[NARRADO POR MELISSA ROCHA — A DONA DA LEI] O mundo era um borrão de cinza opaco, um vácuo de oxigênio e um ardor corrosivo que eu nunca tinha sentido em toda a minha existência. O gás químico invadiu meus pulmões como se eu estivesse respirando brasa viva e vidro moído, cada inspiração era uma facada interna que me dobrava. A luz estroboscópica, aquela maldita frequência intermitente de alta intensidade, fritava meus nervos ópticos, transformando a realidade em um frame de filme de terror quebrado, onde cada movimento parecia uma fotografia de morte. Eu ouvi o baque surdo da coronhada um som seco, oco, de polímero contra osso craniano e o grito do Pulga sendo abafado por uma mão brutal, calando o deboche que era a alma daquela Vila. — “PULGA! NÃO! SOLTA ELE!” — Eu tentei gritar, jogu

