Cap. 2

1681 Words
Billy estava sentado elegantemente ao lado do reverendo e os dois homens conversavam como se fossem dois homens de negócios - o que era ridículo, visto que o único negócio conhecido por seu pai era a Bíblia. - — Bom dia milorde. - Claire fez uma curta reverência a Billy, em seguida, se virou para o pai. — Papai. — Bon dia cavalheiros. - Saltitou Julie e se sentou ao lado do pai. O reverendo tinha todos os defeitos do mundo, isso incluía sua fascinação por dinheiro, a forma rude na qual geralmente sempre tratava a filha mais velha e algumas outras coisas mais, mas Julie era sem duvidas tratada como uma rainha. Ele estendeu o dedo e apertou gentilmente o nariz da pequena, Julie emitiu uma risada gostosa de se ouvir e Claire abriu um sorriso - unicamente por causa da irmã - mas Billy não deve ter entendido isso, pois abriu um sorriso para ela e indicou para que ela se sentasse ao seu lado. Billy sabia que Claire não tinha sequer um tostão, era uma garota simples do campo, mas simplesmente havia se fascinado desde a primeira vez que a vira. Claire era dona de um par de olhos azul anil, o cabelo acobreado que formava sempre um coque muito cheio e a pele alva. A moça era tão formosa que na primeira vez que a vira, ficara sem fôlego. Billy não se importava com o fato de ela não ter dinheiro, na verdade, ele também não tinha, quem tinha era seu pai e além do mais, seria muito bem visto aos olhos dos pobres que se casasse com uma garota que não possuía nenhuma riqueza. Inicialmente, Billy havia pensado que seria muito fácil viver uma vida com Lady Claire, era uma garota humilde e até aonde sabia, sem muito conhecimento, ele pensou que ela não se importaria caso ele desejasse ter uma vida dupla porque obviamente não dispensaria todas suas belas amantes por uma única mulher. O que Billy não esperava era que a moça em questão falava russo, francês, alemão, inglês e um pouco do português. Aos oito anos Claire havia decidido sozinha que precisava aprender todas as línguas possíveis, ela defendeu seus ideais para o pai e a contragosto Pedro acabara cedendo. A garotinha se empenhou dia após dia, não saia para brincar e não tirava a cara de dentro dos livros. Claire era sem duvidas a personificação de empenho, e quando ela colocava algo na cabeça ... Por Deus, era mais fácil arrancar fora a cabeça. Sem muitas opções - apesar de ser muito decidida, Claire nunca era descortês - ela se sentou ao lado de Billy. — Como passaram a noite? .- Ele perguntou sorridente enquanto mesclava o olhar entre Julie e Claire. Claire mordeu a própria língua, pensou em dizer que precisou trancar o próprio quarto com medo do que ele podia fazer. Pensou em dizer que desejou se lançar em alto mar e pensou em um milhão de coisas desagradáveis que gostaria de falar naquele momento, mas ela pigarreou, clareou a garganta e abriu um sorriso muito forçado. — Excelentemente bem milorde, obrigada. Julie a olhou de soslaio, ainda era jovem demais para entender que a irmã apenas estava sendo educada e pensou que Claire podia de repente ter algum distúrbio de personalidade. — Eu dormi muito bem, exceto pelo balançar do navio, é terrível. - A menina disse despreocupada enquanto estendia o guardanapo no colo. — Fez sua oração?.- Questionou o reverendo a filha mais velha. Claire que nesse momento estava atacando uma tortinha de morando com caramelo se limitou a assentir, nunca passava um dia sem orar. Aprendera a fazê-lo quando ainda era bem pequena, então era como se aquilo fizesse parte dela, quando não o fazia sequer conseguia dormir bem. — E você? .- Ele indicou em direção a Julie. A menina de cabelo preto e bochecha rosada abriu um sorriso inocente, ela encarou o pai com seus olhos castanhos amendoados. — Não consigo dormir se não o fizer, papai. Billy analisou bem a cena, pensou talvez fosse melhor que Lady Claire tivesse um pouco da amabilidade de Lady Julie, a criança era mesmo um doce. Não tinha muito convívio com a família, na verdade os conhecia a pouco mais de uma lua. Pedir a mão de Claire fora muito mais fácil do que podia ter imaginado, e ele sabia que isso era dado graças a sua fortuna. Antes de pedir a mão de Claire ouvira muitos dizerem que o reverendo era um homem terrível, muito bravo e não daria a mão de sua filha - a mais bonita da cidade - para qualquer um. Billy descobrira que ela havia negado dezenas de pedidos de casamento e por Deus, a garota ainda tinha dezessete anos, ele nem queria imaginar o estrago que seria se ela completasse vinte ainda solteira. Ele clareou a garganta enquanto se preparava para o que tinha que dizer. Um momento de silêncio e todos estavam prestando atenção em Billy. Ele pegou a mão de Claire e a levou até os lábios. Ela sentiu o coração saltar no peito, mas não pelo mesmo motivo que via nos livros, ela só queria correr e não sabia para onde, visto que todo canto que olhava só podia ver água. — Oficializaremos hoje nosso noivado. - Billy ergueu a xícara em que bebia seu chá matinal e a atenção de todos aristocratas se voltaram para ele. — É com muita alegria que convido a todos vocês para o meu jantar de noivado com a srta. Whistledown. Os presentes começaram a aplaudir e de soslaio Claire pôde constatar um brilho vitorioso no rosto do pai. Julie encolheu os ombros, a menina sabia que a irmã não estava feliz com o rumo que as coisas estavam tomando, então simplesmente não podia aplaudir, não podia sorrir e não podia estar feliz, porquê Claire não estava. Claire forçou um sorriso - que obviamente não seria capaz de convencer ninguém -. E continuou seu café, mas as rosquinhas m*l desciam por sua garganta fechada. A noite de seu noivado havia chegado e Claire não tinha parado de chorar sequer um segundo. — Preciso mesmo que a senhora para de chorar para que eu tente consertar a maquiagem. - Disse a senhora que Billy se encarregara de arruma-la. Claire obviamente não tinha tinha serva, se queria algo, ela mesma fazia e tampouco tinha alguém para arruma-la. — P-perdão. - Sussurrou em meio a um soluço. No canto do quarto Julie observava a irmã. A menina estava encolhida e abraçava o próprio corpo com seus bracinhos esguios. — Precisa mesmo fazer isso? .- Julie perguntou com os olhos marejados. Claire assentiu com a cabeça porquê não via nenhuma outra solução. — Mas podemos tentar ver o lado bom. - Julie disse tentando animar a irmã. — Você será rica, muitíssimo rica. Claire emitiu uma risada desconcertada em meio as lágrimas e uma fungada. — Ainda é pequena demais para entender tanta coisa meu amor. - Ela puxou a irmã para um abraço terno. — Mas eu farei o que puder para que você nunca tenha que passar por isso, tudo bem? — Eu acho que gostaria de me casar com um homem rico, ele poderia me dar quantos pôneis eu quisesse. Claire riu novamente, impossibilitada de conter a si mesma. — Na minha idade, não irá mais querer pôneis Ju. Julie olhou a irmã, inclinou a cabeça e a analisou por alguns segundos. Não fazia ideia do que ela estava falando, então levantou o braço e fez um sinal de tanto faz, no momento queria vários pôneis e isso que importava. — De toda forma, Lorde Billy deu uma ajuda de custo ao papai, mesmo que não se case com ele, temos um bom dinheiro. - Ela riu travessa. Com aquela revelação - que até então era oculta a Claire - um milhão de pensamentos e ideias de como não se casar com Lorde Billy surgiram em sua mente. Ela ergueu o queixo e deixou que a mulher que a arrumava continuasse fazendo-o. De repente, seus olhos se secaram e ela engoliu em seco, qualquer realidade seria muito melhor do que se tornar esposa de Billy e agora que sabia que Julie não se prejudicaria por causa dela, suas ideias apenas tomaram força. — Você é um anjo Julie, nunca se esqueça que amo você. - Ela puxou a irmã, a abraçou e lhe beijou o topo da cabeça. As duas Whistledown seguiram juntas para o salão principal. Lorde Billy realmente planejara uma feste e tanto para comemorar o noivado. Ele estava sussurrando algo no ouvido de uma das garçonetes quando Claire chegou. Billy m*l podia se manter de pé, e o mesmo enjoo que sentia sempre que o via se fez presente. Ele cambaleou para um lado e para o outro e bateu em algumas paredes até conseguir chegar até ela. — Aí es-eta... - Ele soluçou. — Está minha. Minha. Noi-va. Billy a puxou pela cintura e beijou o pescoço de Claire, por Deus, ela queria cavar um buraco e se enfiar. O bafo dele estava intragável e não havia sequer uma parte de sua roupa que não estava amaçada. — Se não se deitar comigo hoje .- Disse com dificuldade enquanto apontava o indicador para a garçonete. — Ela irá. Claire o afastou, na verdade o empurrou e bufou. Todos estavam olhando a cena que Billy estava fazendo e sorrir simplesmente tinha se tornado algo impossível para Claire. — Então durma com quem desejar milorde, a camareira, a moça da limpeza, a senhora que o estava servindo ... - Ela abriu um sorriso vitorioso e ergueu o queixo de maneira condescendente. — Qualquer uma pode ser sua, menos eu. — Não seja credi-tina Claire, quero você, maldição. - Ele gritou. Ela o puxou pelo braço e o encarou com fúria nos olhos. Ele podia envergonha-la, mas não a Julie, a irmã estava encolhida no canto do salão visivelmente amedrontada. Claire abriu um sorriso irônico. — Pois é tudo o que não terá.
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