Cuscuz narrando Quando deu a hora, eu nem respirei: meti o pé do barraco, desci o Alemão no pique e fui buscar a Mônica. A mina entrou no carro já daquele jeito safado dela, mão boba, sorriso de quem sabe mexer com meu juízo. Enfiou a mão no meu peito, desceu direto pro meu paü… segurei na hora. — Segura a onda, filha… hoje eu não tô pra gracinha. Mas por dentro? Eu tava um vulcão, sangue quente, cabeça chiando igual fio desencapado. Cheguei cedo até demais na mansão. Mônica desceu toda se achando dona do baile, rebolando igual quem manda. Os faccionado de fora já colando — carioca, paulista, geral se espalhando — clima pesado, só visão correndo. Eu ali, na contenção, olhando tudo, sentindo que tinha algo no ar que eu não tava pegando. Essa sensação de que o bonde tava andando sem mim

