Letícia Narrando A noite nem parecia nossa, pra ser sincera. Desde que eu e a Yara começamos a correr atrás de grana juntas, quase nunca existia esse lance de curtir fora do morro. Era sempre trampo, sempre alerta, sempre alguém do Alemão lembrando: “fica ligada, hein. Não vacila no asfalto.” A gente entendia. A vida lá em cima não dá brecha. Mas hoje… hoje foi diferente. O expediente terminou e, como sempre, eu fui pra casa da Yara. Ela já tava com aquela cara de quem queria esquecer o mundo, e eu entendi na hora. A gente se arrumou juntas — não só pra trabalhar na boate, mas pra viver um pouco. Pra respirar longe dos olhares dos meninos do Alemão, longe do controle, longe da tensão. Só duas meninas querendo existir sem peso, sem cobrança. O bico começou normal. Nada fora da linha. S

