O CALABOUÇO DO PROMOTOR: SANGUE, HONRA E O RUGIDO DO FANTASMA [NARRADO POR MURILO FERREIRA] Subimos a escadaria de granito imperial como se fôssemos feitos de fumaça preta, sombras desgarradas do inferno prontas para cobrar o dízimo da hipocrisia. O silêncio daquela mansão em Alphaville era tão profundo, tão artificial, que eu conseguia ouvir o tique-taque do meu próprio coração batendo no peito um tambor de guerra ritmado, treinado para não oscilar nem diante do abismo. Não era medo, nunca foi medo. Era uma sede de justiça cega, um ódio destilado que queimava as minhas entranhas como ácido, lembrando-me de cada humilhação que o sistema já jogou nas costas da minha família. No corredor vasto do segundo andar, iluminado por arandelas de cristal que custavam o preço de uma vida na Vila,

