(Autor) A manhã chegou sem pedir licença. A luz atravessou as janelas altas como lâminas pálidas, cortando o quarto em faixas de frio. O castelo não acordava — ele vigiava. Sempre vigiava. Eleanor caminhava descalça pelo chão de pedra. O frio subia pelos pés, pelas pernas, instalava-se no ventre como um aviso antigo: você não pertence aqui. Ela não dormia mais. Apenas fechava os olhos por alguns minutos e acordava dentro do mesmo pesadelo. A vila vinha primeiro. Sempre vinha. O cheiro de pão. Crianças correndo. Farinha nas mãos. Depois, os cascos. Depois, o estandarte do Leste rasgando o horizonte. E então o pensamento. Será que tem realmente alguém vindo me salvar? Não era esperança. Era desespero. E sempre que a pergunta surgia, ele vinha também. O soldado dos sonhos. Os ol

