A casa exalava o cheiro de podridão disfarçado de limpeza. Cada superfície brilhava com uma luz doentia, como a pele de um cadáver bem embalsamado. Samara movia-se pelos cômodos como um fantasma assombrando sua própria vida, seus passos abafados pelo carpete que parecia absorver sons e almas. A piscina lá embaixo continuava seu carnaval de carne sorridente, mas agora Samara via-a com outros olhos. Não era mais apenas o símbolo de sua solidão, mas um altar onde sacrifícios seriam oferecidos. Ela se vestia diante do espelho, observando as veias azuis que mapeavam suas coxas como rios em um mapa de território conquistado pelo tempo. Aos 46 anos, seu corpo não era mais seu; era um documento histórico de desejos não realizados, um arquivo de necessidades reprimidas. Quando o filho saía com a

