O shopping estava cheio naquele dia. Cheio de gente, de luzes, de vozes misturadas, de sacolas balançando nas mãos das pessoas. Eu empurrava o carrinho das meninas com cuidado, desviando de um lado para o outro, enquanto minha mãe caminhava ao meu lado, comentando sobre uma vitrine que tinha chamado a atenção dela. Cristina dormia profundamente, com a cabeça levemente tombada para o lado. Luara estava acordada, olhando tudo com curiosidade, os olhinhos atentos a cada movimento. Eu me sentia leve. Era estranho perceber isso, depois de tudo o que vivemos. Mas ali, naquele momento simples, eu estava leve. Ria das observações da minha mãe, respondia com comentários distraídos, sentia aquele tipo de felicidade silenciosa que não faz barulho, mas ocupa tudo por dentro. As meninas estavam bem.

