Claire seguiu eufórica para os seus aposentos, m*l podia conter a própria felicidade. Desembarcariam em um dia e não tinha mais tempo para para postergar a conversa com o pai. Ela foi até os aposentos do reverendo decidida a resolver de uma vez por todas essa situação. Claire bateu na porta, uma, duas vezes ...
— Entre .- Ouviu a voz do pai. Ela entrou com a cabeça baixa após um sussurro de licença.
Pedro avançou em direção a filha e beijou-lhe a fronte.
— Queria, que bom vê-la. - Disse animado e Claire limitou-se a abrir um meio sorriso. Ela se sentou na poltrona que ficava logo ao lado da cama, cruzou os pernas e o encarou com seus lindos olhos claros. Pedro sempre via a falecida esposa em Claire e talvez esse fosse um dos grandes motivos que o faziam quere-la longe.
— Precisamos conversar. - Ela engoliu em seco, todo o seu corpo estava trêmulo.
O reverendo se sentou na frente da filha, ele apoiou os braços no joelho e a encarou com o cenho franzido.
— Diga, querida. - Respondeu aflito, conhecia muito bem a filha, bem a ponto de saber que ela não trazia boas notícias.
Claire apertou os olhos, não queria olha-lo. Ela prendeu a respiração e sentiu o coração tamborilar forte em seu peito.
— Não posso me casar com Lorde Billy. - Disse rápido em um súbito momento de coragem.
Ela observou quando o pai se levantou, Pedro caminhou pelo aposento e logo explodiu em uma risada irônica.
— Não me lembro de ter colocado isso em discussão Claire.
As lágrimas que estavam se acumulando em seus olhos de repente começaram a jorrar deles, ela m*l podia se controlar. Todo seu corpo começou a tremer e a pele dela estava em chamas.
— Papai, o senhor não pode fazer isso, por favor.
Ele a olhou de soslaio, não era nenhum bobo, havia visto a filha com Lorde Stirling algumas vezes, era um rapaz jovem, inconsequente e que só queria deflora-la, isso se já não o tivesse feito. O reverendo sentiu o rosto arder de raiva.
— Deseja mesmo se tornar a p********a de Lorde Stirling? .- Ela pulou perante o nome dele e seus olhos se abriram mais do que o normal. Pensou em perguntar como o pai sabia, ou como havia descoberto, mas seria ridículo demais. — É o maior libertino de Londres, se gostaria de saber. Já se deitou com mais números de mulher do que o que você tem de idade. É tão tola a ponto de acreditar que um futuro Conde a amaria de fato? Ele apenas quer leva-la para cama, isso se já não o fez.
Ela ergueu o queixo de maneira perigosa, não acreditava em nenhuma palavra do pai e não se deixaria levar por ele.
— O senhor não sabe do que está falando. - Ela fungou tentando controlar as próprias lágrimas. — Ele me pediu em casamento e não, Robert não me levou para sua cama.
O pai a olhou com o mesmo olhar de deboche que se perpetuava em seu rosto.
— E nem sequer tentou? Oras Claire, pensei que fosse menos ingênua.
Ela retrocedeu, como se tivesse levado um soco no estômago e já não era capaz de dizer mais nenhuma palavra.
— A resposta querida, é não. Você não irá romper com Lorde Billy, será a esposa de um Hyde e não a p********a de um Stirling maldito.
~
Na outra extremidade do navio, Robert havia solicitado uma reunião em particular com o filho. O Conde estava sentado atrás de uma pomposa mesa de madeira enquanto analisava alguns papéis, desembarcariam em dois dias e tudo devia estar perfeitamente correto.
Robert entrou após uma batida na porta. O pai ergueu a visão, mas limitou-se a fazer um simples movimento com a mão indicando que o filho entrasse.
— O que foi? .- Perguntou o pai.
Ele encolheu os ombros e se aproximou lentamente.
— Gostaria de conversar com o senhor.
Jonny indicou com a cabeça dessa vez. Ele deixou os papéis de lado e encarou o filho.
— Vou me casar.
Ele observou quando a feição do pai mudou completamente, o duque abriu um sorriso satisfeito e abraçou o filho.
— Graças a Deus, e quem é a felizarda? Lady Thompson, a filha do conde? Não pense que não os vi conversando muitas vezes no jantar. Oh, tem também Lady Ferington, é encantadora e filha de um Duque também.
Robert pigarreou e se afastou do pai.
— Lady Claire Whistledown. - Disse em alto e bom som.
O pai em um claro gesto de desespero levou a mão ao peito e se sentou novamente. Por Deus, não podia estar falando sério. Hyde era de longe a empresa que mais o trazia lucro e além do mais, a moça em questão era uma pobre do campo, não poderia nunca herdar o título de Condessa.
— Só pode ter enlouquecido. - Disse massageando o peito.
Robert endireitou a postura e o olhou com um olhar de poucos amigos.
— Estou perfeitamente bem, meu pai, e lhe asseguro que muito são.
O velho grunhiu e Robert aproximou-se para se certificar que ele estava bem, como resposta, o Conde o afastou enquanto murmurava um baixo '' não encoste em mim. ''
— Não é claro que não passa de uma caça tesouros? Primeiro o dono de uma indústria e agora um futuro Conde? Ela deve ter se dado conta de que é melhor um título do que infinita fortuna.
Ele sentiu vontade de avançar no pai, não podia aceitar que falasse assim da mulher que amava. Deu um passo para frente enquanto mantinha os ombros rígidos, ele se abaixou na altura do pai e o encarou, seus olhos ardiam de raiva.
— Nunca mais abra sua maldita boca para difama-la, está me entendendo? Eu vou me casar com ela, queira o senhor ou não e caso não tenha se dado conta, não estou aqui pedindo, estou avisando.
Jonny começou a rir e Robert se viu muito perto de esganar o próprio pai.
— Case-se com essa meretriz e nunca colocará a mão no título. Não permitirei que essa ... essa ... caça tesouros carregue o nome da minha família.
— Pois que dê o título a quem desejar. - Robert respondeu de maneira desafiadora, sabia que o próximo na fila era Eder, um primo distante e nada amigável que morava no Brasil, céus, o homem nem mesmo sequer falava a mesma língua que eles.
O conde passou a mão pelo cabelo bagunçando tudo. Como Robert não podia entender que a moça só queria se aproveitar dele? Como não podia enxergar algo tão óbvio.
— Diga a ela que será deserdado, que não terá mais um tostão furado e veremos se ela não partirá amanhã com Lorde Billy.
Robert o encarou e maldisse algo antes de sair batendo a porta. Havia conhecido Claire a ponto de se jogar do navio em movimento simplesmente porquê não queria se casar com Lorde Billy, porque maldição devia acreditar nas palavras do pai? E por qual maldito motivo algo dentro dele se via tentado a testar a teoria?