Nascidos para existência eterna nenhum dos sete selos poderia morrer, porque então Jimin tocava nervosamete a túnica angelical que cobria seu corpo e que estava intacta embora dois infernos tenham passado? Porque então permanecia calado enquanto caminhavam em busca do terceiro reino?
Morte não, mas a loucura poderia consumir o tronco de uma árvore, as ondas dos mares, almas errantes, a luz... a escuridão, como um vírus ele deslizaria pelas veias pulsantes ou carregado pelos ventos, e nem mesmo as sete maravilhas seria imune.
"Estaria a loucura me consumindo?" Jimin perguntava a si mesmo. Havia conversas soltas a sua volta, mas a preocupação tomava suas feições delicadas.
A morte da profecia não era sua preocupação de fato, mas sim os pensamentos que tivera enquanto tomava do corpo do anjo, não era ele, Jimin não gostava de anjos porque Taehyung não gostava de anjos: porque então desejou Jungkook com tal ardor que m*l reconheceu a sede de possuir que o tomou? Não era ele.
Taehyung... Taehyung era sua paixão de infância, o amor proibido e impossível que toda criança tem — todavia o seu se estendeu um pouco mais, mas para alguém cujo tempo passava devagar, duzentos anos eram meros duzentos anos.
Aceitou com um aceno que a luxúria o cegara, jamais desejaria Jungkook, o anjo ser tão belo não significa nada, e nunca levou adiante sua paixão pelo príncipe do inferno — era uma blasfêmia sequer pensar em lúcifer e amor na mesma frase.
Estava tendo pensamentos contraditórios a si mesmo, como se duas personalidades brigassem pela superfície, mas certamente era o inferno, logo mais que saísse tais pensamentos e emoções nada seria além de lembranças desagradáveis.
– Vamos ignorar mesmo a profecia sobre nós que fala de morte? — Seokjin parou bruscamente, estava agitado desde que Hoseok citou a profecia.
– Não ignoramos, apenas não julgamos importante.
Seokjin olhou Hoseok com espanto. — Você mesmo citou a profecia e não julga importante? Pois eu me lembro de algo sobre traição e sobre MORTE.
– Sim, claro. Mais as profecias não devem ser levadas a raiz da situação, muitas vezes a morte na profecia significa renascimento, e o traidor pode ainda não ter traído.
– Eu deveria me sentir mais seguro?
– Taehyung. — Namjoon falou derrepente e Seokjin o olhou em confusão. – O único que nos trairia. — Esclareceu.
– Não julgais e não serais julgado. — Citou Jungkook mecanicamente.
– Acho que tenho o direito de julgar Taehyung, que traiu o próprio pai e criador. O fato dele está aqui nos ajudando, de certa forma, é muito suspeito, a profecia fala dele, e nós seremos traídos.
– Qual fim da profecia lida no céu? — Jimin sussurrou, mas a audição de Hoseok poderia captar a mais leve batida de um coração.
– No canto mais sombrio
No lado mais bonito
Eles são o que tudo dita.
Embora vida, embora morte
Fazes eles então de consorte.
Destinado é o que são
Embora destinados a quê?
Destinados a vida
Ou a morte?
O sussurro mais sombrio
O beijo mais doce
Oh, fizestes dele seu consorte.
Na noite mais fria o sussurro dita
O beijo sente, um vida, duas vidas, ou sete.
– O beijo é mencionado duas vezes — Seokjin observou após um silêncio tástico. – Consorte, quem fara quem de consorte? Há muitas coisas, não posso entender todas.
– A maioria pode dizer muitas coisas. Não se apege tanto a uma profecia que pode se realizar daqui a cem anos. — O sorriso de Hoseok era como o sol depois da tempestade. – Essa mesma profecia tem trezentos anos, Jimin ainda não havia nascido, não há muito no que pensar.
Mas observando os olhos amertiza e o sorriso de Hoseok, Jimin sentiu que suas palavras não eram reais.
De fato, parte da profecia guardada no céu era agora verdade, eles tinham se tornado um, não mais sete.
Taehyung não deu indícios de notar as acusações direcionadas a si, de perfil ele tinha os olhos a frente, em algo que só seus olhos demoníacos podiam ver. Jimin fixou o mesmo ponto, estava quase desistindo quando uma pata peluda surgiu do escuro, saindo das sobras, a luz que vinha de Hoseok e Jungkook clareando sua outra pata, o troco e por fim a cabeça de um cachorro de tamanho médio, mais rosto feroz.
Montado em suas costas um garoto sorria genuinamente, embora não deixasse de ser macabro. Poderoso e sábio, Astaroth é um garoto nu, com asas de pena, usando uma coroa e segurando uma serpente em sua mão como um chicote. Príncipe da Vaidade, Rei do terceiro círculo.
– Eu os esperava no mais tardar. — Sua voz era suave, palavras calculadas. – No mundo de cima, nada mais é mencionado além de vocês.
– Astaroth — Taehyung se aproximou, com os dedos bonitos acariciou o focinho do cachorro que soltou um suspiro assustador de satisfação. – Como o inferno foi informado?
– O inferno inteiro não, eu apenas. Tenho subordinados em todos os lugares, e assim que Dariu deixou escapar a caçada de vocês no inferno eu fui informado. — O poder maligno que exalava de Taehyung e Astaroth, dois dos três líderes do inferno, era insondável.
'Deixar escapar' não era apropriado, sendo Darius um anjo — criatura feita para seguir cegamente e sem questionamento, ele jamais deixaria algo escapar, então propositalmente Darius permitiu que todo o mundo inumano soubesse que os sete selos estavam juntos.
Seokjin estava prestes a perguntar o porque, Astaroth sempre respondia a qualquer pergunta, sendo o demônio da vaidade ele não queria saber de tudo, ele tinha que ser o melhor, nenhum demônio podia ter conhecimentos há mais que ele, não porque isso o deixaria menos inteligente e sim porque o faria não ser O mais inteligente. Mais Namjoon foi mais rápido:
– Como foi a reação de todos ao saberem?
– Maravilhosamente bem. Faz muito tempo que todos vem sentido a fúria que ameaça se soltar no penúltimo círculo, até mesmo os humanos, que negam nossa existência até mesmo quando possuídos. Sabendo disso todas as raças com exceção dos humanos, estão tão felizes. Sete maravilhas, é como os chamam. De feiticeiros a ninfas, todos saúdam as sete maravilhas.
– Impossível... — Sussurrou Jimin. – Os feiticeiros não sabem de mim, apenas que recebem ajuda mas nunca me apresentei.
– Darius cuidou desta parte também.
– Porquê Darius faria tal coisa, o que o céu está planejando, estamos sendo feitos de marionete? — Seokjin não conseguia deixar de ser desconfiado, não em um mundo onde sua inteligência era medíocre e seus poderes inexistentes.
– Anjos não podem mentir.
– Mais podem contornar a verdade, podem ignorar uma pergunta não feita e dizer apenas o que quiser.
– O céu sempre tem seus próprios planos — Não havia desprezo na voz de Astaroth que todos os demônios tinha ao mencionar o céu, seu olhar era tranquilo e sábio. – Todos são feitos de marionetes quando o assunto é o mesmo.
Astaroth acredita que foi julgado m*l e punido de forma injusta, ainda defende a razão de ser reintegrado como um anjo.
"Como prova de que apoio o trabalho que assumiram, permitirei passagem direta, o inferno da vaidade não precisa ser enfrentado." — Seus olhos escuros observavam os movimentos de Taehyung em seu cão demoníaco, Jimin quase podia notar afeição em algum lugar ali.
— Mas...? — Taehyung se afastou do cão e fitou o demônio maior.
– Mas o humano fica.
Protestos surgiram de muitas direções, e Seokjin foi rápido em se esconder atrás do corpo forte de Namjoon: – Eu já disse antes mais não me importo em repetir, sairemos os sete, juntos.
– Não planejo fazer diferente, o que tenho para o humano é uma proposta que ele pode aceitar ou recusar. — Astaroth continuou, olhando sob os ombros de Namjoon. – Seokjin, é seu o inferno da Vaidade. E caso se pergunte o porque: a vaidade não é ser bonito ou inteligente, e sim sobre ser o mais bonito e o mais inteligente. Ouço daqui você se declarar mundialmente lindo pelo menos dez vezes por semana.
– Levou isso a sério? — Os olhos de Seokjin surgiram de trás do braço de Namjoon. – Era brincadeirinha.
– Eu não vou pedir que seja modéstio, mas vou pedir sua companhia temporariamente, quando terminar me dirá se aceita ou não ser meu discípulo.
– Você não espera que eu saia de trás do armário que é o Namjoon, acreditando que você e eu faremos um passeio no bosque, não é?
– Seokjin, vá — Jimin olhou para Taehyung exclamando revoltado: "vai entregar o Seokjin desta forma?" – O quê? Você acha que você colocá-lo em uma caixa para presente? Seokjin, em ocasiões muito raras Astaroth escolhe humanos como discípulos, ele passa um pouco de sua sabedoria.
– Porquê um demônio teria discípulos?
– Descubra você mesmo.
– Porquê humanos?
– O quê eu ensinaria a feiticeiros ou a fadas?
– Seus discípulos anteriores estão mortos não é?
– Humanos envelhecem e morrem, eu posso retardar mas não parar o envelhecimento. Mas você...você tem o que nenhum deles tinha, a imortalidade.
Muito lentamente Seokjin deu um passo a frente, Namjoon pareceu que ia impedi-lo mais mudou de ideia. – Você não vai me prender no inferno, certo?
– Certo.
– Nem me impedir de sair?
– Nem isso.
– Também não vai mudar meu rosto lindo?
– Não.
– Parece confiável. — Juntos, Astaroth e Seokjin se envolveram nas sombras e desapareceram.
O inferno não era quente como descrito em todos os lugares, tampouco fazia a mais leve brisa, o ar era sufocante e opressivo, a maldade estava até o último grão de terra que cobria o chão.
Seokjin era guiado pelo demônio em silêncio, céu vermelho completando a paisagem miserável, demônios de níveis menores passavam por eles com olhos maldosos em Seokjin, mais fugindo rapidamente ao ver Astaroth. Todos os lugares pareciam iguais, mais a cada quilômetro coisas como cabanas velhas ou palácios de pedra iam e vinham.
Temendo que tivesse feito a coisa errada ao se juntar ao demônio, o pomo-de Adão de Seokjin subia e descia devagar. — Não vou mata-lo. — Disse-lhe o demônio por fim.
– Não poderia. Estamos andando a muito tempo, eu pelo menos, você tem um cachorro gigante.
– Desejo levá-lo a um lugar. — Respondeu vagamente o demônio.
– Certamente. Mais para quê? Porque isso afinal.
– O quê você faz da vida Seokjin? — A pergunta o pegou de surpresa, e a resposta saiu mecanicamente:
– Você sabe, trabalho no hotel da minha mãe, sou um faz tudo, ela é exigente, fui obrigado a deixar a faculdade no último ano.
– Me deixe reformular a pergunta: porque não faz o que quer? Ou seu desejo é trabalhar em um hotel enquanto Namjoon cuida das florestas, Hoseok dos vivos, Yoongi dos mortos, Jungkook faz o que anjos fazem, Jimin salva treze bruxas de uma pira sem sequer sair de casa e Taehyung cuida do inferno enquanto sai e entra de guerras com Hades?
Seokjin parou, olhando o demônio encima do cachorro, Astaroth também parou. – O que você quer de mim afinal? Vá direto ao ponto.
– Quando Taehyung entrou em guerra com Miguel e foi forçado a se livrar dos cavaleiros do apocalipse, foi de Hades a ideia de tirar os corpos deles e os pretender, Hades e lúcifer ainda viviam pacificamente. Quando essa paz acabou o inferno foi dividido em inferno de lúcifer e submundo de Hades, o oitavo e nono círculo ficaram no submundo. Não é coincidência que os cavalheiros estejam agitados agora, acredito que Hades pretende liberta-los e usá-los para dominação dos mundos, o inferno e submundo seriam um só e ficaria na terra.
Mesmo estarrecido Seokjin não pôde deixar de perguntar, incrédulo: – Eu me perdi nesse lugar, porque até onde me lembro você é do m*l, anjos do bem, equilíbrio.
– O inferno é dividido entre os demônios que querem dominação total de tudo e àqueles que estão satisfeitos com esse lugar e que são obsecados demais por lúcifer pra desejar qualquer outra coisa, eu não gosto de mudança, é chato e cansativo.
– De fato. — Eles voltaram a caminhar, dessa vez lado a lado enquanto o cão os seguia. – Se há uma ameaça como essa, porque não contou para Taehyung ainda?
– Intuição. Faz um tempo que um subordinado contou-me da profecia de uma oráculo brasileira, eu esperei anos até que ela morreu para perguntar pessoalmente. — Parando novamente, o demônio fitou o humano que surpreendentemente não dava sinais de medo. – Só agora, séculos depois, a profecia começa a se realizar.
– Porquê sinto que não vou gostar disso?
– Eu discordo. A profecia falava de sete guerreiros que defenderia os mundos da maior guerra da história, liderados por um homem montado em um dragão.
– Existem dragões? — Seu sorriso era uma tentativa bem sucedida de esconder o pânico que se instalou em sua pele.
– Não posso contar aos sete selos que são os guerreiros da profecia porque não tenho poder para uni-los e se Taehyung souber na hora errada pode escolher o caminho mais agradável pra ele: Dominar tudo, se vingar do pai e assistir uma chuva de anjos cair do céu. Acho que cabe a você os unir Seokjin.
Respiração descompassada e peito apertado Seokjin se deixou desabar no chão. – Não sei de que lado está, não sei se mente, não posso acreditar nessa história sem provas, é insanas demais.
– Mais ela parece impossível? — O tom de Astaroth era compreensível, mesmo que seus olhos não escondessem a maldade.
– Não, não parece. – Admitiu Seokjin. — Eu sou humano, eu não tenho nada além da imortalidade.
– Você tem a vaidade que é um demônio para todos mas pra você pode ser uma qualidade. Não ser mais um, mais ser o melhor, um grupo precisa disso.
– Vaidade não é o bastante quando falamos das seis criaturas que domina o universo.
– Há outras forma, algo que pode aperfeiçoar tudo que já tem de bom em você. Um mergulho no Rio estige.
Seokjin riu enquanto tentava ficar de pé, o riso estridente e falhado ecoando como se pudesse atingir o céu vermelho. Cansado ele ficou de pé. – Um mergulho para a morte. Vamos contar essa história a eles.
– Não ainda, eu não sinto que devo provar nada a você, mais não tenho tempo a perder. Siga-me. — A caminhada fora breve desta vez, logo Jin estava diante de um muro de pedras tão alto que o topo se perdia no céu vermelho.
Para subir Seokjin precisou ir com Astaroth montado no cachorro que podia voar graças a um par de asas membranosas escondidas nas curvas de suas patas dianteiras. O muro no fim tinha apenas dezenove metros de altura e uma fumaça sombria causava a ilusão de altura infinita.
Uma vez alcançado o topo Seokjin desceu devagar do cachorro e contemplou a paisagem de corpos se movendo devagar, sem destino certo, milhares e milhares de pessoas de todas as formas pisoteado uma grama que não existe mais. – Esse muro é o que separa submundo e inferno. Na sua frete é o Campo de Asfódelos, as almas aqui depois do julgamento foram consideradas irrelevantes, não eram nem boas nem más.
– No Reino de Hades céu, inferno e purgatório ficam no mesmo lugar.
– Depois que você atravessar o Campo de Asfódelos, encontrará os campos elíseos, que é o paraíso, lá é onde todos os oráculos da Vida ficam depois da morte, a brasileira que falei está lá, encontre-a e pergunte por si mesmo sobre a profecia. O nome dela é Olívia.
"Acha que vou atravessar esse infinito de alm-" — As palavras de Seokjin se perderem quando Astaroth o empurrou do muro de pedras, mais ele ainda pode deixar um grito chegar ao demônio. – Filho da p**a!
A túnica angelical que cobria o corpo de Seokjin sacudia a sua volta, diminuindo a velocidade de sua queda e evitando a dor terrível de ter os ossos partidos e a tortura de senti-los crescer novamente. O cão demoníaco o pegou a vinte centímetros do chão, o arrastando pelo Campos de Asfódelos na velocidade da luz, embora Seokjin gritasse com o cão ele não voou mais alto, quando o passeio chegou ao fim os pés de Seokjin sagravam.
Ele se arrastou na grama verde, o cheiro de oliveira bombardeando suas narinas, por um longo tempo seu corpo descansou no chão, até ele notar um leve incômodo na b***a. Frazindo a testa Seokjin tateou os bolsos da túnica e tirou dele um remédio para o machucado de seus pés. Ele poderia beijar Jungkook agora.
A túnica não só os impedia de ficar sujos como também fornecia o que precisassem. Após aplicar e remédio e gemer em alívio pela dor que desapareceu, Seokjin se hidratou e caminhou pelos campos elíseos. A paisagem de frutas e casas eram um deleite aos olhos, mais Seokjin não sabia o que aconteceria uma vez que fosse encontrando dentro do Reino de Hades, então correu pelas casas gritando pelo nome da oráculo.
Havia poucas pessoas no paraíso de Hades, e todos eles pareciam descrentes demais pra reagir, por fim uma jovem negras de cabelos ondulados apareceu confusa, ela olhava Seokjin como se esperasse que fosse um demônio perdido.
– Olívia, oi, muito prazer, não sei que idioma falam por aqui.
– Eu não sei, todos simplesmente se entendem. — Ela ainda não ousava se aproximar.
– Que ótimo, meu português está sem prática. Eu vim te fazer uma pergunta, sobre uma profecia que fez a muito tempo.
– Isso foi a trezentos anos, e muitas profecias.
– Sei que dessa você vai lembrar...sete guerreiros e uma guerra. — Compreensão brilhou nos olhos dela e Seokjin tinha sua resposta, mais ele precisava ouvir isso, agora que estava aqui. — Vida quer saber, ele acha que pode ter sido mencionado nela mas você sabe...alguém como ele não passaria pelos campos da punição ou o Campo de Asfódelos.
– Não, não, ele não faria. — Olívia sorria como se pudesse imaginar o pai dos oráculos elogiando seu trabalho. – Não lembro o suficiente para repetir tudo, muita coisa é esquecida quando se chega aqui e os anos passam no paraíso. Mais sim, uma guerra terrível é dita, sete guerreiros liderados por um cavalheiro em um dragão, lutando até que já não se soubesse o que é vida e o que é morte.
Desta vez Seokjin montou o cão antes que ele o agarrase, ele não foi levado ao muro no entanto, pegando um caminho diferente o cachorro só o colocou no chão quando os campos ficaram para trás. Astaroth o esperava de pé olhando para a******a entre duas pedras. – E então...?
– Eu a conheci. O que um mergulho no Rio estige pode fazer?
– Conhece Aquiles, certamente. Ele foi mergulhado no Rio estige quando criança, e isso o fez do herói que era, força e poder, se sobreviver.
– E um calcanhar como ponto fraco.
– Isso foi um erro, seu calcanhar não foi mergulhado por isso ficou vulnerável. E você não teria um de qualquer forma, porque já é imortal, será invencível. — Ele se voltou para Seokjin. — Se vai fazer parte dos sete guerreiros precisa da força que o Rio estige pode fornecer.
– Quais são as chances de sair vivo?
– Depende se consegue ter em mente algo que não o permitirá ser consumido. — Seguindo o demônio Seokjin atravessou a a******a entre as rochas e encontrou o mar cor de lama que era o Rio estige, seu fim não podia ser visto, sua profundeza não poderia ser medida. – O Rio estige termina no inferno.
A água estava calma, todavia Seokjin sabia que assim que entrasse as águas tentaria consumi-lo como fez com milhares antes, se o fundo do Rio estige pudesse se encontrado, milhares de corpos também seriam.
Seokjin puxou pela cabeça a túnica angelical e a dobrou deixando-a perto do Rio, então contemplou o cemitério. – Vou responder a pergunta que você não respondeu anteriormente — Disse-lhe Astaroth atrás de si. – Não faz o que não quer porque não se acha capaz em comparação com os outros, mas independente de conseguir ou não unir as sete maravilhas, deve fazer o que tem vontade, viver como quer.
Tremendo, Seokjin caminhou até o Rio, seu corpo coberto até a cintura quando o Rio estige notou a vida humana e pareceu acordar de um sono profundo, uma forte correnteza puxava Seokjin para frente e ele lutou pra permanecer na superfície nadando contra corrente.
Mais sua resistência fraquejou quando a voz fria de seu pai falou perto de seu ouvido "Um filho...meu filho bicha...saia daqui, procure um lugar para ficar até eu pensar. Uma notícia dessas não pode chegar aos clientes." O rio atacava suas fraquezas para que pudesse consumi-lo.
Seokjin suplicou a sua mãe que entendesse, embora ela tenha se tornado uma mãe distante sempre preocupada com o que todos diriam, ela ainda era sua mãe. No entanto a resposta doeu muito naquele dia, e doía até hoje "Querido, talvez tenha tratamento, podemos pedir ajuda." Seokjin não ouvia suas respostas mais ele se lembrava perfeitamente do dia que seus pais lhe deram as costas. "Você nasceu assim? Não Seokjin, isso é besteira. Minha amiga tem uma filha linda, ela é tão doce, você vai mudar de ideia quando a vir."
Humilhado Seokjin arrastou as poucas roupas que a dor lhe permitiu pegar, então vagou por horas na rua até que uma senhora muito pequena lhe ofereceu uma fruta embora não tivesse muitas. Quando ela lhe ofereceu abrigo Seokjin sussurrou o aviso de que não era normal, parte de si acreditando nas palavras frias de seu pai. "Gay, você é gay? — Ela perguntou. – Ora, o que tenho a ver com isso? Quem liga se você é sabão em pó, vamos se apresse, esse frio vai matar essa velha senhora." Desde aquele dia Seokjin a amava como uma mãe tardia.
Seu rosto estava sendo consumido pelas águas, então o sorriso da velha senhora o fez usar toda força de seus braços para imergir. Se eu sobreviver a isso mandarei um f**a-se no ar, deixarei aquele hotel miserável e viverei como quero entre as criaturas sobrenaturais.
Com aquele mantra e o rosto bonito do homem que o fez não ter mais dúvidas sobre sua sexualidade, Seokjin lutou com a água, lutou pela vida e pra ver novamente o rosto daquele homem. Na época era inverno, Namjoon tinha cabelos brancos como a neve e olhos verde grama, vestia-se com um traje vermelho longo, Seokjin nunca foi capaz de esquecer aquele rosto, aquela voz poderosa, o ar ao seu redor e o cheiro de frutas frescas que vinha do homem.
Seokjin se arrastou para fora da água, tremendo vestiu a túnica que o aqueceu imediatamente, então sentou-se no chão em choque, havia sobrevivido a um mergulho no Rio estige. – De trinta homens, você é o primeiro que sai vivo.
– Você não falou dessa parte antes.
– Detalhes. Como se sente?
– Determinado, nada mais. — O cão demoníaco de Astaroth de repente rugiu e avançou pra cima de Seokjin, que se virou a tempo de socar o focinho do animal com tanta força que ele caiu a dez metros de distância. – Você viu isso? Caramba, incrível, incrível!
– O devolverei agora ou natureza virá buscá-lo pessoalmente.
– Não, você me prometeu conhecimento, eu desejo o pacote completo.
– Assim seja.

Embora a maioria deles não tenha olhado Seokjin voltar nas sombras como se tivesse sumido apenas um segundo atrás, nenhum deles saiu do lugar, como se o esperasse tão impacientemente que não foram capazes de mover-se, mais Seokjin não acreditava nisso.
Jungkook sorriu pra ele, mas no segundo seguinte correu os olhos por cada centímetro do corpo humano delicado e esbelto. A mudança era notável: olhos castanhos claros como mel, vivos e cheios de anseio, cada pequeno traço de beleza realçado e a espada na cintura.
– O que fizeste Jin? — Quando envolvido em uma emoção intesa Jungkook falava no idioma suave e cantado dos anjos, ele tinha falado a língua dos anjos para Jimin antes, mas sequer notará.
– Ele mergulhou no Rio estige. — Namjoon se conteve apenas por um segundo, então perguntou: – Porque fez isso?
– Eu não posso ser protegido por você a vida inteira, não é? — Brincou Seokjin.
– Qual o problema nisso?
– Vai me seguir em todo lugar pra me proteger de qualquer coisa?
– Se necessário. — Todos os olhos estavam em Namjoon e Seokjin, que se olhavam silenciosamente.
Jin já havia decidido não contar sobre profecia, Astaroth estava certo, eles eram personalidades distintas e independentes, a união dos sete selos precisava acontecer naturalmente...naturalmente do jeito que Seokjin quiser. No entanto, não podia mentir na presença de Jungkook, então evitaria certas perguntas e diria meias verdades.
– Eu não quero passar mais nem um dia trabalhando em um hotel, ouvindo e vendo coisas absurdas, quero uma casa longe dos humanos e uma vida diferente, mais precisava garantir que poderia me cuidar por mim mesmo.
– Este é o motivo pelo qual mergulhou no Rio estige? — Insistiu Namjoon.
– Sim. Agora continuem, estamos mais perto que longe. — Antes de voltar a andar os olhos de Seokjin passaram por Taehyung, como se o visse pela primeira.
A ação não passou despercebida por Jimin, que se perguntou o que realmente aconteceu e o que Seokjin sabia.