Pietro Kuhn Se eu pudesse descrever minha lua de mel em uma palavra, seria: desastre. Talvez eu estivesse sendo dramático, mas, francamente, não parecia. Desde o momento em que o jatinho pousou, Irina estava empenhada em me tratar como se eu fosse invisível, irrelevante. — Você vai ficar aí parado ou vai me ajudar com isso? — ela disse assim que pisamos na pista, apontando para as malas dela. Ela poderia ter pedido com mais educação, mas, claro, seria pedir demais. Mesmo assim, peguei as malas e a segui até o carro que nos levaria ao hotel, onde claro, ela me ignorou outra vez. Ela já não tinha dormido durante o voo inteiro? — ou fingido muito bem? — Ela precisava mesmo agir como se eu sequer existisse? O fato é que não trocamos uma palavra sequer desde que entramos naquele avião. Eu

