que saco! Ela está bem? – Jen questiona olhando preocupada pra amiga, que está dentro do carro.
- Não sei. – respondo sincero. – Melhor levarmos ela pro médico logo!
Jen assente e olha pro meu carro por um instante, parece se perguntar mentalmente onde é que ela vai se sentar ali.
- Você vai comigo! – Alfredo diz e puxa ela, logo eles estão dentro do carro.
Sento no banco do motorista e acelero dali. Apertava o volante com força na medida em que acelerava, estava tentando manter a calma, mas tudo o que se passava na minha mente é que isso podia ser grave, Lucy não desmaiou, ela apagou. E não sei colocar em palavras o quanto isso me assusta. Por mais que eu esteja com raiva de tudo o que ela fez e do que ela representa agora, eu não quero vê-la m*l, não quero que ela sofra.
Sei que deveria estar longe agora, deveria deixá-la com o Alfredo e a Jen e simplesmente ir pra minha casa, mas eu não ia conseguir ficar em paz sem saber se ela está bem ou não.
A verdade é que eu amo a Lucy!
Paro o carro em frente ao hospital, nem me preocupo em estacionar ou qualquer coisa do tipo, não tinha tempo pra isso. Saio do carro e abro a porta do passageiro, retirando a Lucy de lá em meus braços. Vejo o Alfredo parar o carro bem ao lado do meu, Jen é a primeira a sair, ela fecha a porta do meu carro pra mim, já que eu não consigo por estar segurando a Lucy. E logo estávamos nos encaminhando até a entrada do hospital, eu estava apavorado!
Chamamos a atenção dos poucos enfermeiros que ali estavam quando pisamos dentro do hospital, talvez isso tenha mais a ver comigo. Mas gosto de pensar que eles só estavam nos olhando daquela forma porque havia uma mulher apagada em meus braços. Tudo bem, talvez eu goste de me iludir um pouco. Sei que eles estão nos olhando assim porque eu sou quem sou.
Uma das enfermeiras se aproxima um pouco apreensiva.
- O que houve com ela?
- Ela bebeu muito e apagou, já faz uns 10 minutos que ela está apagada.
A enfermeira faz um sinal para outros enfermeiros e logo eles surgem ali com uma maca, retirando a Lucy dos meus braços e a colocando na maca. Eles levam ela pra longe em questão de segundos.
- Logo o médico virá falar com vocês! – ela diz intercalando seu olhar entre eu, Alfredo e Jen. – Preciso que preencham uma ficha ali – ela aponta pro balcão onde a secretária está. – com todas as informações dela. – ela completa.
Assinto e logo vejo a enfermeira virar as costas e sair dali.
- Bom, deixa que eu preencho essa ficha. – Jen diz e vai em direção ao balcão.
Bem atrás de nós havia uma pequena sala de espera, me direciono até lá e me sento em uma das cadeiras. Inclino meu corpo um pouco para a frente apoiando meus cotovelos em minhas coxas, apoio meu rosto em minha duas mãos.
Só quero que ela fique bem!
Sinto o Alfredo se sentar ao meu lado, ele dá uma leve batida em minhas costas.
- Ela vai ficar bem, cara.
Solto um suspiro alto e me encosto totalmente na cadeira. Cruzando os meus braços.
- Por que ela tinha que beber tanto? – pergunto baixo.
- A noite não foi fácil pra ela.
Bufo alto. Toda essa situação me irritava. A noite tinha sido péssima para todos, toda a discussão que eu tive com a Lucy, todo o transtorno. Eu devia ter ido embora quando tive chance.
- Ela foi irresponsável! – digo estressado.
Jen caminha em passos rápidos na nossa direção e se sentou do meu lado direito, numa cadeira que estava vaga.
- Será que ela está bem? Eles estão demorando muito para dar alguma notícia. – Jen perguntou.
- Acho que sim. O médico só deve estar fazendo alguns exames necessários. – Alfredo.
Não demorou nem 5 minutos pra um médico surgir ali, nos olhando seriamente. Ele tinha uma prancheta em mãos.
- Vocês que estão acompanhando a paciente Lucy Scott?
Nós três levantamos ao mesmo tempo, como se tivéssemos combinado, o que seria uma situação engraçada em outro caso.
- Sim, estamos com ela. – eu respondo.
Não sabia o que viria agora, mas ainda assim estava apreensivo com toda a situação. E se fosse algo grave?
- O que ela tem? – Jen pergunta.
- Ela teve um coma alcoólico, por conta das substâncias distintas que ingeriu. Provavelmente o organismo não estava preparado para isso. – ele fez uma pausa. – O bom é que ela já acordou.
- Podemos vê-la?
O médico concorda.
- Podem sim. Me acompanhem. – ele se virou e começou a andar em direção a um enorme corredor.
Jen prontamente o segue, diferente de mim que fico parado no mesmo lugar, olhando pro nada. Alfredo começa a ir mas para quando percebe que eu não acompanho, ele para na minha frente e me encara de cenho franzido.
- Você não vem? – é o que ele me pergunta.
Nego algumas vezes.
- Não, melhor não. Eu só precisava ter a certeza de que ela estava bem, agora eu sei.
- Ela vai gostar de te ver, Justin.
- Não quero que ela saiba que eu estive aqui, Alfredo. Não conte! – eu digo sério.
- Por quê? – ele está visivelmente confuso.
- É melhor assim. – coloco as duas mãos no bolso e dou de ombros.
- Você tem certeza?
- Tenho. Agora que ela está bem, eu posso ir.
Alfredo não concorda com o que estou fazendo, mas eu sei que assim é melhor. E isso me basta!
Faço um toque com o meu amigo rapidamente e me preparo para ir embora dali, antes vejo a Jen parada no início do corredor, junto com médico, aparentemente esperando eu e Alfredo irmos. Ele vai, e ela logo entende que eu não vou. Aceno brevemente pra ela e saio dali.
Eu e Lucy já brigamos demais, acho que agora está na hora de seguirmos cada um o seu rumo. Vai ser melhor assim!
P.O.V – Lucy Scott.
Hospital de Los Angeles – 01h00 A.M.
Já acordo vomitando bastante, sinto alguém pressionar minha cabeça contra um pequeno balde, mas não me preocupo em saber de quem se trata, não é importante agora. Quando paro sinto uma fraqueza fora do comum, não consigo me mover. Sinto mãos puxarem levemente os meus ombros, ajeitando o meu corpo novamente na cama, que pra mim é bem confortável. As luzes fortes do local incomodam bastante minha retina, demoro a me acostumar com elas, quando acostumo observo o local onde estou e me assusto, parecia muito um quarto de hospital. Olho ao redor e vejo que tem uma enfermeira ao meu lado me olhando com cuidado.
- Onde estou? – minha pergunta sai como um sussurro.
Minha boca está seca e o gosto do vômito predomina ali.
- Está no hospital. – ela diz simples. – O doutor já está vindo te ver, ele te explica melhor.
Ela pega o recipiente onde eu vomitei e o leva dali, junto com ela.
Deito minha cabeça no travesseiro e sinto todo o meu corpo agradecer por isso. Como eu vim parar aqui? Fecho os meus olhos e sou atingida por algumas memórias.
Lembro de estar no bar, de beber bastante, da hora em que dancei com um desconhecido, de todas as minhas discussões com o Justin, do Chaz indo embora chateado. A última coisa da qual me lembro é de ter ido pegar mais bebida e Justin tentar me impedir, depois disso tudo é um borrão.
Ouço a porta se abrindo e abro os meus olhos, vendo um homem alto vestido com um jaleco entrar ali. Ele aparentava ter uns 32 anos, continha uma pequena barba e o cabelo estava bem arrumado para aquele horário.
Ele parece ler algo na prancheta que segura na mão direita, logo os seus olhos estão sobre mim.
- Lucy Scott? – concordo com a cabeça, vendo ele se aproximar um pouco. – O que está sentindo? – ele larga a prancheta em uma pequena mesa que tem no canto do quarto e para ao lado da minha cama.
- Fraqueza, boca seca.
Ele assente e pega um pequeno controle que estava ao lado do meu corpo, quando ele aperta um botão sinto toda a cama se movimentar precisamente a parte onde as minhas costas está encostada, ele deixa a cama de uma forma que eu fico sentada. Vejo ele pegar uma pequena lanterna no bolso de seu jaleco.
- Preciso que acompanhe a luz com os olhos, tudo bem? – assinto.
Ele aponta a luz nos meus olhos, de início me incomoda. Ele começa a movimentar o objeto de um lado para o outro, acompanho com os olhos, do jeito como ele havia me pedido.
Ele apaga a lanterna e volta a colocá-la no bolso.
- O que eu tive?
- Um coma alcoólico. Você ingeriu mais bebida do que seu organismo está acostumado e ele entrou em pane, gerando um longo desmaio.
- Por isso eu acordei vomitando?
- Sim. Foi a forma que seu corpo encontrou de limpar seu organismo e se livrar de todo o álcool.
- Eu vou poder ir para casa ainda hoje?
- Claro. Aparentemente você está bem, só vai ter que lidar com uma ressaca por algumas horas, vou te prescrever alguns cuidados que podem te ajudar nisso. E se puder me permitir te dar um conselho, aconselho que evite beber tanto assim novamente, pode te trazer danos piores.
- Levarei o seu conselho em consideração, nem sei porque bebi tanto assim. Não sou muito de beber.
Ele concorda e solta uma risada.
- Todos nós temos essa fase. Agora, se me permite, preciso ir informar os seus amigos sobre o seu estado.
Apenas assinto, vendo ele sair dali. Será que o Justin também estava lá fora preocupado comigo? Gostaria muito que ele estivesse, mas pelo o que me lembro ele estava bem ocupado com outra garota.
Depois de longos minutos a porta do meu quarto se abre, passa por ela uma Jen visivelmente preocupada e o Alfredo, observo cada movimento que ele faz com a esperança de ver o Justin passar ali, mas quando vejo ele fechar a porta entendo que Justin não está ali, e que não havia motivo nenhum pra estar. Nós não somos mais próximos, preciso entender isso de uma vez por todas.
- Meu deus, Lucy. Você nos assustou! – Jen caminhou até mim em passos rápidos e me abraçou.
- O que aconteceu lá? Eu não me lembro de nada.
- Você bebeu muito e acabou desmaiando no meio do bar. – Alfredo disse. – Assim que vimos te trouxemos até o hospital. – ele completou.
- Justin ainda estava lá quando eu desmaiei? – sabia que essa pergunta era perigosa, mas eu precisava saber. Eu precisava saber se ele viu isso e ainda assim resolveu não se importar.
Quando vejo os dois trocarem um olhar estranho, eu entendo tudo. Ele estava lá! E acho que isso já diz muita coisa, Justin não liga mais e sinceramente, acho que eu preciso parar de me importar também. As coisas mudaram e está na hora de eu entender isso.
Vejo que Alfredo tenta dizer algo, mas não consegue. Imagino que seja difícil pra ele ter que falar sobre algo que não o envolve.
- Não precisa dizer, eu já entendi. – dou um sorriso fraco.
Os dois me olham com aquele olhar de piedade, isso me irrita profundamente.
- Não é que ele não tenha se preocupado, Lucy. É só que...- interrompi a Jen.
- Ele não se importa! – sinto o gosto amargo das palavras ao proferi-las. – Não precisa tentar deixar isso bonitinho, a realidade é essa, ele não liga. E tá tudo bem! Ele tem esse direito depois de tudo que eu fiz.
- Lucy, as coisas não são bem assim. Justin está chateado! – Alfredo dispara a falar.
- Gente, sério. Tá tudo bem!
Nada estava bem! Odiava tudo isso, toda essa situação! Eu só queria que as coisas voltassem a ser como antes. Queria ter o Justin de volta, mas pelo jeito, o pedi de vez.
Depois de ter saído do hospital eu passei o resto do dia dormindo, precisava mesmo renovar as minhas energias.
No outro dia resolvi que iria resolver logo todo o meu problema com a Emily, queria me livrar disso logo já que precisava ter toda a minha atenção no novo emprego. Emily estava me mandando mensagens constantemente, e em todas elas ela estava brava por eu não estar dando notícias.
Tinha passado no banco antes de ir até a People e sacado todo o dinheiro que Alfredo me emprestou, o valor total da multa. Coloquei todo o dinheiro numa bolsa grande que eu tinha, e sai do meu quarto encontrando a Jen na cozinha preparando algo pra comer.
- Já vai? – ela perguntou sem me olhar.
- Sim. – coloquei a bolsa no ombro, percebendo que ela estava pesada demais para ser colocada ali, eu poderia deslocar o meu ombro. Decidi que seguraria ela com as duas mãos, melhor evitar acidentes.
- Não esquece de tomar água. Lembra que o médico disse que você precisava tomar bastante água?
- Sim, eu lembro. Mas não estou mais de ressaca. – reviro meus olhos.
- Só bebe a água, Lucy. Quanta teimosia! – ela colocou água num copo e esticou em minha direção.
Bufei, larguei a bolsa no chão e peguei o copo da sua mão.
- Você parece minha mãe. – digo brava.
- Eu tô cuidando de você! – ela bufa.
Bebo a água de uma vez só e coloco o copo na bancada.
- Bom, vou lá.
Pego a bolsa com as duas mãos, pego as minhas chaves e saio dali.
O caminho feito até a People é tranquilo, evito pensar muito sobre o que vou dizer ou como vou dizer, isso me deixaria ainda mais nervosa. E quero fazer tudo com muita calma!
Entro no People, recebendo alguns olhares curiosos. Tento ir até o elevador o mais rápido que posso, mas a bolsa pesada me atrapalha bastante. Assim que entro, me encosto na parede de aço e coloco a bolsa na frente do meu corpo, a colocando no chão.
Olho para o visor apreensiva, esperando ansiosamente chegar no meu andar. Assim que chegar saio rapidamente, já me deparando com a Dora. Ela se levanta rapidamente, parecia surpresa em me ver ali.
- Emily está tentando falar com você há dias, o que aconteceu? – ela pergunta, forçando uma falsa preocupação.
- Eu só preciso falar com a Emily agora.
Nem paro para ver a cara que ela faz, apenas viro as costas e permaneço no meu caminho em direção a sala da Emily. Nem sei se ela está aqui, mas se ela não estivesse Dora já teria me impedido.
Entro na sala sem bater encontrando a Emily tomando o seu café, tranquilamente. Ela me olha e um sorriso grande se abre em seu rosto.
Caminho até ela e me sento em sua frente, cruzando as minhas pernas. Mantenho um olhar sério sobre ela.
- Eu entendo que você não está em sua melhor fase, mas acho que devia ter me dado notícias. Eu fiquei preocupada! – seu tom de preocupação é tão falso que chega a me enojar. Emily é podre em todos os sentidos imagináveis.
- Na verdade estou em uma fase muito boa, obrigada pela preocupação. Mas não há com o que se preocupar! – abro um sorriso mínimo. Vendo ela se mover desconfortavelmente em sua cadeira, talvez ela não esperasse por essa.
- Achei que as coisas estivessem ruins entre você e o Justin.
- Esse não é o assunto que vim tratar aqui hoje. – cruzei meus braços.
- Espero que queira falar sobre o seu serviço. Já que você tem várias coisas para fazer por aqui.
- Sim, é sobre isso mesmo. – ela sorriu. – Eu vim pedir a minha demissão.
O rosto da Emily se fechou no mesmo instante.
- Do que você está falando? Não sei se você se lembra, mas ainda temos um contrato que deixa claro a multa que você terá que pagar caso peça demissão, multa essa que você não tem condições de pagar. – ela diz tudo de uma vez.
Solto uma risada.
- Estou ciente sobre tudo isso. E não estaria aqui se não tivesse condições.
Ela n**a algumas vezes com a cabeça e me olha séria, soltando uma risada nervosa.
- Lucy, você não sabe o que está falando.
- Claro que sei. – me levanto e pego a minha bolsa, a colocando em cima da mesa da Emily. Ela acompanha cada movimento meu com os olhos.
Abro a bolsa e jogo todo o dinheiro que contém ali na mesa dela, deixando todas as notas caírem diante de seus olhos. Eu estava me sentindo muito milionária agora. Seus olhos estavam arregalados, ela realmente não esperava por essa.
- Está aqui todo o dinheiro que o seu contrato requere.
Fecho a bolsa e cruzo os meus braços.
- Como eu vou saber que tem todo o dinheiro aqui?
- Pode contar, e depois me fala. Eu sei que aí tem toda a quantia necessária.
- E como você me garante que esse dinheiro não faz parte do dinheiro que eu te paguei?
- Eu te garanto isso! Tudo o que você me pagou ainda está na minha conta, trouxe um comprovante. – tiro o comprovante do meu bolso e entrego pra ela.
Ela analisa o papel e vejo seu maxilar travar, Emily não imaginava que eu conseguiria me livrar dela assim, tão rápido.
- Como...Como você conseguiu esse dinheiro? – ela pergunta perplexa.
- Isso não é importante, o que importa é que consegui, e agora estou livre de você!
- As coisas não ficarão assim, Lucy! – seu tom de voz denuncia uma certa irritação.
- Eu segui as suas regras, Emily. Fiz tudo de acordo com o seu contrato, não tem do que você reclamar. – solto um sorriso, vendo ela fechar o punho.
Coloco a minha bolsa no ombro, que está vazia e leve dessa vez. E viro as costas para sair dali, sentindo o olhar da Emily me fulminar. Eu sabia que ela não ficaria feliz com tudo isso, mas eu estou, e isso basta!
- Espero não te ver nunca mais. – é o que digo antes de fechar a porta e sair dali de vez.