Daniel Luzhin Se eu tivesse que descrever minha relação com Pietro Kuhn em poucas palavras, diria que ele é tolerável — na maioria das vezes. Não que isso signifique muito. Desde que minha irmã Irina apareceu com ele, não consegui decidir se odiava ou apenas desprezava o sujeito. Ele era tudo o que eu esperava de um Kuhn: arrogante, convencido e carregava aquele ar de quem acha que o mundo gira ao seu redor. Mas, para ser justo, ele não era o único culpado nessa bagunça. Irina, minha querida e teimosa irmã, tinha o dom de transformar qualquer situação difícil em algo quase impossível. Não importava o quão lógico fosse um argumento ou o quão óbvia fosse a solução, ela fazia questão de complicar as coisas. E Pietro? Bem, ele parecia atrair os piores instintos dela, fora os erros incontáv

