Jardim de Eternidades

2251 Words
— Será que eu engravidei? Changkyun continuava sentado sobre o colo do alfa, a cabeça deitada sobre seu peito enquanto os dedos do loiro faziam carinho em suas costas. Ele poderia ficar ali para sempre e não se cansaria, se sentia completo, declarar seu amor fora como ter uma epifania, agora tudo em sua vida parecia ter mais sentido e estar mais colorido, estava tão relaxado que poderia dormir ali e a ideia de ter o cheiro de Jooheon com ele pelo resto da vida lhe parecia ser perfeita, tudo estava perfeito e rogava internamente aos deuses para que continuasse assim. — Temos muito tempo para ter um bebê, Chang, não precisa ter pressa. — o alfa respondeu, a voz tão arrastada e baixa, falava perto de seu ouvido e o timbre vibrava em seus tímpanos, aquela voz o deixava lento, manso como um gatinho indefeso. Mas o ômega queria, queria ter muitos filhos com Jooheon, um alfa para herdar o trono, um ômega para ser cortejado e desejado por todos do reino, quem sabe um beta rebelde, herdeiro de seu temperamento tempestuoso. Não importava, Changkyun queria montar sua família com o Lee, m*l podia esperar por isso. — Tem tanta coisa que eu ainda quero viver ao seu lado, nós temos um mundo para conhecer. — o alfa disse — Quando eu assumir o trono, é provável que meu tempo se torne curto e até lá eu quero aproveitar o máximo de tempo com você, pra conhecer cada detalhe seu. — E se você não gostar dos detalhes que conhecer? — Tenho certeza que esses detalhes só me farão o amar ainda mais. O ômega afastou seu rosto, se ajeitou para poder olhar nos olhos do alfa, a palavra “amar” havia sido dita com tanta naturalidade e certeza que o havia deixado assustado. O Im passou os dedos pela bochecha do loiro e em seguida pelos lábios, apreciando aquele caminho. — Você me ama, alfa? — Você sabe que sim. — Mas eu quero ouvir você dizer. Jooheon segurou sua mão, entrelaçou seus dedos e passou poucos segundos olhando para as suas mãos juntas, elas pareciam ter sido feitas apenas para isso, eles próprios pareciam ter sido feitos apenas para isso, para estarem juntos, juntos de um jeito que ninguém pudesse separar. Jooheon queria que sua vida fosse assim a partir daquele segundo, onde ele estivesse, Changkyun também estivesse. — Eu te amo. Um sorriso se alargou no rosto do mais novo, um sorriso que poderia se tornar eterno a partir dali. — Por favor, nunca pare de me dizer isto. — a voz saiu implorada, meio ordenada, meio pedida — Eu preciso dessas palavras para respirar. — Poderia repeti-las pelo resto de nossas vidas. — o alfa sussurrou, seus rostos tão juntos, as respirações se misturando, Changkyun podia sentir os lábios do Lee roçando aos seus — Eu te amo... Te amo como nunca ousei amar, o amo desde o seu primeiro sorriso, sorriso este que desejo pintar em todas as minhas telas, gravar em minha mente. Como poderia seguir sem aquilo? O jeito que Jooheon falava consigo era perfeito, o derretia por inteiro, o fazia querer ser pra sempre dele. Finalmente percebera, pertencer a alguém não era sinônimo de se submeter a ela, mas sim de se encaixar perfeitamente em seus braços e querer estar ali pra sempre. — Precisa parar de me deixar tão bobo, eu nunca tenho palavras pra te responder. — confessou, sentindo-se minimamente tímido diante das declarações do alfa, sem palavras à altura em seu vocabulário. — Então me responda com beijos e eu já terei entendido tudo. O menor enlaçou suas mãos atrás da nuca do alfa, alcançando seus lábios em um beijo doce e lento, com vontade de tornar aqueles segundos em eternidade. O loiro espalmou seus dedos pelo abdômen alheio, os deslizando por ali e arrancando um gemido contido e cortado do ômega. — Precisa voltar pro seu quarto e se vestir, temos que nos casar hoje ainda, não sei se lembra. — disse o alfa, mesmo que ele próprio não quisesse que o ômega fosse. — Não quero sair de perto de você. — o menor o abraçou fazendo manha. — Mas tem que ir, meu amor, não vai demorar muito pra podermos ficar juntinhos a noite toda, podemos ficar assim o dia todo amanhã se quiser. — Eu quero. Mesmo à contra gosto, o menor se ergueu da banheira, um pouco envergonhado por estar completamente nu. Viu que seu roupão boiava na água e catou com os olhos qualquer coisa ali para o cobrir, seu quarto ficava bem perto, se corresse ninguém além dos guardas na porta o veriam. Encontrou o roupão do alfa, que ficava um pouco grande, mas já servia para poder sair dali mais decente. — Minhas pernas estão tremendo. — o ômega confessou. — Agradeça aos céus por estar andando. — ele disse, o sorriso sacana surgindo no rosto — Porque amanhã não vai conseguir. O ômega se aproximou da banheira novamente, sentando na beirada ao lado de onde o loiro estava, eles se olharam, o menor puxou o alfa pelo queixo. — Isso é uma ameaça? — Eu diria que um aviso prévio. Talvez ele só não soubesse exatamente como reagir, nem precisava, só tinha que esperar e pagar pra ver, mas não duvidava de nada e bem lá no fundo queria isso, queria que todas as suas noites com Jooheon fossem banhadas pelo desejo que sentiam um pelo outro e que esse desejo jamais acabasse. Ele deixou o quarto do alfa, passando acanhado pelos guardas, que muito provavelmente haviam ouvido tudo, correu para seu quarto, um sorrisinho sapeca em seu rosto, as bochechas vermelhas e as pernas tremulas como galhos em ventania, mas extremamente feliz e satisfeito com o que havia acontecido, se sentindo o centro do universo, como se o próprio sol girasse ao seu redor. — Pelos deuses, majestade! — fora a reação de Hyungwon assim que o noivo real cruzou as portas do aposento. Todos os outros ômegas que outrora o ajudavam no banho ainda estavam lá, sentira falta apenas de sua mãe, que por algum motivo não estava mais lá — Eu fiquei tão preocupado. Changkyun olhava para todos meio perdido, uma expressão estranha estava em seu rosto, um sorriso feliz, mas ao mesmo tempo confuso. — Saiam todos daqui, só quero que o Hyungwon fique! — ele ordenou, os demais servos demoraram um pouco para começar a se mover, mas logo todos já haviam saído. Hyungwon estava muito confuso com tudo aquilo, eles tinham poucas horas até o casamento e o Im perdendo cada vez mais tempo, já não bastava ter sumido por tanto tempo, aparecia mandando todos saírem? Ele não fazia ideia do quanto estava mesmo atrasados. — Onde estava? — Com o alfa que eu tanto amo, Hyungwon, eu preciso te contar tudo!     [...]     Tudo estava tão bonito, ele estava tão bonito, as flores estavam tão bonitas, o tapete estava tão bonito, as luzes estavam tão bonitas. Changkyun segurava as mãos de Jooheon sentindo que poderia ir ao chão à qualquer momento, ele tremia por inteiro, do outro lado daquela por uma imensa multidão aguardava ansiosa para assistir a união perfeita entre o príncipe e seu ômega escolhido. Bem ali, do outro daquela porta centenas de pares de olhos notavam todos os seus detalhes e mesmo que o Im fingisse que não importava, sentia medo do que as pessoas julgariam de seus detalhes. Seria ele o suficiente para o príncipe? — Olhe pra mim, só pense em mim. — o alfa apertou suas mãos, seus olhos transmitiam toda a confiança do mundo. Changkyun assentiu e os dois entraram juntos no enorme salão lotado, haviam pessoas de diversas partes do reino, nobres que haviam sido convidados para prestigiar um dos maiores acontecimentos do reino, o casamento do futuro rei, certamente que ninguém queria estar de fora desse acontecimento. Príncipes de outros reinos também se encontravam ali, certamente dispostos a uniões. Quando um príncipe se casava com um nobre de outro reino, ele desejava aliança com o mesmo, mas quando se casava com um plebeu, ele se unia ao próprio povo, fortalecendo os níveis de confiança entre a corte e seus súditos. Do lado de fora uma multidão se aglomerava, prontos para festejar juntos, não havia tido um só aldeão que não havia sido convidado para aquela enorme festa. Os noivos usavam azul, cor que representava a lealdade qual teriam um com o outro a partir daquele dia, um casamento representava um novo começo, uma nova pagina a ser rabiscada em suas vidas, um livro ao qual o casal deveria escrever juntos, era de certo que os casamentos eram os eventos mais bonitos. Eles caminhavam lada a lado pelo enorme tapete dourado, Changkyun sentia seu coração ao ponto de sair pela boca, as pessoas ali presentes eram tão bonitas e se vestiam tão bem, mas qualquer pensamento negativo era afastado de sua mente sempre que sentia o contato da mão do alfa contra a sua, ele o havia escolhido, ele o amava e era apenas isto que importava naquele momento e também para todo o sempre. Os noivos se sentaram frente a frente, entre algumas almofadas vermelhas. O sacerdote proferia palavras bonitas, que falavam de amor e cumplicidade, pontuando tudo o que fazia um casamento ser feliz para ambos, discorrendo sobre o quanto é importante que o alfa respeite seu ômega e o proteja como se protege uma flor, sobre o quanto o ômega deve compreender seu alfa e o fazer completo, sobre a perfeita união entre alfas e ômegas. — Podem fazer suas juras. O momento das juras sempre era o mais aguardado, todos queriam conhecer as palavras que os noivos guardavam em seus corações e principalmente descobrir que joias eles presenteariam seus parceiros. Em casamentos de pessoas mais simples e pobres, eles presenteavam seus parceiros com objetos de valor sentimental, podendo vir a ser qualquer coisa que lhes couber. Em casamentos de nobres, eles presenteavam com joias pertencentes as suas famílias. Changkyun não crescera como nobre, não era como se sua família tivesse centenas de joias as quais poderia escolher, mas naquela tarde sua mãe trouxe com ela uma joia que há muito tempo guardava, da qual ninguém sabia da existência, fora uma surpresa para o ômega quando ouviu a história por trás dela. — Eu, Im Changkyun, alguém sem titulo algum, trago para ti uma pulseira de rubis, última memória deixava por meu falecido pai, como sinal do que guardo em meu coração, a ti entrego tudo o que existe em mim e rogos aos deuses para que tornem a nossa união algo eterno, eu o amo com todas as minhas forças, príncipe Lee Jooheon e contigo desejo estar até a velhice e compartilhar com você todos os meus dias, tanto os felizes, como também os tristes, até que não sobre mais ar em nossos pulmões. O ômega prendeu a pulseira no pulso do loiro, abrindo um sorriso acanhado, era tão difícil fazer declarações com todas aquelas pessoas olhando, esperando pelas palavras mais bonitas, suas mãos estavam tão frias e aquele dia estava tão quente. Jooheon o olhava com ternura, com amor. — Eu, Lee Jooheon, príncipe herdeiro do reino de Kallidya, trago para ti a primeira tiara utilizada por meu pai ômega, tiara esta dada no dia de seu casamento com o rei, como sinal de que estou convicto de que fiz a escolha certa, confio a ti a felicidade dos meus dias futuros e anseio mais do que tudo te tornar o ômega mais feliz desse mundo, o meu amor por você não tem tamanho e nem toda a água do mar poderia o medir e mesmo que juntassem com todos os grãos de areia ainda não seria o suficiente. — o príncipe estendeu a tiara até a cabeça de Changkyun, a encaixando perfeitamente entre seus fios castanhos — És agora não apenas meu marido, mas também príncipe em Kallidya. Changkyun queria chorar, como é possível amar alguém tanto assim? Aquele sentimento todo arrombava seu peito. — O alfa já pode marcar o ômega. O Im estava tão nervoso e ansioso por aquilo, os pelos de sua nuca se arrepiaram todos quando o alfa afastou o tecido de sua camisa e lentamente cravou seus dentes naquela pele tão macia e cheirosa. As forças de seu corpo se esvaíram por completo e ele se sentiu zonzo enquanto uma imensa onda de prazer o atingia, sempre lhe disseram que a marca era extremamente prazerosa quando o casal se amava de verdade. Via tudo ainda embaçado quando seu corpo foi erguido e o alfa o carregou no colo para fora do salão, ouvia apenas o barulho das pessoas, que lhes faziam desejos de um casamento próspero e fértil. Quando percebeu seu corpo já estava sendo depositado em uma cama grande e macia, o cheiro do alfa estava por toda parte. O loiro o abraçou quando deitou ao seu lado, naquele momento o Im se sentia muito leve, sorria bobo com aquelas sensações e mais do que tudo precisava de Jooheon ao seu lado, pra sempre e sem ficar um segundo longe, ele o queria por toda a eternidade. — Durma um pouco, mais tarde voltamos para a festa. — o alfa sussurrou, Changkyun estava sonolento. — Jooheon... eu te amo muitão. — ele disse, enfiando seu rosto no peito do loiro — Fique comigo pra sempre. — Eu vou ficar com você pra sempre.
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