Ouvimos o ronco das XT à distância, um som gutural que era música pros meus ouvidos. O Neguim já tava no ponto de extração. Olhei pro Gargalo e vi o mesmo brilho de vinte anos atrás, a mesma centelha de revolta. O Bonde do Ferreira podia ter crescido, podia ter mansão, família e conta no banco, mas quando a neurose batia e o sistema tentava nos encurralar, a gente ainda era o mesmo grupo de sombras que ninguém nesse asfalto conseguia segurar. A gente já tava quase sentindo o cheiro da liberdade e o ronco das XT no pé da trilha clandestina, quando o estalo seco de um cão de arma sendo puxado travou nossos pés no meio do matagal fechado. — “PARADOS! Mãos onde eu possa ver agora! Larguem os ferros ou a gente abre um buraco de ventilação em cada um!” — Uma voz grossa, vinda de trás de umas á

