Chapter 20

1512 Words
Acordo com um sobressalto algum tempo depois, notando que Guilherme dormia ao meu lado. Gentilmente, me afasto, saindo da cama, vestindo meu vestido rapidamente. Vestida, pego minha bolsa e saio dali, caminhando em passos largos até meu carro. Segundo meu celular, passava de meia noite, o quê me fez começar a me preparar enquanto dirigia para casa, para uma inevitável discussão com Rubinho. Pouco tempo depois de estacionar o carro e olhar para a casa, vejo a porta entre aberta. Hesitante, me aproximo, abrindo a mesma devagar. Franzo o cenho ao me deparar com uma bagunça o dobro do dia anterior. Havia latinhas de cerveja por toda parte, restos de comida e indícios de que havia feito um churrasco dentro de casa. Passando pela bagunça, procuro por Rubinho, até encontrá-lo, deitado em minha cama completamente aberto, roncando. Inacreditável, penso, voltando para a sala, sem acreditar que todo meu esforço do dia anterior, havia sido em vão, já que a casa estava novamente parecendo um chiqueiro. Irritada com a situação, necessariamente comigo mesma, começo a arrumar a bagunça, aos poucos. Até que gradualmente, vai diminuindo e logo toda a bagunça e sujeira vai ficando para trás. Perto das duas e meia da manhã, estava novamente tudo limpo e toda a bagunça, havia se resumido a três sacos de lixo. Me sentindo exausta, devido a seção de sexo com Guilherme e toda aquela limpeza, faço a última coisa que estava estava no meu alcance, para mim: tomar um banho. É quando saio do banheiro, que as cólicas começam. Inicialmente fracas, aumentando gradativamente. Acreditando ser contrações de treinamento, decido esperar passar na sala e acabo que fico nisso até as 7 da manhã, esperando como uma i****a passarem, enquanto meu sexto sentido alarmado, dizia que havia chegado a hora. - Por que tá andando de um lado pro outro? - Rubinho questiona, ao levantar. - Estou com dor - digo baixo, me curvando sobre a barriga, quando outra contração me atinge - Acho que vou parir. Ele ergue as sobrancelhas. - Tem certeza? - Estou com dor! - digo sem paciência - Precisa de mais o quê pra ter certeza? - Então bora pro hospital logo - diz ríspido, voltando para o quarto em busca de uma camiseta. Me arrependi amargamente de ter dito para Rubinho que estava em trabalho de parto, quando chegamos no hospital. Precisei segurar ele, lembrar que havia outras pessoas em casos mais urgentes, quando quis arrombar a porta do consultório médico, porquê o médico estava demorando. Ele fez questão de entrar comigo no consultório quando chegou minha vez, apesar do meu constrangimento em ter que ficar com as pernas abertas na frente do médico, para fazer o exame do toque, ele ficou e me fez pelo menos o favor, de não fazer contato visual, para não piorar a situação. Seguindo o procedimento, me levaram para a sala de parto, ao constatar que estava com mais de quatro centímetros de dilatação. Estava naquela sala não muito grande, com apenas três camas forradas com um lençol fino com a logotipo do hospital. Dou um gemido abafado, me movimentando para frente e para trás num cavalinho de madeira no pré-parto. Não sabia que para parir, precisava passar pelo inferno, não já não tivesse passado por ele uma vez, mas aquela segunda vez estava acabando comigo. Minha respiração treme, quando tento respirar fundo, ao sentir outra contração. Aperto com força as pequenas madeiras que faziam parte do cavalinho, reprimindo um grito, não obtendo muito sucesso. Sinto ás mãos de Rubinho em minhas costas, passando ás mãos em toda extensão. Assim como eu, também estava ansioso e não via a hora daquele sofrimento acabar. - Aguenta mais um pouco - murmura se inclinando sobre mim, afagando minha barriga com ás duas mãos. - ...eu não aguento mais - Me sentia complemente esgotada. Eu sabia que parir não era uma tarefa fácil, mas não tinha ideia de que me sentia daquele jeito. A dor era insuportável mas, o medo de não conseguir trazer minha filha ao mundo era maior. Faço força instintivamente, sentindo quando algo desce pelo meu canal vaginal, parando. - Rubinho - chamo assustada, olhando para onde deveria estar minha v****a. - O quê? - Ele me olha preocupado. - Vai nascer - digo convicta - Estou sentindo a cabeça. Num movimento, ele se coloca para fora da sala, gritando por uma enfermeira no corredor. Não demora para aparecer, não só uma, mais duas, me ajudando a levantar e deitar em uma cama ao lado. - A cabeça já está visível - diz uma, após olhar a situação no meio das minhas pernas. - Então vamos para a sala de parto - Rubinho me ajuda a levantar, praticamente me rebocando, vestida na camisola do hospital, até a sala que fazia divisa com aquele cômodo, precisando passar apenas por uma porta. - Cadê o banquinho? - pergunto quando me deparo com uma maca alta e sem nenhum banquinho por perto. Sinto a cabeça da bebê descendo mais um pouco - Ela está nascendo - repito rapidamente. - Merda! - Rubinho murmura baixo, me pegando no colo, quando viu que as enfermeiras se moviam como baratas tontas, me deitando sobre a maca. Colocando um pé de cada lado, não consigo não fazer força, meu corpo estava agindo sozinho. - Respira fundo e faz mais força - diz uma enfermeira, após colocar luvas plásticas nas mãos, no meio das minhas pernas. Ela nem precisava pedir. Faço força o mais forte que ainda conseguia. Do meu lado, Rubinho segurava minha mãos, mantendo os olhos fixos na enfermeira. - Não dá! Não consigo! - digo sem conseguir evitar as lágrimas. Ela iria morrer dentro de mim. - Ei - diz Rubinho sério, atraindo meu olhar - Vai conseguir. No momento não tem a opção de não conseguir, é a nossa filha, caraio. Era a nossa filha, repito em minha mente, enchendo os pulmões de ar, fazendo força novamente, sentindo a cabeça dela escorregar para fora de mim, junto com o restante do corpo. Grito quando ela sai de dentro de mim, sentindo um alívio quando ela saiu, não somente por ter nascido, mas por ter saído de mim. Respiro pela boca exaurida, a observando chorar nos braços da outra enfermeira, que lhe fazia uns procedimentos, como enfiar um tubo em sua boca para tirar qualquer coisa do parto. Depois de a pesar e preencher duas pulseiras hospitalar, colocando uma em mim e outra nela, a enfermeira a entrega para Rubinho, que estava em suas costas esperando este momento. Ele a aconchega em seus braços com um sorriso bobo no rosto, a balançando gentilmente de um lado para o outro. Aquela cena acabou que valendo toda a dor que havia passado. A enfermeira no meio das minhas pernas, termina de costurar o quê nunca deveria ser costurado, me ajudando a ir para uma cadeira de rodas. Rubinho se aproxima com a nossa bebê, a colocando em meus braços. Ela era perfeita, rosto redondo, bochechuda e comprida como o médico havia lhe dito. Eu havia sido capaz de gerar e colocar um bebê no mundo. Meu corpo era capaz de fazer o milagre da vida acontecer. Só pude me sentir agradecida por ela ter aguentado tudo que passou dentro de mim e pelo meu corpo ter suportado todas as dores, não permitindo que nenhuma fizesse aquele momento não acontecer. Ergo a cabeça a caminho do quarto, sorrindo para Rubinho. Sentindo seus olhos brilharem ao olhar para o pacotinho enrolado em meus braços. Horas mais tarde, porém, aquele brilho dá lugar a nervosismo, quando ele recebe uma ligação repentina. Tentando amamentar Aurora, o vejo gesticular no corredor com o celular pressionado contra o ouvido e instantes depois, entrar no quarto após encerrar a ligação. - O que é que você tem? - pergunto quando se aproxima da cama, acariciando a cabeça de Aurora com as pontas dos dedos. - Não é nada. Rubinho era péssimo no quesito mentir. - Rubinho - Não estava com muita paciência naquele momento. Ainda estava me recuperando de um parto, além da minha b****a está toda costurada. Ele engole em seco, desviando o olhar para mim, tencionando o maxilar. - Vai saber mais cedo ou mais tarde mesmo - murmura. Estreito os olhos, franzindo o cenho - Sequestraram a Gabriela, mulher do Marco. Meu rosto suaviza, dando lugar a perplexidade. Com uma única frase vindo em minha mente: Quem era o responsável por trás daquele sequestro? Quem quer que fosse, não fazia ideia do inferno que tinha acabado de fazer. Marco vasculharia até as profundezas do inferno, se fosse necessário, para encontrar Gabriela e eu não mediria esforços para o ajudar. E se Gael estivesse atrás daquilo, como estava imaginando, com certeza tinha um aliado do meu lado. - Como você sabe? - pergunto olhando para minha filha em meus braços. Ele dá um sorriso cínico. - Todo mundo já tá sabendo - diz dando de ombros - Parece que foi lá no Jacarezinho. Aurora se mexe em meus braços, me fazendo balançá-la gentilmente.
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